Notas iniciais
O Goten vai fazer uma visitinha a Bra ^^

Já era fim de tarde. Por volta das 04h:30min.

A casa dos Briefs se encontrava praticamente vazia, com exceção da presença do Sr. Briefs no laboratório, da Sra. Briefs no jardim e, claro, da Princesa Bra na câmara gravitacional.

A caçula dos Briefs, apesar de ter retornado a sala de gravidade, não ligou o painel de controle nem tampouco fazia qualquer atividade. Encontrava-se somente sentada, recostada em uma das paredes frias do lugar, refletindo sobre o que sua mãe havia dito a mais ou menos uma hora atrás.

“No final, vencer é o importante, certo? Posso até imaginar a cara de Marron caindo no chão junto com a Pan que, com certeza, vai desmaiar subitamente. Rsrsrs... Mas só tem um problema. A única forma de eu ganhar na luta que acontecerá depois de amanhã é... Bom... Seduzindo o filho de Kakarotto. Sim, porque meu treino aqui na câmara de gravidade nesse período não me fará um milagre, é preciso encarar a realidade. Mas, pelo amor de Kamisama, como diabos vou seduzir o Goten a ponto de tirar-lhe a concentração?! Pelo menos o tal uniforme bonito e sensual que minha mãe fará para mim já meio caminho andado no fim das contas. Kami! Não posso deixar meu irmão ver esse uniforme. Ele é capaz de querer me impedir de usá-lo no confronto. Além de ficar irado, claro. Se bem que, depois de amanhã, quando eu tiver de usar o traje mesmo, ele vai ficar bravo de um jeito ou de outro... Ah, mas ele vai ter que entender. É por uma boa razão? Não é? Nada nobre, mas boa razão. Afinal, a cara da Marron vai cair no chão e... Espera. Estou pensando em círculos? Voltando para a questão de seduzir o Goten. Como farei isso? COMO?! Mmm. Talvez não tenha que fazer muito além de jogar o cabelo e sorrir. Se me lembro, essas coisas já eram suficientes para fazer os garotos do colégio suspirarem, distraírem-se e darem com a cara no armário, na parede, caírem das escadas, etc. Mmm. Ah. E quando eu estava dançando como líder de torcida eles só faltavam endoidar também... Então, no meio da luta e do nada começo a dançar uma música como Rude Boy ou Give it up to me ou Fergalicious ou Gimme more? Sério? Não me parece uma estratégia decente... Pense, Bra! Pense! Você a filha de Bulma Briefs! A sensualidade está no seu sangue azul, escondida em algum lugar das profundezas do seu ser. Precisa estar...”.

A garota Briefs permanecia tão profundamente envolvida em seus pensamentos que não sentiu o ki de alguém conhecido por ela se aproximar, nem ouviu a porta da sala de gravidade abrir-se e fechar-se e muito menos percebeu quando a pessoa já estava bem ao seu lado, observando-a.

Goten olhava com curiosidade e incerteza para Bra. Esta, sentada no chão, abraçando as pernas, as quais estavam junto ao peito, e a cabeça afundada nos joelhos, parecia sequer ter notado a sua presença.

O Son havia saído do trabalho mais cedo e tinha vindo para a Corporação Cápsula à procura da irmã de seu colega, porque precisava falar com ela sobre o desafio, sobre a luta entre eles dois, prevista para acontecer daqui pouco mais de 1 dia.

... Afe. Tá bom”,a caçulinha continuava seu diálogo mental. “Mais tarde coloco no doutor google como se seduz um homem e pronto! Decidido! Agora é melhor eu treinar mais um pouquinho e..”,A menina de cabelos e olhos azuis-turquesa tirou a cabeça dos joelhos e viu, primeiro um par de sapatos e duas pernas em um par de calças azul-marinho a cerca de meio metro dela, depois, ao olhar um pouco para cima viu quem era.

Após o baita susto inicial e o espanto por não ter percebido a presença do rapaz até agora, ela se recompôs, levantou-se num pulo e não se conteve, pois antes do Goten falar qualquer coisa, abriu o berreiro.

– O que você faz aqui, idiota!!!?Por acaso veio me espionar?!!! Posso saber a quanto tempo está aí?!!

O Son, por sua vez, deu até um ou dois passos para trás meio assustado com a reação da garota, mas depois abriu um sorriso e começou a rir dela. Claro, Bra ficou, além de atônita, furiosa.

– Por que está rindo?!! Não existe nada engraçado aqui para você rir?!!

– Claro que existe. Você fica muito engraçada gritando vermelha desse jeito. Kkkkkkkkkkkkkk!

