A lenda do Leão das Chamas

12 O suicídio da sanidade... A ascensão do ódio.


Bonnie então ruge, ursos começam a aparecer de dentro da floresta.

– Tomei medidas, acho que conseguirei atrasa-los.

As portas do reino se abrem, os camponeses agora armados saíram para a luta.

Jeremy se anima, coloca Charlotte em suas costas.

– Bonnie, vamos ver quem chega primeiro?

Bonnie faz seu som perturbador. Os dois começam a correr montanha a baixo, a medida q se aproximavam o som da batalha se tornava mais alto, e mais violento, as perdas vinham de ambos os lados, manchas de sangue na neve apenas cresciam, os camponeses não estavam preparados, nem armados devidamente, mas com a ajuda dos ursos veio a calhar e bastante.

Vinte minutos correndo e Jeremy não aguentava mais, mas não se deixava abater, precisava ajudar a todos, mais alguns minutos correndo e conseguiria dar um rumo a essa batalha.

Chegando ao pé da montanha Charlotte pulou das costas de Jeremy e sem hesitar, os dois pularam dentro da batalha.

– Retornem para o reino! Todos!

Os camponeses que ainda estavam ali, correram para os portões do reino, após todos entrarem Jeremy poderia lutar sem se preocupar com que havia em volta.

Ao longe, dava pra ver o careca, apenas observando a batalha.

– Ei, cabeça de ovo, não quer participar? – Jeremy abre um sorriso.

O careca balança a cabeça negativamente.

– Se não vier, vou até ai!

O careca lançou um sorriso no canto da boca e fez o gesto com a mão de “pode vir”.

Jeremy instantaneamente entra em chamas, seus movimentos agora mais rápidos e calculados queriam apenas acertar a cara daquele careca.

Charlotte percebe que o exercito passa a dar passagem a Jeremy ao invés de tentar detê-lo.

– JEREMY, VOLTE AGORA!

Jeremy olha pra trás. – Não há tempo para recuar, apenas confie em mim.

Charlotte percebe uma movimentação diferente da qual o exercito estava fazendo, parecia que alguém iria dar as caras, e não era nada pequeno.

Jeremy começa a correr mais rápido, seu braço direito começou a acumular energia. – Ei grandão, segura essa! – Jeremy saltou em direção ao careca, mas antes que pudesse chegar perto, uma rocha é arremessada de dentro da floresta, alguns segundos depois oque sai da floresta não é nada mais nada menos que uma pedra enorme.

– IMBECIL!

Bonnie ruge e os ursos começam a atacar o gigante, oque não adiantou de muita coisa... O gigante com seus dez metrôs nem se mexia com ursos dando cabeçadas por todos os lados. Jeremy estava desacordado com a pancada.

Charlotte se levanta do lado de Jeremy. – Não, as coisas não funcionam assim! Bonnie, mande seus ursos recuarem.

– Mas alteza, tem certeza do que esta dizendo?

– Não muita, mas se tem algo que aprendi com Jeremy é que ser imprevisível é sempre o melhor movimento.

– Mas, ele esta desacordado devido a isso.

– Uma em cada dez funciona Bonnie, apenas obedeça.

Bonnie ruge novamente e os ursos recuam para a floresta, Zoey que estava nas costas de Bonnie desce e corre para o lado de Charlotte.

– Zoey, volte com Bonnie!

– Não! Vou ficar aqui e ajudar você!

– Zoey! É uma ordem!

– Escuta aqui! Você não manda em mim!

Bonnie olha para Charlotte. – Não discuta com uma criança, você nunca vencerá.

– Mas ela tem 16!

– Ela mentiu, Zoey tem 12.

– Agora que eu não vou deixar mesmo!

– Escuta aqui! Não quero ser um peso.

Bonnie acena para Charlotte. – Boa sorte, vai precisar.

Diante da conversa, o gigante e o exercito foi se aproximando mais do castelo, Charlotte foi correndo e ficou a frente de todos.

– Não os deixarei passar! – Apontando a katana.

O careca toma a frente. – Somos centenas, não acha que esta em uma leve desvantagem? Não acho que uma adolescente revoltada e uma criança possam impedir a todos nós e mais um gigante.

Charlotte empurrou Zoey para trás. – Seu problema é comigo.

O careca ri da atitude de Charlotte. – Vamos, se aguentar o gigante e derrota-lo por completo, vamos embora, caso seja derrotada, seu reino vai ser massacrado sem pena.

Charlotte não tinha outra saída a não ser enfrenta-lo. Charlotte se vira e sussurra à Zoey. – Entre no reino e avise minha mãe que é para evacuar o reino o mais rápido possível.

