A magia do Amor
6 Final
Quando o beijo foi quebrado, ainda com as frontes coladas e respiração pesada, ambos abriram os olhos que se encontram luminescentes. Andrew estava incrédulo que finalmente tinha realizado o desejo que vinha cultivando a tanto tempo, Akko ainda estava um tanto perdida, mesmo maravilhada com o momento.
Selaram alguns beijos mais, esses estalados, curtos, ternamente carinhosos, enquanto as mãos se acariciavam.
— Isso quer dizer que somos namorados? — Atsuko questiona em um sussurro, com seu jeitinho de sempre e Andrew sorri achando adorável.
— Você aceitaria ser minha namorada? — questionou cativando-lhe a mão e beijando o dorso carinhosamente.
— Sim, sim, simmmmmmmmmmmmmm...— o abraça forte quase quebrando-lhe os ossos.— Mas eu não sei se sou boa nisso, nunca namorei ninguém antes, nunca nem pensei em namoro… O que vai ser de mim? De nós? O que isso quer dizer agora, tem os meus pais, o seu pai, nossos amigos.. É muita coisa pra pensar a minha cabeça vai explodir. — declamou dramaticamente arrancando risos do rapaz.
— Também não faço idéia de que enrascada estamos nos metendo dessa vez, mas eu nunca fugi de viver uma boa aventura ao seu lado, não vou me acovardar diante desta.— acariciou-lhe os lábios com os seus. — Vale apena, pra ficar assim com você nos meus braços. — beijou-a mais uma vez, tão apaixonadamente quanto pode. ato que se repetiu inúmeras vezes substituindo a necessidade de quaisquer diálogos.
Ma o tempo foi passando e ambos se deram conta de que deveriam encontrar um meio de voltar para a mansão do aristocrata, a fim de evitar problemas. pareciam perdidos no meio do nada, mas foram caminhando lentamente até avistarem uma fazenda.
A sorte do casal era que o rosto de Andrew não era desconhecido e para o fazendeiro foi uma honra poder emprestar um de seus cavalos para que o jovem visconde e sua dama voltarem para casa.
Andrew sabia cavalgar muito bem, sentou Akko em sua frente transmitindo-lhe segurança. Embora o clima estivesse apaixonante e carinhoso entre eles, havia uma pontada de timidez, afinal ainda a pouco eram apenas amigos e agora se tornaram um casal, mas não sabiam como agir nessa posição.
Um silêncio um tanto constrangedor se instalou entre eles, mas era agradável cavalgar tranquilamente assim com os corpos tão próximos. Akko deitou a cabeça contra o peito masculino e sem perceber um sorriso bobo se desenhou em seus lábios, enquanto relembrava as horas de beijos e carícias apaixonadas.
— Estou tão feliz. — ela murmurou mais para si mesma, mas o nobre a ouviu e não poderia deixar de responder.
— Eu também, Akko. Você é meu melhor presente.— beijou-lhe o topo da cabeça, enquanto a menina se encolhia ruborizada.
Quando chegaram a mansão Hambridge o dia já estava amanhecendo e o nobre tinha faltado a propria festa, um ultraje terrível para a elite convidada. Quando se aproximavam da grande casa, o conde e alguns ministros mais íntimos acompanhados de suas esposas, saíram para o lado de fora a fim de recebê-lo.
— Pai. — desceu do cavalo sob o olhar severo do homem.— Senhoras,senhores. — cumprimentou reverenciado e ajudando Atsuko a descer do animal.
— Andrew, dessa vez você passou dos limites. Porque responder com tanta afronta a festa que dei em seu nome? Porque quer me declarar guerra? E o que essa “senhorita’ está fazendo aqui? — foi ácido tentando manter a postura, mas alterado pela humilhação e preocupação que sofrera.
— Pai, essa senhorita a partir de agora faz parte da nossa família, esse é o motivo dela estar aqui.— a forma como ele se expressou, foi imediatamente mal interpretada, as damas presentes arrastaram um “Ohh!” os senhores cochicharam entre si e o visconde estupefou-se.
— O que vocês…— as atitudes estranhas, a rebeldia e agora essa revelação, teria seu filho por acaso “se aprofundado demais”? Teria a possibilidade daquela jovem carregar um neto dele em seu ventre?— Andrew, como você pode? Esses não foram os princípios que tentei lhe passar. — horrorizou-se o mais velho pensando o pior do casal.
