A mulher certa para mim
16 Eu te amo
Notas iniciais
As duas acordaram animadas, após uma rodada de sexo, ambas estavam com as respirações ofegantes, o peito subindo e descendo e um sorriso bobo no rosto.
— Eu levantei para ir no banheiro ontem a noite e passei em frente a um espelho, tenho duas marcas roxas no pescoço e várias de unhas nas costas, eu tenho uma namora, agora ela irá saber o que aconteceu entre nós e ela é bastante ciumenta _ Disse Jane.
— Você pareceu gostar quando eu estava deixando as marcas_ Maura entrou na brincadeira o que era raro de acontecer_ Jane eu não sou ciumenta, você é que ... Parece que todas as mulheres do mundo querem transar com você.
Maura virou de costas para a morena fingindo uma falsa chateação o que fez Jane se aproximar dela e beijar suas costas enquanto tocava sua tatuagem, depois a morena seguiu para a nuca de Maura, mordeu a área e brincou com a orelha da loira usando a língua e os dentes, Maura virou de frente para ela e Jane se apoiou na cama com o cotovelo beijando a loira logo em seguida, mas o beijo é interrompido quando Angela entra no quarto de vez.
— Jane eu estava pensando..._ Angela para de falar surpresa com o que viu.
— Mãe! Não pode mais entrar sem bater, não é como quando eu era adolescente_ Jane pegou sua blusa no chão e vestiu.
Maura usou o lençol para se cobrir e cobrir seu rosto, ela estava claramente envergonhada.
— Oi Maura bom dia.
— Oi Angela_ Maura respondeu em um tom baixo.
Angela quis rir da situação, mas a expressão no rosto de Jane não permitiu_ Eu estava pensando se poderia falar com os seus irmãos.
— Tão rápido!? Nem eu me acostumei com a ideia_ Jane deixou as palavras escaparem da sua boca, mas essa era a verdade, para Jane Angela estava dando um passo muito importante de forma rápida, a detetive temia que a mãe estivesse se equivocando_ Mãe, eu só quis dizer que é tudo muito novo, Tommy e Frankie tem o pai como um ídolo, mesmo ele sendo um idiota, me dê algum tempo.
— Eu entendo, eu irei esperar até quando você achar melhor_ Angela olhou para a loira que ainda estava coberta_ Maura você vai tomar café conosco?
— Sim, ela vai ficar para o café, isso se ela conseguir olhar para você. É só bater da próxima vez_ Jane repreendeu a mãe.
Assim que Angela saiu Jane tirou a coberta do rosto de Maura e sorriu ao ver o rosto da legista corado.
Elas terminaram de comer e sentaram na mesa conversando com Angela, Maura ainda estava um pouco envergonhada, mas Angela foi deixando ela confortável, até que o celular de Jane tocou.
— Rizzoli, sim já estou indo.
— Isles, chegarei ai em pouco tempo.
Jane pegou suas chaves sua arma e beijou o rosto da mãe.
— Até mais meninas.
— Até mais Angela_ Maura respondeu.
***
Jane, estava tendo um dia agitado, ela e Frankie estavam procurando um suspeito, a morena teve várias oportunidades de falar com o irmão sobre o namorado da mãe, mas ela estava procurando um jeito de dizer, quando eles voltaram para o departamento Jane sentou na sua cadeira e pegou uma caneta, fez essa caneta de baqueta e bateu ela na mesa. Nesses momentos que não sabia o que fazer ou como dizer algo para alguém, Jane falava com Frankie, mas ela não poderia falar com Frankie então só havia uma pessoa, Maura.
Jane sorriu e levantou da cadeira se dirigindo ao necrotério. Antes de abrir a porta do lugar, ela ouviu o som de uma música vindo de lá, Maura em alguns raros momentos ouve música enquanto faz as autopsias, mas são músicas clássicas, aquela era Lady Gaga , Bad Romance. Jane entrou aos poucos para não assustar a loira e sentou em uma maca, Maura estava tão concentrada que não a viu.
A legista pegou o bisturi e começou a incisão em Y, quando terminou ela deixou a sua cabeça e ombros se moverem ao ritmo da música e se arriscou com algumas frases.
— I want your drama, the touch of your hand.
A risada de Jane surpreendeu Maura que virou de repente e apontou o bisturi para Jane.
