A little Castle

1 One Shot - Capítulo Único


Notas iniciais
Oi, pessoal!

Voltei com mais uma fic one shot, totalmente livre. Ela veio de uma ideia que tive faz algumas semanas, mas que só pude concretizar hoje.

A Molly Quinn, como muitos sabem, ganhou um sobrinho, e postou uma foto recentemente no twitter com ele (https://twitter.com/MollyQuinn93/status/696434794956128256). Claro que eu, como mais uma iludida por um Caskett baby, fiz minha imaginação voar e foi inevitável pensar que poderia ser a Alexis segurando o irmãozinho.

Espero que vocês gostem! O POV é da Alexis.

Enjoy!

Abri a porta do quarto bem devagar, com cuidado. Não tinha a intenção de acordá-los, mas, para minha surpresa, Kate estava com a maca inclinada, bem desperta e com uma carinha bem disposta. Ela me viu e sorriu:

— Oi Kate! Como se sente? – perguntei, mas já sabendo a resposta.

— Muito bem... O pior já passou... – ela me olhou divertida. – Eu também estou ansiosa para vê-lo outra vez.

— Está tão transparente assim?

— Claro! – ela riu. – Seus olhos estão gritando por isso... Você ainda não o viu, né?

Balancei a cabeça em negativa, e ficamos em silêncio nos olhando com cumplicidade. Fiquei pensando na sorte que meu irmãozinho tinha de ter uma mãe tão legal como a Beckett. Desde que a conheci, senti uma admiração pela mulher forte e determinada que era, e afinal, ela fazia meu pai muito feliz e era isso que mais importava para mim. E agora, ela era mãe do meu irmãozinho.

— E como é a sensação? — perguntei imaginando como deve estar sendo para ela, ser mãe mesmo com a profissão que tem.

— Alexis, é... Muito mais do que eu poderia explicar. Eu escutei seu chorinho e senti uma onda de sentimentos dentro de mim. Quando eu o vi e percebi que assim que o senti, ele parou de chorar, eu me senti a pessoa mais forte do mundo. E, além disso, ele é filho do seu pai, o único homem que amei na vida. Ser casada com o Rick e ainda ter gerado um filho dele é inacreditável. É uma experiência que só palavras não bastam... – ela sorriu e retribuí seu sorriso.

Quem diria que aquela detetive durona, que eu ouvia tantas histórias e pude ver trabalhar, poderia estar dizendo coisas assim... Ouvimos a porta se abrir e olhamos na direção com expectativa:

— Estão quase trazendo nosso Alex!

Meu pai entrou com um sorriso enorme no rosto. Trazia um enorme buquê de rosas brancas e azuis em uma mão, e na outra um jarro para colocá-lo. Vovó entrou logo atrás com os olhos um pouco marejados de emoção, veio em minha direção e me abraçou feliz:

— My girl, seu irmão não é ruivo como nós, mas é a coisa mais linda do mundo... – ela se soltou do abraço e olhou para Kate. — A cara do Richard, Katherine! Não teve jeito para você. – disse divertida.

— É verdade, eu também achei! Carregamos 9 meses na barriga para parecer com o pai, nada mais injusto! – Kate sorriu enquanto pegava o buquê nas mãos. – Obrigada, babe. São lindas... – meu pai e Kate deram um selinho.

— Fazer o que... – meu pai olhou teatralmente para frente. – Se ele puxou a beleza e boa aparência de seu pai altamente bonitão... – ele sorriu e me olhou. — Vem aqui, pumpkin! – abriu os braços para me abraçar e eu fui de imediato.

Passaram-se aproximadamente 10 minutos. Meu telefone tocou, e olhei o visor sem vontade de atender. Era da faculdade e não tive escapatória. Tinha decidido voltar a estudar fazia poucos meses, e finalmente tinha decidido o que queria: direito. No último semestre antes de trancar, fiz algumas matérias e percebi que assim como meu pai e Beckett, eu queria buscar justiça para o mundo. Pedi licença e saí, mas a ligação demorou mais que o esperado. Quando finalmente terminei e pude voltar ao quarto, a surpresa.

Meu pai estava de costas para a porta, com seu iPhone posicionado para cima. Estava tirando selfie, e Kate o olhava divertida.

— Rick, Alexis está aqui...

Meu pai se virou e então eu o vi. Aquela coisa tão pequenina, enrolada e com touquinha. Meu coração se derreteu totalmente.

— Querida, agora só falta você para carregar... – minha vó disse sorrindo, alternando seu olhar entre nós dois.

Caminhei até meu pai sem tirar os olhos dele, Alexander, meu primeiro irmãozinho. Peguei-o no colo encantada, apaixonada. Ele era lindo. Dizem que os recém-nascidos nascem com cara de joelho, e não é que seja meu irmão, mas ele era exceção à regra. Tinha o rostinho angelical, delicado, e realmente parecia muito com meu pai. Vovó já me mostrou, inúmeras vezes, fotos do meu pai pequeno, e era quase uma cópia exata. Só o narizinho que, olhando de perfil, me lembrava o de Kate. Por baixo da touca, podia ver os finos fios de cabelo que ele já tinha, e como tinha! Eram castanhos como os de Kate.