— Alto lá! Seu visconde! — esbravejou Atsuko corada e envergonhada. — Não é nada disso que vocês entenderam. Que mentes sujas, deveriam lavá-las com sabão! — franziu o cenho e colocou as mãos na cintura, furiosa.
— Pai, como pode pensar que eu seria capaz de atentar contra a honra da minha namorada? Não é como se nós tivéssemos excedido quaisquer limites, quando digo que ela faz parte da família agora, quero dizer que a quero como futura esposa.
— Oi? — a bruxinha também espantou-se.
— Sua esposa? Mas vocês não passam de crianças que ainda nem se formaram.— protestou o visconde.
— Mas nos formaremos esse ano. Se o senhor preza tanto os bons ensinamentos que me passou deve aceitar que minha decisão se deve ao fato de proteger o nome da Akko, uma vez que não quero mais ficar longe dela. Não queremos que seus temores se tornem verídicos, não é? — desafiou fazendo a bruxinha ruborizar e choramingar “Andrew não diga esse tipo de coisa”.
— Está me ameaçando? Como pode? Você não é mais o mesmo. Mas e todos os planos para os quais você foi criado? Se casar com uma bruxa sem linhagem, sem estirpe. Como acha que isso ajuda na sua imagem?
— Não começa a ofender, não, que eu não sou obrigada a aceitar, te transformo em um sapo.— Se defende sendo segurada pelo namorado.
— Fui criado para seguir os seus planos, mas agora estou traçando os meus, eu gostaria muito de ter a sua aprovação, mas se não a tiver, seguirei meus planos da mesma forma.— afirmou o jovem com convicção.
— Você é muito jovem para dizer que a ama e jogar sua vida fora assim, acabar com sua imagem. Está sendo egoísta pensando em seus desejos quando tem capacidade de ajudar toda uma nação. Você tem o dom de ser influente Andrew, lembre-se do dia dos mísseis. — apontou sabiamente.
— Tenho conhecimento de minhas aptidões, no entanto não quero negligenciar minhas emoções. Não digo que abandonarei a política para sempre, mas como o senhor disse, eu ainda sou muito jovem e quero conhecer as alegrias do amor, formar uma família, me dedicar à música, criar boas memórias ao lado dessa garota. — Puxou Atsuko para si. — Porque ela não precisa de linhagem, estirpe ou seja lá que bobagens e hierarquias forem, pra me fazer feliz.
— Então, está me dando dois anúncios, a decisão de se casar depois da formatura e de abandonar a vida política.— suspirou arrumando os óculos.
— Sim, quero conhecer os pais da Akko e me casar com ela no final do ano. Eu não estou deixando a política, mas estou construindo minha história em primeiro plano. Não posso ajudar ninguém se eu for amargo e solitário.— clarificou categórico.
— É algo que a sua mãe diria.— dessa vez o tom de Paul saiu mais baixo e , amistoso? Sim, a verdade é que ele pareceu se orgulhar da atitude do filho, o fez lembrar-se de si mesmo, mas no lugar de Andrew não teve tanta ousadia, ponderou então que o filho não queria tornar-se sua copia, “frustrado, amargo” era assim que Akko o via, ela já tinha deixado claro, mas agora ele sabia que o rapaz também compartilhava desse pensamento.
— Eu sei. — respondeu o jovem com um meio sorriso, com ares de quem vencera uma partida de xadrez.
— Tudo bem Andrew.— suspirou como quem fora vencido e o casal apertou as mãos instintivamente como quem troca uma comemoração silenciosa. — Leve sua noiva para dentro, vou mandar que lhes sirvam o café da manhã e quanto ao fiasco da festa. Vou marcar uma coletiva de imprensa e quero que se desculpe em público com os convidados da noite passada e justifique seus motivos leve a senhorita Kagari. — deu um sorriso. — De qualquer maneira, se não estava presente na sua festa de aniversário, na do seu noivado tenho garantias de que estará.
O jovem aristocrata apenas assentiu e trocou um sorriso com seu pai, não era do feitio de nenhum dos dois trocar desculpas e palavras doces, mas o conde deixou claro que aceitaria e respeitaria a decisão do filho.
Enquanto se encaminhavam para dentro da mansão, Akko questionou sobre um fato.
— Espera… Como passamos de amigos a namorados em uma noite e de namorados a noivos em uma manhã? Sabe, você não me consultou sobre noivado.— choramingou se fazendo de ofendida.