– Mas eu quero ajudar!

– Vai ajudar, salvará a vida de muitos!

Zoey começa a lacrimejar os olhos e bate o pé. — Mas assim não lutarei! Quero ser igual a você!

– Zoey, não se pode tomar uma decisão estupida sem por trás tomar uma sensata, vou enfrentar um gigante de pedra sem saber se vou sair viva ou não.

O careca grita. – Vamos ou não!?

– Espere! Você com certeza vai ser uma grande guerreira com seu espirito, mas antes precisa ter um motivo a que lutar. Tenho esse reino para lutar por, e você?

– Ainda não sei...

– Então fique viva e descubra.

Zoey abraça forte Charlotte. – Fique viva também!

O gigante faz um som. – (ããwn) Fiquei tocado com essa cena.

O exercito ri de Charlotte. O careca então diz. – Bom, temos um campo aberto, em ótimo estado pelo visto...

Charlotte se irritou com o sarcasmo dele, o campo estava lotado de corpos de camponeses e soldados de seu exercito, sangue por todo lado...

– Vamos as regras!

Charlotte arregala os olhos. – Oi? Regras? Vou lutar contra um colosso de dez metros e você quer impor regras?

– Sim, uma única. Sem interferência, de ninguém!

O gigante fez oque parecia um sorriso. – Acharia justo mais uma pessoa.

– Silêncio! Qualquer interferência será respondida com extrema agressão e o acordo será desfeito.

– Entendido...

Charlotte correu para o meio do campo, tentando analisar ao máximo os pontos fracos do gigante, essa era a pior parte, não havia ponto fraco.

– Senhores... À vontade.

O gigante parecia esperar o primeiro passo vindo de Charlotte, que não sabia oque fazer, empunhou sua katana com as duas mãos tremulas e começou a correr sem direção, mas nunca se distanciando muito.

– Se a senhora não vai atacar, posso fazer as honras?

Charlotte sentia medo, não qualquer medo, o peso em suas costas a fazia sentir medo, não sabia se o reino já havia sido evacuado ou não, Jeremy continuava inconsciente no chão. – C-Claro...

Sem muita demora o gigante se arremessa contra Charlotte que se esquiva rapidamente, sua única vantagem na luta era a movimentação, mas sua confiança não durou muito após levar uma mãozada e ser arremessada para longe rolando na neve e no sangue.

– Ai... Ai... Essa doeu muito...

O gigante começou a tentar levantar, parecia que iria demorar, Charlotte aproveitou pra tentar apunhala-lo por trás, começou a correr rapidamente, o ambiente lhe favorecia, alias, estava em casa. Quando chegou perto do gigante ainda se levantando saltou para cravar a espada em sua cabeça. Foi uma falha miserável, o gigante instantaneamente girou seu tronco lhe acertando outra mãozada. Agora Charlotte voava em uma direção oposta.

O exercito aplaudia e gargalhava com a desgraça de Charlotte, enquanto o gigante acenava.

– Estou quase desistindo...

Uma voz ecoa na sua cabeça, era familiar... Larily, sem hora melhor. “Garotinha!”

– Oque você quer!?

O careca olhou para Charlotte gritando sozinha. – Acho que a segunda pancada deixou ela louca.

“Oque você quer? Jeremy esta desacordado ali no canto.” Charlotte começou a se afastar mais do gigante.

“Se você pode se transformar em metade raposa, por que não faz isso?”

“Não posso me cansar muito rápido, a transformação exige muita energia.” O gigante estava em pé novamente, andava em direção a Charlotte outra vez.

“Hm... Por que não tenta atingir um novo patamar de poder?”

“Ahn? Do que esta falando?” Charlotte começou a correr agora mais cautelosamente, o gigante percebendo que Charlotte não lutaria, decidiu obriga-la a lutar.

“Sinceramente, se quer proteger o gatinho ali, precisa se esforçar mais, não que você seja fraca, mas precisa se esforçar.”

“É fácil pra uma deusa falar de poder!” O gigante esmurra o chão gerando um grande tremor fazendo Charlotte tropeçar e cair.

