A nova garota
36 Muitas coisas de uma vez só
Notas iniciais
Havia agua no local. Claro que havia agua, afinal tinha uma cachoeira também. Mas a queda era literalmente enorme! Mesmo com essa agua, a gente deveria morrer!
Mas não foi o que aconteceu. Kanato me abraçou com força, e então absorveu a queda.
Suas costas bateram contra o fundo do rio. Eu lhe encarei, mesmo debaixo de agua. Ele havia me soltado e fechado os olhos, ao mesmo tempo em que uma bolha de ar saia de dentro de seus lábios.
Eu fiquei desesperada. Passe um braço por volta de seu abdômen, e com o outro eu peguei seu urso, e então comecei a nadar para a superfície.
Chegando lá, eu coloquei Kanato no chão.
– Ei meus deus! – Falei desesperada – Por favor! Acorda! — Eu falei. Coloque a cabeça em seu peito, e arregalei os olhos. Sem pulsação!
– Não... Não, não, não, não, não... – Eu comecei a falar, desesperada. Coloquei as mãos sobre seu peito e pressionei, fazendo movimentos de vai e vem... Geralmente quando uma pessoa se afoga, é isso que se tem que fazer, não é?
– Por favor... Acorda! – eu implorei. Eu encarei seu rosto. Meio hesitante, eu aproximei o rosto do seu, e levei os meus lábios até o dele, tentando fazer respiração boca-boca.
Depois eu me afastei, e tentei checar seu pulso novamente. Nada. Quando percebi, eu já estava chorando.
– Droga! Droga! Droga! Droga! – eu solucei – SEU IDIOTA! Porque você tinha que tentar me salvar? – eu perguntei batendo em seu peito – Por favor! Se você acordar, eu juro que nós podemos voltar a ser amigos! Que eu nunca vou mexer no Teddy novamente, que eu vou respeitar sua personalidade bipolar, mas por favor... ACORDA! – Gritei.
De repente, ele começou a tossir. Ele se sentou, e tossiu agua. Eu lhe encarei, perplexa.
– Por quanto tempo eu apaguei? – Ele perguntou.
– K-Kanato... V-Você está vivo! – eu disse perplexa.
– Claro que estou – Ele disse se ficando em pé – Uma coisinha dessas não iria me matar... – ele deu ombros.
– Mas você não tinha pulso... Nem acordou...
– Eu naturalmente não tenho pulso! – Ele disse me lançando um olhar reprovador – E eu realente apaguei durante um segundo – Ele revelou – Pois era o tempo em que o meu organismo iria levar para tirar a agua do meu pulmão — Ele disse pegando o urso que estava no chão – Ho Teddy... Sinto muito, você se molhou! – Ele começou a conversar com o urso.
No momento eu corei. Será que ele ouviu o que eu tinha dito? Ai meu deus! Tomara que não!
– Há... Kanato... – eu murmurei de cabeça baixa – Obrigada sabe, por me salvar... – Murmurei com um riso fraco. Ele me encarou, e em seguida deu ombros.
– Eu só estava retribuindo um favor, por você ter pegado o Teddy! – Ele disse com um sorriso fofo. Eu suspirei. Notei que estava começando a escurecer.
E estava frio... MUITO FRIO.
– E-e-esta m-m-muito f-f-frio... – gaguejei de frio. Kanato estava entretido com o urso, e me ignorou – Vou tentar ligar para a Mika – Avisei.
Tateei a bolso da minha calça em busca do celular, e o encontrei, quebrado, e todo molhado.
– D-d-d-d-droga... P-perdidos, s-sem sinal, e com f-f-frio... – Falei me abraçando. Tentando amenizar o frio.
– Pelo menos não tem como piorar, não é Teddy? – Disse Kanato rindo.
Instantaneamente quando ele disse isso, como se fosse para confirmar que estávamos na merda, começou a chover.
– M-M-Melhor a g-g-g-gente arranjar um abrigo – Gaguejei.
– Concordo... O Teddy está ficando molhado... – Murmurou Kanato. Eu ia abrir a boca para falar QUE O URSO JÁ ESTAVA MOLHADO por conta da “quedinha” que tivemos, mas eu me mantive calada.
