A lenda de Cydonia
1 As arvores balançam!
Notas iniciais
As vezes nós paramos para pensar por que a vida as vezes parece cruel!. Por que é tão difícil achar alguém que ajude também, que seja verdadeiro e leal, ou por que todas as existências tem um parceiro e você ainda se abraça com um segundo travesseiro na cama. As vezes só queremos se jogar de uma montanha russa, ou ficar tomando café em uma loja Starbucks. Mas muitas dessas vezes, isso tudo, não passa de drama de adolescente.
-SEU PONTO MENINO!
E foi assim que eu acordei da minha auto e inspiradora reflexão da vida, com o cobrador do ônibus gritando no meu ouvindo só para me avisar que eu descia ali, acredita no cretino!? Eu bufei claro, mas não pude deixar de concordar, já estava atrasado para o evento no parque do Ibirapuera. Me chamo Vinicius, tenho 16 anos, e mesmo sendo comunicativo, sou dramático. Desci do buzão (Ônibus no Brasil também é chamado assim — Buses in Brazil is also called so), atravessei a ponte de avenida e logo estava entrando no parque, pelo velho portão 3. Como não pretendo detalhar em mapa minha ida até o locar do evento...vamos resumir algumas partes. Skatistas se jogando na lixeira, dois cachorros transando, dois gatos transando, um casal gay transando – OOU OOU OOU OOOOOU OOOW OOU – um loiro com shorts branco com uma camisa muito familiar, o museu de arte moderna...aah sim, o bosque, o local do evento, ufa cheguei.
Enquanto eu descia o bosque e olhava para o povo do evento ao longe pensava: ‘’Onde estão aqueles cretinos chamados amigos?’’. Logo veio o primeiro correndo em minha direção, o nome do meliante: Lucas Lyu, ou simplesmente Lyu. Ele me cumprimentou, da melhor forma possível.
- Aii sua cachorra, você tá atrasado, perdeu a queimada.
- Foi mal, me distrai com umas coisas no caminho para cá – Retruquei, claro, não mencionando o que resumi para vocês.
Ele fez um ‘’TSC’’ e então continuamos a descer o bosque até o evento. Ao chegar la a primeira pessoa que eu fui cumprimentar foi a tia doa bottons, uma senhora — Não tão senhora assim – que vende bottons por R$1,00. Umas pessoas estranhas vieram me abraçar também, logo ouço duas vozes familiares...
- Olha só quem apareceu.
- O sumido atrasado.
Quando me viro me deparo com Martinato(Marti) um sujeitinho baixinho que daira um bilbo daorinha e a Clara, uma garota de cabelos curtos e pele branca como algodão, respectivamente, vindo em minha direção. Rolou aquela coisa gay de amigo e abraços. Começamos a bater papo e jogar conversa fora. O evento já havia começado e...estava uma droga, até que um dos staffs anunciou:
- O caça a bandeira ira começar.
Não se via mais uma alma penada, todos foram para os lados de seus times, Marti, Lyu e Gabs me puxaram para o lado do nosso time. Logo eu fiquei mais animado. O caça é assim, anima qualquer um. Pegamos algumas espadas de plástico e nos preparamos.
Para quem não sabe, o caça é um rouba bandeira, só que com espadas, de mentira claro! Enquanto montávamos a estratégia, Lyu estava aos beijos com uma loira... Não pensem que ele é o garanhão da historia, porque não é...era apenas sua namorada, Julia, eu acho, era isso mesmo produção? Bom, para todos os efeitos chamamos ela de Jujubs( Por que? NHA eu não faço a mínima ideia).
Como bom solteiro, me virei e dei uma afastada para não segurar vela. Ao chegar ao meu novo point para ouvir a estratégia, vejo Thalles e Lorenna, também namorados e também se beijando. Como bom solteiro, fui para frente para não segurar vela. La pelo menos dava para prestar atenção na estratégia de como iriamos pegar a bandeira do outro time, que no caso era a do time vermelho.
- E então Gabs e Vini irão cortar por cima com espada e arco e flecha – Terminava Marti sobre a estratégia. – Então eu invisto com minha lança para a Clara poder passar, entenderam?
- Sim! – Todos falaram, todos menos uma pessoa, CLARA!
- Cadê a Clara? – Perguntei no mesmo instante em que percebemos seu sumiço.
- Ela tava aqui desde o começo? – Perguntou Gabs
...
Um silencio pairou no ar... mas não durou muito, uma menina vinha aos berros, era a Leticia, que vinha correndo com uma cara nada boa...
- Gente...a Clara...tava com aquele cara do shorts branco xadrez...
