A marca da Fênix
9 Volta a rota principal.
Notas iniciais
A noite não parecia estar nem um pouco acanhada, e os dois nem desviavam o olhar, se concentravam apenas na lua e nas estrelas a sua volta e em toda magnitude do céu. Até que Lirái com um doce sorriso de recordação quebrou o silêncio que se seguia.
– Essa noite me lembra uma história... Por falar nisso é a mesma que eu disse que iria te contar. — Aurora sorriu meio encabulada, lembrou-se da noite em que enfrentaram os elfos negros.
– Então por que você não me conta?
– Está bem! Vamos voltar para o inicio de tudo, uma parte que você já conhece mas que é necessária. A muitos e muitos anos, depois da guerra de luz e trevas, o sol tocou pela primeira vez a superfície de Elinikäinen dando fim a escuridão que envolvia nosso mundo. Junto a um pedaço da aura de Sirthry deram vida a Mirdor, o primeiro elfo. Mas Mirdor não estava sozinho os espirítos elementais ou primordiais, já estavam aqui, viviam no breu desse mundo, eles eram quatro...
– Terra, Ar, Fogo e Água. — Interrompeu Aurora.
– Sim. — Ele respondeu sucinto. — Mirdor foi aprendendo tudo sobre os elementos e sobre o mundo com os elementais, mas ele teve muito mais proximidade e fascinio com o grande Elemental do Ar e assim muita predileção pelo elemento, por isso a raça élfica que se seguiu dele, teve o Ar como elemento. Agora voltando a história, os elementais ajudaram Mirdor a dar forma as demais raças élficas a partir dos elementos, eles viviam a luz do sol durante o dia e no breu da noite, só banhados pelas estrelas. Em sua plenitude ele se sentia só, por que fora o único a vir do que seria o céu, fora dos domínios da terra e com isso a escuridão da noite o deixava pior ainda.
– Um dia ele conheceu os lobos brancos, animais nascidos de fragmentos estrelares que caíram na terra. Mirdor se encantou com os animais e começou a procurar pedaços dos fragmentos, quando encontrou, com seu poder sozinho ele deu forma a raça que veio a ser os filhos da noite ou os antigos filhos das estrelas. Muito tempo se passou e todas as raças viviam em equilíbrio e harmonia, uma jovem, a primeira filha das estrelas criada por Midor se apaixonou por ele, e mesmo eles sendo do mesmo elemento eram opostos e todos diziam que não poderiam jamais ficar juntos, "a noite jamais encontra o dia" eram o que diziam à ela, mas a mesma não desistiu. Uma noite logo depois de se encontrar com Mirdor, ela clamou aos céus, para o Deus-Criador, aquele que dá a alma aos seres, que deixa-se que os dois ficassem juntos. Ele atendeu o seu pedido, mas de um modo diferente. Ele retirou o espirito de estrela dela e junto com todo o amor que ela carregava, ele expandiu sua aura. E transformou-a no astro mais brilhante da noite, ela passou a ser a lua, vigiando e guiando os amantes perdidos na noite de quando em vez a lua e o sol se encontram para mostrar que nada é impossível.
– São essas histórias que estão sempre a me surpreender. — Aurora sorriu, pensou em si mesma, uma filha do sol e da lua, algo que jamais antes tinha acontecido.
Os dois ficaram mais um pouco ali, mas como não possuíam assunto o silêncio se fez perturbador e Aurora decidiu se ausentar para seus aposentos, deixando Lirái sozinho no beiral da sacada. Ele fitou as estrelas e sozinho sentiu que talvez o pedido da Rainha não fosse algo tão ruim, achou que no final talvez poderia voltar para cá, sempre achou fascinante o Reino de fogo ou talvez fosse visitar e morar com os primos nas Montanhas do Norte.
Horas se passaram até que a manhã despontasse no horizonte e todos no reino acordassem para seus afazeres diários. Aurora ficou em um belo quarto no terceiro andar, ele era espaçoso e com as paredes de cerâmica polida, ela acabou ganhando uma enorme cama, algo que caberia basicamente umas três pessoas sem que elas precisassem se apertar para caber.
Elsker entrou no quarto abrindo as cortinas das janelas para fazer os raios de sol entrarem no quarto, quando a luz pegou em seus olhos Aurora puxou os lençóis para cima do rosto. Elsker se aproximou e com uma expressão alegre mas forte puxou os lençóis dela, deixando descoberta.
– Só mais um pouco tia. — Elsker não entendeu e depois de coçar os olhos Aurora se lembrou que não estava em casa e aquela não era sua tia. — Me desculpe, foi um ato falho.
– Tudo bem, não foi nada demais. Mas vim acordá-la para não perder o desjejum. — Enquanto Elsker falava a jovem se pôs de pé se espreguiçando.
Aurora começou a tatear em busca de algo para vestir, não desejava sair com aquele vestido novamente, não era adequado para a ocasião que se seguiria. Não conseguia encontrar nada, nenhuma calça ou camisa que servi-se, então Elsker resolveu ajudá-la se não nenhuma das duas sairia dali para poder acompanhar o desjejum.
