A morte não é uma opção

1 A morte não é um opção


La estava eu na minha terceira guerra.

Alemanha, 28 de setembro de 1918. Era uma típica guerra, nada de mais, nada além do que acontecia a algum tempo. Como de costume nesses tempos de conflito a lista era grande. O lado bom (para mim) é que nesses casos não é necessário uma ordem, o destino deixa mais por conta dos humanos decidirem quem vai ir hoje ou não, mas claro, sempre tem aqueles que devem. Mas dessa vez o destino realmente se enganou.

Já estava no 19º da lista, um homem corajoso, morreu mas levou 5 antes dele (é claro, tive que cuidar dos 5 também, graças ao destino). Em fim, o exercito alemão bateu em retirada e o inimigo começou a bombardear o local, muitos morreram, estava indo até la fazer meu trabalho quando vi uma cena inusitada: dois soldados, um alemão e outro inglês, um rendido e desarmado e o outro com a metralhadora apontada para o pobre coitado.

Curioso, cheguei mais perto para ver o que o soldado inglês iria fazer, tendo em vista que o alemão não estava na lista, então realmente aquele homem poderia se foder ou viver. Até que foi cômico na hora, ambos estavam apavorados, um pensando “É hoje que eu morro?” e o outro “Minha honra ou a vida desse homem?”. A honra ganhou e o soldado alemão saiu correndo, ileso.

Bem alguns anos depois, estava dando uma volta pela dimensão da morte, conversando com meu amigo Felipo, um dos funcionários de destino

–cara, os mais novos vão ter muito trabalho daqui algum tempo, parece que vai acontecer outra guerra. – diz Felipo

–outra que vai morrer gente pra caralho? – perguntei

–sim, mas multiplica esse pra caralho muitas vezes, vai ser tenso! – enquanto diz isso da um pulinho de excitação.

Não me preocupei com isso, não precisaria me envolver diretamente, afinal, nos últimos 30 anos eu havia terminado meu treinamento e me tornado um ceifador (não, eu não sou um esqueleto), o que torna minhas tarefas bem mais legais do que ceifar almas perdidas em batalhas humanas.

Continuamos o nosso caminho até o CDCM (central de controle de mortes), que é basicamente onde decidem quem/o que vai morrer nos próximos tempos. Pode parecer engraçado mas nós vivemos em uma dimensão onde, teoricamente, todos somos imortais, e por coincidência fomos escolhidos (durante a época dos Werds e Urks ) para matar tudo o que é mortal nas outras dimensões. Irônico.

Dirigi-me para minha sede, na ala mais “alta” do “edifício”, que na verdade era uma casa com portas interdimensionais que nos levam a lugares incrivelmente distantes da cidade, mas que é mais fácil de construir. Minha sede fica em Hirlk, uma dimensão deserta. A ala do Felipo fica em outro lugar, e assim por diante. Hirlk é chamada de “ultimo andar”, pois ela é um lugar onde os pedaços de terra firme ficam a milhares de quilômetros do oceano, ou seja, é alto pra caralho.

Entrei na sala de tarefas e aproximei-me do globo para ver o que iria acontecer hoje, mas quando fui toca-lo o grande Sr.Rudolf me parou e disse que hoje não seria um dia normal, que seriam tomadas grandes decisões sobre o futuro dos humanos e, como um dos mais bem sucedidos ceifadores, eu iria ajudar nessas decisões. Que merda. Parece que vou ter que me envolver na guerra. Já era. Me fodi. Me fodi muito gostoso.

Prossegui para a sala de reuniões e me sentei em uma das cadeiras. Quando nosso chefe, A Morte, apareceu me veio um frio na espinha, aquele cara realmente dava medo, mas quando ele abriu o desktop de seu quadro, não pude acreditar no que vi, foi de mais para mim.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.