— Calma Maura, não lance o bisturi.
— Jane! O que faz aqui? Porque não se anunciou?
— Porque eu perderia você dançando ao som de Lady Gaga.
Lisa trouxe alguns materiais que Maura pediu.
— Lady Gaga?_ Disse a assistente.
Jane olhou para Maura como quem diz “ Tá vendo, não sou só eu”.
— Nem mais uma palavra vocês duas_ Maura falou firme ainda segurando o bisturi.
Jane passou por Lisa mostrando a língua para assistente e foi até a gaveta B, pegou um sanduiche e começou a mastigar.
— Maura podemos nos ver a noite? Eu gostaria de falar com você e vejo que agora está ocupada.
— Claro, só preciso avisar a Verônica, vamos almoçar juntas e eu digo que terei visita, da minha namorada_ Maura exibiu um sorriso largo.
— Isso é o que eu não entendo_ Disse Lisa olhando para Jane_ Como você conseguiu namorar a Maura? Porque se um dia eu resolver ter experiências lésbicas será com alguém legal.
— Eu sou legal_ Jane deixou o sanduiche de lado, foi até Maura beijou o rosto da legista e saiu batendo palmas e dançando ao som de Lady Gaga, depois voltou novamente_ Tá vendo.
Maura olhou para a porta onde Jane estava e riu, a morena piscou para Maura e saiu de lá.
— Maura, como ela conseguiu? Até onde sei você era hetero e a Jane é...A Jane.
— Eu não sei, talvez tenha sido isso, eu gosto dela do jeito que ela é.
Lisa colocou suas luvas para ajudar Maura.
— Lavagem cerebral também é possível.
Maura riu.
***
Maura e Verônica se encontram no restaurante preferido das duas, Verônica estava falando enquanto Maura parecia perdida em pensamentos.
— Nos falamos duas vezes, eu perdi a minha chance simplesmente porque não fui aquele jantar, ela é incrível é claro que não iria me esperar, afinal nem nos conhecíamos de verdade, você viu ela outra vez além daquela noite?_ Verônica finalmente percebe que Maura não está prestando atenção_ Maura!? _ Verônica estala os dedos, fazendo a loira sair do transe em que estava.
— Desculpe, o que estava dizendo?
— Você viu a Jane depois daquele jantar?
Maura ficou nervosa, tomou água e tentou responder o mais normal possível, mas sem sucesso.
— Não, não! Jantamos conversamos, eu expliquei a situação para ela, ela entendeu, porque eu a veria mais vezes?_ Maura tomou mais um gole de água e riu.
Verônica olhou para amiga e percebeu as urticárias em sua pele, Maura estava mentindo, ela só não sabia o porque.
— Ela está com outra pessoa, acho que eu deveria esquecer, essas pessoas que se conhece pela internet estão apenas atrás de aventuras, é uma pena porque nos identificamos muito, mas aparentemente meu trabalho toma ainda mais tempo do que o dela.
— Acha que se você tivesse ido para o jantar vocês estariam juntas agora?
— Não irei me culpar por não ter ido, mas sim, tenho certeza que sim.
Verônica cortou a cenoura e levou a boca, mastigando logo em seguida.
— Maura, vamos sair hoje? Cinema ou um bar... Você decide.
— Não posso, minha namorada, eu ainda acho estranho dizer namorada_ Maura riu_ Ela quer ficar comigo essa noite.
Verônica sorriu_ Claro, quem sou eu para atrapalhar uma boa transa? Está vermelha!?
— Não, os raio solares estão intensos hoje e...
— Maura, não adianta criar uma boa explicação, você está vermelha.
— Se estivéssemos na minha casa eu iria te atirar esses pães.
— Eu sei_ Verônica gargalhou.
***
Após sair do departamento Jane decidiu fazer compras, comprar cerveja para ela, um vinho para Maura e petiscos, ela estava na prateleira dos salgadinhos, quando viu um rosto conhecido, ela só não lembrava de onde, Jane pegou o salgadinho e resolveu sair dali, poderia ser alguma mulher com quem ela dormiu e normalmente esses encontros nunca acabavam bem, ou elas a beijavam ou pior, faziam um escândalo.
— Pare ai Jane Rizzoli!
