A lenda do Leão das Chamas
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Notas iniciais
"O escolhido! O Escolhido! O ESCOLHIDO!”
—AAAAH! –Gritou Jeremy em meio à sala de aula acordando de um pesadelo.
Os alunos ao redor, inclusive o professor se assustam também.—Ahn... Senhor Jeremy, posso ajudar? — O professor pergunta.
—Não... — Jeremy olha para o professor com olhar cansado.
—O senhor estava dormindo?
—Não...
—Então por que gritou?
—Foi um espasmo, foi sem querer.
—Por favor Jeremy, se dirija a sala do diretor, dessa vez faço questão da inspetora nem perder tempo, assim que aprender a parar de atrapalhar minha aula, volte.
Jeremy recolheu seu material, saiu da sala e dirigiu-se até a sala do Diretor, bateu na porta:
—Pode entrar. — O Diretor olha -Por que não estou surpreso?
Jeremy entra na velha sala do Diretor Roger, sempre continuou a mesma desde que Jeremy entrou na escola. Não é uma sala muito grande, apenas sua mesa, duas cadeiras para as visitas e um armário para seus documentos.
—O que eu posso fazer Diretor Roger? O professor não gosta de mim. Apesar de que nenhum gosta — Disse Jeremy baixinho — Nunca fiz nada para eles não gostarem de mim.
—Ele não gosta de você ou você estava dormindo novamente na aula dele?
— Você o conhece, sabe que ele não vai muito com a minha cara.
— Claro, graças a ele eu te conheço mais que qualquer um nessa escola.
Jeremy da uma risada um pouco nervosa.
— Haha, o que aconteceu hoje?
—Eu tive um pesadelo e acordei gritando.
—Pesadelo de que tipo?
—É sempre o mesmo, estou sempre andando sem rumo, sozinho por um lugar escuro e totalmente silencioso, onde só escuto o som da minha respiração, como se tivesse corrido quilômetros, até que vozes assustadoras começam a ecoar no vazio em minha cabeça gritando “O Escolhido”!
— Com que frequência isso acontece?
—De algumas semanas pra hoje... 5 em cada 7 dias eu tenho sempre esse mesmo sonho, e sempre escutando apenas eles gritando "O Escolhido"
—Huum, entendo... Melhor que você vá pra casa e descanse. Amanhã tente não dormir novamente na aula dele. Procure um psicólogo, pode ser algum trauma repreendido.
—Nenhum bilhete dessa vez?
—Não, desta vez você passa, pesadelos não são agradáveis, mas, tende dormir mais cedo para não dormir na sala.
— Tudo bem, obrigado Diretor.
Jeremy colocou a mochila nas costas e quando estava saindo da sala do diretor trombou com uma menina ruiva e de olhos castanho claro, depois de reparar como ela era bonita, percebeu que era sua amiga Bianca, que estava segurando seu estojo. Bianca se assustou porque foi tudo muito rápido. –AH! Jeremy!
—Oi.
Bianca sempre se perdia nos olhos quase negros de Jeremy.
—Bianca?
—É, ah sim... Oi.
Jeremy olha para o estojo. –Esse é meu estojo? Deve ter ficado na minha mesa.
— Sim — Jeremy pega o estojo e abraça Bianca – Obrigado, você é a melhor amiga que alguém como eu pode ter... — Enquanto apoia a cabeça na dela.
Bianca começou a tremer e seu rosto branco como neve começou a corar. – Não há de que... Você já vai embora?
—Sim, acho que vou...
—Eu lhe trouxe um lanche, não quer esperar para nós comermos juntos?
—Sério!?
— Sim, fiz alguns a mais justamente para dividir com você... — Disse Bianca tentando evitar olhar nos olhos de Jeremy. — Quando der meio dia você me encontra no pátio
—Claro! Obrigado!
—O que você vai ficar fazendo enquanto isso?
—Hmm... Pra ser honesto, não faço a mínima ideia – Jeremy sorriu.
—Tudo bem, apenas não esqueça!
Bianca voltou pra sua sala no segundo andar e Jeremy seguiu em direção ao elevador de serviço, e subiu até o último andar na sala de esportes, onde guardavam os colchões e se deitou, enquanto olhava para o teto pegou no sono.
