A minha casa é nos seus braços
2 Bigode de Cheddar
Notas iniciais
Como sempre faço, acordei as 6 da manhã, pensei, claro, na primeira coisa que me vinha na cabeça todo santo dia em que abria meus olhos e que você provavelmente imagina o que seja. Botei as roupas que as pessoas doavam ao orfanato. Famílias felizes, felizes e caridosas. Oh, o que eu realmente não tinha. Escovei meus dentes e de pantufas me dirigi á sala de aula. Sim, de pantufas, quem se importava? Botei uma calça legging amarela e uma blusa verde água... me vesti que nem os caras do restart ás seis da manhã, sim, quem liga? Penteei rapidamente meus cabelos castanho- escuros e me observei no espelho. Cabelo castanho-escuros, olhos azuis, pele no mínimo bastante branca, pantufas laranjas de ursinho. Poderia ser um lixo, sim, mas na minha humilde opnião, sou um lixo bonito.
Com a roupa estranha e pensamento estranho, eu comecei a andar pelos corredores á caminho da sala de aula até que senti um esbarrão, que me fez cair. Eu não caía a... eu não caía desde os meus 3 anos. Desde que meu.. desde que aquele homem me deixou aqui. Sim, eu não conseguia mais chamá-lo de pai : pais são os heróis das crianças, mas o que eu tinha era um vilão. Então eu não me atrevo a chamar aquele homem de pai, não mais. Olhei para cima, depois de observar que todos os meus livros e cadernos haviam caído a minha volta. Era Eliza, aquela idiota da Eliza. Se ela ao menos imaginasse os nomes feios que eu penso sobre ela, teria me batido até morrer. Eu gostava de chamar ela de put*, mentalmente. Ah,onde eu aprendi isso? Cinco minutos de TV em meio a um drama, choro, decepção e dor, ainda assim, aprendemos muitas coisas com ela, a fabulosa e suja TV. Ela é isso mesmo, é uma ignorante, preconceituosa, idiota, e sim, ela merecia muitos palavrões que minha mente dizia sobre ela sem dó.
– Qual é o seu problema? – Um garoto apareceu atrás dela. Ele era alto. Seus cabelos iam até a nuca, eram pretos, e seus olhos eram castanho-escuros. Parecia até um pouco sombrio (bem vindo ao clube). Ele olhava para Eliza diretamente nos olhos dela.
– Você é muito bonito e muito interessante pra defender essa idiota.
– E você é tão insolente, preconceituosa e ignorante que quem te vê nem imagina a pessoa podre que você é. – Ele disse sem medo, sem medo algum de que Jane, a filha de Jessica que, tinha Eliza como queridinha repreendesse-o por ter levantado a voz para sua amiguinha.
– Você não me conhece. – Ela disse, franzindo as testa.
– Você também não me conhece. Por que não se retira e vai com a sua bunda seca rebolante para a sala de aula? – Ela pareceu bastante ofendida, e eu comecei a rir alto, ainda no chão. Então ela foi com a ”bunda seca rebolante” para sala de aula, como ele havia dito. Então olhou pra mim no chão e sorriu.
– Achei que não iria te reconhecer. – Ele disse pra mim, e eu não lembrava dele. Eu me esforcei, mas eu havia falado com no máximo do máximo 6 pessoas desde que cheguei aqui. E não lembrava dele. Fiquei muito confusa com a situação e ele pareceu ter entendido minha expressão de “do que você ta falando?” – É, eu sei que você não se lembra de mim. Eu fiquei muito mais bonito de lá pra cá.
– Eu não lembro de ter conhecido uma pessoa tão...metida. – Eu falei, em tom de brincadeira. Ele olhou pra outra direção e balançou lentamente a cabeça, ainda sorrindo, até que tratou de me ajudar a me levantar do chão e a pegar os meus livros.
– De onde me conhece? — Eu perguntei, quando tinha todos os livros na minha mão.
