A mulher do retrato
7 Capítulo 7
A governanta recebeu a menina. Luíza estava nervosíssima e sentia que o fato de ter que disfarçar tal estado só piorava as coisas. Mas não havia saída. Não se perdoaria se não tivesse persuadido a mãe a deixá-la ir.
Passou, ao entrar, pelo enorme retrato que tomava quase uma parede toda da primeira sala e demorou-se tanto seus olhos nele que foi repreendida pelo chamado de Zilda.
–Vamos? A condessa a aguarda no pátio.
Luíza pensou que aquele era o caminho mais longo que já havia percorrido. Quando finalmente chegaram ao pátio, logo viu a senhora sentada e seu sangue gelou.
– Olá, menina!- disse a condessa levantando-se. — Como vai? E sua mãe?
– Olá, senhora! — a voz quase não lhe saiu pela boca. Luíza estendeu-lhe a mão trêmula. — Minha mãe não acordou disposta, pediu que lhe desse o recado pessoalmente e me desculpasse por ela.- esta última frase Luíza havia decorado e a disse rapidamente.
– Mas que pena! Bom, você lhe dirá que estimo a sua melhora e me dará o prazer de sua companhia.
– Condessa, posso mandar servir o chá? — perguntou Zilda assim que a menina acomodou-se. A condessa acenou que sim e dirigiu-se à menina.
– Luíza! É um bonito nome, tão bonito quanto você! A menina sorriu envaidecida e satisfeita apenas porque ela lembrara seu nome. -Sabe, -continuou a condessa- se eu tivesse tido uma neta, ela teria hoje mais ou menos a sua idade. Luíza sorriu novamente. Sabia que precisava dizer alguma coisa mas não conseguia lembrar-se de nada que estudara durante a noite.
– A senhora está gostando de Bellarrosa?
– Está igual ao que sempre foi, não mudou muita coisa, pelo que vi quando cheguei. É um lugar pequeno. Acho que me acostumei à cidade grande.
– E, por que voltou, condessa? — E imediatamente Luíza arrependeu-se da pergunta. — Desculpe-me, desculpe-me a impertinência, por favor!
– Impertinência nenhuma, respondeu docemente a senhora, suspirando profundamente. -Era tempo de eu voltar para este lugar, colocar um ponto final em algumas questões do passado. Ademais, meu sobrinho vai morar aqui no casarão quando casar-se, precisava apresentá-lo à cidade, às pessoas.
– E a senhora? Não morará com ele? -Luíza sentiu-se novamente invadindo a privacidade da condessa mas não conteve a oportunidade de obter tal resposta.
– Não! Meu lugar não é aqui. Resolvidos meus assuntos, parto para São Paulo após o casamento de Felipe.
Luíza não conseguiu disfarçar sua decepção ao ouvir a resposta e Vitória percebeu.
– Então achou que eu viveria aqui?
– Não, senhora! Eu não achei nada! — mas a expressão de Luíza se entristecera e Vitória se demorou observando-a.
– O que você faz para se divertir nesse fim de mundo, meu bem?
– Nada! Não há nada para se fazer depois que concluí meus estudos. Cavalgo todas as manhãs. Às vezes visito amigas nas cidades da região.
– Pretende casar-se logo, então?
– Não, senhora! Eu não tenho pretendentes aqui e, além disso, estou tentando persuadir o meu pai a permitir que eu faça algum curso fora de Bellarrosa.
– Humm...uma mocinha moderna, com ideias próprias. Gosto disso. Eu também não recomendaria o casamento embora não acredite que não haja pretendentes.
– Por que, senhora?
Nesse momento o lacaio chegou com o chá e serviu as duas.
– Porque o casamento é algo maçante, meu bem!
– E o amor? — indagou a menina, novamente sentindo estar sendo impertinente, mas a pergunta escapou-lhe à boca.
– O amor é algo complicado, disse suspirando. — Mas você só vai entender isso depois que for uma mulher madura!
A condessa mal sabia que Luíza já entendia as complicações do amor perfeitamente.
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