Jeremy começou a correr sem saber pra onde ir, criaturas, humanoides para ser mais exato, apareceram de todos os lados e Jeremy sentiu que ia morrer ali... Quando de repente uma névoa começou a tomar conta do ambiente e todos os humanoides foram congelados instantaneamente e algo começou a cortar a névoa mais rápido do que os olhos podiam acompanhar, ao fim da morte deles uma figura de cabelos longos de cor azul quase branco que tinha o que pareciam ser orelhas de raposa apareceu após a névoa sumir e logo sumiu também.”
—Os sonhos parecem cada vez mais reais, preciso de ajuda. — Jeremy olha para o celular. — Quase meio dia, vou descer.
Jeremy levanta em um pulo e começa a andar pelos corredores da escola até a escadaria que dava acesso ao pátio da escola.
—Bianca! Desculpa!
—Hm?
—Eu me atrasei.
—Na verdade não...
—Por quê?
—Porque ainda são onze e meia...
—Ah, faz sentido agora... Espera, você ia me esperar aqui das onze até o meio-dia?
Bianca corou e logo se embolou – Eu não, não, que isso, claro que não, talvez, estou aqui pra admirar a paisagem que é bastante bonita você já percebeu?
Jeremy olha para onde a Bianca estava admirando e vê o jardim da escola, bem cuidado, com alguns botões de flores ainda tímidos e outros exuberantes se mostrando.
—Sim realmente é muito lindo Bianca. A aula foi importante?
—Não sei, eu pedi pra ser liberada, disse que estava com dor de cabeça, supostamente eu agora estou ligando pra minha mãe.
—Entendo.
Bianca se volta para sua mochila enquanto senta. – Pra você.
Jeremy se ajoelhou ao chão, abaixou a cabeça, estendeu as mãos e agarrou o lanche. Bianca ria muito daquela cena. — Você é besta! Bom, esses daqui são de salada, esse é de patê de atum e esse é o seu favorito...
—Mentira...
—Por que eu mentiria com algo tão sério?
—Você é a melhor!
Jeremy partiu seu lanche de doce de leite ao meio e deu metade a Bianca.
— Pra você, você merece.
— Mas, é o seu favorito!
—Você também é minha amiga favorita... Na verdade, minha melhor amiga.
Bianca sentiu um aperto no coração, mas um alivio ao mesmo tempo, Bianca era apaixonada por Jeremy, mas, nunca conseguira se declarar pelo fato de sua forte amizade.
—Está uma delicia Bianca!
—Fico feliz que você gostou.
Jeremy e Bianca saíram escondido pela saída da secretaria e foram para o metrô.
Bianca descia uma estação antes de Jeremy.
—Tchau!
—Tchau!
—Obrigado pelo lanche.
—Disponha.
Bianca, antes das portas se fecharem, olha para Jeremy. — Amanhã nós nos veremos?
—Claro!
Ela abaixa a cabeça sorrindo. — Adeus então.
Jeremy quando chegou em sua estação foi correndo até sua casa, ele morava em uma casa moderna, um muro de 1m de altura, um jardim bastante alegre cheio de cores, naquele dia a casa foi feliz apenas por fora. Jeremy abre a porta de casa e logo na entrada da casa vê três malas enormes de viagem e pergunta a sua mãe:
— Vai viajar novamente?
—Sim meu filho, infelizmente.
—Por quanto tempo dessa vez?
—Acho que por algumas semanas, pro exterior, depende de como o processo decorrer.
Jeremy passa direto. — Bom, estou acostumado.
—Infelizmente, me requisitaram fora do país... — Diz a mãe de Jeremy enquanto o abraça de costas.
— Tudo bem mãe... De verdade.
Jeremy vira e a retribue o abraço
— Fique bem...
—Desculpe fazer as coisas acontecerem assim...
Um homem de terno aparece a porta. – Sra. Di Marco, devemos nos apressar, o avião logo levantará voo.
—Adeus Jeremy...
—Tchau mãe...
A porta se fecha e Jeremy desaba a chorar no chão da entrada... Jeremy perdeu seu pai ainda na barriga de sua mãe em um acidente de carro, nunca lhe deram mais informação do que aquilo. Sua mãe acabou se tornando mundialmente famosa por seu exímio trabalho em relação a Direito.