“Se transforme.” O gigante começou a correr fazendo o chão tremer ainda mais, Charlotte não conseguia se levantar, apenas quicava no chão como uma bola de basquete. “Se transforme!” Chegando mais perto o gigante se projeta em direção a Charlotte. Tudo estava em câmera lenta, Charlotte via o principio de uma chuva de neve, um rochedo prestes a cair em sua direção e ao fundo... Jeremy ainda deitado do lado da rocha, seu corpo doía, não sentia as pernas, apenas formigamento. Em dois segundos não haveria mais Charlotte, apenas sangue. “SE TRANSFORME! AGORA!” O gigante cai sobre Charlotte, o exercito vai a delírio e a gritaria de vitória quebrou o silencio pós-estrondo, o careca aplaude e sorri maliciosamente. – Demorou mais do que imaginei.

“Sinceramente garota... Achei que fosse mais sensata...”.

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“Sabe Larily, se não tem emoção, não tem graça.” Charlotte estava do lado do gigante, onde ninguém a via.

“Por que não me escutou desde o inicio? Achei que desistiria.”

Charlotte fatia a mão do gigante que começou a tentar levantar, mas a lamina de Charlotte levemente entorta. – Argh! Ela esta viva ainda!

“Ei, como assim? Como minha lâmina conseguiu entortar?”

“Esse tipo de rocha, particularmente pra mim é desconhecida.”

O careca olha surpreso e o exercito começa a vaiar Charlotte.

“Mais um golpe e minha lâmina vira um bumerangue.” A mão do gigante começa a voltar para seu pulso.

“Ai garota, boa sorte.”

“Legal que você não pode me ajudar.” O gigante se levanta irritado com Charlotte que agora começa a correr.

Enquanto isso no castelo Zoey entra na sala do trono gritando pela mãe de Charlotte.

– Mãe da Charlotte! Mãe da Charlotte!

Os guardas percebem a presença da menina por causa da gritaria e um deles se aproxima de Zoey. – Ei menininha, não pode ficar aqui, onde esta seu papai?

Zoey olha nos olhos do guarda. – Esta morto.

Guarda se assusta com a resposta de Zoey e fica em estado de choque.

– Mãe da Charlotte! Onde a senhora esta?!

A mãe de Charlotte sai correndo de seus aposentos assustada. – Quem me chama com tanta urgência?

Zoey começa a pular. — Eu!

–Oque foi menininha?

O irmão de Zoey aparece pela porta e agarra Zoey. – Não é nada senhora, desculpa.

– Me larga! Me solta!

– Pare Zoey! Esta fazendo cena!

– Sra. Mãe da Charlotte, tenho informações urgentes sobre a Charlotte!

– Sobre minha filha!?

Irmão de Zoey tampa a boca de Zoey. – Crianças falam besteiras, não escute-a rainha.

– Solte a boca dela! Imediatamente!

– Ela não sabe oque fala!

Zoey morde a mão de seu irmão e corre para mãe de Charlotte. – Charlotte esta lá fora atrasando o exercito inimigo e pediu pra senhora evacuar o reino o mais rápido possível.

– Como?

– Eu não disse? Crianças só dizem besteiras!

– Não indaguei oque ela disse, e sim como vou fazer isso.

Irmão de Zoey se retira da sala do trono e da de cara com o irmão de Charlotte. – Sim, precisamos dar um jeito nisso.

– Zoey, Charlotte esta bem?

– Da ultima vez que falei com ela... sim.

– Tudo bem... O reino tem uma passagem subterrânea, tomara que aqueles tremores não tenham afetado a passagem.

– Lola!?

– Sim rainha, um momento.

Lola antes de entrar pela mesma porta que o irmão de Zoey, vê o irmão de Zoey e Charlotte conversando e estranhou, parecia já se conhecer. Após entrar na sala reverenciou a rainha. – Oque acontece?

– Preciso de sua ajuda e de Zoey, traga todos para o pátio do castelo, vamos evacuar o reino o mais rápido possível.

– Sim senhora. – Lola segura na mão de Zoey e correm para fora da sala do trono e o irmão de Charlotte encara Lola pelo canto do olho e Lola corresponde.

– Zoey... Diz pra mim, de verdade, seu irmão é confiável?

– De verdade?

– Sim...

– Não muito, sabe...

Lola e Zoey saem do castelo e começam a gritar para os camponeses entrarem no pátio do castelo com urgência.

Do lado de fora a situação não era das melhores, nem das piores, Charlotte conseguia se esquivar melhor dos ataques, mas não atacava.

“Sabe garotinha, precisa agir logo.”

“Escuta, sei oque estou fazendo!” O gigante se aproxima de Charlotte para ataca-la. – Vamos alteza, não tenho o dia todo, me bata, faça algo.

O careca se irrita e começa a berrar. – Ei! Se não ataca-lo, vamos piorar sua situação.

“Sua lamina não se regenera?”

“Se regenerasse eu já estaria batendo nele.”

