Ecos da minha mente. Um riso alto me fez acordar, totalmente desnorteado, mas sabia de onde vinha o barulho, o conhecia tão bem, que o identificaria a quilômetros de distância. Infelizmente ele nunca ficaria tão afastado. Meu corpo se contraiu contra minha vontade, estava mais uma vez preso naquele vazio. A escuridão era tão forte que chegou a ofuscar minha visão. Não importa quanto tempo fiquei aqui, meus olhos jamais se acostumariam ao nada absoluto de um tudo qualquer. Os dedos. Meus? Dele. Apontavam os defeitos que de tão sombrios, se adequavam perfeitamente à escuridão que batia a porta. Tentei fechar os olhos, mas já se encontravam assim. Insisti na tentativa, até que eles se abriram de vez.

_ Bem na hora, amor. — Seu sorriso. Paz.

_ Mirtis? — Ainda estava atordoado, mas a sensação de calma crescia em meu peito. Aquele rosto. Seus lábios pequenos e delicados, dentes grandes, os mais brancos que já vi, cabelos longos e castanhos na altura da cintura, e aqueles olhos, lindos, verdes e brilhantes que me traziam de volta a esperança depois de mergulhar em mim. Fitei-os para me acalmar, mas o verde não estava ali. Tinha dado lugar a um azul tão gélido que fez meu coração disparar. As lembranças retornaram à minha mente com força total. Mirtis Danukas. Arfei de agonia, preferia não ter acordado do transe.

_ Por que está me olhando assim?- Perguntou inocentemente. — Eu te avisei Tom, havia coisas demais sobre mim que você não conhecia. — As palavras perfuraram meu cérebro assim que relembrei nossa primeira conversa. — Mas você insistiu ... — Ela deu alguns passos em minha direção e os últimos acontecidos passaram em minha mente. — Você se responsabilizou pelos seus atos, Thomas Lobo. Eu me responsabilizo pelos meus. — as palavras ecoaram no ar, quando ela chegou até mim.

_ Por que? — Foi tudo que consegui pronunciar.

_ Tem certeza que não sabe? — Ela me fitou. Aqueles olhos gélidos, que outrora foram tão doces e afáveis.

_ Não faz sentido algum, Mirtis. Você sabe disso, eu sei disso, então, por quê? — Eu estava deitado no chão, imóvel, olhando-a sem entender coisa alguma do que falava.

_ Meu doce e adorável Tom. — Disse sentando-se ao meu lado e colocando minha cabeça em seu colo. Percebi um lampejo verde em seu olhar e quase esqueci da situação na qual nos encontrávamos, mas em vez de voltarem a ser os olhos que conhecia, eles tornaram-se ainda mais azuis e gelados. — Eu só estou aqui, porque você me trouxe. — Ela sorriu e passou a mão em meus cabelos. — Não se lembra? Estou na sua vida há tanto tempo que mal me recordo. — Sua mão desceu para o meu peitoral desnudo e seu toque gerou tantos calafrios, em tantos sentidos que me esqueci como respirava. — Mas você demorou tanto tempo para me notar... Quase 5 anos não é mesmo? — Mirtis contou nos dedos. — Mas eu fui paciente. — Colocou a mão sobre meu peito e começou a pressionar. — Tanto, que esperei até o dia de hoje. — Seu sorriso adorável se desfez e suas unhas cravaram-se ao redor do meu mamilo, fazendo minha pupila dilatar. Flasbacks. Oh oh.