Jeremy limpou seu rosto e se perguntou: –O que fazer? Ainda são apenas 14h. A casa estava toda escura, cortinas da sala fechadas e luzes apagadas. –O ambiente está agradável... Acho que vou dormir um pouco. — Jeremy subiu as escadas até seu quarto que ficava no fim do corredor após o quarto de sua mãe e deitou em sua cama e ficou olhando fixamente em direção ao teto... Já era à noite quando Jeremy pensou em sua janta, nesse momento Bianca seria excelente. Devido a sua mãe, Jeremy sabia fazer arroz e fritar ovo. Sua janta foi aquela. Depois de lavar toda a louça, guardou tudo nos armários e subiu para tomar banho. Logo já estava pronto para dormir, deitou-se e desejou pra que não fosse desse jeito todos os dias durante as proximas semanas. Jeremy pegou no sono depois do dia exaustivo. Dessa vez não houve pesadelos, o que fez com que ele acordasse de bom humor. Jeremy à caminho da escola viu Bianca, e correu até ela:
— Bianca, bom dia.
—Jeremy? Bom dia! Tudo bem?
—Na verdade não.
—Por que?
— Minha mãe viajou outra vez...
—Serio?... Por quanto tempo dessa vez?
—Algumas semanas.
—Poxa... Que pena. Você ta se alimentando certinho?
—Nessa primeira noite não, fiquei sem animo.
—Poxa Jeremy.
—O que? Você sabe que eu não sei cozinhar!
Bianca escuta algo zunindo –SE ABAIXA! — Grita ela, se jogando ao chão agarrada com Jeremy e algo preto passou em cima da cabeça dos dois, Bianca rola com Jeremy para esquerda e o projétil volta destruindo o chão onde os dois deveriam estar.
—Seus reflexos são rápidos...
—Quem é você? O que você quer?
—Quero o garoto, morto.
—Não darei ele a você. — Bianca puxa diversas adagas e as segura entre os dedos.
—Eu não pedi!
Jeremy se levanta e Bianca joga ele no chão novamente para que ele não seja acertado. Bianca arremessa ao ar suas adagas e sem esforços a controla, o homem atira dois discos em direção a ela, Bianca desvia da primeira e acerta uma das adagas na perna do homem antes que ele percebesse.
Ele se ajoelha. – Eu esqueci como os tigres do vento são rápidos demais, não era pra ocorrer essa comoção toda. Um enorme inconveniente, me deem um segundo. — Diz ele enquanto algumas pessoas na rua param para olhar achando que é algum tipo de atração. Ele tenta amenizar as coisas. — Cá estamos com algumas atrações do nosso futuro circo, logo chegará à cidade, fiquem atentos e tenham um bom dia! — Ele se vira, ainda de costas diz — Fique de olhos abertos. — Enquanto caminha na direção oposta.
Jeremy levanta e Bianca o acerta e fazendo ele desmaiar. Jeremy acorda em sua casa com Bianca ao seu lado:
— O-Onde estou?
— No seu quarto, um doido do circo arremessou coisas estranhas e eu sem querer te derrubei achando que ia te machucar, quem acabou te machucando fui eu. Desculpa!
Jeremy via que Bianca estava mentindo, depois de tanto tempo amigos, ele conseguia reconhecer, mas julgou que ela apenas estava nervosa com o acontecido. — Tudo bem, estou melhor, que horas são?
— Quase... Duas horas...
— Gente, pega leve na próxima, talvez eu não sobreviva.
Bianca ri um pouco nervosa. — Fiz comida pra você, tem carne com batata, salada e arroz, por hora eu vou pra casa, minha mãe já ligou preocupada, amanhã agradeça o diretor pela carona. — Ela pega sua mochila, enquanto os dois saíam, alguns pingos de chuva caem, Jeremy volta e pega o guarda-chuva.
No caminho, ele abre, colocando Bianca ao seu lado. — Pronto, não se molhe. — Ela se aconchega ao lado dele, agarrando seu braço.
Antes de chegarem no metrô, eles passam por um beco, Jeremy olha despretensiosamente e não vê nada. Chegam à estação, Bianca passa pela catraca, eles acenam um pro outro, se despedem com Jeremy cedendo o guarda-chuva a Bianca e acaba voltando na chuva.