Elsker vasculhou as roupas a procura de algo que fica-se agradável a jovem e pegou uma calça preta de tecido fino e uma camiseta vermelha com pequenos detalhes dourados, de comprimento mais curto na frente do que nas costas. Aurora vestiu as peças de roupa e depois voltou, elas ficaram ótimas, agora as duas podiam descer.
foram para o primeiro andar, em direção ao salão de refeições. Uma enorme mesa estava posta com variedades de frutas, sucos, bolos. A Rainha sentava-se a ponta da mesa, vestida ocasionalmente com um de seus belos vestidos, como sempre, Lirái estava sentado do lado direito da mesa, vestia-se parecido como estava na véspera. Alguns duques e talvez alguns elfos da realeza estavam sentados a mesa também, todos eram em alguma parte parentes de Macärya, a família era grande.
Aurora achegou-se para perto da mesa e todos a olharam, em uníssono a cumprimentaram, ela sentou-se perto de Lirái e ao lado do irmão da Rainha, era o mais novo. Ele era um belo rapaz de cabelos de cor castanha, lhe serviu um pouco de suco.
– Acho que não fomos apresentados, eu sou Levih. — O rapaz falou erguendo a mão para cumprimenta-la. Aurora sorriu e o cumprimentou igualmente.
– Nunca tomei café da manhã com tanta gente. — Levih sorriu, achou divertida a brincadeira da jovem.
– Nossa família é bem grande, aqui temos minha avó, alguns tios e tias, e todos os meus primos. — Ele apontou para cada ao longo da extensa mesa.
– É uma família enorme. — Aurora sorriu, todos sorriam e conversavam enquanto comiam.
O irmão de Macärya era adorável, educado e divertido. Lirái agiu como se ela não estivesse ali, Aurora até tentou falar com ele, mas o mesmo agiu como se não a estivesse vendo. Isso a irritou um pouco, pensou que pudesse ter feito algo, sentiu-se culpada. Mas depois o sentimento foi substituído por indiferença.
Se ele fosse agir assim, que fosse. Aurora se despediu de todos no desjejum e saiu, Levih a acompanhou, desceram na direção do santuário, passando pelo grande mercado.
Levih lhe comprou um bolinho com cobertura de creme de açúcar, doce típico do Reino, algo delicioso de se saborear aquela hora da manhã. Ele a deixou na metade do caminho, por que possuía outros afazeres no momento. Aurora chegou ao santuário, alguns dragões começavam a despertar e caminhavam sonolentos, alçavam voos para se espreguiçar.
Brand estava sentado na frente de uma cabana, segurava uma xícara entre os dedos e ao seu lado repousava uma jarra de metal. Aurora se aproximou do homem e se sentou do seu lado, contemplou junto a ele aquela belíssima paisagem, digna de um quadro.
– É uma bela manhã. — Brand lhe ofereceu uma xícara. — Chá de hibisco-roxo, soube que tem que tomar.
Aurora tomou a xícara nas mãos, o chá estava quente e a porcelana da xícara irradiava um delicoso calor, que aquecia seus dedos. A final as manhãs começavam a ficar mais frias, porque o outono entreva com todo vigor, tornando tudo mais fresco em preparação para o inverno.
– Veio com uma ótima roupa. — Aurora fitou suas vestes e depois voltou-se para Brand.
– O que quer dizer com isso? — Perguntou em um tom condescendente.
– Não tinha me pedido para ensiná-la a montar em um dragão. — A frase a pegou em cheio, tinha esquecido do pedido feito na véspera.
– É claro que me lembro. — Brand riu da expressão de confiança de Aurora, mal ela sabia que isso ia se abalar logo, logo, quando ela monta-se em um dos dragões pela primeira vez.
Brand se levantou, espalmou as pernas para limpar a grama, e estendeu a mão para ajudar Aurora a se levantar. Os dois seguiram em frente mais para o centro do vale, não se via o asas de prata em lugar nenhum, então Brand optou por um belo dragão Fargerik, raça que dependendo da luminosidade apresenta coloração diferente.
Ele colocou uma cela especial, e mandou que Aurora subi-se, ela caiu nas duas primeiras tentativas mas não desistiu, não se daria por vencida tão cedo. Depois de Brand mostrar pela segunda vez como se subia, ela conseguiu. Ele lhe ensinou os comandos para decolar e para pousar.
Então com coragem renovada, Aurora deu o primeiro comando e o Fargerik alçou voo, não era um voo muito alto, mas mesmo assim pode dar certo arrepio na jovem, mas ao mesmo tempo que dava medo, provocava uma sensação de liberdade e vigor. Mas ela não conseguia conduzir o dragão corretamente, ele voava desajeitado, e era culpa dos maus comandos dela.
Quando decidiu descer, quis aterrissar perto de onde alçara o voo, deu o comando para descer, mas o dragão já estava muito perdido e no movimento brusco tocou o chão com muita força, Aurora foi arremessada e o dragão acabou rolando, cada um para um lado.
Brand foi acudi-la rindo, mas rindo muito alto. Ela se sentou emburrada como costumava acontecer quando se estressava com algo, Brand parou a sua frente tentando conter o riso, mas não conseguiu, era inevitável.
