A minha Lua

4 Abram os portões para a coroação.


“Vai mais devagar, eu estava louco para invadir a sua oficina”

“ A fica frio nunca passei dos yetis”

Saber da morte de seus pais foi um terrível golpe para a princesa. Agora ela estava completamente só, as únicas pessoas que sabiam de seus poderes, que a entendia desapareceram. O medo a consumia, arrancava do seu coração toda a fé e esperança. Seus pais estavam mortos e seu querido companheiro Frost desapareceu.

Alguns meses se passaram desde a última vez que sua lua brilhou novamente, não que o garoto espectral ligasse para cronologia, mas o tempo tornou-se muito tedioso, ver Elsa desfalecer a sua frente sem poder fazer nada. Suas saídas para explorar o mundo se tornaram mais frequente e mais duradouras. Ver sua lua naquela situação era pior do que não ser visto. Por isso procurava pelo mundo uma cura.

Nessa época tentou invadir várias vezes a oficina de brinquedos de North, o humano mais mágico que conheceu. Mas nunca passava dos Yetis, o pior deles era o Phill.

O tempo continuava a transcorrer, sem que o jovem tivesse uma resposta para curado coração de sua lua. Sentiu uma imensa saudade ao se lembrar de sua loirinha, precisava reencontrá-la novamente. Chegou ao reino de Arendelle. Algumas coisas estavam diferentes, parecia que o reino estava um pouco maior. Tentou imaginar quantos meses deveria ter passado desde a última vez que a visitava.

Naquela manhã o reino estava estranhamente agitado e cheio de estrangeiros, um deles disse que o reino teria os portões aberto depois de tanto tempo. Frost animou-se, Elsa poderia estar curada, poderia ter superado tudo. Poderia ouvi-lo novamente.

Os portões abriam, o Jovem alvo atravessou em um raio. Se o alvejado soubesse o verdadeiro motivo dos portões serem abertos nãos se encheria de tanta esperança. Arendelle era um reino de grande, além de ser ponto de comércio favorecido, todos que desejavam viajar ao exterior deviam passar por aquele reino. Esse lugar maravilhoso atraiu gananciosos e corrupto. Por nunca abrirem os portões esses os gananciosos inventaram boatos, além de repudiarem um reino tão grande sem rei. Nenhum dos boatos afetou Elsa, pois ela trabalhava arduamente manter a ordem dos altos níveis de comércio. Infelizmente o reino estava sendo atacado cada vez mais por esses comentários que recentemente começaram a demonstrar resultados negativos. Só por esse motivo Elsa decidiu que seria coroada de portões abertos. Uma grande festa foi realizada para que todos soubessem que o reinado de seus pais estava estendido nela.

Frost a viu na sacada. Flutuo alegre para seu lado, o corpo dela finalmente desabrochou como um botão, cheias de curvas que o vestido pesado inutilmente tentava encobrir, como ela estava linda, majestosa, contudo o olhar dela parecia triste, parecia que choraria a qualquer instante. Murmurava algo que o rapaz não conseguiu entender.

— Olá lua! – Mas ela só continuou a repedir as mesmas palavras.

Não veja, não sinta, não os deixem saber. – Dizia em norueguês

— Ainda não me vê? – A voz do rapaz ecoou no vazio.

Elsa suntuosamente desceu as escadas e entrou na capela do castelo. Muitas pessoas estavam reunidas naquele local, monarcas, reis e rainhas, príncipes e princesas, duques e duquesas, pessoas influentes e alguns gananciosos que a própria Elsa fez questão de convidar, para mostrar sua imponência de rainha.

— Você vai ser coroada Elsa? – O jovem continuou flutuando ao seu lado, sentia que sua presença seria necessária a ela naquela noite. – É tudo que você sonhou, então por que está tão triste?

O nevado disse sem obter resposta. Um coral entoava um belíssimo canto no alto da cúpula. Mas o olhar de Frost se deteve em uma cena que nunca pensou ver, Elsa tirava as luvas para alguma espécie de ritual de segurar o cedro e o globo. A mão dela era estupidamente bela. Mas sua lua parecia apagar-se ainda mais, ela segurou o ar nos pulmões, sua tensão transparecia nos tremores de sua carne.