Olha, vou dizer uma coisa, onde quer que esteja esse abrigo, ele se escondeu bem! Passou um tempo, e a chuva já tinha virado tempestade e essa hora. Eu tentava andar sem ser levada pelo vento que ricocheteava meu cabelo.
– M-m-m-merda! – gaguejei – N-não encontro n-nada! E-e e-estou m-morrendo d-de f-frio! – Gaguejei quase congelando. Acho que vou morrer de frio sério.
– Anda logo! – murmurou Kanato em tom de tédio. Sério, ele não está com frio? – Eu e Teddy estamos com um pouco de frio!
– U-um p-pouco? – eu perguntei perplexa.
– Venha logo! – Ele murmurou revirando os olhos. Eu engoli um seco, tentando der um passo para frente, mas não consegui. Estava frio demais (provavelmente vocês devem estar pensando: Está tão frio assim? Uma floresta, à noite, com chuva e vento, CLARO QUE ESTÀ FRIO!).
– F-frio d-demais... – gaguejei. Acho que se não fosse os quilos que ganhei comendo Nutella, os vento já teria me levado. Kanato me encarou com tédio.
– Então nós vamos sem você! – Ele disse andando sem mim.
– H-HEY! K-KANATO! E-Espera! – Eu gaguejei tentando dar um passo para a frente, mas eu mal conseguia enxergar um palmo na frente do meu nariz, por conta da chuva e do escuro. – V-Você vai me d-d-deixar s-s-s-sozinha? – eu choraminguei.
Sem resposta.
Por favor... Volte... Ele vai voltar... Ele vai voltar... Ele vai voltar... Não. Ele não vai voltar.
Ele foi realmente embora, me deixando sozinha. Senti lágrimas rolarem pelo meu rosto. QUE DROGA! Eu sabia que ele me odiava, mas não tanto assim para me deixar sozinha na floresta. Para me deixar morrer de frio.
Eu comecei a soluçar. Eu fugi de um urso, tirei Kanato do fundo do lago, e é assim que ele me retribui?
Eu chorei. Se chorei. Mas enfim... Eu não posso ficar parada chorando. Isso não vai levar em nada! Melhor eu tentar achar logo um abrigo.
Com dificuldade (muita dificuldade) eu comecei andar contra o vento que vinha com força contra mim. Sem contar o breu que tinha em minha frente.
Por ironia do destino, eu tropecei em alguma raiz de arvore, e cai na lama. A chuva estava tão intensa que a superfície do chão até virara lama.
Tentei me levantar, me apoiando nos braços, mas estava fraca, com frio, e tremendo.
Com muita dificuldade, eu levantei. Comecei a andar com mais dificuldade, provavelmente eu devo ter machucado a perna. Depois de um tempo, o peso da perna machucada cedeu.
E eu cai novamente, mas havia uma arvore por perto. Se pensa que eu me apoiei nela, está totalmente enganado.
Na hora eu cai, minha cabeça bateu contra um o trono, e em seguida cai no chão, batendo minha cabeça novamente, na raiz da arvore.
Não aguentei mais. Tentei lutar para me manter desperta. Eu não vou desmaiar. Eu não posso apagar... Não posso... Minhas pálpebras se tronaram pesadas demais para eu aguentar, e então...
Eu apaguei.
***
Eu acordei. Acordei surpresa não ter morrido. Eu me sentei, sonolenta, e observei o local. Provavelmente era uma caverna.
Tinha uma fogueira quase se apagando no local, deixando uma iluminação muito fraca. Não vi a entrada da caverna, mas pelo barulho, ainda chovia forte.
Olhei em volta. Percebi que havia um pequeno lago dentro da caverna. Minha mochila estava encostada em algumas pedras, com algumas coisas secando.
Eu me encarei. Minhas roupas estavam meio húmidas (mas so um pouco) e também percebi que estava enrolada em um saco de dormir.
Comecei a me perguntar que tinha feito isso.
Olhei em volta novamente, e então percebi no canto (eu pensei que era uma pedra, sei lá) estava Kanato, que dormia no chão frio da caverna, abraçado com o urso.
Eu franzi a testa. Ele não tinha me deixado para morrer? Só sei que nesse momento, eu deixei escapar um pequeno suspiro.
Decidi acorda-lo.
Sai de dentro do saco de dormir, e engatinhei para perto de Kanato que dormia.
