A lenda do Leão das Chamas

3 O fim para um novo começo.


Era de manhã, Jeremy estava irritado, pois seu celular parecia estar possuído pelo demônio por que não parava de tocar. Jeremy começa a tentar colocar a mão no telefone.

—Maldito telefone, onde foi parar?

Charlotte entrega o celular para Jeremy. — Bom dia.

— Já esta acordada?

— Sim, eu tive medo do seu quarto, é muito escuro, então decidi vir assistir alguma coisa. — Diz ela enquanto trocava de canal incessantemente.

—Tem um abajur, mas, eu te entendo, também tive medo do meu quarto, quando eu era criança. — Diz enquanto sorri com deboche.

Charlotte devolve a provocação. — Você ronca, muito.

— Mentira!

— Quase fiquei surda.

Jeremy se vira e tenta dormir outra vez. Alguns segundos depois se da conta. — Não, espera, eu tenho escola.

Charlotte pula do sofá. – Vou tomar banho, faz tempo que não me dou esse luxo, depois disso vou embora, agradeço agora pela hospitalidade.

—Você ainda me deve algumas explicações, como assim não toma banho faz tempo?

Charlotte grita enquanto caminha até o banheiro. – Não, não devo.

—Vou deixar suas roupas na porta do banheiro.

Enquanto Charlotte toma banho, Jeremy se troca e passa a roupa de Charlotte e as acomoda em frente ao banheiro.

—Bom... Agora oque a faremos...

—Ta!

Jeremy decide assistir alguma coisa.

Charlotte sai do banheiro balançando com a mão seu cabelo curto, usando a mesma roupa da qual trajava na chuva.

—Jeremy?

— Não notei ontem, mas, sua roupa é muito bonita e... Incomum

— Incomum?

— Sim, não se usam mais fraques vintages. Não prefere usar uma roupa mais adequada?

Charlotte olha para si mesma, parecendo um cavalheiro da era vitoriana. -Bom, se você diz, não quero chamar atenção.

Jeremy sobe correndo e trás uma muda de roupa, calça jeans e uma camiseta de manga comprida. — Não acho que vá ter problemas com tamanho, suas proporção não são tão grandes.

Charlote começa a desembainhar seu florete de uma bainha invisível em sua cintura. — Minhas proporções oque?

— Não, não quis ofender.

— Não me ofendeu, minha auto estima é perfeita. Já volto.

Charlotte volta parecendo uma garota genérica de classe média.

— Perfeito, agora não vai chamar atenção.

Jeremy sobe e pega sua jaqueta, quando volta Charlotte esta com uma tigela cheia de maçãs descascadas e cortadas.

—Nossa, como que?

— Não sou só um rostinho bonito.

— Desculpa.

— Não por isso.

—Vamos preciso ir para escola, o que pretende fazer agora?

— No caminho eu decido, eu não tenho muito o que fazer, elimino monstros e espero algo acontecer.

— Você foi designada pra isso?

Jeremy e Charlotte saem da casa e começam a seguir caminho ao metrô.

— Não, faço pra proteger essa dimensão, já que estou presa nela.

— Não consigo perguntar mais coisas, é tudo tão absurdo que é mais fácil apenas lidar com isso.

Charlotte da os ombros. — Eu apenas estou te situando, você aceitar ou não depende apenas de você;

Jeremy avista Bianca na catraca da estação e nota a expressão de desgosto quando ela vê Charlotte.

Charlotte abaixa a cabeça e segue reto pela catraca, mas é travada por não pagar a passagem.

Bianca murmura o suficiente para Charlotte escutar. — Esta a tanto tempo causando aqui e não sabe nem usar uma catraca?

Jeremy corre até a catraca e paga para Charlotte passar. — Pronto.- Ambos passam e Charlotte ignora a presença deles, rumando em frente.

— Vai me ignorar? Assim como ignora a destruição que causou aqui? — Bianca provoca.

Charlotte para, endireita sua coluna e olha Bianca pelos ombros, depois volta a caminhar.

— Era esperado. — Bianca segue pelo sentido oposto a Charlotte e Jeremy segue Bianca.

— O que foi isso?

— Isso oque? Te deixo sozinho um dia e você vira amigo daquela aberração.

— Bianca...

— Oi.

— Ela comentou de você e você conhece ela, o que eu perdi?

— Não perdeu nada, essa garota é mais problema do que consigo colocar em proporções, há décadas.

— Décadas?

