Eles estavam em barcos, indo para Hogwarts. Hannah estava do lado da Profª Grubbly-Plank, que, mesmo estando do lado da mulher, não deixava de sentir vergonha, pois ela era a única que estava indo para Hogwarts pela primeira vez que não tinha 11 anos, então, estavam todos olhando para ela, e a coisa que ela menos gostava era atenção.

Quando chegaram, uma mulher que se chamava Prof.ª McGonagall explicou sobre as casas de Hogwarts e falou sobre a seleção, e praticamente todas as crianças ficaram nervosas com medo do que seria, Hannah também ficaria, mas já tinham falado para ela sobre o chapéu seletor, então, ficou apenas ansiosa.

A Prof.ª McGonagall falou que ela não iria entrar no Salão Principal junto com as crianças do primeiro ano e iria esperar a seleção dos mais novos acabar para ser selecionada, e Hannah não sabia se ficava aliviada ou não, pois como ela não iria entrar com todos, ela não ia chamar muita atenção, mas como iria ser selecionada depois, ela iria entrar, com todos olhando para ela, mas quando ela pensou na outra possibilidade, ela percebeu que não tinha como fazer isso sem chamar atenção.

Os primeiranistas entraram e Hannah ficou na porta do Salão Principal, e quando as portas se fecharam, Hannah aproveitou para pensar. É agora, relaxa, você sempre sonhou com esse momento, a pior coisa que pode acontecer é você cair no corredor e todo mundo olh... Hannah decidiu parar de pensar nisso pois estava a deixando mais nervosa.

Quando ela escutou as palmas ela sabia que era agora e se preparou para Dumbledore a chamar.

— Creio que todos estejam ansiosos para o banquete começar, mas aguardem por um momento.

O murmúrio foi imediato. Quase todos os alunos ficaram confusos, menos os que já conheciam Hannah.

— Por um erro da nossa escola, uma menina que era para ter entrado em Hogwarts a 4 anos atrás não recebeu a carta, ela ficou estudando em casa todos esses anos e agora finalmente ira ingressar em nossa escola.

Todos os alunos ficaram extremamente confusos e ansiosos. Nada parecido com isso tinha acontecido, e quando a Prof.ª McGonagall pegou o pergaminho, como se todos soubessem olharam para a porta, onde esperava Hannah, quase morrendo do coração.

— Hollister, Hannah.

Hannah entrou no salão principal e, obviamente, todos estavam olhando pra ela, mas ela conseguiu não se preocupar muito com isso e sim em não cair. Quando ela passou por seus amigos, eles fizeram gestos de encorajamento, deixando-a feliz. Ela chegou em um banquinho e sentou, logo depois a Prof.ª McGonagall colocou o chapéu seletor na cabeça dela, e logo depois começou a murmurar.

— Hum... interessante, muito inteligente... seguiria o que acredita mesmo sendo obrigada a fazer o contrário, muito leal com seus amigos e não vai os abandonar... acho que... espera! Muito interessante, sim... isso é muito... nossa! Não tem outra a não ser: GRIFINORIA!!!

Essa era a casa que ela menos esperava, ela nem tinha pensado na possibilidade de ir para a Grifinoria, e ela tinha pensado na possibilidade de ir para todas as casas, só que ela foi tirada de seus pensamentos quando escutou a mesa da Grifinoria aplaudindo loucamente. Ela encontrou um lugar perto da Hermione e do Harry mais ou menos no centro, e Hannah mal tinha sentado que Rony já foi falar com ela.

— Parece que TODAS suas apostas estavam erradas. – Falou ele caçoando dela.

— Se você está confuso imagina eu. – Comentou Hannah antes do Dumbledore começar a falar.

— Aos nossos recém-chegados: bem-vindos! Aos nossos antigos alunos: um bom regresso! Há um momento para discursos, mas ainda não é este: atacar!

Ouviram-se risos de apreciação e uma explosão de aplausos, Hannah viu os pratos se encherem magicamente e Hermione riu da expressão dela.

— Excelente! – exclamou Rony, fazendo um som de saudades, e passou a mão na travessa mais próxima com costeletas e começou a empilhá-las em seu prato, observado tristonhamente por um fantasma.