— Então você não aceita?
— É óbvio que aceito. Parece uma loucura e nem posso imaginar o quanto isso vai mudar a minha vida, mas eu aceito só pra estar com você. — ela confessou corando, os dois pararam e se olharam, quando iam se beijar o pai de Andrew gritou de onde estava.
— Não abusem da minha boa vontade.
Ambos riram e seguiram para a sala de jantar, o estômago de Akko roncou alto e eles riram mais ainda.
— Creio que o senhor tenha um grande problema. — a esposa de um dos ministros comentou.
— Na verdade acho que não. Eu não tenho desprezo por essa garota. Sem nenhuma linhagem mágica ela entrou em uma escola de bruxas seguindo apenas seus sonhos e fez coisas que nenhuma daquelas alunas poderia ter feito. Não creio que ela seja um caso perdido, mas que possa ser tudo o que desejar se tornar.
Depois de tomar café, Atsuko telefonou para Luna Nova e conversou com Ursula, explicou o ocorrido, em partes e passou o dia com o namorado, sendo levada para sua escola a noite e mais uma vez as alunas se alvoroçaram, mas dessa vez teriam muitos motivos.
E quando entrou em seu dormitório, Akko se jogou em sua cama e fitou o poster de Cariot que ainda estava alí na parede.Aquilo era estranho, mas não sentiu vontade de tirar.
— Akko nos conte tudo, estamos curiosas. — Lotte pediu, sentando-se na cadeira de madeira próxima a cabeceira de Akko.
— Amanhã eu conto, hoje eu preciso dormir e acordar tendo certeza de que não estou sonhando.— cantarolou apaixonada.
— Toma esse chá aqui, vai te ajudar a relaxar. — Sucy oferece com um sorriso capcioso, mas Kagari é inocente e aceita.
De repente o sono foi embora e Atsuko sentiu uma louca vontade de contar tudo o que aconteceu entre ela e o rapaz de olhos verdes, tão detalhadamente que chegou a se envergonhar. Lotte cobriu o rosto com o travesseiro quando chegou a parte dos beijos.
— Eis que aquele veneno da verdade funciona mesmo, era de cogumelos roxos. — Sucy se gaba fazendo Lotte ficar com gota sobre a cabeça e Akko levantar furiosa.
— VOCÊ ME ENVENENOU? ME USOU DE COBAIA PARA O SEU VENENO!
— Pois é.
— Que vergonha! Eu contando coisas tão íntimas e constrangedoras. VOCÊ VAI VER SÓ!
As duas começaram a brigar correndo pelo dormitório e fazendo a maior bagunça, Lotte tentando separar. Até que foram repreendidas e se recolheram as suas camas.
— Mas você se lembra da noite do baile? — Lotte sussurrou.
— É e você foi atração da festa perseguindo a abelha cupido, ainda acertou o “sogrão” bem na testa. — completou Sucy se lembrando da cena.
— Não me lembrem disso, foi muito vergonhoso. — Akko abraçou o travesseiro.
— Mas naquela noite nós dissemos que talvez um dia ele dissesse que te ama e seria de verdade. — Lotte rememorou sonhadora. — O destino é maravilhoso.
— É agora só falta você dar uma chance ao Frank. — Kagari não resiste a pentelhar a amiga.
— Nem pensar! — defende-se jansson. — Ele é um bom rapaz, mas não tem chances disso acontecer.
— uhmm...— desacreditam Atsuko e Sucy começando a rir da amiga.
(...)
Os quatro mese que faltavam para o ano acabar, se passaram lentamente, enquanto isso Akko evoluiu sua magia ainda mais, fez novas descobertas sobre as Nove Bruxas Sagradas, visitou outras dimensões, viveu todo tipo de aventuras.
Andrew retomou suas excelentes notas, focou-se mais na prática musical, viajou para o Japão a fim de conhecer a família de Atsuko e formalizar seu pedido e foi muito bem recebido.
