A nova geração marota
25 Alice morta?
Notas iniciais
Depois que meus amigos haviam ido embora, eu não tinha animo pra nada, passava as tardes lendo livros de escritores trouxas, e pelo incrível que pareça... Estudando. Na maior parte do tempo, eu não conseguia me concentrar no que fazia e meu pensamento voava para Hogwarts.
Fiquei tanto tempo imersa no mundo apenas meu, que nem vi o tempo passar. Havia se passado quase sete meses depois da minha ultima visita, minha mãe já havia dado a luz a Elisabeth, e mesmo que eu tenha questionado por dias seguidos que o nome da minha irmã mais nova era nome de velha, isso não convenceu meu pai.
Ele confiscou minha varinha por um tempo, mas depois, convencido pela minha mãe, me devolveu logo depois, dizendo que talvez eu precisasse dela para me proteger já que eram tempos difíceis. Minha avó materna mudou-se para Londres e trouxe minha prima Melanie, que tinha dez anos.
Meu pai passava o dia todo no Ministério, ou meses fora de casa em busca de comensais da morte. Á dias eu não via meu pai, não ouvia sua voz... isso me destruía cada vez mais. Tentei entrar em contato com meus amigos, mas eles nunca me atendiam pelo espelho e nunca respondiam minhas cartas. Foi ai que decidi parar de ser idiota, e não tentar mais. Eles se diziam meus amigos mas nunca mais vieram me visitar, o que custava escrever então?
Mas como sou muito boba, as vezes me pegava sorrindo por lembrar do beijo de Tiago, ou por todas as travessuras em Hogwarts. Lembrei-me também de Augusto, que eu nunca mais vi, mas decidi não escrever para ele. Se eu queria me acostumar a estar totalmente fora do mundo bruxo, eu teria que cortar laços.
Ter Elisabeth não era um pesadelo como eu imaginei, afinal, ela também me ocupava. Eu brincava com ela horas a fio sem me cansar, e cuidava dela também, ate Melanie chegar. A garota se apaixonou pela minha irmã, e não a largava. Confesso que fiquei com ciúmes, mas deixei pra lá e não me importei. Melanie chegava na minha casa às uma hora da tarde para pegar Elisabeth, e só voltava às oito da noite para devolvê-la, ambas exaustas. Eu não questionava, porque vovó não tinha tempo para Melanie e ela era filha única, provavelmente se sentia sozinha como eu me sentia.
Quando o tédio chegava ao extremo, eu ia pra cozinha e passava horas a fio conversando com os elfos.
Minha mãe decidiu que eu estava ficando depressiva e decidiu viajar.
– Vamos para a Índia! – mamãe disse animada.
– Não acho uma boa ideia, eu não vou conseguir tirar férias com o Ministério num caos – papai disse, mas isso não abalou minha mãe.
– Você pode ficar então – Ela se levantou pegando Beth em seus braços – vou avisar minha mãe.
Ela saiu pela porta, indo em direção á casa da frente, onde vovó e Melanie moravam. Fiquei na sala sozinha com meu pai, e nenhum dos dois pareciam ter algo pra falar, ate que ele quebrou o silencio.
– E então, como é que você esta?
– Bem, mas não graças a você – respondi fria.
– Olhe só, eu sou seu pai e você me deve respeito – ele me respondeu, ficando de frente pra mim.
– Desde quando você mudou tanto? Quando foi que você se tornou esse homem frio e sem coração? Ninguém tira um filho que tem o dom da magia de Hogwarts pai – respondi.
– Não adianta fazer drama, não vou te mandar de volta pra lá – e saiu.
Bufei e impedi que as lagrimas que queimavam meus olhos caíssem, e subi pro meu quarto. Mais tarde, naquela noite, mamãe mandou com que eu arrumasse minha mala, pois viajaríamos no dia seguinte. Me perguntei mentalmente como ela resolveu tudo tão rápido.
Peguei uma mala grande, e comecei a arrumar as roupas dentro para todo tipo de evento, afinal, nunca se sabe quando vamos precisar.
Enquanto eu colocava umas roupas nas mala, ouvi vozes no andar de cima. Achei que fosse papai e mamãe brigando, mas as vozes pareciam de homens e uma risada histérica que eu conhecia.
Belatriz Lestrange.
Me arrepiei dos pés a cabeça, me lembrando do dia em que fui torturada por aquela mulher. Peguei minha varinha e caminhei de fininho é a porta do meu quarto, vi que não havia ninguém no corredor e corri. Passei pela porta da sala, que estava aberta e vi pessoas lá entro. Parei e observei. Eu não conhecia ninguém ali, apenas Belatriz e um homem de cara cabeluda.
– Diga! — Belatriz gritou.
– Não tem mais ninguém aqui. Minha esposa e minhas filhas viajaram, foram pra Índia- meu pai gritou — Eu juro!