“Claro, óbvio. Tente forçar a si mesma, fazer com que seu poder aumente por necessidade.”

“Não é necessário!” Charlotte se distrai e acaba sendo acertada pelo gigante outra vez.

“Preste atenção na luta!”

Charlotte havia sido arremessada para longe, seu braço e sua costela doíam. “Você me fez quebrar minha costela, por que não cala a boca?”

“Estou ajudando, você querendo ou não.”

“Fazendo oque?” Charlotte se levanta relutante. “Estou apenas esperando evacuarem o reino, depois disso consigo fugir em paz. Quero o bem de todos.”

“Há, por isso o garoto será meu.”

“Do que esta falando?” Charlotte empunha sua katana.

“Fraca como você é? Acha que ele vai te escolher no final de tudo? Simples, vocêé F-R-A-C-A FRACA!”

Charlotte abaixa a cabeça. – Escuta aqui sua vad... Queridinha... Não vai ser você que vai tirar Jeremy de mim, nem um amontoado de rocha imbecil.

O gigante escuta Charlotte falando sozinha e percebe o insulto. – Ei, não sou feito de rocha imbecil. – Gigante começa andar até Jeremy e o agarra. – Esse é seu amiguinho? Quem disse que não posso tira-lo de você? – Ele começa a jogar Jeremy pro alto como se fosse uma bola. – Há-há.

Charlotte aperta o cabo de sua katana. – Solte-o.

–Ahn? Não consigo escutar você, tem algo na minha frente. – Mexendo Jeremy como se fosse um boneco de pano. – Mais alto!

Charlotte abaixou a voz e a cabeça, sua franja tapou sua visão. – Solte-o, não vou repetir...

O gigante deixa Jeremy cair. – Ops, soltei. – Agarra-o e o solta outra vez. – Ops, caiu outra vez, espere. – Segura-o com as duas mãos. – Pronto, agora não cai mais. Oque estava falando? – Quando se deu conta, Charlotte havia sumido.

– Vamos ver se consegue fazer piadas sem uma parte da cabeça! – Charlotte tenta fatiar a cabeça do gigante, mas não adiantou muita coisa, a rocha era grande e resistente, uma fenda foi o máximo que conseguiu abrir.

– Hm, vamos ver. – Arremessa Jeremy ao alto. – Sim, ainda consigo.

– PARE! ELE NÃO É UM BONECO!

O gigante estava olhando para Jeremy, olha para Charlotte e balança Jeremy. –É sim.

– Grrr...

“Eu disse, não disse? É melhor eu descer ai e salvar o Jeremy, assim o levo para um lugar seguro.”

“Não, se, atreva”

“Por que não?”

Charlotte levanta a cabeça, seus olhos estavam vazios, outra voz ecoava em sua cabeça, não era mais Larily.

“Vai recorrer a seus poderes obscuros?”

“Isso é meio clichê, não?”

“Então vou embora.”

“Espere! Quem é você?”

“Quem não, mas o que.”

“Oque é você?”

“Eu? Sou você”

“Mas, não faz sentido.” Charlotte agora estava no vazio, um lugar escuro sem nada além dela mesma, mas aparece um clone.

“Esta vendo? Sou você”.

“Que tipo de poder estava falando?”

“Seu eu original.”

“Eu não sou eu?”

“Exato, vocêé a reencarnação do espirito da raposa.”

A voz se transforma, agora era uma voz metálica, aguda. “Se precisar de mim, terá um alto preço a se pagar.”

“Não preciso!”

“Mesmo?”

“Sim! Mas... Que preço é esse?”

“Eu decido na hora, não é nada demais.”

“Não confio em você”

“Você sou eu, por que eu me prejudicaria? Se você morrer eu morro.”

“Faz o mínimo de sentido...”.

Tudo havia se passado em questão de segundos na cabeça de Charlotte.

“Em! Por que não?”

“Porque sim Larily... Porque sim.”

Os vazios olhos de Charlotte ficam amarelos, nada muito diferente do normal. A não ser pela aura na forma de uma raposa gigante atrás dela.

O gigante larga Jeremy no chão. – Hum... Agora sim. – Deus uns socos na mão e partiu pra cima de Charlotte.

“Charlotte, oque você fez?”

“Estou salvando Jeremy... Só isso.”

“Não sei te induzi ao certo, mas pelo menos conseguira se virar.”

Charlotte tentava entender como funcionava aquilo em cima dela, percebia que respondia aos movimentos de seu corpo, era uma raposa gigante que ela comandava.

– Minha espada?