Essa vai fazer escândalo_ Pensou Jane.
A mulher se aproximou de Jane e largou o carrinho com as compras se aproximando mais ainda da morena.
— Você não lembra de mim não é? Eu sou a irmã da Lara_ A mulher analisou a expressão de Jane e ficou ainda mais brava_ Você nem lembra da Lara.
— São muitos nomes.
— Desde que você terminou com a Lara ela não é a mesma de antes, ela acha que nunca mais vai ser feliz e que ninguém vai fazê-la ter orgasmos como você.
— Acontece que eu não terminei com a Lara, porque não tínhamos nada, a gente saiu duas vezes.
— Sabe o que você é? Uma canalha, uma idiota canalha que dorme com as mulheres durante uma noite, faz com que elas se apaixonem e termina tudo.
— Pode dizer para a Laura que eu sinto muito, eu não queria...
Antes que Jane terminasse de falar a mulher lhe deu um tapa na cara, que fez o rosto da detetive ficar dormente e vermelho, além disso a unha dela arranhou o rosto de Jane.
— O nome da minha irmã é Lara sua cretina!
Jane olhou para a mulher enquanto ainda massageava seu rosto e ao virar para frente viu uma velinha, ela estava encarando a morena.
— A senhora precisa de algo?_ Jane sorriu para ela tentando ajuda-la.
— Você é igual meu último namorado, transou comigo e no dia seguinte nem lembrava meu nome, bem dele eu não pude me vingar ,mas de você eu posso. _ Após dizer isso a mulher investiu em Jane batendo na detetive com uma berinjela, Jane pegou o que queria e saiu de lá correndo.
***
Alguém tocou a campainha e Maura já sabia quem era, ela sorriu e esperou a morena entrar, a detetive entrou com a sacola de compras nas mãos e deu um jeito de fechar a porta logo em seguida.
— Compras?
— Minhas cervejas acabaram e eu pensei em comprar algo para você e uns petiscos para nós duas.
Jane foi guardar as compras e quando voltou sentou no sofá ao lado de Maura que beijou a morena e depois viu o arranhão no rosto de Jane, que além disso, ainda estava um pouco vermelho.
— O que aconteceu?
— Isso foi um tapa na cara.
— Porque?
— Foi uma irmã defendendo a outra de uma cafajeste, no caso eu, dormi com a irmã dela, mas deixei claro que não queria um compromisso, aparentemente ela está obcecada por mim e por isso eu levei um tapa, por isso e porque confundi o nome da irmã dela.
— Jane, nesse caso eu não posso te defender.
— Eu sei, mas depois uma velinha que ouvia tudo me bateu com uma berinjela.
Ao ouvir isso Maura selou os lábios um no outro para não rir, uma risada escapou e ela tapou a boca com a mão, em pouco tempo estava gargalhando e Jane riu também. A morena tocou o rosto de Maura.
— Eu adoro o seu sorriso, adoro esses momentos quando não estamos no trabalho, quando podemos ser apenas a Jane e a Maura, se bem que tem uma mesa em seu escritório que... Esse não é o momento_ Jane balançou a cabeça negando, ela beijou Maura mais uma vez, um beijo demorado, e continuou próxima da loira, os olhos de Maura brilhavam_ O que eu quero te dizer Maura_ Jane parou e respirou_ Só um pouco mais de paciência, eu nunca fiz isso, nunca me abri para alguém como faço com você, o que eu quero te dizer é...
Nesse momento alguém tocou a campainha e já estava abrindo a porta.
— Jane, é a Verônica, rápido se esconda atrás do sofá!
A detetive fez o que a namorada pediu e Verônica entrou.
— Ela já veio? Estou atrapalhando algo?
— Não, ela ainda não veio.
— Desculpa Maura, é que eu esqueci minha agenda, tem umas anotações importantes você sabe, coisas do trabalho.
— Claro, me deixe pegar, eu guardei no meu quarto.
— Tudo bem_ Verônica sorriu e sentou no sofá enquanto a loira procurava a agenda, Maura voltou trazendo a agende preta de couro_ Obrigada_ Verônica abraçou Maura e falou no ouvido da loira_ Peça coisas a ela Maura, não se envergonhe, como por exemplo chocolate.
— Chocolate!?_ Maura perguntou confusa.
