A luva de Prata
1 Capítulo 1
Em Roma, na Itália, haviam dois irmãos, Cezare e Minerva Firenze, que viviam com o pai em uma bela casa. A mãe, infelizmente falecera havia muito tempo.
O pai era empresário e não parava em casa, enquanto os filhos só iam à escola ou ao parque perto de casa.
Em uma sexta-feira, como de costume, Marco Firnze (o pai) trabalhava. Seus filhos, por outro lado, estavam tendo um passeio no zoológico com a turma da escola. Em um dado momento Cezare chegou pero da jaula de um macaco que perguntou-lhe:
- E aí Cezare, beleza? — Marco ficou incrédulo. O macaco dissera-lhe algo?
Carlo, amigo de Cezare, percebendo que o outro empalidecera, questionou:
- Que houve?
- Você ouviu o macaco falar?
Não,você endoidou mano!
Em outra jaula Minerva observava um urso. Este, com a maior cara de pau, disse:
- Para uma humana, você até que é pegável, hein? — A garota assustou-se saiu correndo.
Quando os irmãos reencontraram-se, contaram um ao outro suas respectivas histórias e, depois de discutirem tais acontecimentos, decidiram que o Sr. Marco seria a pessoa ideal para resolver tal coisa. Afinal, como era possível os dois irmãos ouvirem animais falar e uma outra pessoa qualquer não?
Ao chegar em casa, Marco Firenzo estranhou a seriedade das crianças sentadas na mesa da sala com ar de quem exige explicações. Sentindo que a coisa estava para feder, perguntou?
- Por que estão olhando tão sérios para mim? O que fiz?
Minerva, de pernas cruzadas e nariz empinado, respondeu:
- O problema não é o que você fez...
- Mas sim-, o que você não fez — completou Cezare.
Marco ficou mais confuso do que nunca. Sentou-se na mesa, observou atentamente os filhos e esperou o desenrolar da cena.
Após breve explicação da garota sobre os ocorridos do dia no zoológico, o pai apenas falou em tom zombeteiro:
- Ora, isso tudo é fruto da imaginação de vocês.
- Mas pai — começou Minerva — o que ouvi foi claramente real e aposto que aconteceu o mesmo com Cesare, não é? — e olhou para o irmão esperando confirmação.
- Exatamente. Não há nada de imaginação nisso.
O homem, em estado de choque, não sabia o que fazer. Então inspirou profundamente, recostou-se ainda mais na cadeira, e começou a explicar:
- Sua mãe e eu vivíamos uma vida totalmente normal e tranquila. Nada que passávamos tinha algo que pudesse comprometer nosso relacionamento com a sociedade. Até que um dia, após chegar cansado do trabalho, avistei um lagarto parado no chão da garagem. Fui tentar pegá-lo e levá-lo a um local adequado mas, ao dar um leve toque em sua pele, ele transformou-se. Passaram-se dois minutos e, no local onde estivera o lagarto, estava Carmen (a mãe dos irmãos). Ela contou-me tudo sobre essa situação e disse que o nome das pessoas que podiam transformar-se em animais era "animanos" e, observou que podia falar com os animais.
- Então quer dizer que nós podemos nos transformar em animais? — perguntou Cezare.
- Apenas quando descobrirem como. — respondeu o pai.
Tanto Cezare quanto Minerva ficaram encucados com essa história. Decidiram, então, ir para o quarto e refletir cada um consigo mesmo.
O fim de semana passou sem novidades. Ninguém conversou sobre nada, cada um com seus próprios pensamentos.
Na segunda, todos foram para suas rotinas, sem deixar de pensar em como seria vida dali para frente, já que aquele segredo fora revelado.
Na escola, o professor de biologia Héstor Prado, muito amigo das crianças, percebeu algo de estranho nelas e perguntou:
- O que há com vocês?
- Nada — os dois responderam.
- Nada, não. — Parou para pensar e, após segundos continuou — Vocês descobriram, não é?
- O que? — Minerva ficou preocupada.
Héstor sorriu:
- Que são animanos!
Bom, pensou Cezare, mais um que sabe o que não sabíamos até ontem.
Após a aula, os três foram até um café e conversaram. Héstor contou aos irmãos gêmeos (esqueci este fato) que também era um animano e eles ficaram curiosos.
- Em que animal o senhor transforma-se? — quis saber Cezare.
- Em uma tartaruga.
- Como descobrimos em que animais transformamo-nos e como transformamo-nos?- perguntou Minerva.
- Bom — disse o professor- pressionem o polegar de uma mão contra a palma da outra.
No instante seguinte, Cezare viu em sua palma um falcão e, Minerva uma raposa.
- O que vocês viram somente cada um sabe o seu, pois a imagem que se forma, apenas mostra-se na mente de vocês.
- Como assim? — indagou Minerva.
- Mesmo vocês fazendo o contato do polegar com a mão na minha frente, não pude ver seus respectivos animais.
- Ah, eu vi um falcão! — exclamou Cezare.
- E eu, uma raposa — murmurou a irmã sem animação.
Logo o professor levou-os pra um canto longe de todos.
- Agora fechem os olhos e pensem nos animais que lhes apareceram.
Na mesma hora uma raposa e um falcão apareceram. Ela, laranja e branca. Ele, branco. Após alguns minutos, Minerva lembrou-se do urso e tentou dizer algo com êxito:
- Como voltamos a nossa forma humana?
- Pensem na forma humana de vocês.
- Depois. — falou Cezare- Agora vou curtir o momento. Voltarei para casa na forma de falcão
E saiu voando, sem ter ideia de como realizava tal proeza. A irmã voltou a ser humana e, despedindo-se do professor, voltou para casa.
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