— Está tudo bem lua. – Era para ser uma pergunta, mas acabou se tornando uma afirmação.

O olhar dela desceu para suas mãos, os objetos começavam a congelar, “não sentir” pensava constantemente.

Rainha Elsa de Arendelle. – O bispo disse após fazer todo o ritual.

Elsa calçou suas luvas o mais rápido que pode. Virou-se checando se todos de seu reino estavam seguros, o alivio a inundou ao ver que todos estavam bem.

— Viu? Ninguém congelou, você devia tirar mais essas luvas.

Naquela mesma noite a rainha concedeu a os seus convidados uma festa. Convidou os músicos de seu reino para animar a festa. Apesar deles não tocarem músicas clássicas a alegria que seus trombones e tambores faziam inundava o grande salão de dança. A rainha e a princesa foram apresentadas, fazendo as canções serem encerradas por alguns minutos.

— Olha quanta gente! – Frost berrava do meio do salão, exatamente onde as pessoas dançavam. – Isso nunca esteve tão cheio!

Elsa permanecia na mesma posição por muito tempo, parecia uma linda escultura. Mas para contentamento do garoto espectro ela sorria. Um tímido sorriso sem mostrar os dentes mais sorria. Ela conversava com sua irmã. O menino quase desmanchou ao vê-la rir para sua irmã. Ela estava melhor, ele planou ao seu lado esquerdo confirmando a sua felicidade.

Um homem nanico foi apresentado para a rainha, era um duque, de algum lugar qualquer. Ele as reverenciou jogando o corpo para frente mais do que o necessário deixando seu cabelo cair mostrando sua careca. Frost gargalhou mais alto que todo o barulho da festa.

— o que esse nanico quer dançar com você?

Obrigada. Só que eu não danço. – Tentou disfarçar a gargalhada. – Mas a minha irmã dança.

Não era uma mentira. Elsa nunca teve aulas de dança por motivos óbvios. Antes que a ruivinha pudesse inventar uma desculpa o duque a puxou pelo braço até o meio do salão.

— Ela nunca vai te perdoar. – Frost disse por debaixo de um riso.

Talvez em outra situação não, mas ter o salão cheio de pessoas pagava qualquer dor nos pés. Quando sua irmã voltou, a alegria transparecia em seu olhar cerúleo cintilante.

— Eu gostaria que fosse assim o tempo todo.

Eu também, Mas não pode. — O lembrete branco no cabelo ruivo não deixava Elsa esquecer aquele dia.

Por que não? Se... – Anna tentou mais uma vez convencer sua irmã rainha.

Apenas não pode. – Sentindo a aproximação de Anna ela desvia e antes que ela a tocasse.

Elsa adoraria que as coisas fossem diferentes, que ela não precisasse se preocupar a cada momento em congelar o coração de alguém. Se as coisas fossem mais fáceis, se ela não fosse um monstro. Esses pensamentos fortaleciam a cada dia que passava.

— Elsa... acredite em você não precisa sofrer tanto. – Frost se aproximava.

Elsa com a visão periférica via sua irmã afastar. Por mais que o rapaz tentasse chamar sua atenção nunca conseguia novamente era ignorado. Dentro do coração de Elsa não tinha espaço para outro sentimento se não o medo.

— Elsa me escuta. – Ele disse segurando tentando a segurar, mas suas mãos transpassaram seu ombro.

Elsa arregalou os olhos ao sentir o arrepio, um arrepio que ela conhecia bem.

—Frost? – Sussurrou entre os dentes.

—É sou eu sim! Esse é o nome que você me deu – A alegria dele tornou-se transbordante.

Não veja, não sinta, não os deixem. – Ela voltou a sussurrar esse mantra e se afastou do rapaz.

Foi para o outro lado do salão. Ela sentiu medo daquele arrepio. Frost já não estava mais com ela, para a rainha, Frost a abandonou. E nunca mais voltaria para ela.