A muralha
2 Pais.
Notas iniciais
Fecho a porta de casa e vou em direção ao trabalho, todos aqui trabalham ao alcançar 18 anos. Faxineiro, motoristas entre várias outras coisas. Os líderes tentam dar a ideia de que tudo é democrático, porém, não podemos opinar em nada. Trabalho na parte de cadastro dos recém-nascidos, registrando seus nomes e mandando para a sede.
–Próximo!- Grito dentro de minha sala.
A mulher que entra é bem familiar para mim, é minha antiga vizinha, e ela me reconhece pelo modo que sorri para mim. Ela tem os olhos claros, pele bronzeada pelo sol e cabelos castanhos.
– Olá Dani, quanto ... tempo não ? — Digo.
– Se não é o Tom, como vai você?
– Eu estou bem, pois bem , como é o nome do garotão?
– Jorge. Ela responde, e percebe meu olhar.- Era o nome do seu pai, mas ele era como um tio para mim, eu tinha que homenagear ele.
– É um nome bonito.
Ela vai embora depois que preencho tudo, levanto de minha cadeira e vou para janela, voltou a chover lá fora, vejo ela saindo com um guada-chuva protegendo ela e a criança.
De repente é como se eu tivesse novamente 5 anos, com minha mãe me levando para a escola como sempre fazia antes de ir ao trabalho.
– Vamos querido acorde!- Era assim que me chamava para levantar.
– Já estou indo mamãe.
Descia as escadas de minha casa para tomar o café antes de ir para escola.
– O papai já foi?
– Sim meu querido.- Eu herdei dela, os olhos e os cabelos, azuis e preto e a pelo meio morena de meu pai.
Todos os dias ela me levava para a escola e trabalhava no escritório do governo, na parte de noticias que deveriam ser liberadas para a população junto com meu pai. De noite meu pai e eu brincávamos. Aos fins de semana os dois me levavam ao parque. Foram meus melhores dias, até que completei 14 anos, e eles começaram a me contar como se deu início ao nosso governo atual, e como as coisas funcionavam.E
Mas o que ninguém sabia, apenas aqueles que trabalhavam na informação é que o lado exterior da muralha , vivia pessoas curadas da doença, não se sabia como conseguiram isso , mas se sabia que estavam vivendo nos altos das árvores.
Meus pais quiseram mostrar isso para a sociedade, uniram algumas pessoas e criaram um grupo, o governo para combater a primeira rebelião colocaram guardas que meus pais disseram se chamar Observadores.
Eles saíam nas ruas com cartazes, informações que escondiam em seus bolsos para mostrar ao povo, e o povo não acreditou, o grupo foi caçado e alguns foram mortos, outros se esconderam e o grupo pareceu por um momento ter desaparecido.
Meus pais foram mortos nesse combate, no dia do seu enterro, alguma pessoa chegou atrás de mim e falou as seguintes palavras.
" — Quando precisar de nós, nos ligue."
E foi embora, só vi seus cabelos negros.
De volta para casa, pego o papel e ligo e chama. E chama. E chama.
Alguém atende.
– Sabia que nos ligaria, Tom.
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