— Sim, pode não parecer mas ela é muito mais velha, ela já vivia aqui antes d'eu e você nascermos. Eu sei que ela já deve ter explicado pra você uma boa parte da situação.

— Sim, explicou, mas, ainda me pergunto algumas coisas.

— Ela é brecha entre duas dimensões, enquanto ela existir nós corremos riscos, e a partir dela as criaturas que eu preciso eliminar diariamente e ela também invadem a nossa dimensão.

— Estranho, não avisaram que iria chover hoje, temos guarda-chuva?

Antes de Charlotte responder começa a despencar uma chuva como nunca antes vista, aquilo estava acontecendo tão repentinamente que os dois acabaram estranhando.

— Não, vamos precisar voltar na chu.- Antes de terminar a frase Charlotte é interrompida com as várias trovoadas e ventos levando tudo. Ao meio de todo aquele caos, relâmpagos começaram a cair em meio a redes elétricas e algumas antenas e logo a tormenta começou a atingir os carros, em meio ao pânico de carros explodindo, destroços voando, então surge uma figura em meio toda aquela confusão, que deixa todos mais assustados ainda, usando um terno preto super fino, com sua altura mostrava ser superior aos outros, com seus cabelos grisalhos trazia a impressão de ter um conhecimento além do que os normais podiam imaginar, seus olhos escuros traziam medo, solidão para qualquer um que olhava em seus olhos...

— Você, garoto, seu nome é Jeremy?

— Sim...

— Estou cansado de mandar capangas fazer um trabalho fácil, esta na sua hora garoto, sendo uma ameaça você deve ser exterminado sem piedade.

— Calmo lá vovozinho. – Charlotte puxa sua katana. – Ninguém pode simplesmente chegar e dizer que vai matar alguém, em primeiro lugar, quem é você?

— Garota insolente, os jovens de hoje deviam aprender a respeitar os mais velhos, ou pelo menos alguém mais forte. Pode me chamar de Zieg O Senhor do trovão.

Jeremy levanta a mão. – Com licença senhor, o senhor não é desta dimensão, não é?

— Sim, não sou de Minôr. Bem observado. Aprenda bons modos com ele, jovenzinha.

— Sem tempo para formalidades vovô, vamos ao que interessa.

— Você esta me desafiando? Pelo menos você tem senso de humor. – Zieg solta uma risada sarcástica.

A ventania continuava a cortar seus rostos, os relâmpagos continuavam a cair, clarões e chuva faziam seus olhos fecharem.

— Estou aqui com um proposito, eliminar você.

Charlotte avança pra cima de Zieg. – Já disse que vai precisar passar por mim.

— Criança, aponte essa arma mais uma vez a mim e terá uma luta de verdade.

Charlotte some em meio à chuva e acerta Zieg, cortando seu terno. Zieg levanta sua mão direita e um raio cai em seu punho fechado, Zieg era um punguista. Charlotte continuava a avançar para cima de Zieg, achando que tinha vantagem. Zieg fica parado e espera o próximo movimento de Charlotte, no momento que Charlotte tenta cortar a cabeça de Zieg ela recebe um soco no estomago e voa em cima do painel de um carro e o mesmo recebe um relâmpago e explode. Charlotte aparece novamente com alguns sangramentos.

Charlotte abre um sorriso e provoca. – Até que pra um vovô você sabe brigar.

Antes que Charlotte percebesse Zieg aponta para ela e raios começam a cair onde Charlotte esta de pé, Charlotte começa a esquivar de todos e não percebe o movimento de Zieg que logo aparece atrás dela. Zieg segura a cabeça de Charlotte e solta uma descarga, Charlotte grita agonizando e depois cai no chão inconsciente.

— Já? Achei que daria mais trabalho.

Jeremy deixa escapar uma lagrima em seu rosto e grita. – CHARLOTTE. – Jeremy corre em direção a Charlotte e a segura em seus braços ignorando a presença de Zieg. Jeremy ainda chorando diz. – Fala comigo Charlotte, diga alguma coisa, algum sinal, por favor!

Charlotte mexe os olhos e os abre. – Ai, ai, ta doendo bastante...

— Não devia ignorar o inimigo a sua frente garoto.

Fagulhas começam a sair do cabelo de Jeremy. – Charlotte, você esta viva...

— Sim...

Jeremy encosta Charlotte na parede. – Calma, vai ficar tudo bem.

Jeremy no momento em que se vira recebe um chute no peito por Zieg, Jeremy começa a rolar no chão e colide com os destroços de um carro. – Eu lhe avisei garoto, não ignore o inimigo a sua frente.

