A menina que tinha a morte como companhia
9 Sobre sentimentos
''O tempo é muito lento para os que esperam
Muito rápido para os que têm medo
Muito longo para os que lamentam
Muito curto para os que festejam
Mas, para os que amam, o tempo é eterno.''
–Henry Van Dyke.
Havia um bip contante, ligeiramente irritante, porém reconfortante para quem passou a infancia ouvindo aquele som. O cheiro de desinfetante misturado ao cheiro artificial de limão apenas confirmavam suas suspeitas. O ambiente tinha uma temperatura relativamente baixa mesmo que sentisse um lençol sobre si. E la sabia que a culpa era dos ar condicionados espalhados pelo hospital. O som de passos abafado foi um lembrete que ela que estava acordada. Forçou um pouco seus olhos e uma enxurrada branca a atingiu de uma fez fazendo-a ficar tonta e fecha-los novamente. Na segunda vez que tentou, o resultado foi melhor e o verde mesclado ao branco se tornou mais nítido diante dos seus olhos. Suspirou devagar enquanto tentava reconhecer o hospital em que estava. Seu peito doía quando respirava e foi ao tentar puxar um pouco mais de ar que sentiu um peso sobre si. Ao olhar para baixo o lago castanho derramado sobre o lençol esverdeado a fez sorrir.
– Ne- Neji...
– Hn...? — Ele se remexeu, ergueu a cabeça e a olhou — Hinata-sama...- Um sorriso pequeno se formou em seus lábios e o olhar fosco pelo sono se tornou limpo e fixo no dela. — Você está bem? Se sente bem?
Ela apenas afirmou com a cabeça e apertou a mão dele para reforçar a afirmação. Ja não confiava mais na sua voz ao olhar aquele moreno que lembrava tanto seu pai. Ela puxou um pouco mais de ar e o observou mais um pouco antes de falar novamente.
– Otou-san... Ele...?
– Ele está bem. Está uns dois andares acima de nós na Unidade de Terapia Intensiva internado- ele suspirou, mas não desviou o olhar ou deixou a voz vacilar — , o quadro dele é bom e os médicos disseram que receberá alta em pouco tempo, pois ele está se recuperando da cirurgia rápido.
– Isso... É bom! — Ela murmurou ainda sem fôlego.
– Não se force a falar. — Ele repreendeu e pode-se ver o vinco que se formou na sua testa.- Sua saúde é frágil e você se forçou muito além do seu limite. — o Hyuuga grunhiu. — Meu Kami-sama, Hinata, quase morri junto quando te vi caindo e iniciando uma convulsão ao lado do Kon-san.
Ela sorriu fraco e levantou a outra mão, que ainda tremia um pouco, e acariciou o rosto austero dele. Viu-o soltar um rosnado baixo de alívio e suas bochechas pegaram fogo com o som, fazendo-a se sentir viva novamente. '' Desta vez não perdi ninguém'', ela pensou com satisfação. O sorriso em seu rosto aumentou ao vê-lo encurtar a distancia e tocar seus lábios rachados e frios com os lisos e quentes dele. Logo o rosto que estava deixando o tom avermelhado se tornou ainda mais rubro e ela pode ouvir o som da máquina que media sua pulsação se alterar junto às batidas de seu coração. O beijo era casto, apenas um selinho, mas foi demorado.
– Pensei que fosse te perder. — Ele murmurou num suspiro ao quebrar o beijo.
– Eu sei.- Rebateu com um pequeno sorriso enquanto se perdia no mar ártico que eram os olhos dele.
Mais um beijo.
– Se contenha. — Hinata o repreendeu com um sorriso.
– Não.- Ele sorriu de canto.- Não depois do que acabamos de passar. — Ele entrelaçou sua mão grande e ligeiramente calejada na pequenina e suave dela.- Eu te amo Hinata. Te amo como um trovador ama sua musa, como um pintor ama sua inspiração, como um escritor ama suas personagens, como um diretor aa sua melhor atriz. Enquanto meu coração por ti pulsar, por ti arder, derrubarei muralhas inteiras para poder apenas te ver, iniciarei guerras para honrar teu nome e me jogarei de um precipício se souber que lá embaixo me esperares e, ainda que morto, puder sentir um ultimo toque teu. Você me fez homem Hinata e me recuso a agir como um moleque tolo e vazio enquanto te possuir.
Neji beijou-a novamente suavemente e sorriu ao ver as cristalinas lágrimas correrem pelo rosto da amada como o orvalho em uma tulipa rubra no campo. A imagem da mulher que ele venerava como se fosse uma santa, deitada no leito hospitalar com o véu negro-azulado que eram seus cabelos espalhados como um leque no travesseiro e emoldurando o rosto cheio, fazia um sentimento de horror puro e medonho assola-lo. Os olhos quase semicerrados e o aspecto totalmente frágil dela o remetiam a unica foto que tinha da sua mãe em uma situação parecida com a dela, exceto pelo filho, o pequeno Hyuuga, que Hikari parecia acariciar os cabelos na foto. Por anos ele não pode esquecer do sorriso doentio de seu pai enquanto observava a esposa definhar. Agora era sua vez de assistir a mulher que amava em um leito hospitalar, em pensar que quando a conheceu e percebeu que seu coração acelerava ao ficar próximo a ela, ele lutou com tudo que tinha para afasta-la, para odiá-la.
Agora ele conhecia a dor de ver quem ama sofrer e conhecia a recusa em deixar o outro ir. Falassem o que fosse, Neji era um Hyuuga, e quando Hyuugas amam, eles não deixam o amado partir.
A mente dele escorreu para os pensamentos de o que faria para o próximo que a fizesse sentir uma dor como esta. Enquanto observava a garota que tinha a morte como companhia ser abraçada pelo cansaço e levada para o mundo dos sonhos, ele pôde sorrir em sombria constatação. Soube naquele momento que Hinata Hyuuga era sua e que ele mataria para mantê-la junto a si. E que ele a mataria quando ela se recusasse a permanecer ao seu lado.
Porque Neji Hyuuga é e sempre foi possessivo, pois quando suas posses são poucas se vive ao extremo, ou não se liga para o que tem, ou se cuida muito ara não perder nada.
Neji Hyuuga não era um homem de perder.
Um outro detalhe além do ciúme doentio que ele, assim como o seu tio, Hiashi, possuía era que ele era um assassino nato. Suas vítimas que o digam.
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