Notas iniciais
Espero que gostem de ler desta história quanto eu gosto de escrevê-la. Vou tentar postar os capítulos com frequência, então fiquem acompanhando. Aproveitem!

— Então, Stan Ford, sabe o motivo pelo qual foi chamado aqui? — a senhora Masterson perguntou.

— Se for por causa do Mikkel, pode esquecer, eu não fiz nada, ele que se... — começou apressado.

— Calma, calma. Não é sobre isso...bem, ainda não. — a diretora pôs as mãos sobre a mesa, cruzando os dedos em forma séria. — O técnico Murphy veio falar comigo na tarde de ontem sobre você.

— Huh...e o que aquele fracassado falou, hein? A nossa relação não tem nada a ver com a senhora...

— Baixa a guarda, Stan. O técnico Murphy não xingou você.

— E o que queria?

— Bom, ele disse que você é um excelente capitão e que tem se esforçado bastante. — Stan apenas levantou uma sobrancelha, mas continuou com a expressão fechada. — Até pensou em chamar um olheiro da Universidade de Stanford no fim do ano. Você sabe o que isso significa?

— Significa que irei ser um astro do basquete.

— Não só isso. Significa que terá a chance de conseguir uma bolsa para a faculdade, terá a chance de ter um futuro melhor, e nós sabemos que sua família não tem muita condição financeira...

— Vá direto ao ponto, Jane!

— É senhora Masterson pra você, rapaz, tenha o mínimo de respeito! — retrucou duramente.

— Ok, desculpe.

— Continuando, você poderá mudar toda a sua vida, mas os olheiros não examinam apenas o desenvolvimento em quadra, como também o histórico e ficha escolar.

— E?

— As suas notas não estão nada boas, Stan, muito menos a sua ficha.

— O que? O que tem de mais na minha ficha? — indagou exaltado.

— Hum. Vamos ver. — a diretora puxou de debaixo da mesa uma pasta amarela com o nome Stan M. Ford na capa, pôs os seus óculos e a abriu. — Agressão física, psicológica e moral ao aluno Michael Schumacher, vandalismo no pátio do colégio, vandalismo no carro do senhor Porto...

— Ele me deixou fora da sala por chegar atrasado!

— Assédio moral ao time de lacrosse feminino, sem contar as inúmeras reclamações de professores.

A diretora decidiu encerrar o relato por ali, senão passaria o dia lendo aquela ficha. Por fim, fechou a pasta e a devolveu ao local de origem. Ela cruzou os dedos novamente à mesa, observando Stan, ele parecia preocupado apesar de tentar fingir com a expressão de raiva contínua.

— O que devo fazer? — ele perguntou vagarosamente.

— Sugiro que procure um tutor para te ajudar com as matérias.

— Não conheço ninguém.

— Pois lhe indicarei, na verdade, já tenho alguém em mente. — se levantou da cadeira acolchoada. — E quanto a sua ficha, posso amenizar alguma coisa se é que me entende.

— Por que está me ajudando? — indagou se levantando. — Pensei que não gostasse de mim.

— Nunca disse que não gostava de você, pelo contrário, pego no seu pé por saber que, por trás de toda essa máscara de garoto durão, tem alguém muito talentoso e com um grande futuro pela frente. — confessou gentilmente.

— Tá, tanto faz. — respondeu em desdém se encaminhando a porta do gabinete.

— Stan... — chamou. — Vai dar certo.

O garoto apenas concordou com a cabeça e saiu da sala pisando firme. A senhora Masterson pediu a sua secretária que chamasse Heather Summers.

— Está certo, senhora.

* * *

— Sério? Yale? — Sarah perguntou na outra linha.

— Sim! Preciso apenas de algumas horas complementares. — Heather respondeu segurando uma barra de chocolate numa mão, seus livros com a outra e tentava equilibrar o celular entre seu ombro e orelha.

— Mas você já não fez um milhão de coisas, amiga?

— Sim, mas quanto mais carta na manga eu tiver mais chance terei de entrar em Yale, Sa.

— Você vai passar, Hatcher, é muito esperta para não entrar.

— Não me chama assim! — repreendeu. — Meu nome é Heather.

— Qual é? Eu te chamo assim desde que nos conhecemos, lembra? Você falou tão baixo que foi isso que entendi.

— Eu lembro, Sa, e nesse mesmo dia você roubou o meu sanduíche. — ela riu do outro lado.

— Eu sei.

Heather ainda dava uma de malabarista enquanto seguia à sua sala de economia no fim do corredor.

— Como está aí em Londres?

— Bem fria. Arrg! Aqui chove muito, sinto muita falta do sol dos EUA.

— É o mesmo sol, Sa. — explicou entre risadas. — Aaah!

Heather deixou cair os livros e o celular no chão quando uma nuvem espessa de garotos passou por ela.

— Olha por onde anda, quatro olhos! — um garoto moreno disse enquanto ria.

— Pelo menos, não fui eu quem deixou o passarinho fugir. — retrucou para si, mas os garotos ouviram e começaram a rir.

— Parem de rir, seus idiotas!