Jeremy começa a mexer as mãos e tenta se levantar, seu cabelo agora estava começando a ficar vermelho ardente, seus olhos já não eram mais negros, agora estavam tomados por chamas. – Era isso que você queria? – Aquele já não era mais Jeremy, o espirito havia tomado o corpo de Jeremy pelo ódio, Jeremy levanta as duas mãos e um tornado fazem-na sumir, Jeremy separa as mãos e o tornado some e em suas mãos apareceram manoplas e na direita havia a figura de um leão. O cabelo de Jeremy agora já eram brasas que soltavam fagulhas e seus olhos eram vermelhos de ódio. – Quem ousou me despertar?

— Parece que teremos um pouco de ação agora. Eu, Zieg, O Senhor do trovão. Eu lhe desafio, espirito seja la de quem for.

— Desafio aceito.

Jeremy sumiu em uma questão de segundos em meio ao vento, quando menos percebeu Zieg recebeu um soco em sua costela, a tentativa do contra-ataque foi inútil, Jeremy estava rápido demais.

— Vamos tornar a luta justa. Aqui, invoco meu guardião, para que me ajude a eliminar aqueles que tentam lhe eliminar, me dê o poder para destruir os hereges.

Um trovão diferenciado e maior se destacou no céu e atingiu Zieg, os olhos de Zieg agora eram brancos e soltavam pequenos raios.

— Veremos agora quem é mais rápido.

Jeremy juntou os dois punhos e liberou uma torrente de chamas, todo o ambiente húmido agora havia secado. Zieg começou a avançar em direção a Jeremy em uma velocidade absurdamente alta. Jeremy percebeu aonde Zieg atacaria e contra-atacou, o soco de Zieg pegou no rosto de Jeremy e no momento que o punho de Jeremy tocou o peito de Zieg, liberou uma explosão que fez com que Zieg recuasse, seu terno agora estava em chamas e o local do soco estava com uma queimadura.

— Parece que você vai dar trabalho.

— Mantenha-se calado velhote imundo.

Zieg agora estava irritado e a cada segundo pequenos relâmpagos caiam no terreno. Zieg agora havia se movimentado mais rápido que Jeremy pudesse ter percebido Zieg, Zieg avançou pelas costas de Jeremy e acertou um soco no meio de suas costas.

Jeremy não conseguia mais se movimentar como queria.

— Não consegue mais se movimentar como quer? Acho que por que liberei uma descarga no seu sistema nervoso. Chegou sua hora.

Jeremy não conseguia se mexer e via Zieg andando lentamente em sua direção. Zieg segurou a cabeça de Jeremy, as brasas em sua cabeça estavam apagando, Jeremy estava fraco.

Zieg puxou seu braço pra trás e preparou o soco, mas Zieg percebeu o chão abaixo de Jeremy, estava começando a derreter, o cabelo de Jeremy agora estava ficando mais quente e antes que percebesse Jeremy gritou:

— SUPERAQUECER!

Uma explosão acabou com o lugar, Zieg foi jogado pra longe com queimaduras por todo o corpo e Jeremy também. Zieg se levantou e Jeremy continuava no chão.

— Melhor dar um fim a isso, esta começando a ficar arriscado.

Zieg vai cambaleando até Jeremy e ardia em chamas, Zieg convocou um relâmpago dos céus em sua mão e preparou para finalizar Jeremy... Por um milagre, Charlotte aparece e tenta cortar a mão de Zieg, mas ela estava fraca e Zieg por pouco escapou, Jeremy abre os olhos, agora era o Jeremy de verdade.

— Parece que alguém acordou. Que tal eu me livrar da sua amiga na sua frente? Depois de você também.

Zieg começa a andar em direção a Charlotte que mal se aguentava em pé, preparou seu punho.

— Ultimas palavras?

Charlotte larga sua espada e se ajoelha. – Apenas que deixe Jeremy viver...

— Não estou em condições de usar o mesmo poder duas vezes e ele esta longe, vai você mesmo.

Charlotte fecha os olhos e sente uma descarga enorme, mas ela continuava viva, quando abriu os olhos viu que Jeremy se jogou na frente de Zieg para salva-la.

— Há, já que decidiu vir até mim, me poupou esforços.

Jeremy se ajoelhou e caiu no chão...

— Jeremy? J- Jeremy? – Charlotte começa a chorar. – J-Jeremy...

Jeremy havia morrido por Charlotte...