Como o jovem mesmo havia dito a seu pai, estava desfrutando todas as alegrias do amor, encontrando sua amada quase todos os finais de semana, levando-a para piqueniques e tendo provas do que Diana uma vez o dissera, Akko não é uma flor, por trás daquela menina boba havia uma grande mulher. Quando apresentada a sociedade a menina aprendeu regras de etiqueta, soube se comportar com superioridade diante aqueles que tentaram menosprezá-la, mas sempre com seu “jeitinho Akko, de ser”
No dia da sua formatura em Luna Nova, Akko sentiu-se tão angustiada, não por ela, talvez um pouco pela nostalgia, começou a relembrar tudo que vivera desde que pusera os pés naquele lugar, poderia se dizer que ela foi do lixo ao luxo e não por ter conquistado um príncipe encantado, mas por ter chegado alí e sido recebida com preconceito e desprezo pela maioria e se sobressaído.
Sentia-se vitoriosa, orgulhosa de si mesma, fez amigas que iria manter pelo resto da vida, já se imaginava conhecendo os familiares exóticos de Sucy, as queridas tias de Lotte, prestigiando a primeira invenção de grande sucesso de Constanze, entre outras coisas, mas… Riu ao imaginar Diana como uma futura diretora de Luna Nova.
Mas havia algo… Na verdade alguém… A pessoa que a fez sonhar em ser bruxa. Chariot era tão sábia, uma vez a dissera que “Seu destino não é aquele que você sonha, mas o que conquista, o que você faz por merecer”. Não que a ruiva tinha deixado de ser especial, de tudo, mas havia algo tão quebrado, tão injusto e Akko nem sequer poderia conversar com ela, pois não conseguia explicar aquela melancolia.
Sentindo todo aquele misto de sensações formando um nó em sua garganta, ela fechou sua mala e finalmente arrancou o poster da parede, guardando-o olhando aquele memorável dormitório pela última vez.”Obrigada Luna Nova, amigas… Chariot”
(...)
A formatura foi emocionante, maravilhosa, Diana foi escolhida como oradora, mas quis dividir seu discurso com Atsuko, e alias, a primeira “normal” a se formar como bruxa com honras e méritos, sua família estava presente assim como seu noivo e futuro sogro.
Atsuko foi sincera e emocionada em seu discurso, mas quanto a Chariot o nó ainda estava em sua garganta, quase não conseguiu falar muito sobre a ruiva. Não era mágoa, mas falta de palavras talvez… Foi graças a ela que tudo começou, graças a ela tudo se confundiu e se quebrou, mas graças a ela as coisas se corrigiram também… Não tinha como pôr em palavras.
De certa forma Andrew percebeu uma certa melancolia vinda da garota, obviamente preferiu questioná-la em outra ocasião porque aquela foi comemorativa, mas quando interrogada a garota desabafou como sentia que as coisas estavam inconclusas entre ela e a ex professora, ex idol e como isso estava sendo doloroso.
Poucos dias faltavam para o tão aguardado casamento, Kagari não tinha intenção de se afastar das práticas de magia após se casar, tampouco Hambridge seria capaz de exigir isso dela e ambos já planejavam viajar pelo mundo em busca de outros tipos de praticantes de magia, ele aproveitaria para apresentar suas músicas de autoria propria mundo afora.
Mas naquele momento, sentados no gazebo do jardim da mansão Hanbridge o casal conversava sobre o que afligia o coração de Akko.
— Às vezes o tempo é o melhor conselheiro, Chariot não vai sumir novamente, então acalma seu coração, Akko.— acariciou-lhe os cabelos. — Quando souber o que quer dizer para ela, vai saber onde encontrá-la.
— Você tem razão. Vou tentar me acalmar, focar no nosso casamento. Olha só pra mim, parece que foi ontem que cheguei na cidade procurando o ponto de ônibus para Luna Nova. — riu de si mesma. — Como eu era boba, imagina. Agora sou uma bruxa formada e estou a poucos dias de me tornar uma senhora casada.
— Acho que eu quem deveria ser grato a Chariot. — beijou a face da namorada. — Sem ela você não existiria na minha vida.
Os lábios se encontraram selando um beijo carinhoso, cheio de ternura e cumplicidade, aquecendo os corações.
(...)
Andrew respirou fundo sentindo-se constrangido por ser o centro de todo aquele espetáculo, notou o risinho zombeteiro de Frank que sabia o quão desconfortável o castanho estava. Entretanto se era preciso passar por todo aquele ritual para ter a bruxinha mais linda do mundo, somente para si até que a morte os separe, que assim fosse.