— Que é que o senhor ia dizendo antes da Seleção? – perguntou Hermione ao fantasma. – Sobre os conselhos do Chapéu?

— Ah, sim – disse ele, que pareceu satisfeito de ter uma razão para desviar o rosto de Rony, que agora comia batatas assadas com um entusiasmo quase indecente. – Sim, já ouvi o Chapéu dar conselhos várias vezes antes, sempre em momentos em que percebe grande perigo para a escola. E sempre, é claro, seu conselho é o mesmo: unam-se, fortaleçam-se por dentro.

— Ele deu algum conselho? Não deu para escutar muita coisa por trás da porta. – perguntou Hannah, mas antes de ter sua resposta, Rony fez a própria pergunta.

— Comele sacascó taapigo senchpéu? – perguntou ele.

— Como disse? – perguntou o fantasma educadamente, enquanto Hermione fazia cara de indignação. Rony deu uma enorme engolida e disse:

— Como é que ele pode saber que a escola está em perigo sendo um Chapéu?

— Não faço a menor. Naturalmente ele vive no escritório de Dumbledore, então imagino que perceba o que está se passando.

— E ele quer que todas as Casas sejam amigas? – perguntou Harry, olhando para a mesa da Sonserina. – É ruim, hein?

— Bem, você não deveria tomar essa atitude – disse o fantasma, o censurando. – Cooperação pacífica é a chave. Nós, fantasmas, embora pertençamos a Casas diferentes, mantemos laços de amizade. Apesar da concorrência entre Grifinória e Sonserina, eu jamais sonharia em puxar uma discussão com o Barão Sangrento.

— Porque o senhor tem pavor dele! – disse Rony.

O fantasma pareceu extremamente ofendido.

— Pavor? Espero que eu, Sir Nicolas de Mimsy-Porpington, nunca tenha sido autor de uma covardia na vida! O nobre sangue que corre em minhas veias...

— Que sangue? – perguntou Rony. – Certamente o senhor não tem mais...?

— É uma figura de linguagem! – disse ele, agora tão aborrecido que sua cabeça tremia agourentamente no pescoço, e Hannah pensou que ia vomitar. – Presumo que ainda tenha o privilégio de usar as palavras que quiser, mesmo que os prazeres da mesa me sejam negados! Mas estou muito acostumado a estudantes fazerem piadas com a minha morte, posso lhe assegurar!

— Nick, ele não estava realmente caçoando de você! – disse Hermione, atirando um olhar furioso a Rony.

Infelizmente a boca de Rony estava novamente cheia a ponto de explodir, e só o que ele conseguiu dizer foi:

— Nam quis aorre cecê. – O que Nick não pareceu achar que fosse um pedido de desculpas apropriado. Erguendo-se no ar, ajeitou o chapéu emplumado e afastou-se deles, deslizando para o outro lado da mesa, indo pousar entre os irmãos Creevey, Colin e Dênis.

— Parabéns, Rony – disse Hermione rispidamente.

— Que foi? – perguntou o garoto indignado, tendo conseguido finalmente engolir a comida que tinha na boca. – Não tenho o direito de fazer uma simples pergunta?

— Ah, esquece – disse Hermione irritada, e os dois passaram o resto da refeição num silêncio amuado.

— É impressão minha ou eles estão discutindo mais do que o normal? – Perguntou Hannah e Harry concordou com cara de cansado.

Quando todos os alunos terminaram de comer e o nível de barulho no salão recomeçou a aumentar, Dumbledore tornou a se levantar. As conversas morreram imediatamente e todos se viraram para o diretor.

— Bem, agora que estamos todos digerindo mais um magnífico banquete, peço alguns minutos de sua atenção para os habituais avisos de início de trimestre – anunciou Dumbledore.

— Os alunos do primeiro ano precisam saber que o acesso à floresta em nossa propriedade é proibido aos estudantes... e a esta altura alguns dos nossos antigos estudantes já devem ter aprendido isso também. – Harry, Rony e Hermione trocaram sorrisinhos que Hannah já sabia da história.

“O Sr. Filch, o zelador, me pediu, segundo ele pela quadricentésima sexagésima segunda vez, para lembrar a todos que não é permitido praticar magia nos corredores durante os intervalos das aulas, nem fazer outras tantas coisas, que podem ser lidas na extensa lista afixada à porta da sala dele.