No caminho de casa Jeremy passou em frente a um beco e percebeu que agora havia uma menina sentada se cobrindo com um papelão. Jeremy pensou em ajudar, mas sentiu medo de que fosse uma armadilha de assaltantes, começou a correr de volta pra sua casa e ao longe escutou ela espirrar, entra correndo as pressas em sua casa, abrindo seu guarda roupa pega seu casaco de inverno mais grosso e volta correndo ao beco.
— Ei!
—Não preciso... – A menina olhou pro alto, seus cabelos loiros estavam reluzindo pela água e seus olhos eram azul claro. – Não preciso de sua caridade, me deixe (espirro) em paz.
— Mas eu não disse nada, além disso, não banque a forte, você esta na chuva.
—Vou dizer novamente, não preciso de sua caridade (espirro) vou (espirro) me virar (espirro) sozinha.
A chuva começou a piorar e Jeremy segurou sua mão e a puxou. –Chega, dessa forma você vai parar no hospital! Não entenda como caridade, entenda como um favor, mesmo que seja de um desconhecido.
—Por que eu confiaria em você?
— Não precisa confiar, apenas não fique na chuva, depois que ela passar você pode fazer o que quiser.
— Eu posso fazer o que eu quiser agora mesmo (espirro), não é como se você mandasse.
Jeremy respira fundo. — Tudo bem, veste o casaco e vamos.
— Não entendo, você quer levar uma desconhecida até sua casa.
A chuva estava ficando cada vez mais intensa, com uma leve neblina.
— É, vai entender o que esta passando na minha cabeça, talvez eu me arrependa, mas, não de ter ajudado você.
— Certo, se está convicto, vou ceder ao seu desejo compulsivo.
— Não me faça parecer estranho, mais do que já sou, por favor. — Diz Jeremy enquanto agasalha a garota e a guia até sua casa.
— Charlotte.
— Ahn?
— Charlotte, meu nome é Charlotte, é o minimo que posso fazer pelo favor.
— A chuva não me deixa escutar, em casa você diz.
A chuva não deixava nenhum dos dois escutar nada, já que estava somada a ventania.
Charlotte segura em seu braço, vendo que Jeremy não está agasalhado, é o máximo que ela se dispunha por hora.
Jeremy abre a porta da cerca, faz sinal para Charlotte entrar. No hall de entrada, ela tira o cabelo do rosto e pergunta:
— Essa é sua casa?
— Bom eu imagino que sim, porque se não estaríamos invadindo a casa de alguém.
—Um sim bastava.
— Foi mal, pode entrar, sinta-se em casa.
Charlotte murmura. – Se eu tivesse tido uma algum dia...
— Disse algo?
— Não, não.
Jeremy destranca a porta e Charlotte tira o casaco molhado
— Espere aqui enquanto pego uma toalha.
— Ok.
Jeremy molha a casa toda a caminho do banheiro.
— Você esta molhando sua casa toda!
—Tudo bem, eu limpo depois, é mais importante você se aquecer do que a casa ficar molhada.
— Por que você diz que eu sou importante?
— Porque... Eu acho que você não precisa ser tratada de forma inferior apenas por ser uma desconhecida. — Diz ele ao longe no banheiro.
—Entendo...
—Aqui esta a toalha.
— Sua mãe não vai brigar? Você trouxe uma desconhecida até sua casa.
—Ela não se importaria.
—Entendo.
— Vamos comer alguma coisa, estou com fome e imagino que você também — Jeremy da um sorriso. — tem carne de panela pronta, sente-se.
— Ok.
— Antes disso, vou pegar umas roupas secas pra você. Alguma preferência?
— Estando seca esta de bom tamanho.
—Ok.
— Uma calça...
—Ok
— Algo quente...
— Ok
— A camiseta pode ser azul... Gosto de azul.
— Bom saber, vou lá pegar.
— Ei!
—Oi!
— O-Obri- Obrigada...
— Não há de que. — Jeremy sobe as escadas e Charlotte fica sentada à mesa e sussurra a si mesma: – Casa bonita... Bem agradável... Tem um cheiro – Charlotte levanta a cabeça e cheira um pouco a casa. – Tem um cheiro igual a blusa dele...
Jeremy em seu quarto não tinha uma blusa azul, então pegou a que estava mais perto e a calça, desceu correndo e viu Charlotte cheirando sua blusa.– Charlotte? Por que você esta cheirando minha blusa?