Ajeitou sua gravata e o smoking preto, correu as mãos pelos cabelos, pela milésima vez, sabia que noivas se atrasam, mas Akko estava abusando desse direito. Será que ela desistiu e viu que estar ao lado dele seria muita pressão? Não poderia julgá-la se assim fosse. O rapaz estava a beira de um ataque de nervos, acalmou-se quando sentiu o toque de seu pai em seu ombro, que lhe ofereceu um sorriso tranquilizador.
Finalmente a marcha nupcial começou a tocar a Atsuko surgiu trajando o icônico vestido de noiva ocidental, tomara que caia, decote em coração com longas luvas, os cabelos presos em um coque alto, algumas mechas finas soltas nas laterais, a maquiagem suave. Um véu que descia do arranjo de seu coque e se perdia de vista pelo tapete vermelho, enquanto a mesma caminhava graciosa guiada pelo pai.
O mundo de Andrew parou, sua boca quase se abriu enquanto admirava sua amada aproximando-se como em câmera lenta para unirem suas vidas em uma só. Agora aquele ritual já não lhe parecia mais algo tão tolo e sim o momento mais emocionante de sua vida, desejou ter uma magia do tempo para que pudesse voltar aquele momento sempre que quisesse.
Não demorou para que a garota fosse entregue a ele por um pai um tanto emocionado, ninguém na família esperava que Atsuko se casasse tão breve, mas não lamentaram, pelo contrário. A felicidade estava estampada naquele rosto redondo e era tudo o que importava.
Todas as belas palavras e juras da cerimônia foram recitadas e os presentes se emocionaram tanto quanto os noivos, quando o beijo final selou a união frente ao altar, os convidados se levantaram aplaudindo o casal. De certa forma a bruxinha ainda pensava estar passando por um sonho, mas não queria acordar jamais.
Embora toda a alegria durante a animada festa que aconteceu na mansão Hanbridge, Akko ainda sentia uma pequena pontada de melancolia, também estava nervosa devido a “Lua de Mel”, Sucy tinha sido bem malvada e narrado as coisas das piores formas possíveis e a noiva estava bem apreensiva, ela teve uma lembrança da noite anterior.
As três bruxas estavam no quarto de hóspedes da mansão Hanbridge e uma tempestade caia furiosa lá fora, as luzes se apagaram quando Sucy começou a falar sobre a tal noite de núpcias, ela acendeu uma vela alaranjada iluminando apenas sua face.
— Dizem que depois da festa o casal vai para o quarto...— narrou em tom assustador e Akko e Lotte se abraçaram. — E as roupas são arrancadas e aí...— ela narra o restante da forma mais medonha que consegue finalizando com um trovão estrondoso que e faz as duas amigas gritarem e se abraçarem.
Atsuko volta a realidade quando o noivo toca em seu ombro, já estavam tempo demais na recepção e iriam partir em um cruzeiro romântico, ela salta de susto fazendo o rapaz ficar com uma gota sobre a cabeça.
— Só vim te trazer um pedaço de bolo, vi que você não comeu nada. Está se sentindo bem?
— E-estou, estou ótima, tranquilinha da silva! — forçou um riso pegando o bolo.
— Hm… Tem certeza? Esse vestido não está te sufocando? Não quer tirá-lo? — a sugestão dele era para que ela trocasse a roupa para algo mais leve, mas não foi o que ela entendeu.
— O que? Tirar? Não, não, não… Não vou tirar nada, nunquinha! — colocou o bolo sobre a mesa depois de ter comido apenas um pedaço.
Andrew revirou os olhos e riu-se do nervosismo da esposa, cativando-lhe a mão e guiando-a para a sacada.
— Akko, me conte tudo, seja sincera. Você se arrependeu do casamento?
— Não...— respondeu em um choramingo arrastado. — Eu acho que só estou meio apavorada, é isso.
— Apavorada com a viagem?
— Não...— fitou o chão envergonhada. — Não é sobre a viagem exatamente.
— Então o que está te deixando assim?
— Ah você sabe...— tirou uma das luvas torcendo-a nervosamente. — É aquilo no quarto.—Andrew espalmou a testa e deu uma sonora gargalhada que fez a menina cruzar os braços e inflar as bochechas. — Não debocha de mim.
— Akko, por favor, o que você pensa que vai acontecer essa noite? — questionou quase sem conseguir conter o riso.
A bruxa aproximou-se do ouvido do marido e repetiu o relato feito por Sucy, ele arregalava os olhos a cada palavra.
