Notas iniciais
Essa fanfic não foi uma coisa fácil de se fazer!
É a primeira vez que eu escrevo algo hétero, já que sou fujoshi (quem gosta de boys love), por isso entrei em desespero quando tirei a Tathi (yin-yang) como amiga.
Me esforcei muito e de verdade, amei o resultado, então espero que você também goste!
Boa leitura a todos!

Estava ali mais um dia alegre.

Pelo parque central da cidade estavam as crianças correndo, com seus ouvidos bem tampados do frio e as luvas já molhadas por estarem fazendo arte com a neve. Não eram muitas, mas existiam; eram filhas daquelas senhoras e dos senhores que tinham se esquecido de comprar o presente para aquele parente distante que resolveu aparecer logo na comemoração mais esperada do ano.

A loja de brinquedos estava lotada e mesmo estando dia os pisca-piscas já estavam ligados, deixando o lugar ainda mais colorido, com as guirlandas, as enormes caixas embrulhadas com papel bonito e o que não podia faltar... O bom velhinho com suas inseparáveis renas, sendo a primeira, a comandante, com o focinho vermelho.

Costumava gostar daquela época do ano. Tudo costumava ficar tão bonito, tão iluminado... Mas há alguns anos seu mundo não tinha mais luz, então aquela data não significava mais nada para si, era somente mais um dia normal.

Ah, a quem estava querendo enganar?

Todo natal era a mesma coisa, o mesmo sofrimento! Odiava o dia tão especial e ao mesmo tempo, sempre, sempre, tinha esperança que fosse nesse dia que sua vida mudaria drasticamente, e dessa vez para melhor.

Talvez por esse motivo estivesse com o pacote pequeno e discreto em frente ao corpo, enquanto caminhava pelas ruas frias de Helsingbord. Já dava para avistar a Câmara Municipal da cidade do interior da Suécia. Ela era realmente muito bonita, e sua beleza somente aumentava quando estava daquele jeito: coberta de neve.

Eram poucos os tijolos amarronzados que davam para serem vistos e os telhados cinza, de arquitetura nobre eram totalmente tomados pelo branco e mesmo assim a imponência daquele castelo era estonteante!

Foi ao ver o relógio na torre da Câmara que se deu conta de que estava ficando tarde.

Seus pés davam passadas rápidas, o que contribuía para a respiração afoita soltar no ar a fumacinha característica de tempos frios. Olhou para o ombro e percebeu que estava com um pouco neve. Era melhor se apressar, ou pegaria um resfriado!

Com todas as forças que encontrou atravessou três quarteirões e logo se encontrou em frente da casa de onde vinha uma música natalina agradável. Virou para trás e observou o mar que brilhava discretamente por estar no meio do por do sol.

Aquele visão a relaxou um pouco, então se voltou para a porta branca, onde uma bela guirlanda estava pendurada pouco acima de uma argola que servia para bater na porta e chamar a atenção de seus donos.

Quando ia bater, percebeu uma movimentação do outro lado, e observou pela janela.

A leve cortina não estava tampando o vidro, por isso a jovem podia ver que a lâmpada amarela já estava acesa, deixando bem iluminada a sala com paredes de cor palha, e a lareira acesa deixava evidente que lá deveria estar bem quentinho. Perto dela se encontrava a arvore de dois metros, cheias de bolos coloridas e enfeites, ao seu pé, mais e mais presente, de todas as cores e tamanhos.

Sentado no tapete felpudo e claro perto do fogo estava ele.

A blusa azul marinho destacava bem a pele branquinha, assim como os cabelos castanhos claros, longos e sedosos. Somente podia ver suas costas, mas ela não era menos bela do que o resto do corpo que parecia tão relaxado.

Percebeu que ele não estava sozinho.

Ao seu lado, com um livro no colo, estava uma criança com curtos cabelos pretos. Aquele era o filho dele, mas não era o filho dela e aquilo destruía seu coração. Viu quando os fios negros foram acariciados pela mão forte do pai coruja e pelo sacolejar dos ombros do menor, estava rindo.

Não pode não sorrir ao saber como o amigo era carinhoso com crianças... Imaginava-o brincando com um filho deles.

Porém seus devaneios foram totalmente dispersos com a entrada de uma terceira figura naquele ambiente. Era uma moça muito bonita e que combinava bastante com o inverno, com sua pele quase pálida, os olhos de um azul tão límpidos que mais pareciam gelo e os cabelos negros e lisos que lhe batiam o meio das costas.

Aquela era a mãe do filho dele.

A história da família Hyuuga era bela, muito bela. A moça, Hinata, era a herdeira de uma importante família da cidade e o homem, Neji, era um primo cujo pai tinha ido à falência.

A dona dos fios negros tinha duas opções: continuar em casa e ser aceita pelos pais ou desistir de sua fortuna e ficar com o parente, isso porque seu pai não aceitava o fato do pai de Neji ter perdido parte da fortuna deles e achava que o sobrinho só queria seu dinheiro.

Hinata surpreendeu a todos quando fez suas malas e sem avisar a ninguém, saiu de casa, batendo quase uma hora depois na porta do amado com um sorriso lindo nos lábios e o coração tranquilo.

Não foi com pouco esforço que Neji tinha conseguido a confiança da família e hoje era um dos diretores dos negócios da família.

