A mulher certa para mim
7 Foi bom te conhecer, parte II.
Notas iniciais
Jane estava com o braço imobilizado deitada em uma cama de hospital, dormindo desde que a cirurgia terminou, Maura estava sentada em uma poltrona não muito distante da cama da morena, tudo estava quieto até Angela entrar no quarto.
— Maura você está bem? Não está cansada?_ Antes que Maura pudesse responder Angela a interrompeu_ Trouxe comida para você, café sem muito açúcar e bolinhos, não se preocupe com a quantidade de recheio, você precisa de algo que te mantenha em pé.
Jane começou a recobrar a consciência.
Com certeza esse não é o céu, o céu não seria barulhento assim, de quem é essa voz irritante?
— A Jane não acordou nem por um momento?
Maura balançou a cabeça negando, ela pegou a comida das mãos de Angela e comeu um bolinho para que a mulher ficasse satisfeita.
— Bem, quando ela acordar me fala, vou aproveitar que Jane está aqui e vou limpar o apartamento para quando ela voltar_ Angela saiu pela porta, mas voltou no mesmo instante_ Tem certeza que quer trocar de lugar comigo?
— Angela você passou a noite aqui deve está exausta, não se preocupe a Jane vai ficar bem, eu vou cuidar dela.
Angela foi até Maura e a abraçou, Maura estava assustada com o gesto, não era natural receber essa demonstração de carinho, ao menos não para a legista, após alguns segundos Maura conseguiu alisar as costas de Angela com a mão, a mãe de Jane Rizzoli sorriu para Maura e saiu pela porta.
Maura voltou a sentar na poltrona próxima a cama de Jane, na verdade ela aproximou-se ainda mais, comeu mais alguns bolinhos, tomou seu café e quando terminou de se alimentar ficou observando Jane, seu rosto sereno mostrava uma pessoa completamente diferente da mulher forte e briguenta que ela estava começando a conhecer, em um impulso Maura tocou a mão de Jane, usou o polegar para fazer carinho na mão da detetive. Jane já estava consciente há alguns minutos, mas queria saber o que Maura iria fazer a seguir.
Maura estendeu a mão e tocou o rosto da morena, carícias leves com as pontas dos dedos, depois Maura passou dois dedos sobre os lábios de Jane.
Espera o que foi isso? _ Pensou Jane.
Maura voltou a sentar na poltrona e um tempo depois, para não parecer suspeito Jane abriu os olhos.
— Sabe eu não me preocupo de ficar sozinha, só vai atrás da minha mãe e impeça ela de modificar todo meu apartamento.
Maura sorriu para a morena, um sorriso diferente dos que costumava exibir.
— Está sentindo dor? Ou qualquer outra coisa?
— Eu nem sinto dor e nem o meu corpo, o que eles estão dando para os pacientes hoje em dia? Então um tiro no ombro...
— Sim, Lauren atirou em você.
— E onde ela está?
— Se recuperando de uma cirurgia, Frankie atirou nela logo após ela ter ferido você.
Jane ficou um tempo calada, até ver algo rosa e chamativo na testa de Maura.
— Teve contato com alguma criança?
— Sim, passei na pediatria, como você sabe?
— O Band-Aid da Hello Kitty_ Jane apontou para a testa de Maura.
A loira sorriu_ Ah isso, é um pequeno corte, eu já fui atendida.
— Estou vendo_ Jane riu.
— É bonitinho Jane.
Jane suspirou, ela parecia incomodada com algo.
— O que foi? Porque está com essa expressão?
— Eu ia me livrar do jantar de família com a desculpa que estava trabalhando em um caso difícil, mas agora não poderei usar essa desculpa.
— Que bom que você estará lá, porque sua mãe me convidou.
— O que!? Maura você disse não né?
— Na verdade eu fiquei feliz com o convite.
— Maura aquele jantar estará cheio de pessoas loucas e briguentas, quase sempre termina em confusão, você pode dar uma desculpa para minha mãe e se livrar.
— Lamento, mas eu já decidi.
Ou ela é burra, e isso ela não é, ou ela quer mesmo conhecer a minha família.
Maura passou a tarde toda com Jane e só saiu quando Frankie a substituiu. Ele entrou no quarto sorrindo.
— Então já está pronta para outra?
— Tem sorte que minha arma não está aqui.
— Isso é o que eu ganho por salvar você? Desse jeito desisto de te mostrar um vídeo que tenho no meu celular.
— Vídeos com animais engraçados não me interessam no momento_ Jane estava sendo ríspida porque o ombro começa a incomodar, ela havia chamado uma enfermeira há algum tempo, mas a mulher ainda não tinha aparecido.
Frankie ignorou a irmã, colocou no vídeo e deu o celular para a morena. O vídeo começava com Maura tentando acordar Jane.
“ _ Hey Maura, está tendo um trabalhão não é verdade?_ Frankie riu_ Tenta um beijo, é assim que elas acordam nos contos infantis.”
“Maura beija o rosto de Jane e a morena retribui o beijo dando um selinho na loira”.
Jane viu o vídeo umas quatro vezes.
— Por isso quando eu acordei ela estava tão alarmada! Eu beijei a Maura, quer dizer não foi um beijo de verdade, mas... Frankie vem aqui!