Charlotte se assusta. – Senti um cheiro esquisito, fui ver se era sua blusa.
—Ei! Ela foi recém lavada!
— Você quem está dizendo.
—Aqui estão as roupas, mas não tinha azul. – enquanto ele estende as roupas. – O banheiro é ali na porta da direita, tem um cesta onde você pode por sua roupa molhada e eu coloco depois na maquina de lavar.
—Ok, brigada.- Charlotte vai até o banheiro e Jeremy vai pra cozinha.
Enquanto Charlotte se troca, Jeremy coloca as panelas em cima da mesa junto da prataria.
Charlotte sai do banheiro e escuta Jeremy falando sozinho e se aproxima em silêncio.
— Bom, não há o que temer, ela não parece ameaçadora, não foi hostil, gentil até, está tudo certo.
—Se quiser que eu vá embora apenas diga.
Jeremy se assusta enquanto estava agachado pegando os apoiadores, bate com a cabeça na quina e cai sentado esfregando a cabeça. — Desculpa, não era minha intenção insinuar nada, apenas estava falando sozinho.
Antes que Jeremy terminasse sua linha de raciocínio, sentiu a mão de Charlotte segurando em seu braço. — Cuidado, levante-se.
— Desculpa... — Jeremy se recupera. -Esquentemos a comida no microondas.
— Não se desculpe, não te culpo por pensar assim.
Depois de esquentar a comida ambos sentam-se a mesa. Jeremy decide quebrar o gelo:
— Na chuva, você disse algo, o que era?
— Charlotte, meu nome.
— Sou Jeremy, tenho 18 anos, e você?
— 18 também
— Ah, interessante... Você é de onde?
— Você não conhece.
Jeremy entende o recado. — Certo... Vou ligar a televisão, alguma preferencia.
Charlotte termina de comer. — Vou esperar a chuva passar e seguir meu rumo, assista o que quiser.
Jeremy lembrou do dia anterior que dormiu sozinho e ficou incomodado em saber que ela não tinha pra onde ir. — Pode ir amanhã, quando tiver descansado, que tal?
— Não, agradeço sua hospitalidade mas o combinado era só por um momento, estou apenas esperando minhas roupas secarem.
— E se chover outra vez?
— Eu me viro.
— Subindo as escadas, vira a direita, uma porta aberta, ali é meu quarto.
Charlotte ignora e senta-se no sofá.
— Aumente o volume da TV.
— Claro.
Na televisão uma repórter anunciava: "A chuva de hoje que logo se tornou em uma tempestade fez algumas lojas do comercio fecharem mais cedo e o movimento na cidade foi quase zero."
—Nossa, que incomum acontecer isso, talvez amanhã melhore.
A campainha toca e alguém grita lá de fora, uma voz masculina.
— Abra!
—Ahn? Quem deve ser?
—Abra!
Jeremy vai até a porta.
— Quem é?
— Um amigo de sua mãe, ela deixou seu dinheiro do mês comigo porque o banco que ela iria depositar estava em reforma lá no aeroporto.
—Ah... – Jeremy abre a porta e no mesmo tempo recebe um soco no estomago.
—Ah, como você é ingênuo.
Ele agarra Jeremy pelos cabelos, enquanto a outra mão repousa na bengala.
— Quem é você? — Diz Jeremy tossindo.
—Um visitante.
De repente o homem percebe que uma rapieira esta em seu pescoço, Charlotte interrompe dizendo. — Que já está de saída, só não morto por respeito a casa da qual fui acolhida.
— Como dito, estou de saída- Diz ele com um tom irônico. — Vim anunciar minha existência a você Jeremy, como a de outros caçadores de recompensas também, podemos dizer que — Ele gesticula com a mão depois de soltar o cabelo de Jeremy. — você está valendo bastante. Eu sou uma pessoa paciente, os outros talvez não sejam.
O homem vai andando até a porta e após pisar no caminho de pedras ele some com uma rajada de vento. Charlotte guarda sua rapieira e ajuda Jeremy a levantar.
— Você esta bem? Ele te feriu?
—Foi mais o susto... Quem era ele?
— Eu não sei, mas, vou aceitar o convite da estadia por hoje.
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