A mais escura solidão.
1 Tão só.
Notas iniciais
Há dias Pedro vaga pela bairro, procurando uma alma viva. Ele também se pergunta se todos os seres vivos resolveram abandonar seus carros estacionados ou em casa e se mudar para algum novo continente desconhecido até então. Entrou em desespero no momento que acordou e não viu seus pais em casa, mesmo com o carro na garagem. Seu irmão não estava na cama e seu primo e melhor amigo não atendia o telefone.
Logo de inicio, ele pensou que fosse alguma brincadeira, mas percebeu o silêncio fora de casa e resolveu ir investigar. Todas as ruas estavam sem nenhum movimento, nenhum carro, moto, bicicleta ou patins.
O dia faz um calor muito forte, e já fazem três dias que todos sumiram. Ele está deitado na grama da praça perto de sua casa, olhando para o céu.
Ele não aguenta mais o silêncio do dia, então liga seu celular e coloca sua música preferida. Em seguida abre a mochila e pega biscoitos para comer admirando a paisagem.
Agora ele passa boa parte do seu tempo fazendo isso, indo na praça, comendo, olhando a paisagem, indo pra casa, comendo, vendo filme e se olhando no espelho. Nos últimos três dias se olhar no espelho é a coisa mais libertadora já existente.
Quando pensa no espelho, ele desliga a música, guarda as coisas na mochila e volta para a casa, tranca a porta do quarto e abre a porta do guarda roupa. Ele olha sua pele lisa, morena, seus cabelos castanhos, assim como os olhos. Muitas pessoas, se ainda estivessem lá, elogiariam a beleza natural do garoto. Mas não estão, e esse é o problema da vez.
Uma onda de pensamentos tristes invadem sua mente e ele começa a chorar, sem vergonha alguma, ajoelha no chão e encosta a cabeça na parede, chora muito, e muito, e continua neste ritmo por muito tempo, até escutar um barulho fora da casa. Ele abre o olho rapidamente e corre ver a origem do barulho, e o que ele vê, é mais libertador que olhar no espelho.
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