– Sou o garoto filosófo que você conversou assim que pisou aqui. – Eu fiquei boquiaberta. Oh meu deus, era ele? Como estava? Por que nunca mais o vi aqui? Eu queria fazer praticamente um interrogatório a ele, mas pelo momento de surpresa, de euforia, de confusão, de... felicidade em vê-lo? Seria felicidade? Uma pessoa que eu vi uma vez na vida seria capaz de me trazer a felicidade pela primeira vez em 13 anos? Seria isso possível? Não sei. Eu sei que por um momento muito... eufórico ou confuso, eu pulei e abracei ele, sorrindo. Ele pareceu surpreso, por que levara um momento pra retribuir o abraço então concluí que aquilo foi muito estranho e que eu parecera um tanto débil. Então eu resolvi largá-lo.
– Ahm... desculpe. Você não imagina quantas perguntas você colocou na minha cabeça com o que você falou e.... foi um momento meio maluco. Me desculpe. – Eu disse muito confusa e sem jeito. Eu queria soltar meu turbilhão de perguntas mas isso me faria parecer ainda mais débil do que estava neste momento.
– Certo. Eu sou realmente inesquecível. – Ele disse, e eu arqueei as sobrancelhas e abaixei um pouco a cabeça ainda olhando pra ele. Não sei dizer qual sentimento tinha aquela expressão, mas era do tipo “você se acha muito”.
– Vamos? – Eu disse,e ele fez um gesto concordante. Começamos a andar até a sala de aula, que ficava a uns dois corredores de onde estávamos. Creio que não estávamos atrasados, ainda.
– Eu fui transferido alguns dias depois de você ter falado comigo. Eu não suportava o fato de ter que ver os carros passando pela janela e nunca ter descido na rua para vê-los, de nunca ter uma vida pra tocar. — Ele parecia até ter lido minha mente. — Então eu quebrava todas as janelas do meu quarto. E esse é o motivo do por que você nunca me viu, se é que esta pergunta era uma das que o inesquecível eu deixou em sua cabeça. – Eu escutava com atenção, eu ouvia aquilo extremamente ansiosa. Eu queria de repente soltar tudo o que passara pela minha cabeça, tudo o que me incomodava em viver naquele lugar, todos os meus segredos, como me senti, mas isso seria realmente estranho e não havia tempo. Eu queria muito revelar tudo o que me veio a cabeça nesses 13 anos que estou aqui, mas se eu acabasse de conhecer uma pessoa e ela soltasse todos os segredos e sentimentos dela comigo, eu iria chamá-la de estranha. E também ele não era nenhum psiquiatra.
Chegamos no corredor da sala de aula. Olhei-o.
– Que garoto rebelde. – Ele sorriu,e então entramos. O professor nem estava ali ainda, me sentei e comecei a pensar. Nessas vezes que ele quebrava a janela, tentava fugir ? Ele teria coragem de fazer isso de novo? Pela primeira vez na vida eu podia realmente confiar em alguém? Será que finalmente eu saberia por que motivo eu estava viva, pra que estou aqui, pra que vim á este mundo? Ele se importaria comigo? Ele era só um garoto bobo que eu havia tido a impressão de ter a mente aberta? Ele entenderia o que eu senti e pensei nesses anos? Ele tinha amigos? Como ele pensava? Ele estaria comigo? Ele seria meu amigo? Ele me faria rir como havia feito agora há pouco, muitas vezes? E principalmente : eu estava em uma expectativa extremamente, exageradamente exagerada em ficar pensando essas besteiras de um garoto que falou comigo quando eu tinha 3 anos? Eu estava ficando louca? É claro que como ele poderia ser importante na minha vida, poderia não ser nada. E me sinto clichê, também. Eu apenas queria um amigo. Não, isso não é amor a primeira vista. Isso não existe. Não na minha cabeça. Mas ele seria sim, meu amigo. Pelo menos eu acho. Poderia ser uma pessoa que eu vou conhecer aora e esquecer daqui a uma semana. Mas eu duvidava disso. Eu também duvidava que meu pai um dia me deixaria chorar por ele sem dó e ele deixou. O que eu tinha mais pra me surpreender?