“Não precisará, nossas garras são nossas armas. Apenas, bata.”

Quando o gigante se aproximou Charlotte sem hesitar deu um soco em sua direção, foi efetivo... O gigante tombou, Charlotte não sentiu dor.

– Hey, não é justo!

Charlotte se aproximou do gigante e começou a afunda-lo em socos, um seguido do outro, Charlotte se lembrou dele jogando Jeremy para o alto como se fosse um boneco, oque era algo simples como derrotar um inimigo se tornou sede por vingança, mas por mais que Charlotte batesse, ele não sumia.

– Que droga, do que ele é feito?

O gigante abre um sorriso. – Quartzo...

“Isso não vai adiantar muita coisa...”.

“Ah serio que não vai? Poxa se você não falasse Larily!”

“A não ser que você tenha uma broca, boa sorte”

“Vou te mostrar uma broca de verdade!”

Charlotte continuava a socar repetidamente até perceber que não havia mais saída, violência pela primeira vez não resolveria. Charlotte então se afasta do gigante, mas o mantém contra o chão.

“Oque eu faço?”

A voz na cabeça de Charlotte começou a pressiona-la “Não faço ideia, mas seu tempo esta acabando.”

“Tempo? Você não disse nada!”

“Você não perguntou. Ao invés de discutir, mate-o.”

“Fácil falar, não?”

“Não, quer ver? Foque em seu punho direito.”

“Ahn, oque tem?”

“Canalize o poder todo nele, todo mesmo.”

“Calma... Hum?”

“Esta sentindo algo diferente em seu braço?”

“Parece ser... De verdade.”

“Por que agora é, agora de uma surra nele.”

Nada fazia sentido para Charlotte aquela hora, mas conseguiu entender que focando uma parte de seu corpo ela se tornava de verdade, fazendo assim dobrar seu poder, Charlotte manteve golpes para manter o gigante no chão, não para destruí-lo. “Pense! Pense! ISSO!” Charlotte que alguns quilômetros para trás havia um abismo. “Como vou leva-lo la?!”

“Já te ajudei uma vez.”

Charlotte não conseguia levantar o gigante, era pesado demais, arrasta-lo era impossível, pensando muito Charlotte deu vez ao gigante, jogou-a longe e se levantou ainda mais bravo.

– Quanto tempo pretende continuar com isso senhora? Já estou ficando irritado.

– Pode vir com o que tem grandão!

Antes de Charlotte acabar sua frase o gigante avançou contra ela, os dois se empurraram com as mãos.

“Preciso por o plano em pratica.”

Charlotte usou a força do gigante contra ele mesmo o jogando para trás, mas ainda estava longe do abismo. Charlotte abusava mais e mais da força e não reparou que seu corpo estava adquirindo mais e mais a forma de uma raposa, seus dentes estavam afiados, até demais. Sua aura também, estava, oque era apenas aura agora já possuía ossos.

– Por que não bate de frente? Fica apenas nesses joguinhos! Vamos! Enfrente a pedra!

As provocações estavam funcionando. – Grrrrr...

– Realmente, usando poder desconhecido ainda continua fraca.

Larily tenta acalmar Charlotte. “Se acalme, ele esta fazendo isso de proposito... Não se deixe tomar pelo ódio.”

As palavras de Larily ecoaram na cabeça de Charlotte sem surtir efeito algum. Charlotte estava sozinha em sua mente, dois caminhos a sua frente, o poder interior dela então começa a manipula-la, mostrando em um dos caminhos Jeremy morto, sua mãe morta, o reino todo em chamas.

A voz agora havia mudado, era mais estridente e metálica. – Não é isso que você quer...

Charlotte começou a andar em direção a sua mãe e Jeremy mortos, conforme chegava mais perto uma névoa de cor esmeralda se apossava mais e mais do ambiente.

Do lado de fora o gigante olhava Charlotte parada, tentou avistar o careca para saber que decisão tomar, mas já estavam longe demais, olhou outra vez para Charlotte, não entendeu o porquê, mas duas lagrimas de sangue escorreram pelo rosto. De volta em seu subconsciente Charlotte olhou outra vez para a destruição de seu reino. A voz agora berrou com Charlotte. – NÃO É ISSO QUE VOCÊ QUER?

– NÃO!

As duas névoas explodiram e olhos vermelhos apareceram em sua frente e então sussurrou. – Boa sorte...

Do lado de fora o gigante pronto para esmagar Charlotte com uma de suas mãos é interrompido com uma explosão vinda da aura que emanava de Charlotte, após a fumaça sumir, não existia mais Charlotte...