– Faça uma boa jornada, Thomazinho! — Ela sussurrou, mas alto o bastante para que ouvisse — Avada Kedavra!
E então eles desapareceram. O corpo do meu pai caiu imóvel no chão, e eu corri até lá. Me ajoelhei ao lado dele, e foi ai que a ficha caiu.
Meu pai está morto.
– NÃÃÃÃÃÃO — gritei. Abracei o corpo do meu pai, e ouvi uma porta se abrindo. Era a porta do banheiro, e de la saiu Belatriz.
Eu havia caído numa enrascada.
– Como estava na Índia, queridinha? — ela perguntou irônica. Me levantei num salto e corri. O feitiço que Belatriz lançou contra mim atingiu a parede, abrindo um buraco na mesma. Imaginei o estrago que faria em mim caso me atingisse.
Parei perto da escada e esperei que Belatriz aparecesse na porta, e quando ela apareceu...
– Conjunctivitus — conjurei o feitiço que atingiu em cheio o rosto de Belatriz. A visão dela ficaria abalada por tempo suficiente para que eu fugisse. Ela se aproximou de mim e eu caminhei para trás. O cheio de fumava invadia a parte de cima da casa, me fazendo perder o foco das coisas. Caminhei para trás esquecendo-me totalmente da escada e caindo dela.
E então tudo se apagou.
– POV Tiago Potter
Desde que voltei da casa de Alice, fiquei ansioso para retornarmos a Hogwarts e finalmente revê-la.
Fomos para a estação de trem bem mais cedo, afinal, seria o ano em que Alvo entraria na escola. Ele estava a ponto de chorar quando papai finalmente mandou que eu parasse de dizer que ele iria para a Sonserina. Quando cheguei, corri para dentro do trem e encontrei Victoire e Teddy nos amassos em um dos vagões.
– FINALMENTE! – Eu disse alto o suficiente para fazer com que varias pessoas que passavam por ali olhassem para os dois agarrados. Victoire se afastou ficando cada vez mais da cor do cabelo.
– Tiago – Teddy começou entre os dentes, e Fred chegou.
– Ei cara, a Alice já chegou?
– Ela não vai mais voltar para Hogwarts, esqueceram? – Sofia disse num tom de pura reprovação.
O resto da viagem foi horrível para todos. Al se juntou a nós no mesmo vagão, e não parecia se incomodar com o silencio. Todos pareciam chateados por não terem mais Alice de volta, ate que o silencio se desfez quando alguém abriu a porta do vagão.
– Posso?
– Não, já esta bem cheio aqui – respondi ríspido, e enfim olhei para a garota. Era ruiva de olhos azuis bem clarinhos. Os cabelos num corte Chanel ousado, com mais volume. E seu corpo parecia ter mais curvas.
– Valentina? – todos dissemos juntos, menos Al é claro, que nem sabia de quem se tratava.
– E-e-en-tre — Fred gaguejou, finalmente formando a palavra.
A garota se sentou sorridente, se espremendo entre mim e Victoire.
– O que aconteceu com você? – Victoire começou – você esta bem diferente desde a ultima vez que te vi.
– Deve ser o corte de cabelo, decidi inovar – ela sorriu – Onde esta Alie? Não me digam que esta no vagão do namoradinho dela.
– E quem seria o namoradinho dela? – perguntei ríspido novamente. Essa garota esta torrando minha paciência só com a voz.
– Edgar Nephew, é claro.
Chovia forte quando íamos para o castelo de carruagem, enquanto Al se separou de nos para seguir os primeiranistas. Vi Edgar de longe e me lembrei de Alice novamente, ate porque a imagem dela não me saiu da cabeça um minuto sequer desde que eu soube que ela não voltaria mais para Hogwarts.
Assim que adentramos ao Salão Principal, a seleção foi feita e Alvo Severo Potter foi selecionado para...
– Grifinória! – o Chapéu Seletor, ou velharia como Alice o chama gritou. A mesa da grifinória vibrou e Al se sentou próximo a nós. Lancei um sorriso animado a ele, e ele contribuiu com um tímido, enquanto outros primeiranistas já selecionados para a Grifinória se apresentavam a ele. O jantar foi servido e finalmente nos jantamos.
Ficamos horas e horas conversando no salão comunal.
– Já estou sentindo falta dela – Victoire disse cabisbaixa.
– Não fale dela como se ela tivesse morrido – respondi
– Pare de ser ignorante Tiago, ninguém aqui tem culpa se a Alice não vai mais voltar pra Hogwarts – Teddy disse, e pôs os braços ao redor dos ombros de Victoire. Observei o gesto, e me toquei. Eu estava culpando todo mundo, quando na verdade eles não tinham culpa nenhuma.
Olhei para Victoire, e disse:
– Me desculpe Victoire, me desculpe mesmo.
Ela sorriu.
– Tudo bem, eu te entendo.