Infelizmente esse comentário só fez a menina ficar mais irritada e mais vermelha... Queria bater nele. Ah, como queria... Ainda bem que Trunks havia lhe emprestado as luvas, porque a força descomunal com que cerrava os punhos nesse momento tentando controlar a raiva com certeza teria feito um estrago ainda maior do que o de ontem em suas mãos. “Nada de perder a cabeça. Nada de perder a cabeça...” repetia mentalmente.

– Bom, o Trunks não está, então... Chispa daqui! – A garota disse visivelmente aborrecida, porém não mais soltando fogo pela boca como há 1 minuto.

– Ah. Eu sei que ele não está. De qualquer forma, não vim interessado em falar com ele – Goten replicou com um sorriso ligeiramente menor. – Sua avó me falou que você estaria aqui e aqui estou.

Bra não pôde evitar erguer as sobrancelhas, surpresa. Ele queria falar com ela e não com o irmão.

– Desembucha logo.

– É sobre o desafio que você me fez. É que...

– Esta pensando em desistir?? – A menina teve que perguntar. Os olhos brilhando, repletos de esperança, não negaria.

– Não! Eu só...

– Não me diga. Quer adiar para o dia de são nunca?

– Está tão desesperada assim para que eu desista? – Goten piscou para ela.

– Ora, ficou mais besta do que já é? Só estou testando a sua vontade de me enfrentar, bocó – Bra retrucou cruzando os braços e desviando o olhar. Descaradamente atuando, porque ela estava desesperada mesmo.

– Ah, mas eu tenho muita vontade de... Lutar com você – Agora fora a vez do rapaz de ficar levemente corado. – Por isso que eu vim aqui. Depois de amanhã trabalharei o dia inteiro e para não adiar o nosso confronto, vim perguntar se este poderia ser à noite. Está livre por volta das 7?

Interessante. A forma que ele fez à pergunta faz parecer até que estamos marcando um encontro”, Bra não reprimiu essa ideia. Em seguida, voltou a si. “Oh, sim. Esse é o tipo perfeito de pensamento nessas ocasiões...”.

– Estou sim – A menina sentiu algo como borboletas no estômago ao responder a essa pergunta mal formulada para a situação. Com sentido duplo... “Acho que comer o almoço frio não me fez bem”,foi à explicação mais satisfatória para estar se sentindo estranha.

– Então fica marcado para as 19 horas naquele lugar – Goten confirmou, passando a mão no cabelo. Também acabou ficando desconcertado ao dizer dessa forma. Com sentido duplo...

– Terminou? – Bra viu o rapaz a sua frente assentir. – Ótimo. Agora chispa! Xô! Get out!

O Son permaneceu imóvel, olhando ora para a garota a sua frente, ora para o ambiente que estava.

– Vejo que está treinando bastante... Quantas Gs você aguenta?

– Muitas – A caçulinhas dos Briefs retorquiu rubra.

– Dá para ser mais específica?

– 750.000G – mentiu. E como mentiu. Sob uma gravidade dessas, ela seria literalmente esmagada. Como massa de pão.

– Ah. Essa eu quero ver – Goten abriu um sorriso malicioso para total estranheza da menina. Esta até julgava o colega de seu irmão bobo demais para exibir um sorriso como esse. — Me mostra?

– O quê?

– Me mostra. Liga o painel de controle e mostra.

– O caramba. Eu não quero te mostrar. E aí? – Bra estreitou os olhos para ele. Tanto em desafio como para parar de olhar para aquele sorriso novo o qual nunca tinha visto nos lábios dele.

– Uhuhu. Gosta de jogar duro? Então, lute comigo agora. Tipo um amistoso. Que me diz?

– Não estou a fim de perder meu tempo.

– Será rapidinho. Afinal, serão necessários no máximo uns 2 minutos para te derrotar – O Son cruzou os braços com aquele sorriso... – Que me diz, princesa?

– Eu não... Você... – “Aaaahh. O Filho da p#&@ me encurralou!!!” – Por que eu raios lutaria com você agora se vou lutar daqui a quase 1 dia do mesmo jeito?

– Como eu falei. Será um amistoso. Ninguém vai perder, perder nem ganhar, ganhar. Acho melhor você não recusar essa oportunidade de treinar com seu próprio adversário sem pressão, hein.

Bra não acreditava. O raciocínio do filho de Kakarotto não tinha só logica como também estava certo!

– Distância de mim e esteja preparado – Ela disse com o tom mais frio que conseguiu.

– Pois não, senhorita – Goten fez uma continência típica dos militares, afastou-se uns 4 metros da bela oponente e colocou-se em posição de combate.

Bra também se colocou em posição de batalha. “Posso até perder, mas uma tapa na sua cara eu vou conseguir dar, maldito!”.

Os dois fitaram um ao outro. A primeira investida foi do rapaz que em um piscar de olhos estava bem atrás da garota. Esta não teve tempo para evitar que seus braços fossem puxados para trás, ficando assim imobilizada.

