A mulher do espelho
3 Capítulo 3 - Escuridão.
Notas iniciais
Dentro do espelho
Depois de passar pelo espelho, chego a um lugar escuro com apenas um ponto iluminado, onde o chão é espelhado. Acho intrigante aquela mulher ter me trazido a tal lugar, o que um monstro escondido iria querer dizer com aquilo? Não tive muito tempo para pensar, logo chegou uma pessoa, uma mulher caucasiana, com curtos cabelos negros e lábios carnudos e vermelhos. Ela parecia triste por algum motivo, até pensei em ir até ela, porém outra pessoa apareceu.
Um homem de pele branca e traços europeus, ele parecia assustado e ficou encarando eu e a mulher. Quando pensei que as aparições tinham acabado apareceu outro homem, com traços orientais, não sabia se era japonês ou chinês. Nunca soube a diferença. Esperei um tempo para ter certeza que ninguém mais iria chegar. Estava um silêncio estranho quando resolvi falar algo.
— Então, vocês são os outros que o livro disse que viriam. — Comentei e todos me olharam estranho.
— Quem é você? — A mulher perguntou, seu tom de voz trazia raiva e tristeza para fora de sua garganta.
— Eu sou James, de Nova Orleans, eu entrei no espelho para procurar a mulher e vocês acabaram vindo junto. Não sei de mais nada além disso. — Respondi calmamente à mulher. E, é claro, que eu iria mentir sobre saber algo, se eu falasse o que poderia acontecer ali ela iria desmoronar e minha mãe sempre me disse que a melhor coisa para fazer quando uma mulher está prestes a chorar é mentir. — E vocês, quem são?
— Eu não ligo para vocês, tenho que dizer que estou intrigado com tamanha beleza dessa mulher. — O europeu sorriu indo até a mesma. — Mais tarde eu poderia pinta-la. — ele disse tocando seu rosto.
A mulher arqueou uma sobrancelha e chegou para trás, um pouco fora do círculo de espelho iluminado.
— Passo. – ela quase caiu do círculo, para a escuridão, se eu e o europeu não tivéssemos segurado ela, a mulher teria caído na escuridão.
— Não sei vocês, mas eu só quero voltar para casa. — o oriental disse cruzando os braços, quando nós voltamos o olhar para ele a mulher do espelho estava atrás dele, sorrindo. — O que foi? Por que essas caras? Algo contra chineses? E como que nós estamos entendendo um ao outro se nem somos do mesmo lugar? — ele começou a fazer várias perguntar até que a mulher segurou seu ombro e deu uma risada fina, o homem congelou na hora. — Fujam! — ele disse antes de ser puxado pela mulher para a escuridão.
— O que foi isso? — a mulher perguntou respirando com dificuldade.
— Aquela mulher demoníaca do espelho. — o europeu respondeu.
— Um monstro escondido e, para deixar claro, essa mulher com certeza vai voltar para pegar mais de nós e não tem para onde ir. — falei mecanicamente, olhei para escuridão abaixo de nós. — Podíamos pular, assim escapávamos dela. — Disse já prevendo os outros reclamando da ideia.
—Não mesmo, vamos morrer se pularmos. — a mulher respondeu.
— E vamos morrer se ficarmos aqui. — o europeu disse olhando para escuridão junto comigo.
— EU não vou. Vocês podem ir, mas eu fico! – ela protestava e eu e o europeu trocamos olhares que significavam “vamos pular e puxar ela.” “Com certeza.”
Quando ela percebeu e foi protestar contra, já tínhamos pulado e puxado ela pelo pulso.
Pulamos e começamos a cair pela escuridão, sem nenhuma luz ou ruído, apenas o grito dela e do outro. Eu segurava forte o pulso dela para não a perder, mas em algum momento da caída o pulso dela parecia ter sumido. Eu balancei a mão atrás deles por todos os ares perto de mim, até chamei por eles, mas ninguém respondeu e eu só caia, caia e caia.
Até que cai em um lugar lamacento, levantei minha cabeça e vi um casarão das épocas antigas, e do meu lado tinha um homem vindo a minha direção, ele parecia nervoso comigo.
— Tentando fugir de novo, escravo estúpido? — o homem caucasiano disse me puxando pelo colarinho de uma roupa que mais parecia trapos. — QUANTAS VEZES VOU TER QUE MOSTRAR PARA VOCÊ QUE NÓS BRANCOS SOMOS MELHORES QUE VOCÊS? – Ele gritou no meu ouvido e eu já descobri na hora onde estava, e em que época estava. Bem, o lado bom é que dependendo para quem eu trabalho, talvez encontre minha família.
Em outro lugar do espelho
Nunca confiei naquele homem de Nova Orleans, ele parecia saber de algo que nós não sabíamos e aquela mulher ainda me escolheu para puxar pela escuridão. Espero que eles estejam bem, porque eu não estou.
A mulher de pele meio azulada me levou até um lugar que parece uma sala de cirurgia medica, o que não me deixou nada tranquilo. Com suas mãos grandes, que mais pareciam garras, ela me prendeu na cama de cirurgia, nem tentei lutar contra, não teria forças. Ela sorriu quando percebeu aquilo.
— Ei! Antes de me matar, pelo menos me fale seu nome! — pedi, gritando para chamar atenção dela, que já estava do outro lado do cômodo mexendo em coisas metálicas.
Ela se virou para mim segurando uma seringa com uma agulha longa e fina, tinha algo dentro da seringa, algo que brilhava em azul. A mulher do espelho chegou bem perto de mim segurando a seringa, colocou a agulha apontada para o meu pescoço e chegou os lábios perto do meu ouvido.
— Eu não tenho nome, mas me chame de seu pior pesadelo. — ela respondeu sussurrando, como se aquilo fosse um segredo. Enquanto ela se afastava ia apertando a seringa e eu fui apagando aos poucos. Caindo numa escuridão completa.
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