A marca da Fênix
1 Uma bela manhã
Notas iniciais
Era uma bela manhã de verão e Aurora havia acabado de acordar, estava parada na frente do espelho do banheiro fitando seu cabelo curto cor de mel. Ela sempre preferia mante-lo curto por que quando ele ficavam comprido demais, uma mexa amarelada muito estranha aparecia, então ela o cortava sempre que começava a crescer demais.
Ela saiu do banheiro e entrou no quarto. O banheiro e o quarto ficavam no mesmo comodo e isso era uma coisa muito boa, porque ela tinha muita preguiça de descer as escadas para usar o banheiro lá de baixo.
O quarto era bem amplo, sem ser pela cama e o roupeiro que eram os únicos a ocupar mais espaço ali. As paredes tinham um papel de parede bege com flores coloridas, que Aurora achava muito infantil, ela até tentara cobri-lo com vários pôsteres, mas mesmo assim ainda podia se ver aquelas flores feias e desbotadas. O chão tinha assoalho de madeira, que permitia que ela pudesse caminhar descalça (uma coisa que ela gostava muito) sem pegar alguma friagem.
Ela coçou a cabeça e se jogou na cama desarrumada, ela ainda estava de pijama, um que ela tinha ganhado no seu aniversário de 23 anos, a uns três anos atrás, o pijama era curto e listrado de preto e branco, parecendo uniforme de presidiaria. Ela virou a cabeça lentamente em cima da cama em direção ao relógio na cômoda ao lado da janela, já eram 8:30, ela suspirou e levantou.
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Lá em baixo tia Lúcia fazia o café da manhã, ela já estava acordada desde as 6:00 mas começara a fazer o café quando ouviu os passos de Aurora recém acordando. Tia Lúcia fazia o especial de sempre; Stroopwafel, um biscoito recheado de caramelo, tradicional da onde elas moravam, a Holanda.
Aurora desceu as escadas já vestida com as roupas que iria passar o dia, estava com uma camiseta xadrez vermelha de manga comprida, uma outra blusa branca curta por baixo e estava com uma bermuda esverdeada ( sim bermuda, ela odiava shorts), calçava sapatilhas transparentes como as que as bailarinas usam em treinos.
Foi em direção a cozinha. A cozinha não era tão grande, consistia: em um balcão com tampa de mármore e alguns banquinhos; a geladeira; o fogão; a pia e um ármario que ficava suspenço na parede de frente para a geladeira. Tia Lúcia estava lá, olhou para trás e deu um belo sorriso enquanto Aurora se sentava em um dos banquinhos de frente para ela.
- Bom Dia Aura. — Ela sorria enquanto mexia com uma colher de madeira uma massa pastosa.
-Bom dia. — Respondeu ela logo após um longo bocejo, ela pensava no fato de que devia ter ficado dormindo, que não devia ter abandonado sua cama sozinha lá em cima.
-Teve uma boa noite, querida? — Tia Lúcia perguntava enquanto derramava a massa na forma da maquina de biscoitos e puxava a alça para baixo, para dar formato aos biscoitos.
-Tive. — Aurora sorriu mesmo não tivendo uma. Ela tivera outro daqueles sonhos de lembrança envolvendo o pai. — Tia acho que vou sair.
-Mas eu nem terminei o café da manhã e você não comeu nada desde ontem a tarde. — Tia Lúcia a olhava com aquele conhecido olhar de desaprovação.
- Não se preocupe, eu volto antes do almoço começar a ser feito. — Ela sorriu e Tia Lúcia sorriu de volta. Levantou, pegou o celular e os fones de ouvido e saiu.
Lá fora já estava quente para aquela hora da manhã, Aurora olhou para o céu e colocou os fones de ouvido, começando a caminhar, ela precisava espairecer um pouco, mandar embora os sonhos e pensamentos ruins. Virou a esquina na rua em direção a velha escola, onde foi expulsa por arranhar o rosto da colega na aula de esgrima. Havia uma floresta muito bonita ao lado da escola, as árvores tinham as folhas amarelas tanto no inverno quanto no verão e elas pareciam nunca cair, mesmo o chão sendo tomado delas.
Era proibido entrar na floresta, não haviam cercas nem grades, só placas dizendo " Proibida entrada. Sujeito a multa." Até hoje ninguém entende o porque de ser tão proibido entrar ali. Quando era mais nova e estudava na escola, aonde tempos depois foi expulsa, as crianças inventavam histórias sobre a floresta, por ela ser ao lado da escola, diziam que morava um troll na floresta ou que espíritos malignos a habitavam.
Já tia Lúcia dizia que lá havia uma passagem para um mundo já perdido e distante para os humanos e por isso os seres daquele mundo proibiram que os homens entrassem na floresta e tivessem acesso a essa passagem. Aurora sempre respondia "por que fazer isso? A floresta não pertence a nós?" E tia Lúcia respondia dizendo que a floresta podia ser nossa, mas a passagem era deles e os humanos não estavam preparados para desfrutar do que havia lá.