— Não é bem assim que as coisas funcionam, sua boba. — a envolveu em um abraço. — Quero que esqueça tudo isso e apenas confie em mim, pode fazer isso? — ela assentiu envergonhada. — Agora va la e se despeça porque já vamos partir. — dedicou-lhe um beijo terno e a libertou do abraço.
Ele não conseguia deixar de achá-la encantadora, mesmo a forma como era tão facilmente assombrada pelas amigas, ficou a admirá-la se afastando, agora sem o véu, o coque alto deixava as costas à mostra e a saia cheia do vestido a fazia parecer uma princesa. Riu-se ao lembrar-se do relato que a assustou, como se ele não fosse tratá-la com toda delicadeza que ela merece, como quem colhe uma flor… Sua flor selvagem.
(...)
Finalmente estavam na limousine após mais de duas horas de despedidas e felicitações, choros e emoções, Andrew ainda sentia que sua esposa estava receosa, ansiosa, por ela estar tão calada e apertando as luvas nas mãos.
Cativou-lhe as mãos entre as suas e lhe ofereceu um sorriso tranquilizador, ela retribuiu.
— Ainda preocupada com o mesmo assunto? — questionou em um sussurro.
— Não.— sorriu. — Eu não sei bem o que é.
— Então vou te distrair com algo inusitado. — ganhou a atenção da esposa de imediato. — Parece que andei influenciando alguns amigos.
— Você só tem o Frank como amigo. — rebateu divertida.
— Touche, lady Hambridge.— brincou. — então vou reformular… Parece que influenciei o Frank, declarou para sua família que vai ser cineasta, afrontando-a.
— Tá brincando? — Admirou-se a bruxa.
— É muito sério, também me surpreendi. E ele disse algo como “o show nunca pode parar”.
— O show nunca pode parar… É ISSO! — Gritou extasiada. — Andrew precisamos voltar agora! — ela empolgou-se como quem teve uma luz.
— Voltar?
— Sim, sim, é a resposta, a resposta que eu queria, minha angústia em deixar a Chariot é que ela nasceu para os palcos, não pra ficar em Luna Nova obedecendo regras e mais regras, se fosse feito um filme sobre a vida dela.
— Eu entendi, entendi, faz todo sentido, nós vamos voltar.
E a pedido do rapaz o veículo deu a volta e retornou para a mansão, a festa ainda continuava, mas as bruxas já pensavam e se retirar, quando uma noiva maluca abriu as portas fazendo o maior barulho, ofegante e com o coque semi desmontado.
— CHARIOT! — berrou a plenos pulmões fazendo a ruiva olhar com ar interrogativo.— Eu preciso que você venha comigo.
— Para sua lua de mel? Esse é um convite muito estranho não vai cair bem. — respondeu levada pelo momento e arrancou risos de todos.
— É isso, Chariot você não nasceu para ficar escondida em Luna Nova, para de se punir pelos erros do passado. Graças a você eu vim para essa cidade, me tornei bruxa, conheci o amor da minha vida. — essa fala arrancou um coro de “wont”— Mas esse não é o foco. Chariot você tem que voltar a ser como antes, voltar a brilhar, mais pessoas precisam da sua luz, da sua alegria. O universo te colocou no meu caminho por um motivo, talvez também tenha um bom motivo para ter me colocado no seu.
— Akko, eu realmente estou bem aqui, aquele tempo foi bom, mas… — ela não soube como continuar.
— Para, para tudo, Chariot, para de se enganar assim, você não está feliz aqui, não nasceu pra ser só uma professora e viver sob regras e mais regras. — era um tanto estranho chamá-la por aquele nome, mas não desconfortável.— Olha, olha… — Pegou a mão da ruiva puxando-a e levando-a até Frank. — Ele, ele pode fazer um filme sobre a sua vida, contar toda sua história e depois… Depois você pode fazer um retorno incrível! — uniu as mãos da professora e do jovem loiro, os deixando constrangidos. — Conversem, se entendam, eu tenho que ir agora, não posso me atrasar pra minha Lua de Mel. — Todo mundo gargalhou e a garota saiu correndo, encontrando o noivo e saindo o puxando consigo. A professora e o futuro cineasta se encararam com gotinhas sobre a cabeça.
(...)
Akko estava livre finalmente tinha dito tudo que deveria dizer para a ex professora, se ela a ouvisse e decidisse voltar aos palcos com certeza seria uma boa surpresa, se não, ao menos a garota fez a sua parte.