– Cale a boca Brand. — Aurora falou tentando manter a autoridade, mas não conseguiu em minutos estava rindo também.
Brand estendeu a mão para levantá-la, mas quando ela agarrou a mão dele o puxou para o chão, e ele caiu como um saco de farinha no chão. Agora o motivo do riso era ele, os dois ficaram ali rindo e se empurrando como duas crianças. Estava tudo maravilhosos, quando Aurora deu falta de algo, olhou para o pulso e notou que sua pulseira havia caído.
– Minha pulseira, minha pulseira. — Ela começou a tatear o chão a procura do objeto.
Todo riso e alegria se extinguiu, agora os dois procuravam pelo pertence tão amado da princesa. Os dois procuraram por um bom tempo, mas nada foi encontrado, Aurora sentiu-se triste e culpada, presente tão belo e adorável, dado pela pessoa mais amiga que ela já conheceu, perdido agora para sempre.
Brand tentou animá-la mas foi um pouco inútil, sentiu que tinha desapontado mais uma pessoa em sua imensa lista, Ele prometeu procurar mais até achar a pulseira. Durante a tarde ele não encontrou, parecia que ela estava perdida para sempre, ou não tão para sempre assim.
Quando a noite estava tomando lugar no céu, a Rainha quis fazer um passeio com Lirái pelo vale, ele estava caminhando ouvindo a conversa dela, quando algo reluziu no chão. Ele abaixou-se e pegou o objeto na mão, notou que era uma bela pulseira de prata, ele conhecia o objeto, o vira várias vezes, mas não ali. Então sorrindo percebeu a quem pertencia.
A noite todos se reunirão no salão de refeições para o jantar, Aurora ainda abatida tentava sorrir e se animar, no outro dia partiria do reino, de volta à sua jornada. Ficou um pouco perceptível para Levih, que ela estava amargurada com algo.
– O que houve? — Ele lhe dirigiu a pergunta com um belo sorriso.
– Perdi o presente de um amigo.
– Que pena, mas aposto que vai encontra-lo, tudo que é nosso sempre volta. — Essa pequena frase fez o humor dela melhorar, um pouco mas fez.
Pela primeira vez durante todo dia Lirái e Aurora trocaram olhares, mas ficou só nisso. O jantar se encerrou e todos foram para seus aposentos, menos Aurora e Levih, os dois resolveram invadir a dispensa do castelo, e roubar alguns bolos e doces.
Levih foi com a jovem até o andar dos quartos e se separou dela no corredor, seus aposentos ficavam no outro lado, já o dela ficava perto do da rainha. Ela seguiu ao longo do corredor limpando os farelos em roda da boca, quando ouviu um leve ruido, virou a cabeça para constatar o que era e viu Lirái, estava fechando as portas do quarto que pertencia a Rainha, estava fechando-as pelo lado de dentro.
Ela estranhou, mas não quis se meter na vida do príncipe, não erra de sua conta, então seguiu reto até seu quarto. Entrou e tirou a roupa, dormiu sem nada cobrindo a pele, fazia isso quando estava irritada ou frustrada.
Os dois passaram basicamente o dia no Reino, com Aurora treinando sua montaria e voo, Lirái já tinha uma experiência em voos, deficiente mas adequada. Brand se permitiu ensinar a jovem um pouco do estilo de combate do Povo de fogo, para que ela estivesse sempre preparada.
A tarde perto do anoitecer, os dois já estavam prontos para partir, O asas de prata tinha sido levado para perto da vila e muitos suprimentos tinham sido carregados nele. Todos se reuniram para se despedir, para desejar uma boa viagem. Aurora se despediu de muitos aldeões, Brand e Elsker ficaram junto dela.
Levih então se aproximou para despedir-se da princesa, abraçou-a e tirou do bolso o que seria um bolinho embrulhado e junto dele o tinha uma miniatura de um dragão feito de basalto. Em todas as culturas de Elinikäinen, presentear conhecidos ou amigos que partem traz boa sorte, e honra sua vida.
– Já decidiu como vai chama-lo? — Levih alisou a pele do dragão, que lhe olhou fulminante.
– Vou chama-lo de Zilver. — Os dois sorriram e Levih a abraçou novamente.
– Saiba que quando precisar de nós, estaremos lá para auxilia-la, o povo de fogo sempre seguirá a Rainha.Só tenho um pedido, tome cuidado, sua vida é muito importante. — Com essa frase Levih se afastou.
Ela se despediu de Brand e da Rainha, a última foi Elsker, que deu-lhe um forte abraço, ela estava quase chorrando. Aurora ficou bem abalada com a despedida também. Elsker foi uma das pessoas que também lhe advertiu quanto a tomar cuidado com a própria vida.
Lirái se despediu de todos, e Ajudou Aurora a subir na cela do dragão, era grande, caberia possivelmente umas quatro pessoas ao todo. Aurora partiu do Reino das Montanhas de fogo com um um titulo e com muitos novos companheiros que dariam a vida por ela, e ela jamais iria deixar de fazer por merecher isso.
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