A life with our another little life
1 Oneshot
Notas iniciais
Pela 3° vez nessa manhã, Jane saia de dentro do banheiro, nós não dormimos nada a noite passada, muito menos essa manhã, por isso liguei para a Patterson ainda cedo, avisando que não estaríamos no turno da manhã hoje, também vou ligar para o Pellington mais formalmente.
Jane aparece na porta do banheiro, seu cabelo continua bagunçado e ela está usando uma calça de moletom cinza com uma das minhas camisas, perfeitamente linda. Ainda não é possível ver sua barriga ressaltar nas roupas, mas passando a mão já conseguimos sentir aquele pequeno ser crescendo.
— Já são 8h da manhã? — ela senta na cama novamente, mexendo no travesseiro e o colocando atrás das costas.
— 6:33, meu amor — digo encarando seus olhos. — você não quer tentar dormir? — seria o tempo de preparar algo bem forte para alimentá-la.
— Eu já estou com quase 3 meses, Kurt — ela fala procurando meus olhos. — você não acha que esses enjôos já deveriam ter sumido ou pelo menos diminuído? — realmente, nesse período o organismo já está estabilizado e os enjôos diminuem relativamente. Foi o que a Dra.Shawn disse. — e se tiver algo de errado com el... --
— Não tem nada de errado com o nosso bebê, Jane — seguro sua mão firmemente. — você está bem, isso é normal, pode acreditar em mim — lhe dou um sorriso e percebo ela retribuir, por mais que seja um sorriso cansado.
— Eu não lembro de você entender muito sobre enjoos e grávidas — ela diz desafiadora e sorrimos.
— Bom, mas essa revista entende — pego o manual para mães de dentro da gaveta e Jane começa a rir alto do meu lado. — o que? — pergunto depois de um tempo a vendo rir.
— Eu não acredito que você comprou uma Mom’s Dairy — ela diz entre as risadas.
— Não só comprei como assinei — digo orgulhoso. ― eu fiz meu dever de casa bem demais.
A primeira vez que fomos à uma consulta com o obstetra, essa revista estava em cima do balcão na sala de espera.
— Okay, Papai Weller Sabichão — ela cruza as pernas e se vira pra mim. — o que você aprendeu nessa revista? — ela pergunta.
— Segundo a Mom’s Dairy desse mês, Mamãe Weller, uma pesquisa realizada pela JAMA mostrou que as mamães que enjoam no primeiro trimestre tem mais possibilidades de desenvolver um bebê saudável — começo a ler a matéria e Jane presta atenção ao que eu falo.
Em algum momento ela para e fica me encarando, é nesse momento que ela coloca sua mão no meu rosto. Nos olhamos por algum tempo, por um momento eu posso entender o que ela quer dizer com aquele olhar de “você está fazendo tudo certo”.
— Eu te amo, Weller — ela diz passando a mão pelo meu pescoço e num movimento rápido vindo para o meu colo.
— Eu amo vocês dois ainda mais — passo a mão pela sua bochecha e a beijo suavemente, puxando seu corpo ainda mais para perto de mim. Vou a deitando devagar de volta na cama, sem desgrudar nossos lábios. Nosso beijo é calmo e cheio de desejo.
— Eu passaria o dia todo aqui com você — passo meu nariz no seu num movimento de carinho.
— E vamos — ela me olha surpresa — quer dizer, não o dia todo, mas eu cancelei nossos compromissos da manhã, espero que não se importe — digo sorrindo.
— Você sabe que não precisava fazer isso — ela diz, me dando um selinho.
— Claro que eu precisava — vou descendo pelo seu corpo e levanto sua camisa, deixando sua barriga recém crescida de fora.
Dou um beijo leve na pequena elevação formada na sua barriga e encontro seus olhos curiosos quando levanto um pouco a cabeça.
— Por que a revista diz que nós podemos falar pra eles — ela sorri, mas não me interrompe, apenas acena com a cabeça para que eu continue. — eu pensei em cantar pra ele hoje — digo e Jane sorri, me olhando surpresa.
— Ele? O que aconteceu com o seu “vai ser uma menina”? Você se rendeu ao meu sexto sentido, é isso mesmo? — ela me soterra de perguntas desafiadoras.
— Bom, meus instintos não estão sempre certos e você sabe — começo a explicar — mas eu tive um sonho e nós tínhamos um menino, o Anthony — falo e ela me olha ainda mais incrédula, como se soubesse que eu estava mentindo sobre o sonho.
— Anthony? O seu sonho dizia até o nome? — sorrimos juntos.
— Você não gostou? — seguro sua cintura e volto pra perto da sua boca.
