Depois de tomar banho, fiquei me perguntando se havia acabado de delirar. Talvez Anthony fosse apenas algo que imaginei. Talvez fosse um maníaco. Eu precisava descobrir.

Estou me penteando em frente ao espelho do meu quarto. Dou uma espiada no meu relógio. Demorei 3 minutos para tomar banho. Laura Hatmann, prática como sempre.

Encaro a minha imagem no espelho. Se o que Anthony disse for verdade, o que essa, que não está conseguindo desatar um nó no cabelo loiro, pode fazer por ele?

Calço minhas botas e desço as escadas. Estou pronta.

Anthony me espera sentado em um batente. Está olhando para o nada, perdido em pensamentos. O vento faz seu cabelo negro estapear seu rosto. Pela primeira vez, analisando-o do ponto de vista no qual ele não está invadindo a minha casa, percebo que suas feições são harmônicas e que ele é um rapaz naturalmente bonito.

Chego, fico de frente para ele e ponho as mãos na cintura.

– Vamos? — Digo.

– Vamos. — Ele se levanta rapidamente, batendo as roupas, talvez para tirar a poeira.

Permanecemos um tempo andando sem dizer nada, observando as folhas que ainda caem nesse final de outono.

– E então? — Começa ele. — Vi você chegar com o uniforme da Escola Católica de Viena mais cedo. Gosta de lá?

– Sério? Chego com aquele uniforme horroroso e você me pergunta se eu gosto da escola?

Ele solta uma risada. Parece estar se divertindo.

– Então me diga, Laura. — Prossegue. — Por que acha aquele uniforme horroroso?

– Porque a saia é da cor de papinha de bebê. E a blusa também. E aquela gravata é um exagero.

Anthony arqueia uma sobrancelha. Ele tem um típico sorriso de canto de boca.

– E por que você se interessa por uniformes bonitos? — Pergunta ele.

– Não me interesso por uniformes bonitos. Só não precisava ser tããão ruim.

– Uniformes só servem para uma coisa e o próprio nome já diz. Para manter a uniformidade. Além do mais, uniformes branquinhos já estão ficando comuns e clichês. A Escola é só uma etapa pequena da vida, Laura. Depois de uns cinco anos, ninguém mais se lembra de como o uniforme era ridículo, ou quem era a pessoa mais inteligente, ou quem era a pessoa mais bonita...

– Ah, por favor. — Chuto umas três folhas que caem na minha frente. — Eu só disse que o uniforme era feio, e não que tinha todo um debate filosófico sobre isso.

– Bem, tem. Eu só quis dizer que... Uma hora as coisas param de importar.

Não respondo. Anthony não sabe o quanto suas palavras fazem sentido para mim. Minha irmã... Sinto uma dor no peito. Prefiro não pensar nela agora, para manter o equilíbrio.

Chegamos ao Café. Há várias pessoas entrando e saindo, o que me anima. Entramos e logo procuramos uma mesa. Anthony é muito gentil ao puxar a cadeira para mim, e sorrio.

– Você precisa prometer — começa ele — que não vai contar nada do que eu disser para ninguém.

Faço uma cara desconfiada. Anthony fica sério, e seu olhar parece me cortar por dentro.

Se eu já comecei, preciso ir até o fim.

– Prometo. — Respondo.

Notas finais
Se houver erros de ortografia, por favor avisem.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.