“Houve duas mudanças em nosso corpo docente este ano. Temos o grande prazer de dar as boas-vindas à Prof.ª Grubbly-Plank, que retomará a direção das aulas de Trato das Criaturas Mágicas e estamos também encantados em apresentar a Prof.ª Umbridge, nossa nova responsável pela Defesa Contra as Artes das Trevas.”

Houve uma rodada de aplausos educados, mas pouco entusiásticos, durante a qual Harry, Rony e Hermione trocaram olhares ligeiramente alarmados.

O diretor continuou:

— Os testes para entrar para os times de quadribol das casas serão realizados...

Ele interrompeu o que ia dizendo, com um olhar indagador à Prof.ª Umbridge. Como ela não era muito mais alta em pé do que sentada, por um momento ninguém entendeu por que Dumbledore parara de falar, mas então a professora pigarreou:

— Hem, hem. – E ficou claro que se levantara e pretendia falar.

Dumbledore pareceu surpreso apenas por um instante, então, sentou-se com elegância e olhou atento para a Prof.ª Umbridge, como se ouvi-la fosse a coisa que mais desejasse na vida. Os outros membros do corpo docente não foram tão competentes em esconder sua surpresa e Hannah sabia que estava vindo confusão.

— Obrigada, diretor – disse a professora, sorrindo de uma maneira bizarra – pelas bondosas palavras de boas-vindas.

Sua voz era aguda, soprada e meio infantil. Ela tossiu mais uma vez para clarear a voz (hem, hem), e continuou:

— Bem, devo dizer que é um prazer voltar a Hogwarts! – Ela sorriu, revelando dentes muito pontiagudos. – E ver rostinhos tão felizes voltados para mim!

Hannah olhou para os lados e nenhum dos rostinhos pareciam felizes. Na verdade, todos pareciam meio chocados ao ouvir alguém se dirigir a eles como se tivessem cinco anos.

— Estou muito ansiosa para conhecer todos vocês, e tenho certeza de que seremos bons amigos!

Os estudantes se entreolharam ao ouvir isso, alguns mal conseguiram esconder os sorrisos.

A Prof.ª Umbridge tornou a pigarrear (hem, hem), mas, quando continuou, um pouco do modo soprado de falar desaparecera de sua voz. Pareceu muito mais objetiva, e suas palavras tinham um tom monótono de discurso decorado.

— O ministro da Magia sempre considerou a educação dos jovens bruxos de vital importância. Os dons raros com que vocês nasceram talvez não frutifiquem se não forem nutridos e aprimorados por cuidadosa instrução. As habilidades antigas, um privilégio da comunidade bruxa, devem ser transmitidas às novas gerações ou se perderão para sempre. O tesouro oculto de conhecimentos mágicos acumulados pelos nossos antepassados deve ser preservado, suplementado e polido por aqueles que foram chamados à nobre missão de ensinar.

A Prof.ª Umbridge fez uma pausa e uma reverência aos seus colegas, mas nenhum deles lhe retribuiu o cumprimento. As sobrancelhas escuras da Prof.ª McGonagall tinham se contraído de tal modo que ela decididamente parecia um falcão. Umbridge fez mais um hem, hem, e continuou o discurso:

— Todo diretor e diretora de Hogwarts trouxe algo novo à pesada tarefa de dirigir esta escola histórica, e assim deve ser, pois sem progresso haverá estagnação e decadência. Por outro lado, o progresso pelo progresso não deve ser estimulado, pois as nossas tradições comprovadas raramente exigem remendos. Então um equilíbrio entre o velho e o novo, entre a permanência e a mudança, entre a tradição e a inovação...

Hannah meio que estava prestando atenção, mas uma hora ou outra começava a pensar em outra coisa, e ela percebeu que tinha gente pior que ela, tinha ente conversando em todas as mesas, e para piorar (ou melhorar), a Prof.ª Umbridge não parecia notar a falta de atenção da plateia e continuava seu discurso tranquilamente.