Aurora achava uma grande bobagem ambas as histórias, as das crianças e da tia Lúcia. Ela tirara as sapatilhas como fazia sempre que chegava a trilha de concreto e as escondeu em um arbusto, e continuou o resto do caminho descalça e distraída, sobre a trilha de concreto na grama ao lado da escola.
Quando duas enormes figuras negras de quase dois metros de altura emergiram do chão. O susto que ela levou foi tão forte que caiu rapidamente de encontro ao concreto duro do chão, e o celular caiu do bolso da bermuda e voou até o outro lado, perto da cerca da escola. Ela bateu a cabeça no chão e tudo ficou preto por uns 3 segundos e depois ela olhou para cima ainda meio zonza e com a visão turva, e via tudo borado, até que então sua visão melhorou e se focou nos seres enormes e negros, parados em sua frente, ela deu um pequeno gritinho e ficou olhando de um para o outro,sem saber o que fazer.
- Meu Deus eu estou pirando. — Ela estava confusa, rezava para que fosse apenas sua imaginação lhe pregando uma peça novamente, que fosse só miragem. Então ela fechou bem forte os olhos,na esperança de que quando eles se abrissem tudo sumisse, ela os abriu mas ainda estavam ali . — Que merda, vocês são reais.
Os seres se olharam e olharam para ela e se curvaram fazendo com que o nível de sua visão ficassem igual.
-Será que é ela? — Perguntou o monstro da direita, que tinha dois chifres na cabeça à o outro da esquerda que não tinha chifres.
- Não sei, pode ser que seja, como pode ser que seja só mais uma mortal esquisita. — Falou o sem chifres rindo. Não dava para ver alguma expressão no rosto deles, mesmo rindo, era como se fossem cadáveres feitos de sombras.
-Devemos levá-la, ao chefe mesmo se ela for só uma mortal, ela até que tem alguma beleza. — Ele passou a língua nos dentes, sua voz tinha um tom depravado e estridente. — E se for, seremos muito bem recompensados.
O sem chifres que era o maior em tamanho, e que parecia ser o mais forte, já estava se abaixando para pega-la quando algo acertou sua cabeça em cheio, foi rápido e ela não pode ver direito. O monstro se transformou em um pó negro como pólvora e ela pode ver o que acertara o monstrengo, fora uma flecha, uma bela flecha com ponta de prata.
Ela fitou a flecha e depois olhou para o outro ser que ainda permanecia em pé, mas não por muito tempo, outra flecha acertou seu peito, ele deu um leve gemido depois se desfez em um pó negro. Aurora olhava em volta até que viu, parado em frente as árvores amarelas da floresta, um jovem, não devia ter mais que a sua idade. Ele era alto tinha os cabelos loiros não muito compridos, na altura dos ombros, usava uma roupa como a dos homens medievais, verde e marrom, uma armadura que cobria os ombros e o peito, era brilhante e prateada. Ainda mantinha o arco em punhos.
Ele começo a vir em sua direção e ela tentou se virar e levantar, mas sua cabeça ainda doía ao mexer, quando ela olhou de volta para onde ele estava, ele mesmo já estava parado na sua frente, ela pensava como seria possível, a poucos segundo ele estava a quase dez metros de distância e agora estava ali, parado na sua frente.
Ele a encarrou com olhar surpreso e interrogativo, olhava para ela freneticamente de um canto a outro das extremidades do seu corpo, como se procurasse algo de errado nela. Ela pode notar que o formato das orelhas dele eram diferentes, eram mais pontudas e um pouco mais longas, mas nem tanto. Suas orelhas também eram assim, todos sempre riram dela por ter as orelhas pontudas, mas agora ela vira que não era única, o cabelo dele estava preso com duas tranças pequenas nas laterais do rosto,que se juntavam atrás da cabela formando uma só, desse modo o cabelo não caia em seu rosto. Ele tinha um rosto bonito, de pele branca, era jovem, mas suas expressões eram frias ele não parecia contente, permanecia serio.
-Reph thy? — Ele falava em uma língua estranha não conhecida por nenhum povo na terra, a sua pronúncia era suave, as palavras pareciam dançar em sua boca. Ele a fitava esperando um resposta.
-Eu não entendo nada que você fala, me desculpe . — Aurora fazia gestos com as mãos indicando que não entendia uma só palavra. — Você ta fazendo algum tipo de show de cosplay, uma apresentação, acho que você ta representando bem Senhor dos Anéis, mesmo o cabelo do Legolas sendo mais comprido, ta incrível.
-Sthën hün nyr ? — Ele falava ainda interrogativo, parecia não ter muita paciência, por que a última palavra ele pronunciara austero .
-EU CONTINUO SEM ENTENDER NADA! — Aurora bufava, e fazia gestos fortes com as mãos mostrando que não estava muito alegre.