– Kanato... – eu murmurei mexendo em seu ombro. Ele murmurou algo inaudível, e rolou para o lado.
– Kanato! – eu falei um pouquinho mais alto. Ele acordou meio sonolento, e então me encarou.
– Não me acorde... Eu e Teddy estamos dormindo – Ele resmungou se sentando.
– O que aconteceu? – perguntei.
– Nada, só vi você caída no chão, e então eu trouxe você para um abrigo... Porque o Teddy pediu, é claro – Ele esclareceu.
– Entendo... – murmurei. E então eu lhe empurrei contra o chão e subi em cima dele começando a soca-lo.
– O que você está fazendo? – Ele perguntou surpreso, tentando me segurar. Senti lágrimas rolarem pela minha face.
– Estou lhe batendo? Não é obvio? – falei batendo em seu peito — Seu idiota! Você me deixou lá no meio da tempestade, do frio, perdida, no escuro, resumindo... Me deixou para morrer – Falei com a voz embargada – Eu sabia que você me odiava, mas não o suficiente para querer que eu morra sozinha no meio da floresta... – Falei soluçando.
Kanato (para minha surpresa) só ficou calado durante um segundo, como se quisesse ter certeza que eu não iria falar mas nada, e então, ele inverteu nossas posições, ficando em mima de mim, segurando meus pulsos ao lado da cabeça.
Eu arfei surpresa. O que ele está fazendo?
– Eu e Teddy não te deixamos para morrer – Ele murmurou se defendendo – Nós voltamos para te buscar depois! – ele disse me encarando — O quão tola você é para não notar? – Ele murmurou bufando, e saindo de cima de mim, abraçando o urso com força.
Eu lhe encarei, ainda meio perplexa. E então, com uma mão eu enxuguei minhas lagrimas e falei:
– Nós podemos voltar a ser amigos? – perguntei estendendo minha mão. Kanato pareceu meio hesitante, mas então a apertou.
– Só porque o Teddy pediu... – Ele murmurou sem me encarar. Internamente eu ri. Sei... Foi o Teddy Kanato...
– Eu acho que vou voltar a dormir – murmurei. Mesmo que provavelmente eu tenha desmaiado durante horas, eu ainda sinto como se tivesse passado dias sem dormir.
Então por isso, eu entrei no saco de dormir novamente.
– Eu e Teddy também– Kanato murmurou se deitando no chão. Eu lhe encarei com um aperto no coração.
– Você vai dormir no chão? – perguntei.
– Hmhmm – ele murmurou em concordância.
– Mas está frio.
– Hmhmm...
– Pode dormir aqui no saco de dormir, eu durmo no chão – falei.
– Não precisa! Eu não sinto tanto frio – ele murmurou entediado.
– Mas eu não posso simplesmente te deixar dormir no chão! Deixe esse seu orgulho de lado!
– Pare de tentar se altruísta... Eu e Teddy não precisamos de sua bondade – ele murmurou.
– Anda logo deita aqui! – falei apontando para o saco de dormir enquanto eu começava a sair dele.
– Thammy, pare, você está causando desconforto ao Teddy de tanto falar!
– Eu quem estou causando desconforto? Kanato, só quero seu bem! – falei cruzando os braços.
– Dorme você no saco de dormir, então.
– Durma você!
– Você vai dormir.
– Não, você vai!
– Como é Teddy? — Kanato parou de repente olhando para o urso. Eu bufei. Dai-me paciência senhor – Não Teddy, não acho uma boa ideia – ele começou a falar com um urso.
– O Teddy sugeriu uma ideia – Kanato murmurou dando ombros. Então ele não falou mais nada, somente se enfiou dentro do saco-de-dormir.
Eu franzi a testa. Não era isso eu estava para Kanato fazer o tempo todo? E Kanato parecia estar com raiva demais, somente por isso... Mas logo eu entendi o que era essa “tal ideia”
– Vem Thammy – Kanato murmurou de mau gosto apontando para o saco-de-dormir.
Eu corei. Corei igual á um tomate. Agora eu entendi. Dividir o saco de dormir... Lógico! Uma ideia obvia! Porque não pensei nisso antes? SO QUE NÃO!
– E-espera! – falei – D-Dividir a barraca? – gaguejei, mas não de frio.