No dia seguinte, desci com Fred para o salão comunal e pude ver um tumulto a mais na mesa da grifinória. Vi Victoire chorando e Sofia com a pior cara do mundo, assim como Teddy.
– Parece que a Fox se escafedeu, não é mesmo? – pude ouvir Héstia provocar na mesa da Sonserina. Mostrei o dedo do meio para ela e fui ate meus amigos.
– O que aconteceu? – perguntei
– Eu sinto muito cara – Teddy disse e me entregou o Profeta Diário. – Leia ai, tem haver com Alice.
Peguei o jornal e comecei lê-lo.
“ A família Fox foi assassinada essa noite em sua residência em Londres. Os comensais da morte atearam fogo na parte de baixo da casa, onde provavelmente morreram Marília, Elisabeth e Alice carbonizadas, enquanto Thomaz foi atingido pela Maldição da morte na parte de cima da casa...”
Li, e reli o trecho várias e várias vezes ate recapitular o que dizia.
Alice estava morta. Não podia ser.
Corri para o dormitório e bati a porta com força. Ouvi passos subindo a escada e vi Valentina entrar no quarto.
– O que... – ia dizer, mas Valentina me jogou contra a parede me beijou. Não era a primeira vez que ficamos, e não seria a ultima, já que ela beija muito bem. Da ultima vez, pude ouvir a voz de Alice perguntando se eu estava ali, mas eu ignorei achando que era coisa da minha cabeça.
E realmente era.
Correspondi ao beijo de Valentina, que ate esqueci por um momento da morte de Alice, e ficamos ali algum tempo até Fred chegar.
– Ta bom, podem parar – ele disse. Me soltei de Valentina e tudo voltou a tona, percebi a besteira que estava fazendo e virei as costas, bagunçando os cabelos.
– Vaza Valentina – eu disse estressado.
– Mas... – ela começou, mas não deixei que terminasse.
– VAZA VALENTINA, TA DIFICIL? DEIXA QUE EU TE AJUDO ENTÃO – Puxei-a pelo braço e joguei-a fora do dormitório.
– TIAGO! – ela gritou pelo lado de fora.
Bati a porta na cara dela e passei a mão pelo cabelo.
– Olha cara, eu sei que é difícil mas...
– Mas nada – explodi – Mas nada Fred, Alice esta morta, não tem nada de mas nisso. – me sentei na cama e apoiei o rosto nas mãos. Vi que Fred e Alice eram os meus verdadeiros amigos. Teddy pra mim era como um irmão mais velho, é essencial na sua vida, mas você não precisa tanto da sua companhia vinte e quatro horas por dia como seus melhores amigos. E eu me sentia a vontade de chorar na frente de Fred, e foi isso que eu fiz.
E me surpreendi, quando percebi que ele também o fazia.
Na noite seguinte, no jantar, Minerva chamou a atenção de todos, saudou os professores e começou seu discurso pré-rango.
– É com muito pesar que venho comunicá-los de algo que provavelmente já saibam pelo Profeta Diário. A escola sofreu uma grande perda, e sentimos muito pela morte de Alice Marie Fox. Sua jornada na escola foi curta, mas foi o bastante para deixar sua marca. A perda da nossa querida aluna, só nós mostra como está o mundo lá fora e que precisamos nos preparar para o que esta por vir — Ela assoou o nariz — Tenham um bom jantar.
Olhei para Victoire e seus olhos estavam marejados. De todos ali, com certeza Victoire (e eu) era a mais ligada à Alice, e eu compreendia o que ela sentia, porque eu sentia também. Toquei sua mão, e ela me olhou, e então nos abraçamos. Bem forte, como se pudéssemos sentir Alice ali conosco, a cada segundo.
Cada segundo.
A mesa da Grifinória, Corvinal e Lufa-Lufa permaneceu em silêncio, enquanto os Sonserinos conversavam animadamente sobre um assunto que eu não me interessei em saber qual. Assim que o jantar acabou, me levantei e sai. No terceiro andar, encontrei Edgar. Ele estava sentado no chão, com as mãos no cabelo e cabeça baixa. Me aproximei dele, e percebi que ele chorava.
– Edgar, o que foi? — me aproximei. Ele percebeu minha presença, se levantou rapidamente limpando as lágrimas e me encarou.
– Não é nada — ele respondeu
– É a Alice né? Eu sei o que você sente — eu disse
Ele assentiu e respirou fundo. Ele estava horrível.
– Olha, vai ficar tudo bem ta? — toquei seu ombro e dei leves tapinhas. Eu sei que Edgar era apaixonado por Alice, e mesmo que eu achasse aqui uma gaysisse, eu também sabia o que ele estava sentindo, e me sentia na obrigação de apoiá-lo.
Andei pelos corredores com Edgar, enquanto conversávamos sobre Quadribol. Eu queria que ele esquecesse aquilo tudo, pois era ruim demais para ser lembrado o tempo todo, e eu queria esquecer também.
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