A negação de Ladybug
1 Motivo
Notas iniciais
Às vezes parecia que o kwami do Hawkmoth não precisava alimentar-se. Ele estava a todo momento mandando akumas. Isso era muito irritante mas, como eu e Chat Noir sempre conseguimos purificá-los, então era só incômodo mesmo. Além de ser extremamente cansativo, comia tempo do meu dia. Tempo no qual eu poderia estar costurando, tempo no qual eu poderia estar estudando, tempo no qual poderia estar vendo o Adrien! Naquela ocasião em especial, estava comendo o tempo que eu tinha para chegar na hora da aula. Nem sempre me atrasava porque Ladybug entrou em ação, mas o número era significativo.
Então eu estava com muita pressa para acabar logo com aquele akumatizado. Parecia que ele era dono de um restaurante e recebeu uma crítica muito ruim numa revista, o que fez ele perder freguesia.
—Chega de maldade para você akuma. Hora de aniquilar a maldade. Te peguei. Tchau, tchau borboletinha. Miraculous Ladybug! — eu joguei o talismã para cima e tudo começou a voltar ao normal
—Zerou! — eu e Chat batemos os punhos
Eu já iria virar-me para sair dali, afinal a aula já havia começado há dez minutos. Ai não, a professora iria matar-me... Mas ou Chat Noir estudava à tarde ou ele pretendia matar aula, ou ele não ligava para chegar atrasado. Porque ele me segurou e pareceu bastante decido a não me deixar ir.
—O que foi? — perguntei
—L-lad-ladyb... Ladybug e-eu...
—Você o que? Fala logo que eu estou atrasada. — ele estava vermelho e gaguejando... tão fofinho... Mas eu estava com pressa. Espera! Ele estava vermelho e gaguejando, por favor, diga que ele não vai...
—Eu... eu... EUTEAMO! Pronto, falei. Sou apaixonado por ti, desde que me lembro de te conhecer.
E ele fez. Se declarou para mim.
Eu não gostava dele, era apaixonada por outro garoto. Achei que ele soubesse disso. Talvez ele gostasse mais de mim do que eu pensava. Ou seja por, em sua identidade secreta, estar acostumado a todos ficarem em cima dele e ele não aceitou que uma pessoa (eu) não ficasse. Não sabia quem ele era por trás da máscara, mas provavelmente era um garoto popular. Talvez fosse muito bom em algum esporte. Parecia ser o tipo de pessoa do qual todos gostam, ele parecia ter a companhia muito disputada. Talvez isso colaborasse para ele ficar se vangloriando durante a batalha. Se era assim como eu pensava, um dia ele conheceria alguém que o amasse igualmente. Alguém melhor do que eu.
—Olha, Chat, — tomei cuidado com as palavras pois não queria magoá-lo, ele ainda era meu amigo afinal — eu, eu gosto muito de você, mas... Eu não gosto de você assim. Eu gos... — ele nem deixou eu terminar a frase, já tinha sumido
Eu não fiquei ali parada olhando para o nada. Obviamente eu saí com meu ioiô e fui para a aula de Ladybug mesmo porque era mais rápido.
Quando cheguei na escola, me escondi em um canto e destransformei-me. Como a aula já tinha começado há um bom tempo, não esperava ver ninguém. Então claramente surpreendi-me quando vi Adrien alguns metros à frente. Não pude evitar de sorrir. Ai, ele estava tão bonito... Como sempre...
Eu lembrei-me do que Alya disse há muito tempo atrás, "Vocês foram feitos um para o outro, nenhum dos dois consegue chegar na hora da aula." Eu corei muito.
Adrien chegou antes de mim na sala, pediu desculpas pelo atraso à professora e entrou. Isso provava como nossas mentes eram diferentes porque enquanto ele entrou e pediu desculpas, eu abri a porta com cuidado e entrei na ponta dos pés, tomando o maior cuidado do mundo para não fazer barulho e a professora me ver. Teria dado tudo certo se Chloé não tivesse colocado o pé para eu tropeçar e cair.
A professora olhou para mim furiosa. A sala explodiu em risos. Eu me senti humilhada. Olhei para o lado desesperada, torcendo para que Adrien não estivesse rindo de mim. Ele não estava, suspirei aliviada. Até ver o rosto dele.
Ele parecia alheio ao que acontecia, estava com uma cara triste que partiu meu coração. Ele geralmente estava triste por causa de seu pai. Mas naquela hora, além de sua cara estar bem mais infeliz, não parecia ser nada com o pai dele.
De envergonhada, passei para triste em um segundo. Nem liguei para a bronca que a professora deu-me. Que, aliás, nem consegui ouvir. Estava muito abalada com a tristeza de meu amado.
Eu levantei-me e sentei-me. Alya ainda ria um pouco da minha queda. Não podia culpá-la, até eu estaria rindo, se não fosse por Adrien.
Ela parou com as risadas assim que percebeu a minha expressão, e me perguntou o problema. Eu nada disse, só indiquei Adrien com a cabeça.
Ela percebeu a expressão dele por apenas alguns segundos. Depois ele notou que era observado e sorriu falsamente. Eu comecei a chorar um pouco.
No fim da aula...
—Alya, eu vou falar com o Adrien. Eu preciso saber o que está acontecendo. Talvez eu possa ajudá-lo.
—Então corre amiga. Ele já está entrando no carro.
Eu saí em disparada na direção dele. Cada minuto de sofrimento dele era um minuto de sofrimento meu. Ele precisava de ajuda, talvez eu possa ser a ajuda. Mas eu fui lenta demais e o carro já tinha partido. Eu teria que esperar até o a seguinte na escola. Talvez ele já estivesse melhor. É, ele ficaria bem.
Eu sabia que não iria, mas uma esperança sem base em nada é melhor que esperança nenhuma.
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