— Nosso little boy nasceu com 51 cm e 3kg e 700g... – disse vovó posicionando-se ao meu lado, ajeitando a touquinha que Alex usava e escondendo seu cabelo por baixo dela.

— Só não mais gordinho que você, pumpkin! – meu pai disse, fazendo questão de me lembrar que nasci com mais de 4kg. Como os pais podem ter orgulho de dizer que o filho nasceu como uma bolinha humana?

Era tudo tão esquisito... Anos atrás, eu jamais imaginaria ter um irmão. Minha mãe nunca esteve presente, então talvez seja por isso que eu nunca sonhei em ter um. Minhas amiguinhas da escola sempre vinham contar a novidade: “minha mãe está grávida, vou ter uma irmãzinha para brincar de boneca comigo”, mas eu sinceramente achava bobagem. Primeiro porque sempre preferi brincar de laser tag com meu pai, bonecas não eram meu passatempo favorito; e segundo, eu não tinha essa família convencional que me fazia ter vontade de ter um irmãozinho. Mas agora, vendo que aquilo era real, que eu o carregava nos meus braços, eu percebi o quanto me fez falta ter mais um membro na família.

Quando somos filhos únicos, temos uma longa lista de vantagens e desvantagens, principalmente no meu caso. Eu não tinha tios, então não tive primos, eu era única em tudo. Tinha total atenção do meu pai e da minha vó, quando ela vinha nos visitar. Mas quando eles não estavam por perto, minha vó atuando e meu pai escrevendo ou viajando para promover seus livros, minha única companhia era eu mesma. Eu até me acostumei a brincar sozinha, e não me incomodava. Meu pai me deixava ir para a casa das minhas amigas, ou elas iam para a minha, mas naquela época eu não percebia o quanto seria bom se eu pudesse conversar e brincar com alguém que fosse do meu sangue. E na verdade, se eu pudesse escolher entre ter uma irmã ou um irmão, eu preferiria um menino. Ser irmã mais velha de um garotinho combina muito mais comigo, e pensar nisso me deixava em êxtase.

Peguei sua mãozinha delicadinha e ela se abriu, capturando meu dedo indicador. Apesar de nem ter um dia de vida completo, ele tinha força: apertou e soltou um risinho enquanto dormia. Ali, naquele momento, ou talvez até antes, não tenho certeza, eu tive total convicção de que o amaria para sempre. Esse sentimento tão forte só podia ter uma explicação: eu já era adulta, e não só um sentimento fraternal me perseguia, um sentimento maternal surgiu dentro de mim. Esfreguei meu nariz no seu, e foi quando ele abriu os olhinhos, piscando, se acostumando à luz. Duas bolas azuis gigantes me fitaram por um momento, e depois giraram em volta, sem ver nada na realidade. Eu sabia que os bebês, até os 3 meses, só viam vultos e formas sem sentido, mas as cores sim chamavam a atenção.

— Ele tem os meus olhos! – eu disse com um sorriso de orelha a orelha.

— Na verdade, pumpkin, de fato eles são meus... Passou para você também. – ele piscou brincalhão e tirou uma foto.

— Ei! Espera, eu e Alex nem olhamos pra câmera!

— Nem precisou, olhe!

Meu pai levantou o iPhone e eu vi. Era uma foto linda, e eu olhava com tanta admiração que qualquer um diria que sou uma irmã coruja... Mas era um amor inexplicável, não pude evitar.

— Ficou linda, pai...

— Deixe eu ver, Cas... – disse Kate. Ela olhou a foto e sorriu com amor. – É... Você vai mimar muito o Alex. Olha que cara de irmã apaixonada!

— É... Meus filhos são lindos... – disse com ar orgulhoso. — Alexis, — ele chamou minha atenção e eu o olhei. – Prepare-se para jogar laser tag a quatro. – ele disse esfregando as mãos. – Já vou comprar hoje mais um par. Você também, honey, — dirigindo-se a Kate. — Se prepare para a batalha do século. Hombres Castle versus mujeres Castle, nós vamos arrasar, filhão.

— Maninho, não é por nada não, mas essa batalha não tem outro vencedor que não seja Kate e eu.

— Pode apostar que sim! – disse Kate divertida.

— Amor, você só ganha de mim no scrabble, e eu só admito isso porque te amo...

— Ah Rick, qual é... Você está sendo mal perdedor...

Enquanto Kate e meu pai comentavam sobre suas vitórias e derrotas, e implicavam um com o outro como sempre faziam, eu voltei a olhar as duas bolas azuis gigantes e agradeci mentalmente por essa mudança maravilhosa em minha vida. Tudo iria mudar para todos nós, e pela primeira vez eu não tive medo dessa mudança. Temi quando Ashley, meu primeiro namorado, foi para Stanford. Temi minha formatura. Temi minha mudança para o dormitório de Columbia, e outros tantos desafios que a vida nos dá quando somos jovens, obstáculos para amadurecermos. Mas com meu irmão era apenas um começo, começo esse em que eu, Alexis Castle, era a irmã mais velha, e não mais a filha única. Agora, eu tinha por quem zelar, por quem cuidar. Eu te amo, Alexander Beckett Castle, seja bem-vindo a nossa família.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!