Oque se via agora era uma raposa, com seus 15 metros, branca, olhos heterocromáticos, um era amarelo cor de ouro, cintilava sem nem mesmo iluminação, o outro era vermelho, um vermelho vibrante, o mesmo possuía pupila, o outro não, duas riscas vermelhas cor de sangue saiam de seus olhos, sua pelagem era branca como a neve. Não falava nada, apenas emitia sons aleatórios de rosnados.

– Gente... Muito tarde para desistir?

Charlotte afirmou com a cabeça.

– Estou falando de você, não de mim. – O gigante rapidamente avançou com toda sua força lançando seu corpo contra a Raposa, que de imediato, usando um reflexo sobre-humano apoiou suas duas mãos nas costas do gigante o projetando de cara no chão. Logo cerrou os dois punhos e como uma marreta esmurrou as costas do gigante... Aparentou ser efetivo. Suas costas racharam. A Raposa apoiou seu joelho na nuca do gigante e começou a socar repetidas vezes a fenda em suas costas fazendo assim abrir mais.

– Ei. – A fenda começa a ficar vermelha e esquentar. – Ai não é lugar de criança brincar. – Então explodiu suas costas esparramando lava por todos os lados. Queimando um pouco dos pelos da Raposa.

A Raposa então rosna enfurecida e avança contra o gigante que agora escorria lava pelas suas costas. Antes de a Raposa chegar o gigante virou-se de costas e se jogou na direção da Raposa. Ela desviou-se facilmente, mas o plano do gigante não era a Raposa, mas sim o terreno. As arvores que estavam perto começara pegar fogo, então a rachadura em suas costas começou a se fechar. A Raposa agora estava cercada, fogo a sua frente e um abismo a suas costas.

– O ódio alimentou sua derrota, jovem inconsequente.

Ao longe onde a luta havia começado, algumas explosões começaram a aparecer e fumaça escureceu o céu azul.

– Parece que estou demorando muito aqui, vamos acabar com isso senhora. – O gigante abriu bem sua boca e começou a forçar mais rachando-a, do fundo de sua garganta se via uma iluminação vermelha, começou ele então a vomitar lava, fazendo a Raposa recuar mais para perto do abismo.

Um rugido enorme vindo da raposa, as duas linhas em seus olhos começaram a brilhar, seu olho amarelo agora laranja nasceu uma pupila, sua pelagem começou a mexer inquieta e fagulhar de pouco em pouco.

“Oque esta havendo?” Agora na cabeça de Charlotte.

“Seu desejo de vingança e ódio estão alimentando esse monstro, que somos nós.”

“Essa parte eu já sei... Por que estou fagulhando?”

“Ingênua... Você acha que um poder daquele patamar entrando aqui eu não ia tirar uma lasquinha?”

“Você sugou a energia do Leão de Jeremy?”

“Meio lenta, mas sim. Agradeça-me depois.”

Do lado de fora, a Raposa já não era mais uma raposa, mas sim um hibrida. Outra cabeça havia nascido ao seu lado, um leão. Na raposa, as riscas em seus olhos agora estavam brilhando, ambos os olhos agora estavam vermelhos. Antes bípede agora um quadrupede, suas patas ardiam em chamas vivas e agitadas, sua pelagem agora se dividia em branco e rajados de castanho claro. O Leão então ruge e sua juba se incendeia, a Quimera agora andava sobre a lava como se fosse um campo de flores, não surtia efeito algum. Chegando perto do gigante ainda de boca aberta jorrando lava, a cabeça do Leão se aproxima, estica a boca fazendo um sorriso sarcástico mostrando os dentes, e morde a cabeça do gigante e o arremessa para longe, além do abismo, as chamas que consumiam a floresta agora pareciam mais quietas com a presença do Leão, e começaram a sumir misteriosamente. A Quimera começa a andar em direção ao reino, mas não existia mais pensamento de Charlotte, apenas da besta.

Chegando perto do reino, a Quimera avistou caos e destruição dentro do reino, sua altura era maior do que os muros, algumas pessoas corriam para fora do reino e entrava em choque com uma Quimera de quinze metros, o Leão olhou para a rocha ainda lá, Jeremy havia sumido.

“Espera, onde esta o Jeremy?”

“Não sou vidente querida.”

“Acho que você já pode me deixar voltar ao normal.”

“Acho que você pode continuar a ficar quieta, você não tem mais controle nenhum sobre esse corpo.”

Charlotte tentou discutir, mas escutou um estalar dedos e seu corpo foi esticado pra todos os lados por correntes, e uma meia foi materializada em sua boca.