— ... porque algumas mudanças serão para melhor, enquanto outras virão, na plenitude do tempo, a ser reconhecidas como erros de julgamento. Entrementes, alguns velhos hábitos serão conservados, e muito acertadamente, enquanto outros, antigos e desgastados, precisarão ser abandonados. Vamos caminhar para a frente, então, para uma nova era de abertura, eficiência e responsabilidade, visando a preservar o que deve ser preservado, aperfeiçoando o que precisa ser aperfeiçoado e cortando, sempre que encontrarmos, práticas que devem ser proibidas.

A bruxa se sentou. Dumbledore aplaudiu. O corpo docente acompanhou a sua deixa, embora a maioria bateram as mãos apenas uma ou duas vezes antes de parar. Alguns alunos também aplaudiram, mas a maioria foi apanhada de surpresa pelo fim do discurso, porque não ouvira mais do que umas poucas palavras do todo, e antes que eles pudessem começar a aplaudir devidamente, Dumbledore tornou a se erguer.

— Muito obrigado, Prof.ª Umbridge, foi um discurso muito esclarecedor – disse, curvando-se para a bruxa. – Agora, como eu ia dizendo, os testes de quadribol serão realizados...

— Certamente que foi esclarecedor – disse Hermione em voz baixa.

— Você está me dizendo que gostou? – perguntou Rony baixinho, virando o rosto, perplexo, para ela. – Foi o discurso mais chato que já ouvi, e olha que eu fui criado com o Percy.

— Eu disse esclarecedor e não agradável. Explicou muita coisa.

— Foi? – admirou-se Harry. – Me pareceu uma grande enrolação.

— Mas havia coisas importantes no meio da enrolação – disse Hermione, séria.

— Havia? – perguntou Hannah, confusa.

— Que tal “o progresso pelo progresso não deve ser estimulado”? Ou então “cortando sempre que encontrarmos práticas que devem ser proibidas”?

— Bom, e o que é que isso significa? – perguntou Rony impaciente.

— Vou te dizer o que significa – disse Hermione agourentamente. – Significa que o Ministério está interferindo em Hogwarts.

Houve um barulhão ao redor deles, claramente Dumbledore tinha dispensado a escola, porque todos estavam se levantando, prontos para abandonar o salão. Hermione levantou-se de um pulo, parecendo agitada.

— Rony, temos de mostrar aos alunos do primeiro ano aonde ir!

— Ah, é – disse Rony, que obviamente se esquecera. – Ei... Ei, vocês aí! Anõezinhos!

— Rony!

— Ora, eles são, são nanicos...

— Eu sei, mas você não pode chamá-los de anões!... Alunos do primeiro ano! – chamou Hermione com autoridade, correndo o olhar ao longo da mesa. – Por aqui, por favor!

Hannah percebeu depois de uns segundos sem saber pra onde ir que era para seguir o Rony e a Hermione e, novamente, ficaram a encarando, mesmo sabendo o porquê dela estar ali agora, e Hannah torcia para chegarem rápido ao Salão Comunal.

Eles chegaram ao fim do corredor que levava à sala comunal da Grifinória e parara diante do retrato de uma mulher gorda, Hermione falou a senha assim que pararam de andar.

— Mimbulus mimbletonia.

— Certo – disse a mulher, e seu retrato girou para o lado dos garotos como se fosse uma porta, deixando à mostra um buraco redondo na parede, pelo qual os alunos entraram. Hermione levou as meninas para seus dormitórios e Rony levou os meninos para os deles. Hannah descobriu que ela e Hermione estavam no mesmo dormitório, e seus pertences estavam lá, junto com Mily. Já tinham duas meninas no quarto, que, como Hannah já estava se acostumando, a encaram.

— Você é a menina que entrou depois né? – disse a de cabelo cacheado e Hannah apenas concordou. – Sou Lilá Brown, essa é Parvati Patil. Você foi educada em casa é?

— Sim, fui educada pela minha mãe, digamos que ela foi uma boa professora.

— Boa sorte pra pegar o ritmo. – falou Parvati ironicamente. – Até hoje tenho problemas para acompanhar, e olha que estudo aqui desde sempre.

— É, mas tenho certeza que ela pega o jeito rápido. – falou Hermione se intrometendo no meio. – Eu a conheço um pouco e sei que ela consegue.

Hannah agradeceu Hermione, pois já estava ficando cansada, ela queria apenas ir dormir, então, ela rocou de roupa, deu boa noite para as meninas e foi dormir.