A morte anda ao lado
1 Minha amada morte
Notas iniciais
Era um dia mórbido. Levantei-me com o animo de um doente. Não havia se quer um pingo de algo que se pudesse nomear como vontade no meu levantar e muito menos no meu caminhar.
Arrastei-me até o notebook e apertei o botão de iniciar, fui até a cozinha. Com um esforço mortal fiz um café bem forte e peguei na prateleira mais alta do armário, minha caixa secreta de chocolates. Naquele dia minha depressão estava no ápice e a morte já me seguia pela casa.
— Como você está hoje, cara amiga? – Perguntei à silhueta, alta escura e densa que entrou no quarto logo atrás de mim.
— Diga-me antes, minha cara! – Só assim saberei responder-te... – Pediu.
— Quase pronta, querida... – Disse e saboreei um chocolate, logo após um gole de café.
— Então ouso dizer que estou ansiosa. – Seu sorriso sombrio me acalmou.
Comecei a digitar. Poucas palavras me separavam do fim do meu ultimo e surpreendente capitulo.
''E assim eu parti, com o desejo de reencontrá-lo e unir-me a ele para sempre em suas perdas e vitorias. Juntos viveríamos eternos em nossos sentimentos ternos.’’
— Posso? – Perguntou-me a amada morte.
— Só um minuto! – Disse e mastiguei o ultimo chocolate. – Adeus chocolate! Boa sorte, livrinho! – Ri-me e abri os braços.
A morte me abraçou e seguimos juntas nossos caminhos, tal como eu havia sonhado.
FIM
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