Ao ver a matriarca com um cobertor a cobrir as costas do filho e do marido, uma lágrima solitária se desprendeu dos olhos castanhos, manchando a pele amorenada e a moça suspirando baixou a cabeça, tomando fôlego para se virar e ir embora, como a cinco anos fazia todos os natais.

Não sabia por que ainda ia aquela residência. A família residente no número 83 era perfeita e não tinha como mudar isso, não de um jeito que não se sentisse uma megera.

Com passos dessa vez lentos foi se afastando do clima bom e familiar da casa de seu amado, andando sem rumo, sem direção, sem se importar se seria perigoso andar nas ruas desertas e já escuras pela chegada da noite.

Tomou um susto quando um homem passou bem rente a si e ficou surpresa ao ver que este tinha parado em sua frente, fazendo-a pausar a caminhada e observa-lo.

Com um instrumento que parecia um violão minúsculo ele fazia música em tons agudos, e por mais que aquela música fosse de natal, ainda sim conseguiu esquentar seu coração, juntamente ao sorriso de dentes brancos e perfeitos.

O homem também dançava engraçado, dessa vez a rodeando, mexendo somente os pés e o quadril. Era uma dança viva, que transmitia a alegria de seu dono e de repente não era somente ele, uma grande roda estava no meio da rua tocando música para ela.

Tocando um instrumento redondo, de couro no meio, estava um loiro de olhos azuis, também muito sorridente, ao seu lado um jovem alto e de pele meio amarronzado balançava algo parecido com um chocalho. Ao fundo, em uma taberna meio suja e simples tinha um gordinho ditando o tempo ao bater ritmadamente em uma caixa acústica.

O homem com o chocalho a conduziu para dentro do estabelecimento, que descobriu ser muito charmoso e aconchegante, com seu piso e mesas em madeira e vários sofás ao redor de uma lareira e foi para onde foi, sentando e recebendo uma xícara com bebida quente.

Ali tinha mais algumas pessoas, pessoas essas que dançavam ao som da mixagem das músicas natalinas, para algo bem mais espontâneo. Era gostoso de ouvir e nunca em sua vida tinha ouvido aquele ritmo.

Não soube quando o moreno do chocalho pegou o mini-violão e nem quando começou a conversar com o homem que tinha a parado na rua. Porém de uma coisa certeza: o sorriso de ponta a ponta no rosto e os olhos bem grandes e negros lhe transmitiam paz e a voz a convencia de que sim, o natal poderia trazer coisas boas, pois com certeza aquelas pessoas erram a benevolencia em vida!

Não demorou a descobrir que todos ali eram imigrantes vindos de um país longiguo, o Brasil, que aquele mini-violão na verdade se chamava cavaquinho, o circulo com couro, tambor e o chocalho... Chocalho mesmo!

Descobriu também que o nome do homem que conversava consigo era Rock Lee, e que este tinha descendência chinesa, o que explicava em muito os cabelos tão pretos e lisos em um penteado que lembrava uma tigela, mas que por ser mestiço, tinha puxado os olhos da parte ocidental da família.

Todos estavam ali por causa do loiro, Naruto, que era descendente de suecos e tinha se mudado para o país nortenho por causa disso, e assim que chegou adquiriu a taberna, onde fazia tudo tipicamente brasileiro: a comida, as músicas, as falas, até novela passava! E por não querer intrusos suecos no seu paraíso noturno, deixava a fachada meio feia, se preocupando com a beleza e o encanto estar no interior, para os seus fieis clientes.

Ela tinha sido uma exceção. O chinês, como os próprios amigos o chamava, tinha a visto andar tristonha pela rua e declarou que aquilo era errado: ninguém poderia estar triste ou solitário no natal. O Natal era um dia de alegria e unidade, por isso eles iriam anima-la, do modo que só o povo brasileiro conseguia fazer.

Estava encantada com aquele povo, pois sempre ouvia falar mal dos sul-americanos, mas ali eles se mostravam tão receptivos e carinhosos, que mesmo frente à desilusão que mais uma vez teve, tinha vontade de sorrir e dançar... E era isso que estava fazendo naquele momento.

Lee a ensinava uma samba típica do seu país, o samba e não foi difícil de aprender, não com aquele embalo bom e calmo do cavaquinho. Era gostoso, leve, a dança parecia vir da alma e prometeu a si mesma que não deixaria mais aquela sensação escapulir de suas mãos.

Era já cinco da manhã, depois de uma ceia deliciosa e farta, ao som de muitas risadas, de um sotaque forte e palavras erradas, de laços de amizades criados, que ela voltou para casa e fez uma determinação quando estava passando na orla: voltaria todas as sextas naquele pequeno estabelecimento, onde o grupo de amigos sempre se reunia e que ela tinha quase certeza, tinha reencontrado sua felicidade no alegre moço de olhos brilhantes e coração do tamanho do mundo.

25/12/2013

Notas finais
Não, eu não gosto de samba e muito menos do som do cavaquinho, maaas, mamãe colocou uma música natalina com o fundo desse instrumento e sei lá, meu deu inspiração, sem contar que quer povo mais caloroso que o nosso? Não tem!
Espero que todos tenham gostado, em especial a Tathi (yin-yang)
Feliz natal a todos e se puderem me dar um presente de natal, nem preciso dizer o que seria muito bem vindo, néh? =D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!