A moça da capa vermelha
6 É bom ter você aqui.
- Sabe, fico feliz de ter encontrado você. — Ela disse
- Eu também, ter te achado naquela estrada foi a melhor coisa que ja me aconteceu. — Aquela tarde tinha que ser especial de alguma forma, era nossa primeira tarde juntos e nós tínhamos que lembrar dela. Foi quando eu tive a ideia de leva-lá a um lago próximo do início da cidade. Quase ninguém sabia sobre a existência daquele lugar, e eu havia o descobrido por acidente, quando eu era criança. Desde então eu frequento la as vezes quando estou triste ou preciso pensar. Decidi leva-la a este lugar tão importante para mim, para demonstrar que confio nela.
- Nossa, que visão bonita, eu nunca vim neste lugar, pra falar a verdade nem sabia que existia. — Ela riu.
- É, poucas pessoas conhecem esse lago.
- É muito bonito.
- Não mais que você. — Eu acariciei seu rosto e a beijei.
- Mais então, qual o real motivo de ter me trago aqui?
- Bom, este lugar é importante para mim e tenho certeza que passaremos ótimos momentos aqui. Esse vai ser nosso bosque do amor.
- Hum, que romântico. — Nos rimos. — Obrigada, por me fazer acreditar no amor novamente, por estar vivendo essas coisas tão maravilhosas e com você, a pessoa que eu mais amo nesse mundo.
- Se vai me amar tanto assim, é bom saber lidar comigo.
- A quanto a isso não se preocupe, eu sei domar a fera.
- Ah, você sabe?
- Sei sim. — Ela falou e sorriu.
- Como me doma então?
- Com muitos beijos e sedução.
- Olha que atrevimento, ela me doma me abusando. — Nos rimos
- Seu bobo, mais é bom porque sempre da certo.
- É bom saber, agora vou resistir a tentação.
- Hum, é mesmo?
- Sim. — Ela chegou os lábios dela perto dos meus e olhou dentro dos meus olhos, e eu a beijei.
- E ai, oque me diz?
- Beleza, eu não consigo resistir a tentação. — Ela riu
- Hum, acabei de descobrir seu pronto fraco.
- Você sempre será meu ponto fraco.
- E você será sempre o meu amor. — Tornamos a nos beijar, sentir ela em meus braços era a melhor coisa do mundo, sentir que ela era minha, só minha. O calor do seu corpo ao meu, as mãos que se moviam como em uma melodia, os seus cabelos voando fazendo uma dança com o vento. Só estávamos nos ali, não havia nada para nos atrapalhar ou incomodar. A cada minuto que se passava o beijo ficava mais intenso, nossos corpos se apertavam mais e o calor subia. Era a melhor sensação que tinha. Mais eu tinha que parar, tinha que me controlar para não perder o controle e acabar fazendo coisa errada.
- Você meche muito comigo como ninguém jamais mexeu, nunca duvide do que eu sinto por você ta bom?
- Não vou, e você também, nunca duvide do meu amor por você ta bom?
- Ta bom. — Ja estava escurecendo e eu precisava ir embora, amanhã eu não poderia a ver porque estaria com os guardiões e teria que contar isso pra ela, só não sabia como...
- A propósito, eu adorei nosso bosque do amor, é lindo.
- Queria que nosso primeiro encontro, digamos assim, fosse especial.
- E foi, muito.
- Amor, amanhã eu não poderei te visitar.
- Porque? — Eu não queria mentir novamente, mas era a única solução, dizer que eu era um guardião seria muito arriscado.
- O dever me chama.
- Não dá pra gente se ver nem um segundinho não? — Eu queria dizer sim, mas não tinha como. Se eu me ausenta-se demais de casa papai perceberia, e poderia colocar meus planos por água abaixo.
- Não meu amor, me desculpe mesmo.
- Tudo bem, só não desaparece ta?
- Não, depois de amanhã estarei na porta da sua casa para te encher o saco. — Eu ri
- Quem esculta até acredita que você enche o meu saco.
- Acho que está na hora do nosso passeio acabar, daqui a pouco vai escurecer, e eu tenho que levantar cedo também.
- Com oque você trabalha?
- Eu sou carpinteiro. — Tive que mentir, e quase morri por dentro.
- Entendi, então vamos?
- Vamos. — Levei-a até sua casa de cavalo e demos mais um super beijo de despedida.
- Nosso passeio hoje foi incrível, eu gostei muito. Obrigada meu amor.
- Fica bem ta? Se cuida e olha o juízo.
- Nossa falando igual um pai fala com os filhos. — Eu ri
- Espero que você não seja rebelde, porque senão vou ter que te castigar.
- Nossa senhor, tenha piedade de mim. — Ela zombou.
- Te faço ficar 3 dias direto comigo, igual carrapato.
- Nossa, com esse castigo dá até vontade de ser rebelde, agora eu me animei. — Disse ela mordendo os lábios.
- Minha rebelde preferida, te amo.
- Meu amor mais lindo do mundo. Eu te amo mais.
- Eu que amo.
- Não, eu te amo mais.
- Eu amo.
- Não, eu que amo.
- Beleza, você ganhou, mais eu estou arrasado, não posso perder só vou me recuperar depois de um beijo.
- Não seja por isso. — Ela me puxou para um beijo, doce e calmo, parecia que a cada beijo eu me apaixonava mais, e que um era melhor que o outro. A cada olhar ela era mais linda e a cada palavra e pensamento meu coração batia mais forte por ela. Eu estava decidido, iria contar toda a verdade para Catarine, iria criar coragem e falar tudo. Contarei que sou um príncipe e que sou na verdade um guardião, que meu nome é Feliciano em vez de Fernando, e pensando nisso comecei a ficar tenso. Quantas e quantas mentiras eu ja tinha contado para ela. O problema da mentira não é ela em si. É que para mante-la você sempre tem que estar contando novas. Você nunca conta somente uma, quando você mente para alguém uma vez, tem que mentir duas e três e quantas vezes você precisar, mas para mim não, chega de mentiras. Depois de amanhã contarei toda a verdade, custe oque custar, doe oque doer. Eu não posso perder o amor da minha vida por coisas inúteis como um mentira, não faz sentido. Sei que quando eu fala-se com Moly ela me apoiaria nessa decisão, eu estava seguro e certo de que essa era a melhor opção. Catarine não merecia aquelas mentiras, não merecia ser enganada, pena que eu só me toquei disso agora. Bom, mais antes tarde do que nunca, e agora contarei toda a verdade.
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