-Eu perguntei se você está bem? — Sua voz soava meio irritado e sarcástico, como se não esperasse mais de alguém como ela.
- Sim, eu estou bem. — Ela ficara impressionada, sua voz era bem mais forte do que sua aparência demonstrava, mas ela pode ver em seu rosto um olhar de descaso, um pouco frio para o calor que seus olhos azuis lhe passavam. — E... Obrigada por me salvar daqueles monstros.
Foi quando ela virou o rosto que ele pode ver, a marca em seu pescoço, a marca da fênix dourada, ele não conseguia acreditar, como uma mortal podia trazer consigo a marca dos filhos do sol, pode-se ver em seu rosto a surpresa diante de tal simbolo.
Tytaph! — Ele apontava para a marca no pescoço dela, estava abismado, incrédulo diante dela.
-É uma marca de nascença, estou com ela desde que eu nasci. — Ela esfregou o pescoço no lugar onde ficava a marca, em formato de uma ave dourada, com penas onduladas e assas abertas, como se estivesse em pleno voou. — Os médicos dizem que é normal, apesar da cor e do formato, mas existem várias pessoas que tem marcas de nascença em formatos de animais.
- Você não sabe o que ela significa né? — Ele a fitava com o canto dos olho, ela ainda no chão parada, ele não expressava uma reação de surpresa, mesmo estando muito perplexo por dentro, ele pensava "tenho que leva-lá ao meu pai, ele tem que ver isso."
-É só uma marca, mais nada... E apesar disso, você até agora não me disse seu nome? — Ela deu um sorriso de leve, agora que vira que ele não era uma ameaça, começava a se acalmar e por um lado até se sentia segura.
-Eu me chamo Lirái flecha-de-prata . — Os olhos dele não se desgrudavam da marca em seu pescoço, sua mente perdida em devaneios.
-Eu sou Aurora, é um prazer, mas agora eu já tenho que ir tá bem. — Ela estava se pondo de pé, se preparando para ir embora, perderá basicamente uns 45 minutos com tudo aquilo, entre ir até ali e toda aquela maluquice, e prometera não se atrasar.
Ela já estava indo embora quando ele pôs a mão em seu ombro impedindo sua ida, ele era mais forte do que sua aparência magra definia. Ela se virou e ficou com a visão no mesmo nível da dele, ele ai dizer algo quando duas sombras apareceram e depois mais duas, Lirái os atingiu com as flechas e eles desapareceram em poeira, então mais dois surgiram no lugar de cada um que tombou.
-Vamos, não vou conseguir destruir todos. — Ele a puxou em direção a floresta.
Aurora estava desesperada e assustada com os monstros a sua volto, então ela se virou para frente e via a floresta, sabia que era proibido entrar, parou freando os calcanhares no chão.
- Não posso entrar ai. — Ele se virou ao notar que ela não se movia, fitou-a e depois dirigiu o olhar para os seres que vinham em sua direção.
-Comigo você pode . — Seus olhos se concentravam bem nos dela, sua expressão era desafiadora.
Ela suspirou e foi logo após um puxão de Lirái em sua mão, eles correram floresta a dentro. Aurora nunca tinha entrado ali, só tinha visto por fora. A impressão que dava dentro da floresta, era que já estava no por do sol, pelas folhas amarelas e laranjas refletirem a luz lá de fora, era lindo, as árvores de copas grandes, as folhas sobre o chão. Ela pensava por que privavam todos daquela beleza.
Eles corriam por entre as árvores, Lirái tinha uma destreza impecável, desviava com perfeição de qualquer obstáculo. Os seres os seguiam, pareciam deslizar sobre o chão, vinham rápido em seu encalço. Até que Lirái avistou o que queria, era uma parede de rochas, com alguns ramos compridos caídos, arrastando no chão com o vento calmo que soprava. Aurora olhou e jurou que ouviu uma voz doce dizendo "venha,venha " em direção ao ramos. Lirái estava sério corria rápido, tão rápido que Aurora quase não conseguia acompanha-lo. Ele foi em direção as rochas, Aurora ficou com medo de bater direto na parede.
-PARA! NÓS VAMOS BATER. — Lirái olhou para trás direto para ela e deu um sorrisinho.
O vento soprou mais forte abrindo um filete dos ramos, revelando uma passagem através das rochas. Ele acelerou e ambos atravessaram os ramos. Aurora atravessou de olhos fechados e quando Lirái parou, ela abriu os olhos e viu que estava bem, mas parecia não estar mais na mesma floresta. Porque aquela estava mais cinza, as folhas no chão estavam marrons, as árvores estavam com a expressão de mortas e as cascas dos troncos e galhos descascavam. Ela olhou em volta e depois para Lirái.
- Tia Lúcia estava certa. — Ela sussurou e se sentiu culpada por nunca ter acreditado nela.
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