A luva de Prata
2 Capítulo 2
Para Cezare, transformar-se em falcão era o máximo. Saía sempre como humano e voltava como animal. Porém, para infelicidade dos nossos amigos, havia um casal na vizinhança que percebeu algo de diferente no local. Viam o garoto sair de casa, mas não o viam retornar. Notaram, também, que ultimamente um falcão vivia sobrevoando os arredores, coisa incomum por ali.
Decidiram, então, investigar o estranho mistério do "menino que vivia por ali" (apelido dado a Cezare). Passaram a segui-lo sorrateiramente todos os dias; a mulher ao amanhecer, na ida do jovem à escola, e o marido por volta do meio dia, no retorno.
Não foi preciso muito para que os intrometidos descobrissem a situação. Daí para frente foi só especulação sobre o que se fazer com aquele segredo que, sabiam eles, poderia mudar a vida de muita gente. Depois de muito pensarem, decidiram que usariam o garoto como exposição e ganhariam dinheiro com ele.
Em um passeio feito por Cezare e Minerva, a menina notou uma certa perseguição. Ficou extremamente preocupada e comentou com irmão:
– Cezare, alguém vigia-nos!
– Que nada! Você é quem está com mania de perseguição.
– Vou contar ao papai.
– Que? Para que? Já falei que é besteira. — a garota seguiu resoluta duranta o caminho.
Ao saber da espionagem, Marco preocupou-se. O que aconteceria aos dois filhos? Pensou durante o que pareceram horas e, com uma ideia brotando em sua mente, pediu às crianças que convidassem o professor Héstor para um jantar no dia seguinte.
O homem aceitou o convite com alegria e, na hora marcada, apertava a campainha da bela casa dos Firenze. Quem atendeu a porta foi Marco, cumprimentando-o cortesmente e conduzindo-o a sala de jantar.
A refeição foi macarrão Ravioli e Héstor sentiu-se tão à vontade, que não poupou garfo. Minerva, impaciente desde a conversa com o pai, foi direto ao ponto:
– O que queria conversar com o professor, pai?- esta pergunta teve como consequência um olhar fulminante de Marco para a filha.
– Sr. Prado. — começou.
– Héstor, por favor. — pediu o professor.
– Sim, desculpe Héstor. Ontem descobri, através de Minerva, que estão vigiando Cezare que, infantilmente andou transformando-se em falcão por aí.- e lançou um olhar de desaprovação ao garoto que ficou vermelho.
O professor ficou em silêncio por alguns instantes e depois disse:
– A Sociedade.
– Que sociedade, a nossa? — perguntou o pai das crianças, confuso.
– Não — negou Héstor — A Sociedade é um local onde vivem apenas animanos.
– Entendo. — respondeu o pai dos gêmeos — E onde é isso?
– Não se preocupe pois moro lá. Levarei-os assim que puder.
– Está bem. Muito obrigado por tudo.
– Não, eu é quem agradeço por tal convite e tal recepção cortês.
Os dois homens levantaram-se, despediram-se e o convidado foi conduzido até a porta.
Esse importante encontro ocorreu na terça e, na quarta-feira, o Professor Héstor avisou aos irmãos Firenze que a mudança para a Sociedade seria na sexta.
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