A nossa história de amor
3 Uma canção.
Notas iniciais
Você já teve a sensação de querer morrer? Eu acho que todos já tiveram isso pelo menos uma vez na vida. Eu acabei de ter. Talvez seja drama meu, mas eu realmente pagaria alguém para me atropelar, e, com sorte, eu morreria. Seria ótimo, não é mesmo?
Eu não aguentava nem olhar para a cara de Regina, quem imagina ter que abraçá-la e fingir um carinho inexistente entre nós. Eu seria uma grande atriz naquela encenação, pois ficar perto de Regina não era para qualquer um. Ou será que ela também entraria no personagem e me pouparia de nervosismo? Lembrei-me de dar obrigado à Deus por não existir um relacionamento amoroso entre nossas personagens. Eu odiaria mais ainda ter que fingir amar Regina.
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— Ok, vamos lá, novamente. Emma, abrace a Regina! – professora Nathalia repetia pela milésima vez.
— Mas ela não colabora! Só fica debochando!
— Professora, não é minha culpa que ela não consegue ter um contato humano, me abraça como se tivesse nojo. – e eu tenho. Reviro os olhos.
— Se você fosse menos desprezível, isso daria certo.
— Meninas, já chega. Vocês entraram nisso e agora vão continuar. Parem de infantilidade! – A mestra ordenou.
— Então eu saio! Parabéns, Regina, conseguiu fazer da aula um pesadelo! – grito e desço apressadamente o palco, indo para a porta de saída.
—-
Eu estava sentada no chão, encostada da parede. Eu gostava da sala de música porque quase ninguém a visitava. Tento acalmar-me, respiro fundo e tento não chorar. Eu era muito emotiva, chorava facilmente. Por alegria, tristeza ou raiva.
Ouço a porta se abrir, mas continuo com a cabeça abaixada. A pessoa senta ao meu lado e fica por algum tempo em silêncio.
— Emma, todos estavam te procurando. – era Regina. Ela falava calmamente, o que eu estranhei.
— E você se preocupa? – rebato secamente.
— Não. Mas eu me senti culpada por ter feito isso, a professora tem razão. Mesmo que eu fui obrigada a participar disso, você não foi. Por mais que eu queria te irritar, não é justo. – fico surpresa com aquelas palavras.
— Quem diria... Regina Mills se sentindo culpada por ter irritado alguém. Eu fui. – zombo.
— Cale a boca, aproveita, porque após isso eu vou ser daquele jeito novamente. – revira os olhos. – Tenho uma reputação a zelar.
Sério mesmo que ela envolveria a sua reputação na nossa conversa? Eu tinha uma certa raiva por isso, Regina era a mais popular da nossa escola e tinha que tratar todos mal. Eu sentia que não era realmente ela. Talvez a verdadeira Regina fosse diferente.
— Tudo bem... – não estava nada bem- Vamos...
— Eu sei tocar piano. – ouço ela dizer quase em um sussurro.
— Sério? Quero ver você tocando! – me animo.
— Lógico que eu não vou tocar, faz tempo que eu não pratico. – fala com certeza.
— Por favor... Só assim eu vou te perdoar.
— Eu te odeio! – bufa e senta no banquinho que ficava na frente do instrumento. Regina liga o piano, leva suas mãos até as teclas e começo a ouvir uma melodia. Reconheço sendo Please Don't Say Goodbye, do artista Chrystian. Deixo-me levar pelo som e quando vejo estou sorrindo igual boba. Começo a cantá-la. Regina sorriu em minha direção e voltou seu olhar para o piano, enquanto eu tentava, improvisadamente, lembrar da letra da música.
Please, don't say goodbye
Por favor, não diga adeus
I need the warmth you have
Eu preciso do calor você tem
I need the sun you bring
Eu preciso do sol que você traz
So don't go away
Então não vá embora
Please, don't say goodbye
Por favor, não diga adeus
Never in your life
Nunca em sua vida
Cause I need the song you sing
Porque eu preciso da música que você canta
That's all I need
Isso é tudo que eu preciso
I'm so tired
Estou tão cansado
Of waiting alone for you
De esperar sozinho por você
But you don't seem to care
Mas você não parece se importar
What's going on?
O que está acontecendo?
I'm so tired
Estou tão cansado
Of waiting alone for you
De esperar sozinho por você
But you don't seem to care
Mas você não parece se importar
What's going on
O que está acontecendo
Please, don't say goodbye
Por favor, não diga adeus
Quando a música terminou, nenhuma de nós falou nada. Só trocamos um olhar e saímos da sala, caminhando em direção ao auditório.
— Então... – tento puxar algum assunto, o silencio estava constrangedor. – Como vão você e sua namorada?
— Por que você quer saber sobre isso? – Regina pergunta confusa.
— Sei lá. É a primeira coisa me veio na mente. – confesso envergonhada.
— Nós vamos bem... – percebo que ela estava mentindo- Bom, não como esses casais de filmes românticos, mas bem. O problema é que Kristian é muito grudenta e possessiva. Acha que eu só sou dela, isso me deixa frustrada – revira os olhos – ela também é muito sonhadora, já está pensando em termos filhos, Deus me livre. Aliás, por que eu estou te contando isso? Não é da sua conta. – ouço Regina bufar.
É, Regina Mills não era nada fácil.
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Chego em minha casa, dou oi para minha mãe, meu pai estava trabalhando. Subo as escadas e me jogo na cama. Relembro tudo o que havia acontecido naquele longo dia. Briguei com Regina, ela me procurou, cantou para mim, o que foi bem estranho, aliás. Sempre me acostumei com o jeito irritante dela. Dou um sorriso fraco com aquela lembrança. Eu também te odeio, Regina Mills.
—-
REGINA POV
Torço para minha mãe não estar em casa, mas infelizmente ela estava. Abro a porta da grande Mansão Mills e dou de cara com ela, que me encarava com os braços cruzados.
— Demorou para chegar. – comenta friamente.
— E desde quando você se importa?
— Estava com aquela sua namorada, Regina? – questiona com um olhar desprezível.
— Não, eu não estava com Kristian. Não é da sua conta o que eu estava ou não fazendo, Cora. – rebato.
— Quando você vai entender que isso não é certo? Você e essa garota são uma abominação! Tomara que isso seja apenas uma fase.
— Não é uma fase! Quando você vai entender isso? Você e papai só se preocupam com dinheiro e fama. Eu sou apenas um objeto que vocês usam para se promover. A perfeita família Mills. Entendam que esse é o meu jeito e eu não vou mudar por causa de vocês. – grito, furiosa. Por que meus pais tinham que ser desse maldito jeito? Idiotas.
Cora achava que ninguém sabia sobre seu casinho com o Pastor Robin. Mas, claro, aquilo era lindo, né?
Subo as escadas correndo, ignorando o que minha mãe dizia. Me jogo em minha cama e permito-me chorar.
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