— Eu amei — ela intercala seu olhar entre mim e minha boca, enquanto eu aperto ainda mais sua cintura contra mim, ainda consciente do pequeno ser entre nós. — nosso Anthony Weller — ela diz como uma prece e nos beijamos novamente.
Logo nossos corpos se fundem e a mão dela percorre todo o meu corpo. Quase como uma imobilização, ela se vira e me prende debaixo de si, me olhando provocadora e me deixando de um jeito que só ela consegue.
— Jane, Jane, meu amor — ela parece que não me ouve, também é difícil pra mim resistir a ela, sua boca no meu pescoço e as suas mãos — eu acho que nós deveríamos descansar.
Ela me olha rapidamente brava, por um momento acho que ela irá me bater. Mas ela apenas me dá um selinho e deita ao meu lado.
— Kurt Weller com medo de transar com a sua esposa? — ela quebra o silêncio — essa é nova — ela exala uma risada e eu a olho. Como ela descobre essas coisas sobre mim?
— Eu não estou medo, eu só… — me complico nas palavras e percebo que não tem como fugir, ela já sabe.
— Okay — ela se vira pra mim — o que a revista está falando sobre isso? — ela pergunta interessada e eu me viro para olhá-la também.
— Como lidar com o aumento do apetite sexual é só na próxima edição — digo sinceramente.
— É sério que você está se guiando por uma revista? — ela ri de mim e passa a mão no meu rosto.
— Não, eu só estou me precavendo… — ela acena negativamente, sabendo mais uma vez que eu estou mentindo — eu vou ligar para a Dra.Shawn esta tarde, pode deixar — assumo. Eu também queria tê-la quanto antes, se eu puder fazer isso sem machucar o bebê, então eu farei.
— Vamos dormir, vem — ela me abraça e coloca a cabeça no meu peito.
Fico fazendo carinho no seu cabelo e quando penso que ela já dormiu, ela me olha — qual música você ia cantar pro bebê? — ela pergunta curiosa.
— With arms wide open — digo e ela sorri.
— Aquela que você estava cantarolando na semana passada? — eu lembrei dela enquanto estávamos na cama, pensei que ela já estivesse dormindo.
Retribuo seu sorriso — sim, ela mesma — confirmo.
— A que fala de bem vindo ao mundo e eu vou te mostrar tudo? — ela faz círculos com o dedo sobre o meu peito.
— Exatamente — sussurro pra ela.
— Isso não se diz quando o bebê nasce? — ela indaga. E realmente é.
— É pra deixar ele avisado de como vai ser o mundo aqui fora — digo olhando nos seus olhos e lhe dou um sorriso.
― Eu lembro de ouvir algo nessa música sobre não querer que nosso filho seja igual a você ― ela diz me encarando um pouco mais preocupada. ― e eu quero dizer que eu vou ter muito orgulho do nosso filho se ele for igual ao pai.
Ela passa a mão pelo meu rosto e eu me deixo levar pelo seu toque. Na minha jornada, eu fiz muitas escolhas erradas pras pessoas que eu mais amo, a pior delas resultou na Jane sendo torturada alguns anos atrás. Não havia experimentado culpa maior que essa e não queria ter esse sentimento nunca mais.
― Eu prefiro que ele seja como você, sensível e forte ― digo colocando uma mecha de cabelo atrás da sua orelha.
― De nada adiantaria minha força se eu não tivesse alguém ao meu lado para me levantar quando eu caísse ― ela diz mais séria ― e você é esse alguém, eu não trocaria você por nenhum outro homem no mundo, Kurt ― eu amo essa forma que ela tem de me trazer de volta a confiança ― e eu tenho certeza que o nosso filho também não irá querer lhe trocar, porque você é perfeito para nós.
Ela completa levando minha mão até a sua barriga e dando um leve sorriso pra mim ― nós te amamos, Kurt Weller, junto com todos os seus defeitos. ― percebo uma lágrima escorrer do seu rosto e uma também escorre do meu. Era o nosso filho alí dentro da barriga dela. Uma vida.
— Eu te amo, Jane — digo depois de um tempo, lhe dando um selinho e aconchegando minha mão ainda mais na sua barriga ― também amo você, bebê ― rimos juntos e Jane se aninha novamente no meu peito.
Beijo o topo da sua cabeça e a vejo fechar os olhos, tentando dormir. Talvez ela consiga, talvez eu consiga. Mas nós sabemos que agora, precisamos apenas um do outro. Nossa vida será invadida por uma nova vidinha daqui alguns meses. E eu mal podia esperar para que esse dia chegasse. Esse pensamento antes de dormir foi o melhor que eu tive em muito tempo.
Notas finais
Críticas, pensamentos, elogios, receitas de bolo de chocolate pra acompanhar a doçura dessa oneshot...pode deixar tudo nos comentários ♥
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