Ela usava toda força que tinha mais um pouco para tentar sair se libertar. Entretanto, Goten era realmente muito forte.

– Rsrsrs. Este é um dos ataques que seu irmão usou contra mim quando lutamos no torneio infantil anos atrás. Pode espernear o quanto quiser, pois só te solto quando você pedir penico.

– Nunca vou pedir penico, imbecil! – Bra gritou, literalmente esperneando.

– Então nunca vai ser que eu te solto – O Son concluiu convencido. Ele só segurava os braços da Briefs. Não apertava nem puxava, pois não queria machucá-la.

“Ele me apanhou em menos de 1 segundo. Meu Kami, que humilhação essa. Eu não mereço isso. Argh! Não consigo me soltar. Espera um pouco...”,Bra lembrou daquilo que sua mãe disse e, em um estalar de dedos, uma ideia lhe veio a mente e sabia exatamente o que fazer para se soltar. E como fazer também... Puro instinto!

Ela parou de espernear.

– Se eu fosse você me soltava... – A menina sussurrou em um tom ameaçador e sedutor ao mesmo tempo para a surpresa do Son que estremeceu internamente por motivos desconhecidos por ele.

– Sabe blefar, né? Como eu já disse, eu... Eu... Eu...

Goten não conseguiu terminar a frase, pois a menina tinha começado a rebolar, esfregando o quadril no dele. Sem falar nos suspiros que ela dava... Ao se tocar do volume que começava a se formar em sua calça, ele não só soltou-a como fez questão de tomar distância dela.

“Será que ela chegou a sentir? A perceber?”,era a única coisa que ele conseguia pensar fora o fato da bunda dela ser muito durinha, gostosa e... “Argh! Me#&@!”.

– Ahá! Olha só quem foi que não aguentou! – Bra apontava e ria para o filho de kakarotto. A verdade é que estava atuando novamente, pois sua mente fora invadida e preenchida pela sensação que sentiu pouco antes do rapaz lhe soltar e se afastar. De algo se levantando e pressionando... “Depois penso nisso! Argh! Quis dizer, nunca vou pensar nisso!”.

Agora ambos estavam corados e em meio a uma crise mental.

– Isso não valeu, Bra!! – Goten berrou irritado.

– Valeu sim!! Você não queria saber como é meu estilo de luta?!! Pois é esse!! – Bra berrou de volta.

– Então, se for assim, eu quero que você só lute comigo e mais ninguém!! – O Son gritou sem pensar. Depois pensou...

A garota Briefs não acreditou no que ouviu. As borboletas voando loucamente no estômago.

– C-como assim, idiota? – Perguntou com o coração quase pulando para fora do peito.

– Nada não... Bobagem minha – Goten respondeu desviando o olhar. Não havia nem o sorriso bobo no rosto. – É melhor eu ir agora...

O caçula dos Sons em um salto estava em frente à porta da sala de gravidade.

– Thau, Bra. Até depois de amanhã. Diga ao pessoal sobre a mudança no horário do confronto. Ah. Aviso que não vou pegar leve com você. Nenhum um pouco – Goten falou antes de abrir a porta e fechá-la atrás de si.

– JÁ VAI TARDE!!!!! – A Briefs gritou.

Assim que Bra sentia o ki dele já estava bem distante da CC, lágrimas inundaram seus olhos e rolaram em sua face sem razão nenhuma. Pelo menos era o que ela achava.

Anoiteceu. Trunks chegou do trabalho, Vegeta e Bulma, do shopping.

Assim, a família Briefs jantou junta.

Bulma, além de dar várias piscadas para a filha, desculpou-se dizendo que não tinha terminado o uniforme, mas que amanhã estaria pronto sem falta. Bra respondeu um “tudo bem”.

Trunks perguntou a irmã como havia sido o treinamento. Bra limitou-se a responder um “foi legal”.

É. A princesa Bra estava apática e nem um pouco afim de conversar. Por que ela havia chorado do nada? Qual o motivo? Ela não conseguia entender...

Mais tarde, em seu quarto, Bra, já deitada em sua cama, tentava se focar nos pontos positivos daquele dia: (1) Sua resistência aumentou; (2) Sua mãe lhe deu uma ideia inusitada para derrotar o filho de Kakarotto; (3) Ela teria um uniforme novinho e adequado para a batalha amanhã; (4) A ideia que sua mãe lhe deu funcionava. Fim! O resto do dia, ela tentava esquecer. Não havia sido importante...

“Eu vou vencer o Goten”,pela primeira vez, disse isso para si mesma com total convicção. "Farei tudo que estiver no meu alcance para isso".

Fim do segundo dia.

Notas finais
Até o próximo capítulo!