—Você não sabe a maravilha que é o chocolate no corpo de alguém.
— Tudo bem, eu acho que não quero ter essa conversa com você.
Verônica riu_ Certo, mas depois eu quero saber dos detalhes_ Maura empurrou Verônica para fora e fechou à porta, a amiga abriu novamente e colocou apenas a cabeça _ Ah, mais uma coisa, te desejo muitos orgasmos_ Verônica riu e fechou a porta.
Maura sentou no sofá largando todo o peso do corpo e Jane saiu do seu esconderijo.
— Estou me sentindo como aqueles homens que tem uma mulher e uma amante e precisam manter uma vida dupla_ Disse Maura.
Jane sentou ao lado dela, entrelaçou seus dedos aos dedos da namorada e levou a mão da loira a sua boca beijando logo em seguida_ Maura, não é o mesmo caso, mas se for, eu posso ser a amante?_ Jane riu fazendo Maura rir também_ Quer saber, nós iremos sair.
— Sair? Mas você fez compras eu pensei que..._ Jane impediu Maura de falar beijando a loira_ Vou pegar meu casaco, está frio lá fora.
Jane colocou seu cachecol e o seu casaco, ela esperou Maura e as duas entraram no carro da loira, Jane levou Maura a uma praça, não era muito movimentada, a maioria das pessoas que estavam ali eram casais como elas, havia uma sorveteria que ainda estava aberta.
— Vamos tomar um sorvete, esse será o melhor sorvete que você irá provar Doutora Isles_ Jane disse isso e saiu puxando Maura pela mão.
Elas entraram no estabelecimento, elas escolheram os sabores desejados e sentaram em uma mesa, cada uma com uma taça, Maura pediu morango e Jane escolheu chocolate.
— Você disse no necrotério que queria falar comigo.
Jane respirou fundo_ Eu não sei como dizer ao meus irmãos sobre o Stephen, eu nem sei se eu deveria falar, a mãe que deve fazer isso_ Jane levou a colher a boca_ Mas ela me pediu para ajuda-la e eu disse que ia fazer.
— Angela poderia fazer uma reunião em família, um almoço e dar a notícia, assim todos saberiam ao mesmo tempo, você pode sugerir isso para ela, essa será a sua ajuda.
Maura sorriu como se a ideia dela fosse simples e era simples, tanto que Jane se sentia uma idiota por não ter pensado nisso e ao mesmo tempo feliz, era bom ter alguém para dividir um problema ou perguntar algo que você não sabe a resposta, a morena ergueu o corpo sobre a mesa e beijou a namorada, os sabores dos sorvestes se mesclando dentro da boca delas.
— Eu gostei do sorvete de morango, quero mais um pouco_ Jane beijou Maura novamente, algumas pessoas olharam para as duas, as expressões alternando entre surpresa e desprezo, mas nem Jane e muito menos Maura estavam prestando atenção nisso, porque cada um se concentrava apenas no rosto da outra e continuavam a tomar os seus sorvetes, Jane sempre “roubando” um pouco da taça da loira.
Elas saíram da sorveteria e seguiram pela praça até o carro, estava bastante frio , tanto que saia vapor da boca de Jane.
— Ok, de quem foi à ideia de tomar sorvete nesse frio?
Maura riu ao ver que a detetive estava se encolhendo, mesmo com o casaco, Maura esfregou uma mão na outra e tocou as mãos de Jane, o nariz da morena estava vermelho e havia chocolate no canto da sua boca, Maura beijou Jane retirando o chocolate e as duas andaram juntinhas até o carro.
— Tenho outra coisa para te dizer_ Jane olhava para frente, mas após dizer isso ela olhou para o lado e seu olhar encontrou o da loira_ Eu te amo, e isso é muito importante vindo de mim, não é algo que eu digo para qualquer pessoa, acredite eu sou uma canalha ...Eu era uma canalha, mas eu nunca usei o “eu te amo” para seduzir ninguém , porque...
Maura beijou a morena fazendo-a calar a boca.
— Eu também te amo_ Disse Maura_ Eu quero ouvi-la dizer novamente.
Jane abriu a porta do carro_ Quantas vezes?
— Ainda não decidi.
Jane sorriu, beijou Maura e repetiu_ Eu te amo Maura Isles.
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