“Seu ódio gerou isso, sua irresponsabilidade vai ser a ruina de todos, agora acompanhe de camarote.”

Na porta do castelo o exercito empurrava incansavelmente tentando arrombar a porta, a Quimera apoiou uma de suas patas no portão de entrada do reino e o dizimou. No mesmo momento o exercito todo que ali estava e os que saqueavam as casas também se viraram para a besta colossal.

– S-Senhor...

O careca agora observava com as pernas tremulas a implacável criatura.

– Senhor, quais as ordens!?

O careca não conseguia raciocinar com ambas as cabeças rosnando em sua direção.

O exercito começou a se apavorar, mas não abandonaram seus postos, já os que saqueavam correram para todas as direções como ratos assustados.

Um dos subordinados então berra. – SENHOR, QUAIS AS ORDENS?

O careca apontou tremulo, mas gritou com convicção. – ATAQUEM!

Todos do exercito ao seu lado começaram a correr em direção à besta. O Leão estufou seu peito e seu rugido saiu acompanhado de uma onda de chama que queimou todos os que corriam em sua direção.

A Quimera foi se aproximando do careca lentamente, cabeça erguida e as duas cabeças sorrindo maldosamente. Ela chega bem perto, a Raposa se aproxima. – Qual seu nome? – Uma voz feminina, mas ao mesmo tempo amedrontadora.

O careca esta em choque com a situação e não responde.

A Raposa se aproxima mais, ele sente seu bafo, mas agora ela fala pausadamente. – Qual seu nome?

– Br...am

O Leão grita em sua cara com uma voz grossa e mais amedrontadora que a Raposa. – FALE PARA FORA, QUAL SEU NOME?!

– BRYAN.

A Raposa faz um som que soa como uma risada. – Já sei oque colocar em sua lapide.

Bryan treme as pernas e se afasta mas encosta as costas na porta do castelo.

O Leão se aproxima mais que a Raposa, seu bafo era insuportável, mas reclamar do hálito dele não era uma boa. – Onde esta o garoto?

– Não faço ideia senhor.

– Senhor? Tenho cara de policial?

– N-ã (Bryan é interrompido.)

– Você fala quando eu disser que pode.

Bryan concorda com a cabeça.

– Não viu nada? Antes de entrar covardemente no reino enquanto a garota lutava?

Bryan nega com a cabeça.

O grito do Leão ecoou por dentro das montanhas. – MANDEI FALAR!

– Não...

– Sujo, imoral, verme. Vocêé o tipo de gente mais imunda que pode existir em qualquer tipo de dimensão ou forma de vida. – Ele avança com a cabeça e Bryan se encolhe no chão.

A Raposa começa a farejar algo, levanta a cabeça e se sente incomodada. – Grrrr! – Se vira para trás forçando o Leão a se virar também. Bryan aproveita e se esgueira para uma das casas perto do castelo.

A Raposa sorri em direção a pessoa. – Vejam se não é minha maior aliada nessa historia.

Larily estava em cima dos escombros, trajada em uma armadura límpida e cintilante, parecia que fora forjada para um homem, mas Larily estava usando-a sem o menor esforço, prateada reluzente com detalhes em azul em suas ombreiras e em seu escudo, que tinha quase o seu tamanho, era uma armadura completa de um guerreiro, estava a empunhar sua lança, levantou a viseira de seu elmo com a mão que segurava o escudo. – Sim, parece que eu tomei as decisões um pouco erradas. Fui confiar numa criança, nisso que deu.

Charlotte em seu subconsciente. “Vaca”

Larily abaixa sua viseira e aponta a lança para a Quimera, seu braço esquerdo empunhava seu escudo e o direito a lança.

A Raposa sorri. – Oque facilmente constroem, dificilmente destroem.

Larily com a viseira tapando sua boca o som saía abafado. – Não seria o contrario?

– Quando se trata de nós, acho que estou certa no que disse.

O Leão abre sua boca, seus caninos agora em chamas. – Chega de papo. – Avança então contra Larily, que se defende com o escudo da mordida com a lamina sempre apontada para a Raposa.

– Um momento, leãozinho. – Larily levanta seu escudo, ele brilha e logo uma cachoeira artificial nasce.

– Isso é injusto, não acha?