– Eu também não gostei muito dessa ideia – Kanato murmurou com um rosnado, e em um ato quase imperceptível, corou.
E então eu, fiz algo que me surpreendeu. Eu também deitei no saco de dormir, mas de costas para Kanato. (como ele também estava de costas para mim)
Imediatamente, percebi que quase não cabíamos nós dois ali. E por isso, deixava o local super desconfortável.
– Isso é meio apertado... – Murmurei me mexendo desconfortavelmente.
– Pare, você está piorando tudo! – murmurou Kanato. Estávamos praticamente colados um ao outro, por isso pude senti ele se virar em minha direção.
– È meio difícil encontrar uma posição confortável — falei virando-me para olha-lo. – principalmente porque tenho que dividir essa merda com voc... – eu parei de falar, engolindo um seco.
Estávamos encarando um ao outro, com nossos corpos quase colados, nosso rostos tão próximos que eu podia sentir sua respiração roçando em meu rosto.
– Errr... – eu falei meio constrangida – Kanato pode olhar para o outro lado? – perguntei. Ele me encarou tentando entender um segundo.
Mas foi exatamente nesse meio tempo em que (por causa da tempestade que ainda caia) pode-se ouvi um raio cair lá fora (ou melhor o trovão que veio por causa do raio). E provavelmente estava perto, pois o barulho foi estrondoso.
Eu praticamente dei um salto(uma ação involuntária) e quando vi, eu havia pulado para cima de Kanato, me abraçando a ele, sem querer.
Corei que nem o tomate mais vermelho do mundo fundido com ketchup e o cabelo do Ayato.
– Haaa... F-foi sem querer – gaguejei. Kanato pareceu meio constrangido também, mas ficou calado.
Sei que eu devia ter o largado imediatamente, mas, por algum motivo, pareceu que agora tinha espaço o suficiente para dois no saco de dormir. (sem contar que Kanato é confortável! PUTA QUE PARIU! ELE È COMO UM TRAVESSEIRO DE NUVENS!).
– Não vai me soltar? O Teddy está ficando desconfortável – Kanato murmurou.
– È que você é confortável – deixei escapar. Logo em seguida corei. Não tem aquela fusão louca de coisas vermelhas que falei? Enfim... Foi pior que aquilo.
– Contanto que não provoque o Teddy... – Kanato murmurou dando ombros. Eu suspirei aliviada por ele não me matar.
Mas logo fui surpreendida, por ele me abraçando de volta (com o urso no meio, é claro). Eu corei de novo.
Surpreendentemente eu estava super acomodada com a cabeça apoiada em seu peito, sentindo a respiração de Kanato roçando e minha nuca.
Incrivelmente bem, eu me senti confortável.
Tá legal! Eu acho que estou andando muito com o Laito. Estou virando uma pervertida! Por um triz, não tenho um sangramento nasal...
Imersa em meus pensamentos eu me lembrei de algo.
– Kanato... Quando você acordou, depois da queda, que a gente teve... – Eu comecei a falar– Você ouviu o que eu falei? – Perguntei em um sussurro. Ele não responde. Fez-se uma longa pausa, até ele finalmente falar.
– Um pouco – Ele murmurou. Eu senti o sangue subir em minhas bochechas.
– V-Você o-ouviu? – Eu gaguejei encarando-o.
– Não foi isso que eu acabei de dizer? – ele murmurou bufando. Ho não... Ele ouviu... CARALHO! ELE OUVIU!
– Bem... Er... Eu estava tinha pensado que você tinha morrido! Não quer dizer que eu sinto alguma coisa por você, entendeu? Foi somente porque ia ser triste se você morresse! – Eu disse com raiva.
– Thammy, pode fazer silêncio? Teddy está querendo dormir – Kanato murmurou, ignorando totalmente o que eu acabei de falar.
Me senti totalmente no vácuo. Fiquei tipo: ‘-‘ #ignorada #chateada
– Tá legal... Boa noite Kanato! – eu disse bufando.
Eu devo ser uma masoquista, pois, mesmo de ter levado um vácuo legal (e ter ficado com raiva do FDP) eu acomodei minha cabeça em seu peito.
Olha, eu não tenho culpa se o Kanato é um vampiro muito confortável, okay?
E, foi com esse pensamento que eu adormeci
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