Eu achei que a volta dele responderia todas as minhas perguntas e questões que cresciam em minha cabeça, mas na verdade, só me causou o dobro de perguntas que eu tinha antes. Eu sorri. Meu Deus, eu sorri verdadeiramente? A quanto tempo não fazia aquilo? Ele seria muito importante pra mim, ou então Deus apenas teve piedade da garota rancorosa e chorona e resolveu botar um sorriso nessa cara de quem comeu e não gostou? Talvez fosse apenas isso. Talvez seja um curto tempo de felicidade, simplesmente para me arrancar, por pelo menos uma hora, desta vida monótona.
– Ei. – Cutuquei ele – qual é o seu nome?
– O meu nome é Dave Nicolaevitch. – Ele disse, como se estivesse se apresentando pra uma realeza ou para as forças armadas. – E o seu?
– Agnes Valdivitch. – Eu fiquei imaginando, quando falei Valdivitch, se eu deveria tirar o sobrenome do meu pai quando fizesse dezoito anos e saísse dali. Aquele homem não merecia ter seu sobrenome junto... junto ao meu nome. Eu me acostumei a chamá-lo de aquele homem, sim. Para mim, é o certo a fazer.
Pela primeira vez não prestei um pingo de atenção naquela aula, da minha matéria favorita. Eu olhava para o professor Mário com uma mão no bolso de seu jaleco branco e a outra escrevendo no quadro algo que eu nunca lembraria o que era, aliás, eu nem me preocupei em olhar para o que ele estava escrevendo ou escutar o que estava dizendo de importante. Era meu professor favorito. O de matemática, sim, qual é? Observava cada canto da sala, cada cerâmica pregada na parede, pensando em um turbilhão de coisas, em conhecer Dave, tentando adivinhar como ele era. Acho que cheguei a contar as cerâmicas que haviam na parede, mesmo com os pensamentos lá longe. Comecei a olhar pra cada pessoa na sala, ali haviam cerca de 20 pessoas, as duas comparsas ou guardiãs, ou simplesmente duas garotas vazias que viviam na cola de Eliza. Em todas as ações racistas que eu havia visto ela fazer. Em pessoas que eu via crescer, que eu via ali naquela sala todo santo dia durante 13 anos e nunca dissera um “Bom dia” ou ao menos “Oi”. Ninguém sorria, além de Eliza e as duas mariazinhas, que conseguiam sorrir ao ver os outros por baixo delas. Aquela aula foi a mais demorada de toda a minha vida, e minha cabeça começava a doer de tanto escutar meus próprios pensamentos. Até que o sinal tocou,me fazendo despertar do pensamento que me levava literalmente para a lua.
Me levantei sem saber se falaria com Dave, se almoçaria, se iria para o meu quarto, e eu tinha muita raiva de não saber o que fazer. Eu sempre corria para meu quarto, mas hoje teria que ser diferente.
– Quer comer algo e ir para um lugar vazio? Sabe, eu não tenho muitos amigos e se for ter uma, quero conhecê-la. – Ele disse. Nada tímido.
– E se você for um maníaco? – Brinquei, arqueando as sobrancelhas e abaixando levemente a cabeça. Ele deu um largo sorriso.
– Eu tenho cara de seqüestrador de meninas branquelas? – Olha só quem fala. Seu rosto tinha quase a cor do gesso, aqueles que as pessoas usam quando quebram seus braços.
– É, talvez. – Eu respondi, e seu sorriso ficou mais largo ainda.
– Vamos. – Começamos a sair da sala. Talvez eu não estivesse exagerando, talvez quisesse saber sobre mim e fazer com que eu soubesse sobre ele. Talvez quisesse uma companhia. Uma companhia de angustia, talvez, ou de felicidade, sabe-se lá como era ter um amigo. Menos mal. Quando chegamos, não havia fila para hambúrguer, já que por mais que as pessoas da minha sala tivessem entre 16 e 17 anos, eles corriam e iam direto comer chocolates e mais chocolates. Era por isso que maioria das pessoas ali tinham uma infinidade de espinhas. Ele pediu um lanche com 3 hamburguers, que não era muito mais saudável do que chocolates. Eu estava direcionando minha mão para um sanduíche natural que não tinha nem um quinto do tamanho da sanduíche dele. Ele observou e ergueu uma sobrancelha.