Larily avança contra a cabeça da Raposa em uma estocada em direção a seu olho esquerdo, com o escudo apontado para o Leão, mas não esperava que ele fosse lhe dar uma cabeçada, Larily é atingida e violentamente quebra a parede de uma casa que parecia de tijolos, dentro da casa se levanta rapidamente e sobe correndo para o sótão da casa, com o escudo em suas costas, percebeu que a Quimera se aproximava, pegou impulso do fundo da casa e começou a correr em direção a janela, sua lança possuía agora um pequeno redemoinho na ponta, saltou pela janela. Antes que a Quimera percebesse Larily cravou sua lança onde conseguiu, não teve tempo de mirar, foi no olho esquerdo do Leão.

Leão ruge para o alto, urrando de dor. — Argh!

A Raposa vê que a lança permanece ali. – Se acalme... – O Leão para e a Raposa tira a lança de seu olho e a arremessa para fora do reino.

Larily empunha seu escudo novamente, da dois tapas em sua frente. – Vamos grandão, eu e você agora, mostre do que é feito. – O escudo parecia ter entendido, sua cachoeira agora se tornou um redemoinho infino.

O Leão olha para Larily conversando com seu escudo, percebe com seu olho bom o sangue pingando no chão, levanta a cabeça e rosna mais alto e mais alto, cada vez mais perturbador.

Larily decide então provocar. – Calma totó, ou deveria dizer gatinho de rua, tenho mais medo do meu Poodle Toy do que de você.

O Leão espumava de raiva, sua juba já não apenas estava em chamas, explodia em pequenos intervalos. A espuma então passa a virar lava.

– Gente! Meu Poodle continua mais ameaçador.

A Quimera avança e o Leão praticamente engole Larily se protegendo apenas com o escudo, mas solta rapidamente após a lava não ser efetiva contra ela, mas seu canino foi, e o tornozelo de Larily agora sangrava. – Eita. Se fosse meu poodle aposto que teria sido mais profunda a mordida. – Larily manca um pouco dando as costas para a Quimera.

Seu escudo havia mudado, agora estava menor e agora e uma espada nasceu ali, a Raposa observou os detalhes, aquela era a armadura de um dragão, olhando bem, eram escamas prateadas.

Por meio de pensamento, o Leão e a Raposa se comunicavam. “Não vamos conseguir nada assim.”

“Por quê?”

“Você esta babando de raiva, a armadura dela é bem mais resistente e ela naturalmente é seu oposto.”

“Se não atacarmos ela, como vamos ganhar?”

“Golpes de cada vez, ela só tem uma espada.”

“Mas o escudo dela me retém!”

“Simples.”

A Raposa mudou de cabeça com o Leão de forma grotesca e nojenta. “Vamos ver se ela aguenta agora.”

Larily puxou sua espada de dentro do escudo. “Droga, não esperava por essa.”

A Raposa não avançava, deixava o trabalho com o Leão, apenas se certificava de que ela não mudaria o escudo de lugar. O Leão por sua vez avançava selvagemente contra Larily, que se defendia com sua espada, não muito longa, estava arriscado.

“Vamos pressiona-la.”

“Certo.”

Ambas as cabeças tentavam morder Larily, fazendo-a recuar. Até que ela avançou, girou seu corpo acertando o escudo na cabeça do Leão e cortando uma parte do rosto da Raposa, ambas recuaram e ela avançou para suas patas, deu uma espadada na pata esquerda, a Quimera recuou. Larily começou a andar de costas e pisou num buraco de escombros e torceu o pé, o Leão prevendo a sua queda avançou contra Larily que não teve tempo de se defender, mordeu seu corpo todo, fazendo Larily parecer um osso de cachorro. Sem armamento Larily desesperadamente se debate tentando se soltar, mas o Leão a pressiona mais.

– Quietinha, se não piora.

– Me solte! Felino imundo.

Leão aperta mais os dentes com Larily dentro.

– Mais uma, eu juro que quebro sua armadura com você junto.

( Larily gemia de dor.) “Preciso sair...”

– Larily?

Os três olham em direção a fora do reino.

Larily tira o elmo com a mão solta. – Jeremy meu amor... – Larily cospe um pouco de sangue, um dos dentes entraram dentro dela. – Saia...

“AMOR? COM QUE DIREITO ELA CHAMOU ELE DE AMOR?” O ódio faz com que o Leão finque os dentes em Larily quebrando sua armadura. “Meu deus... Eu sou um monstro...”.

“Só agora que você percebeu? Nós somos.”

Larily gesticula com a mão dando tchau para Jeremy. – Tch... Gat...

Jeremy se enfurece, seu corpo entra em combustão. – SEU MONSTRO! QUEM É VOCÊ!? POR QUÊ FEZ ISSO?

A Raposa olha para Jeremy. – Sou... Um monstro...