Frankie se aproximou meio receoso.
— Eu não posso te abraçar no momento, mas saiba que eu te amo cara.
— Eu devia ter gravado isso também, ninguém vai acreditar.
Jane chutou a perna do irmão, que reclamou, mas depois riu, eles ficaram um bom tempo conversando até que Frankie foi embora e Angela chegou, ela trouxe um travesseiro e se acomodou na poltrona, Jane ouviu a mãe reclamar das acomodações até que o medicamento a fez dormir, para sorte da detetive. Quando Jane acordou sua mãe estava olhando para ela.
— Você vai ter alta.
— Mas assim, tão rápido?
— Eu disse ao médio que você pode muito bem se recuperar em casa, além disso, Maura pediu uns dias ao Sean para cuidar de você...
Primeiro “Sean” que intimidade toda é essa com o meu chefe? Segundo Maura vai cuidar de mim? Agora sim valeu a pena estar aqui.
— Porque eu terei que viajar.
— Viajar para onde?
— Viajar ora essa.
— E vai deixar sua filha doente?
— Maura cuidará muito bem de você, aposto que você vai querer um tempo com ela sem que eu esteja por perto.
— Mãe o que você está aprontando?
Angela sorriu, antes que Jane pudesse fazer mais uma pergunta Maura entrou no quarto sorrindo, e quando ela estava no mesmo ambiente que Jane, a morena não conseguia olhar para mais ninguém, os outros deixavam de existir, particularmente nesse dia Maura estava usando uma blusa decotada o que fez Jane surtar.
Eu sei que estou com o ombro ferido, mas eu ainda posso puxar ela para um beijo com o outro braço, Maura por favor não fique tão próxima de mim com esse decote, porque eu não sou santa.
Jane foi até o banheiro e vestiu a roupa que Angela trouxe, depois voltou a colocar a tipoia no braço esquerdo e saiu de lá, ainda estava um pouco tonta por causa dos remédios, Angela ajudou ela a andar até o carro de Maura, a viagem foi tranquila, elas chegaram ao apartamento de Jane e entraram. Angela deu várias recomendações, deixou comida pronta, deu todos os horários de remédios a Maura e se despediu.
— Eu voltarei dentro de poucos dias.
— Do lugar para onde você vai_ Jane tentou descobrir alguma informação da mãe.
— É do lugar para onde vou.
— Onde você vai fazer...
— Coisas, coisas as quais você não precisa saber.
Angela abraçou Jane tomando cuidado para não machucar seu ombro e saiu dando instruções a Maura.
— Qualquer coisa me ligue e tenha certeza que ela tomou os remédios, normalmente Jane esconde os comprimidos em baixo da língua.
Maura olhou para a morena com uma expressão de repreensão. Angela saiu do apartamento.
— O que foi? Vai me dizer que nunca fez isso.
Maura ajudou Jane a ir até o quarto, a morena deitou na cama e Maura trouxe uma mala que estava na sala, ela abriu a mala e começou a colocar algumas roupas junto com as de Jane.
— O que é isso?
Maura olhou para ela_ Jane, eu não posso ir e vir da minha casa sempre que tiver que trocar de roupa, além disso, eu vou ficar aqui esses dias.
É muita tentação pra uma pessoa só.
Maura guardou sapatos, vestidos... Era tanta roupa que Jane se perguntou se Maura decidiu morar com ela. Maura estava nervosa com alguma coisa, Jane percebeu e fingiu estar dormindo, a loira olhou para trás e viu Jane dormindo, ela pegou outra mala menor e abriu uma gaveta.
Droga! A gaveta das minhas calcinhas lembranças.
Jane se preocupou com o que Maura pensaria dela ao ver todas aquelas calcinhas de outras mulheres, mas a gaveta estava vazia.
Obrigada mãe_ Pensou Jane.
Maura olhou novamente para a detetive e Jane fechou rapidamente os olhos, a loira abriu a malinha e tirou de lá suas calcinhas, e havia de todos os modelos e cores, algumas mais discretas outras extremamente provocantes, Jane imaginou Maura vestindo uma dessas para ela. Quando Jane pensou ter visto tudo, eis que surge um vibrador e outros brinquedinhos.
Por essa eu não esperava, por isso que digo que as que parecem comportadas são as mais atrevidas.
Maura guardou tudo e saiu do quarto, depois voltou novamente e olhou para Jane da porta.
Como isso foi acontecer? Eu mal a conheço e sinto por ela...Eu nem sei o que é isso que estou sentindo, porque com a Jane? Porque com uma mulher? Maura você está ... Como dizem... Ferrada! Primeiro eu fiquei olhando os seios de Jane no banheiro da minha casa, depois teve aquele selinho, um tímido contato com os lábios dela fizeram meu coração bater mais rápido.
Ela andou até Jane, beijou a testa da morena e falou baixinho para não acorda-la.
— A melhor coisa que aconteceu na minha vida em anos foi ter te conhecido.
Depois disso Maura saiu do quarto, Jane sorria, mas ao mesmo tempo se sentia assustada, e essas borboletas... Porque não ficavam quietas?
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