- O que??? – Perguntaram todos, e eu moscando na fita.
- Eu vi eles... – ela continou – Indo em direção ao bananal.
Todos arregalaram os olhos, senti algo dentro de mim, mesmo sem saber desse sujeito, eu sabia que o bananal não é um bom lugar. Pegamos as armas (as de mentira gente) e corremos todos para o bananal, até os dois casais la...eca eca.
Enquanto corríamos perguntei ao Lyu
- Quem é esse cara que a Leh falou?
- Não sei bem ao certo, não o conheço...mas até onde sei, um pedófilo.
- Sim e não avisamos isso para a Clara – Continuou jujubs.
- Então ela está mesmo em perigo! – Indaguei
- O que você acha oo seu gênio de araque. – Me fitou Gabriela. Ela tinha esse jeito simpático e adorável.
Corremos com todas as nossas forças, mas quando viramos na rua do bananal, já era tarde... Clara Batista havia sido estuprada e estava ali, largada no chão. Recolhida, chorando. Todos nos paralisamos, não sabíamos o que fazer também. Olhamos em volta, mas o canalha havia fugido, e o pior, não havia mais ninguém ali. Foi algo muito rápido, eu mesmo não acreditei.
A Gabs e a Leticia foram as primeiras a se aproximar para tentar acalmar Clara. Ela estava no chão, sem roupa, a as mesmas estavam rasgadas no caminho. Devagar as meninas a levantaram, eu estava com uma jaqueta, corri para cobri-la. Apesar que deve ter sido muito constrangedor para ela eu ir cobri-la. Sentamos com ela no gramado.
Logo os demais se aproximaram, ela estava aos prantos, e nós não tínhamos o que dizer. Logo Thalles soltou algo que não deveria,e não foi um pum.
- Que estranho!
Todos o fitaram.
- O que pode ser estranho amor, ela ter sido estuprada em pleno evento? – Criticou Lorenna. Não queira entender essa relação deles, um oposto ao outro desse jeito mesmo, mas se atraem que pelo amor.
- Não! Esse cheiro!
Todos pensávamos que ele se referia ao pum, mas não era. O ar estava mesmo estranho, cheiro de carbono com enxofre, eu reconheci por causa das aulas de química, estraguei algumas coisas no laboratório assim.
Todos cheiraram o ar e logo o odor entraram em suas narinas.
- É cheiro de carbono com enxofre! – Disse Lorenna – Eu sei por que quase coloquei isso no cabelo de uma menina que deu em cima do Thalles.
As lagrimas de Clara secaram, e nossas expressões em rosto eram outras. Junto com o ar, as arvores começam a balançar e o céu ficou nublado. Pessoas normais diram: CHUVA! Mas algo nos dizia que não era chuva. De certa forma ainda bem para Clara, que estava sem roupa nenhuma, se chovesse ela iria dançar na pneumonia.
Era algo pior do que chuva. O evento soprou mais forte, aquele cheiro insuportável estava aumentando, folhas eram levadas aos ventos e as arvores balançavam tanto como se as mesmas quisessem fugir, correr ou se esconder. A ventania pirou e agora batia fortemente em nossos ouvidos que machucava, os galhos das arvores tocavam o chão de tanto balançar, e tanta poeira subiu que tínhamos que fechar os olhos, abríamos de relance. Todos se juntaram ao redor de Clara, para ‘’protege-la ‘’.
Abri meus olhos, estavam bem cerrados por conta da ventania, mas logo a frente, ao nosso norte, depois do balançar das arvores, se via uma outra paisagem, uma diferente, que não deveria estar ali, pois ali a alguns segundos estava no chãos natural também. A paisagem era calma e serena, com um sol radiante. Peguei na mão de Clara e gritei.
- Deem as mãos e me sigam todos!
E todos o fizeram. O vento nos jogava em direção contraria a paisagem, lutávamos para chegar até la, e o vento não deixava. O cheiro de carbono com enxofre só aumentava e por algum motivo, aquilo fez nossos narizes começar a sangrar. Fui persistente em puxar todos, e todos foram persistentes em não desistir.
- Estamos quase la! – Eu disse.
- Quase la aonde? – Perguntou Lyu
E nesse mesmo instante, aquela linda paisagem desapareceu, o vento sessou e as arvores se aquietaram. Abrimos nossos olhos, secávamos as narinas. Quando então um feixe de luz muito forte veio daquela direção direto em nossas retinas. A ultima coisa que me lembro era de ter a mente apagando rapidamente e antes de fechar totalmente os olhos ver os outros caindo e Clara caindo em cima de mim.
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