Mas como tinha planos com o marido, após a Lua de Mel, ambos começaram uma viagem pelo mundo, Andrew propagando sua música e Akko em busca de outros praticantes de magia. Viveram aventuras perigosas e algumas muito agradáveis, construindo suas memórias, fazendo novos amigos.
Quando finalmente regressaram, menos de uma semana depois, Akko recebeu a visita das amigas, ela tinha conhecido tantos tipos de bruxas e bruxos que estava cheia de histórias para contar, mas também ouviu muitas novidades.
Akko tinha planos de montar uma escola de magia que fosse em outra dimensão, mas que alunos de quaisquer países pudessem conseguir acessar, ela ainda não tinha planejado muito bem com os novos amigos que fez, talvez fosse algo virtual onde os alunos entrariam através de um portal que se abriria em seus computadores, assim voltariam todos os dias para suas famílias, talvez nos finais de semana.
Mas o principal era que seria uma escola que abrangeria bruxas e bruxos e humanos normais aspirantes a praticar magia, com toda certeza ela convidou as amigas para o projeto. Diana recusou, pois seus planos futuros eram levantar Luna Nova e manter tradições.
Sucy e Lotte adoraram a idéia e se prontificaram a fazer parte, mas as notícias mais impressionantes que fez o casal quase cair de seus assentos, foi sobre Chariot. A ruiva realmente decidiu voltar aos palcos e foi recebida muito bem, o público antigo em peso a prestigiou por nostalgia e o público novo se encantou com os truques e o carisma da bruxa.
— E o filme, eles fizeram? — Akko perguntou curiosa.
— Err… — Lotte fez uma cara engraçada. — Bom, Chariot voltou com as apresentações e Frank viajou atrás dela a fim de escrever sobre o filme, mas...
— Mas o que? — as orbes rubis se arregalaram. — Falem logo de uma vez.
— Dizem os boatos que a Chariot vai ter um bebê com o Frank, mas eles não voltaram pra cidade então não sabemos se é verdade.— Sucy revelou indiferente.
— Mas é verdade, Chariot adiou vários shows e em notas para imprensa disse que no momento suas prioridades são outras, que vai se manter longe da agitação dos palcos por um tempo, ela parecia bem rechonchuda. Depois disso eles desapareceram “juntos”,
— EU ESTOU CHOCADA! — Akko ficou com a boca aberta por um longo tempo.
— Pois eu não. Frank sempre teve um gosto peculiar, queda por bruxas e bem… Tem a diferença de idade, mas ele é maior de idade então não há nada ilegal, fora que a Chariot é uma ruiva de enfeitiçar. — não resistiu a fazer o trocadilho e levou um olhar furioso da esposa.
— NÃO ESQUECE QUE EU ESTOU AQUIIIIIIIIIIII — Berrou a esposa furiosa enciumada com o comentário do marido. — Ainda posso te transformar em um sapo verruguento.
— Na verdade não pode não.— intrometeu-se Lotte.
— Seria divertido, mas é contra as regras usar nossa magia em momentos de raiva ou ciúmes. — explicou Sucy.
— Vão ficar do lado dele? Belas amigas vocês.— cruzou os braços emburrada e o três começaram a rir. — O pior de tudo é que eu incentivei a Chariot a voltar a fazer shows, mas não pude assistir nenhum e agora sabe-se lá quando ela vai voltar para os palcos.— inflou as bochechas e gemeu de frustração.
Não era de se admirar, Chariot era incrível e como Akko tinha lhe dito, não nasceu para seguir regras, o importante era que agora a bruxinha conseguia sentir que mesmo estando “desaparecida novamente” a ruiva estava feliz, ela não sabia como explicar essa sensação, mas era como se as duas tivessem um elo, havia a sensação de que ambas se encontrariam novamente em algum momento.
Uma nova etapa começaria a partir daquele momento, as amigas estavam juntas novamente e cheias de planos, prontas para continuarem ativas na magia. Paul estava feliz de ter o filho novamente e com a nora em casa o local ficava muito mais agitado, embora ele não admitisse estava ansioso para ter a mansão cheia de netos, mas isso ia ter que esperar segundo os planos do casal. O casal vivia os altos e baixos da vida de casados, mas sempre se apaixonando a cada dia mais, descobrindo a magia do amor...
FIM
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