A maçã de ouro

1 Rodrigo - Perdido e encantado


Notas iniciais
Hey people! Vou postar aqui para não bagunçar o grupo, enfim. Cada capítulo vai ser narrado por uma pessoa, é isso, beijos!

Espero que gostem!

Andei perdido no bosque de Long Island. Não sabia o que tinha acontecido direito. Foi tudo tão de repente. Eu estava em um passeio da escola (não sou criança, que fique claro). Íamos todos passar uma temporada no litoral de Long Island, todos os meus amigos, inclusive Rosalie, a garota que eu era super afim. Óbvio que eu estava animado, aliás, que garoto de 16/17 anos não ficaria animado em passar uma semana na praia com os amigos, sem os pais (ou a mãe, no meu caso) e ainda pegar a gata da Rose?

Mas de repente, o ônibus escolar capotou, e vim parar dentro da mata. Acordei com o sol no rosto, como se uma voz masculina dissesse "Acorda, tem que procurar abrigo". Me levantei em um salto, foi quando percebi que tinha quebrado umas duas costelas na queda. Ainda não conseguia compreender como fui lançado tão longe do ônibus, mas caminhei lentamente em busca de algum lugar pra poder ligar pra minha mãe e avisa-la do acidente. Será que alguém tinha morrido? Não. Pensei.

Caminhei lentamente por dentro do bosque, me orientando pelo Sol. Foi quando percebi um formigamento na perna, onde havia um rombo na calça jeans, e um machucado como se algo tivesse me mordido e algo muito grande. Será que tem leões aqui? Não. Bobagem minha, não tem leão nos EUA, só se tivesse fugido de algum circo. Entrei em nervoso assim que tive esse pensamento e comecei a andar mais rápido pelo bosque, olhando para o sol e mancando. Quando já não aguentava mais andar, me encostei em um pinheiro grande, diferente das demais árvores e cai no chão, me espatifando no que parecia ser terreno de um Camp, mas eu não sabia da existência de um Camp ali em Long Island.

O som do meu tombo chamou a atenção de uma garota, que estava parada de costas para mim e segurava algum tipo de arma, como se fosse uma pequena espada, mas de formato diferente. Rapidamente me lembrei das aulas de armas na escola e percebi que era uma adaga. A garota correu em minha direção e se ajoelhou a meu lado, ela era branca, de uma pele acetinada e límpida. Percebi que ela tinha cheiro de lírios, como o cheiro dos jardins da minha avó.

- Está ferido? — disse me ela com uma voz meiga, doce, singela e de alguma maneira, forte.

Percebi que uma aura rosa passava por ela, mas achei que estivesse maluco, ou o sol forte na cabeça estava me fazendo mal. Foi quando olhei seus olhos cor de chocolate ao leite, mas que de algum modo, oscilavam em outras cores, como o verde amendoado. Quando seus olhos se fixaram aos meus, tive a impressão de que já a conhecia e fui sugado em um flashback.

Me vi em uma festa, em um templo grego, percebi pelas roupas que usava e a arquitetura do lugar. Me olhei em uma bandeja de ouro polida em cima da mesa a meu lado e percebi que era mais velho, como se já tivesse meus 25 anos. Toquei de leve o bolso e não pude deixar de soltar um sussurro ao ver uma maçã de ouro ali e de repente entendi o que era. Era a oferta que faria a deusa Afrodite, se ela me desse seu bem mais valioso, sua filha.

Peguei uma taça de ouro na mesa e segui andando na festa, até que finalmente a vi. Ela estava de costas a mim, exatamente do mesmo modo que a garota. Ela vestia uma toga grega com um ombro de fora, branca. Tinha braceletes e cinto de ouro e em seus cabelos brilhavam um grampo de ouro em forma de maçã. Ela tinha longos cabelos escuros e pele bem branca. De algum modo entendi quem era. Era a garota. Ela curvou seu pescoço em minha direção e pude ver seu rosto

Não era por acaso que Menelau fizera tudo por ela. Ela era a mulher mais linda do mundo. Seus olhos brilhavam em um tom castanho escuro, a pele era acetinada e límpida. Um nariz bem fino, uma boca perfeita. Ela era a encarnação da deusa, era a perfeição.

Fiquei ali, encarando seus olhos e ela me abriu um pequeno sorriso. Eu estava encantado, louco e perdidamente apaixonado por ela. Foi quando peguei a maçã do bolso e a joguei no chão dizendo as seguintes palavras "Afrodite, me dê sua filha em troca desse humilde presente."

Acordei numa maca, em um local que mal sabia onde era. Me mexi e percebi que não sentia mais dor alguma. Tentei levantar da cama, mas não conseguia, ainda estava cansado. Percebi que nada daquilo fora um sonho, que estava perdido e em um lugar que nem sabia onde era. Precisava de um telefone.

Com esforço, me levantei da maca e segui direto por uma porta, onde me deparei com uma varanda, onde dois senhores jogavam pinache. Um deles, tinha uma roupa muito ridícula e se lembrou as aulas de mitologia grega. Me lembrou o deus Dionísio. O outro, tinha metade do corpo de cavalo e a outra de um senhor de meia idade. O cavaloman me assustou de princípio e ai tomei conta de que realmente estava maluco.

Voltei ao quarto, peguei minhas coisas e enquanto pensava numa rota de fuga, senti que uma pessoa me observava, assumo que fiquei com medo. Mas logo depois uma voz doce que eu já conhecia me disse:

- Se sente melhor?

Olhei para trás e me deparei com uma cópia da mesma mulher que vi em meu sonho. Só que a garota era bem mais nova, tirando esse fato, era idêntica. A não ser nas roupas. A garota vestia um short esfarrapado nas pontas, um tênis azul marinho, que combinava com um cinto onde estava embainhada uma adaga, e uma blusa laranja, com os dizeres Acampamento Meio-Sangue, com o mesmo cavaloman desenhado no meio, e era cortada nos ombros, de forma que ficava escorregando a camisa e deixava seu ombro de fora.

Quando meus olhos se perderam nos seus, me senti exatamente da mesma forma que no sonho, hipnotizado, encantado e apaixonado por ela. Perdidamente apaixonado.

Notas finais
Foi isso gente, beijos!