Ela estava sentada em um velho banco de cimento e madeira, bem comuns nos parques da cidade. Não sei porque estava ali sozinha, possuia um livro sobre o colo, mas não o estava lendo, seu celular em momento algum foi tocado, ela não usava relógio e não parecia precisar de um. Parecia um pouco distante olhando as pessoas e os pássaros de passagem, eventualmente perdia a distração e arrumava o cabelo que caia sobre os olhos, mas logo voltava a observar.

Eu também estou em um banco. De frente para ela, invisível, do outro lado de uma enorme calçada.

Ela consegue despertar coisas estranhas em mim, curiosidade, ansiedade, desespero, uma leve depressão e talvez até um pouco de coragem. Eu não tenho um motivo para estar no parque, estou apenas de passagem, mas cansado. Eu não consigo olhar para outras pessoas, apenas para ela, não consigo parar de tentar imaginar o que esta pensado e o porque de estar ali sentada. Eu deveria tentar me aproximar, mas como faria isso? Não poderia apenas me sentar ao seu lado, não sem falar nada, mas o que eu diria?

Ela não seria grosseira, não acho que seria. Ela olhou para baixo, esperou e viu sua franja caindo de traz da orelha, ela riu e delicadamente a colocou de volta onde estava. Depois ergueu a cabeça olhando para mim, não sei qual era minha expressão mas ela olhou rápido para um ciclista disfarçando e eu fiz o mesmo, minha respiração ficou mais forte e provavelmente fiquei corado porque senti que estava mais quente. Se ela olhar para mim e me ver a observando novamente, será que irá sair correndo? Eu preciso dizer oi!

Por alguns momentos tentei não olhar mas é algo bem difícil, minha curiosidade e incalável e meu interesse soberano. Ela esta olhando para mim, talvez esperando para que eu me levante e vá me explicar, porque não consigo me mecher?

Ela olhou para o celular pela primeira vez e depois para os lados, eu já estava de pé e ela percebeu, posso sair correndo pela tangente e fingir estar atrasado como sempre faço, mesmo cansado seria capáz. Fico parado alguns momentos me arrumando devagar e ganhando tempo, devagar me atrevo a atravessar a calçada, é um pouco complicado e pequenos encontrões me dão ainda mais tempo para recuperar o fôlego.

Parei em sua frente. Meus joelhos tremem e sinto que vou gaguejar. Sou um pouco alto então ela se esforça um pouco tapando o sol com uma das mãos até que seus olhos encontram os meus. "São ainda mais bonitos de perto" penso alto. Ela não fala nada.

"P-posso me sentar aqui?", ela não disse nada e após uma pequena pausa completei, "Com você?".

Ela não se preocupava mesmo com o tempo, eu nem mais lembrava que ele existia, vagarosamente ajuntou suas coisas foi um pouco para o lado. Quando me sentei ouvi sua voz baixa dizendo "A quanto tempo estava me observando?".

"Muito tempo... o suficiente para você me obrigar a dizer oi". Ela ficou em silêncio e acompanhou uma pomba com a baceça.

"Qual é o seu nome?" Perguntei, estranhamente, sem exitar.

"Alice. E você?"

"Toni"

Não consiguimos falar mais nada. Um bom tempo se passou, eu já estava pronto para voltar a andar e Alice ainda se mantia despreocupada. Olhamos um para o outro e começamos a sorrir, o que ela deve estar pensando? Será que devo dizer algo? Não sei o que fazer e novamente não consigo olhar para outro alguém.

Nos encostamos no banco e esperamos escurecer, poucas pessoas ainda passavam pelo parque fazendo ele parecer ainda maior do que era. Os ruídos das árvores e do lago começaram a se destacar e ficou claro que poderíamos passar o resto da noite, que acabara de nascer, sentados naquele velho banco. Ela despreocupada com o tempo, e eu recuperando o espírito que a tempos havia perdido.

Notas finais
Essa pode ser uma de muitas, deixe sua opinião, critique e seja educado nos comentários. (Atualizado*)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.