Mas os garotos continuaram mesmo depois de o garoto fechar o zíper. Um deles fez contato visual com Heather, a pegando desprevenida, era um garoto loiro de olhos azuis, que usava um cavanhaque e jaqueta do time de basquete. Ela conhecia aquele garoto, era Stan, o grande astro do basquete e super popular no colégio, mas que infelizmente era um pé no saco. Heather pensou que as pessoas apenas o aturavam por se tornarem populares junto com ele, senão já o teriam largado.

— Tá olhando o que, quatro olhos? — Stan perguntou rispidamente e fez um gesto indicando que jogaria uma bola nela, assustando a garota.

Eles entraram na sala, deixando Heather a arrumar as suas coisas sozinha.

— Idiotas. — sussurrou.

— Senhorita Summers? — ouviu uma voz vir de cima, levantou a cabeça percebendo que se tratava da secretária da escola.

— Oi, senhora Fields. — se levantou sem jeito.

— A senhora Masterson quer falar com a senhorita.

— Hum, eu tenho que assistir a uma aula agora.

— Será bem rápido e se demorar, ela redigirá uma explicativa. Você não sairá prejudicada.

— Sendo assim...vamos, então.

Elas se encaminharam à diretoria e quando se acharam lá, Heather adentrou a sala da diretora.

— Heather, que bom que veio rápido.

A moça apenas concordou com a cabeça, sentando-se ansiosa na cadeira enquanto esperava saber o que a diretora queria.

— Você sabe que é uma ótima aluna... — começou gentilmente. — O seu histórico escolar é impecável, posso dizer.

— Obrigada, senhora Masterson.

— Suponho que já esteja visando uma universidade.

— Sim, Yale é a minha opção.

— Ótimo! Uma universidade renomada e requisitada requer notas altas e um currículo memorável.

— É verdade, estou trabalhando nisso. Ainda estamos no início do ano, então tenho um certo tempo para fazer o que quero.

— Então não medirá esforços para preencher a sua ficha?

— Não, farei tudo ao meu alcance.

— Nesse caso, tenho uma proposta para você. — a diretora abriu um sorriso largo.

— Ela quer que você faça o que?- Sarah perguntou incrédula na tela.

— Que eu seja tutora do Stan Ford.

— Oh meu Deus! Você disse não, né? — silêncio. — Heather Shannara Summers, você aceitou?

— Ela é muito persuasiva, Sa! — defendeu com um dedo na boca. — Ela disse que isso contará como horas complementares, que analisaria melhor a minha ficha, se é que me entende, e que mandará uma carta de recomendação a Yale. Você tem noção do quanto isso é importante?

— Sim, Hatcher, mas é o Stan. Stan! Sinônimo de Satã!

— Eu sei. — cobriu o rosto em frente ao notebook.

— Lembra do que ele fez comigo no primeiro ano? Tive que raspar o meu cabelo por causa do chiclete...e no segundo ano quando ele "acidentalmente" te empurrou da escada e você ficou com a perna engessada?

— Eu sei, Sa, sei de tudo isso, mas é o meu futuro,entende?

— Por que ela não pediu a um professor?

— Porque o Stan não gosta de de nenhum e ela achou que seria melhor alguém da idade dele.

— E ela acha que o Stan gosta de você? — silêncio. — Ele não gosta de ninguém a não ser ele mesmo.

— Nem eu gosto dele, mas eu preciso fazer isso, Sa. Não vou perder essa chance por medo do tal Stan, Satã.

Sarah balançou a cabeça na tela, ficando em silêncio por um tempo considerável até que disse:

— Queria estar aí para te ajudar.

— Eu também.

Kyle entrou no quarto, subindo na cama de Heather e se apoiando em seu colo.

— Oi, Sarah!

— Oi, Patinho! Como está grande!

— Estou tomando muito energético. — mostrou o músculo do braço que continuava pequeno como uma noz.

— Nossa, não vai mostrar para as meninas, não quero perder o meu namorido.

— Não sei, Sarah, você está bem longe. A fila anda, sabe?

— Que? Não parta o meu coração, Patinho!

— Kyle, a mamãe está te chamando. — Heather informou.

— Não está não.

— Está sim, você que não ouviu. Vai.

— Tá bom. — concordou irritado. — Já estou indo.

— Tchau, Patinho!

— Tchau! — ele saiu do quarto.

— Seu irmão continua um fofo. Se fosse mais velho, eu pegaria.

— Sarah! — repreendeu e a amiga riu.

— Quando começarão a aulas particulares?

— Não sei ainda, preciso preparar um cronograma e para isso preciso dos horários dele.

— Humm. Amiga, eu preciso desligar, o papai colocou sabão demais na máquina de lavar. De novo. Beijo!

— Beijo!

Heather encerrou a ligação, fechando o notebook, se jogou para trás sendo amparada pelo colchão macio. Ela se lembrou da troca de olhar entre eles naquela tarde e um frio na barriga lhe atingiu. Decidiu pesquisar sobre ele no Facebook.

— Vamos ver quem é Stan Ford. — disse enquanto acessava a rede social.

Na página dele tinha várias fotos de carros, motos, dele próprio jogando basquete, algumas com os amigos, outras com as garotas com quem saiu e jogou fora...

— Nada de família.

Não tinha uma foto sequer da mãe, pai, irmão ou algum parente sequer, parecia que queria esconder as suas origens. Heather achou aquilo extremamente interessante.

Notas finais
Beijos!