– Você é uma mulher de 37 anos que engoliu o mundo em janeiro quer emagrecer para o carnaval? – Ele perguntou, me fazendo dar um breve sorriso sem mostrar os dentes e abaixar a cabeça. De algum modo sabia que eu não comia antes das aulas, nem durante e nem depois. Quando me viu provavelmente já imaginou que como pela primeira vez no dia por volta da 13:00, e ele não gostara de pensar aquilo. Pelo menos é o que sua expressão demostrou.
– Eu só não quero acabar morrendo de infarto antes de sair daqui ! — Eu disse, em tom de brincadeira. Eu tenho os braços finos e dava pra ver que não como nada bem.
– Então eu te desafio a comer um igual ao meu. Se não for muito medrosa, aceitará. – Ele dizia isso, e pegava um lanche daqueles mas ele não tinha um físico ruim. Eu me revoltei e inclinei a cabeça com cara de “ah, é?” e me direcionei para os hamburguers. Pedi um lanche de quatro hamburguers que não demorou pra ficar pronto, e quando o cozinheiro colocou o sanduíche encima do balcão, Dave arregalou os olhos. Além de 4 hamburguers ainda tinha dentro do hambúrguer alface, tomate e uma boa dose de cheddar. – Agnes, você parece anêmica. Sem ofensas. – Eu dei um soco na parte de cima do braço dele, e ele gemeu, e eu acabei rindo da reação dele. – EI ! Eu disse sem ofensas ! – Ele disse, passando a mão pelo lugar onde eu o havia socado.
– Enfim, isso não parece ter muito ferro. E você não consegue comer isso. Eu duvido.
– Foi você quem me desafiou.
– Sim, mas...
– E eu não nego desafios. – Eu disse, caminhando pelo refeitório com o prato.
– Tudo bem, você quer conversar aqui? — Ele disse, se referindo ao refeitório cheio de crianças e adolescentes comendo. Também, só havia uma mesa no canto, que estava bem no fundo do refeitório, que provavelmente alguém seria mais rápido do que nós para ocupá-la.
– Podemos ir... sentar nos corredores. É mais privado e não tem Eliza. – Eu disse, olhando pra Eliza que entrava agora no enorme refeitório, repleto de mesas cheias e com o balcão de pedidos á frente. Me perguntei quem bancava comida pra todos aqueles jovens enquanto Eliza e suas amigas se dirigiam á única mesa que havia vaga que havia no fundo do refeitório, até que Dave deu de ombros e começou a sair do refeitório, seguido por mim.
Fomos até o elevador e após irmos ao andar dos quartos, fomos até a porta do quarto dele e nos sentamos ao lado dela.
– Então, senhorita, já pode começar a falar.
– Falar o quê?
– Qualquer coisa sobre você. Sua história, mais precisamente. Eu estava certo quando pensei que você acabaria aqui até seus 18?
– É... estava. Eu acho. – Eu falei pausadamente, já de cabeça baixa e com expressão séria.
– Você pensa em fugir daqui? – Ele havia dado uma mordida em seu lanche quando eu terminei a frase, mas parou de comer assim que eu demorei muito para responder. Ele olhou pra mim como quem dizia “E então”?. Ele me fez essa pergunta, que me deixou muito intrigada. Seria plausível fugir dali? Ao menos, seria possível e seguro? Por que eu tenho certeza de uma coisa pela primeira vez na vida : se eu tivesse uma oportunidade de sair daquele lugar, eu não pensaria duas vezes. De jeito nenhum.
– Você pensa? — Ele demorou a responder.
