A nova Volturi

3 Capítulo 3 - Interrogatório


–Qual é seu nome? — perguntou Aro

–Katherine — respondi. Sabia que precisava falar apenas a verdade ou poderiam me matar. Um terceiro vampiro da "guarda" estava olhando fixamente para mim. Ele era adorável, parecia irmão da vampira loira. Acho que ele havia lançado a fumaça escura que tirou meus sentidos. Todos os vampiros eram impecáveis, mas aquele tinha uma beleza exótica e rústica. Seu cabelo escuro estava jogado de lado.

-Estenda sua mão por favor. Você me deixaria? — eu não entendi o que ele pretendia, mas estendi minha mão sem pensar muito. Ele encostou nela e durante alguns segundos, ficou olhando para ela, até que uma expressão estranha se formou em seu rosto. — Interessante... Eu não vejo absolutamente... Nada. — lembrei que alguns vampiros podiam ler mentes com o toque -O que você estava fazendo aqui?

–Eu e minha turma do intercâmbio nos perdemos... E entramos junto com um grupo de turistas... — minha voz estava tremida, eu queria chorar.

–Quantos anos você tem?

–14

–Você é o que exatamente?

–Mestiça... Minha mãe é uma vampira, meu pai é humano.

–Você tem algum poder?

–Hmm... Mais ou menos.

–Explique-me. — Aro parecia interessado. Seus olhos vermelhos eram assustadores. Eu olhei para o vampiro bonito e ele desviou o olhar. Meu coração nunca havia batido tão rápido.

–Eles mudam. Aparecem e vão enfraquecendo, ás vezes fico sem.

–Dê um exemplo. — ele sorriu e sua foz ecoava nas paredes de mármore geladas

–Já li mentes... Há um ano eu conseguia controlar a água, também já criei incêndios e tive o dom de curar.

–Você está nervosa? Felix — ele assentiu e o vampiro alto que estava atrás de mim foi para o lado dos outros vampiros guardas. O vampiro que eu estava observando antes recuou um pouco, parecia tímido — Parece que você tem sangue, estou correto?

–Sim... Tenho algumas características humanas. A minha pele não brilha e eu sobrevivo com comida normal.

–Você parece muito com... Helena Platz. — falou o vampiro à sua esquerda, que parecia ser muito velho, chamado Marcus.

–Minha mãe — falei meio surpresa e preocupada.

–Helena não nos contou que tinha uma filha... — Aro deu uma risada estridente e maliciosa — O que você sabe sobre os Volturi?

–Já ouvi falar. — eu sabia o quanto eram malvados, autoritários, respeitados e poderosos. Também sabia que procuravam vampiros com talentos para lutarem ao seu lado. Respirei fundo, olhei para o chão e fechei os olhos. Quando abri, todos me encaravam naquela sala.

–Seu talento é muito... Diferente. — sorriu novamente e olhou para os vampiros da guarda. — Estamos juntando membros assim para compor a nossa guarda. Você aceitaria se juntar a nós?

–Seria uma honra — falei sem pensar, mas me arrependi. Estava abrindo mão da minha vida normal, da escola, de morar com a minha família, para viver no meio daqueles monstros sanguessugas.

–Esplêndido! Jane irá conduzí-la. — a vampira loira olhou para mim e eu a segui para fora da sala. Antes, dei uma olhada naquele vampiro misterioso e ele estava com uma expressão estressada, o que me incomodou.

–Você tem sorte de estar viva — falou ela, no corredor. Sua voz era adorável e desprezível ao mesmo tempo. Parecia ser uma menina mimada.

–Eu sei.

–Neste quarto há tudo o que você irá precisar. Tem um livro na cabeceira para você aprender algumas coisas. Volte quando estiver pronta. — e fechou a porta

Eu olhei para o quarto luxuoso em estilo clássico. Haviam pinturas nas paredes, sofás, um guarda-roupa grande, tapetes, banheiro, tudo muito refinado. A cama parecia não ter muita importância, eu já sabia que vampiros não dormiam, e eu precisava dormir pouco.

Eu senti minha pressão cair. Sentei na cama, tonta, e deitei. Fiquei pensando e olhando para o vazio. Fechei os olhos secos e de repente, lágrimas desciam descontroladamente. Perdi Jack. Quando encontro uma razão para continuar, quando minha vida finalmente melhora, quando havia saído da situação medíocre em que estava no meio dos meus colegas psicopatas, quando eu finalmente havia encontrado felicidade, quando tinha atingido o nirvana, tudo despencou.

Após 10 minutos assim, lavei o rosto, prendi os cabelos e peguei o livro da cabeceira. Comecei a ler. Havia muito sobre a história dos Volturi, também havia um capítulo sobre a conduta, castigos e etc. Era realmente importante ler aquilo para continuar viva.

Enxerguei a realidade: o encanto estava apenas na Austrália. Perderia tudo quando voltasse para minha cidade, as pessoas ruins seriam as mesmas, seria uma decepção. Talvez nem duraria nada com Jack...

Era uma nova vida. Abri o guarda-roupas e peguei uma roupa "decente" ao estilo daqueles vampiros que não usavam calça jeans, vans e camisa da abercrombie. Arrumei o cabelo e saí daquele quarto para encarar o que me esperava.