– Eu tentei mais de sete vezes. – Ele disse, finalmente. Eu arregalei meus olhos e fiquei boquiaberta. Não havia ouvido falar de ninguém que havia ao menos tentado fugir dali, como nunca tentei, nem pensei em fazer isso. – Eu ficava olhando os carros pela janela desde os seis meses de vida, vendo pela janela do orfanato as pessoas seguirem com sua vida. Até que crescia e quando não aguentava mais e caçava algo para quebrar a janela, e o fazia. – Eu fiquei mais surpresa ainda. Os quartos ficavam normalmente no terceiro andar.
– Não, não... eu só tentei pular uma vez, a mais recente em que tentei fugir. Eu só quebrava tudo o que via pela frente nas outras vezes. E a janela era no segundo andar. — Como se isso amenizasse a situação. — Enfim, eu ia sendo transferido de orfanato pra orfanato, e agora voltei pra cá. É como se as diretoras dissessem “eu não agüento mais ele aqui” e me passavam pra frente. Mas aquilo não me incomodava. Até que com 14 anos eu resolvi subir encima da janela pra pular.
– Uau — eu disse, totalmente perplexa. – Eu não pensaria se tivesse a oportunidade de sair daqui, mas se tentasse, não seria desta forma. – Eu brinquei, e ele esbarrou em mim levemente.
Mais uma mordida em seu sanduíche. Não havia nem tocado no meu, o que o fez olhar pra mim com a boca cheia de hambúrguer. Eu tive um ataque de riso, não foi culpa minha. Ele ainda tinha a boca cheia de ketchup. Vendo que eu não conseguia parar de rir olhando pra ele, sem entender o por que, ele colocou uma mão pro alto, sem entender nada. Até que depois, finalmente pareceu entender a razão por eu estar rindo como uma louca e, ainda com a boca cheia de hambúrguer, tentou morder mais o seu lanche pra deixar tudo mais engraçado. Sua boca estava tão cheia que ele conseguiu colocar na boca no máximo 4 centímetros do sanduíche, e um tom extremamente vermelho tomava seu rosto. Ele simplesmente não estava conseguindo mastigar. Eu nunca, nunca havia rido tanto na minha vida, ele engolia um pedacinho do que havia em sua boca com... com muita dificuldade. Dava pra ver o pedaço de lanche descendo em sua goela ficando quase entalado, e começou a se segurar pra não rir junto comigo e cuspir tudo. Foi um pouco nojento e ele fez de tudo para não fazer isso. Deu certo, e eu agradeço por isso.
– Dave, parece que estouraram um tomate dentro da sua pele ! – Ele finalmente conseguiu engolir tudo que havia em sua boca e agora era ele que ria sem parar. Sua boca ainda tinha boa quantidade de ketchup. Quanto mais ele ria mais ficava vermelho e temi que ele ficasse roxo. Seria engraçado demais pra ser verdade, então ele começou a respirar fundo e parar de rir até voltar a sua cor normal. – Eu pensei que ia sair hambúrguer pelo seu nariz.– E ele riu mais uma vez. Acho que teve um ataque de riso bem maior que o meu.
– Tudo bem, chega. – Ele disse, ainda entre risos. Eu comecei a mordiscar meu lanche enquanto ele olhava pra suas mãos. – E você, como chegou aqui? – Quando eu pensei que a palhaçada toda havia acabado, ele virou seu rosto pra mim, e imediatamente arregalou seu olhos e começou a rir sem parar de novo, ficando vermelho de novo. Agora eu estava no lugar dele, sem entender nada com uma pessoa rindo sem parar da minha cara.
– Ei! – Protestei. – O que tem de errado comigo?
– Bigode. Agnes, você está com um bigode de cheddar. – Ele disse, depois de me entender um pequeno e redondo espelho. Eu gritei na frente, como se tivesse visto algo surreal. Nós dois começamos a rir como retardados. Dois adolescentes passavam pelo corredor olhando para nós, provavelmente, pensando que éramos loucos. Ou que havíamos engolido uma aranha e que ela havia parado em nossa garganta e nos feito parecer estar rindo, mas tendo uma convulsão.
– Pra você ver como o jogo vira. — Brincou, se sentindo vencedor.
Fale com o autor