A leitora que esqueceu sua história
6 Como eu conheci a Cassie
Notas iniciais

P.V. Theo
Como eu conheci a Cassie?
Meu tio foi um oficial do governo, em 2000, e adquiriu nos anos como oficial muitos artigos e histórias fantásticas. Quando eu era pequeno, ele me contava a história do viajante no tempo, contava que existia uma maquina do tempo que apenas uma vez foi vista em ação, que um cara louco havia entrado na maquina no meio de um shopping, dizendo que era possível viajar no tempo e mudar as coisas que havíamos feito de errado, o vovô disse que o cara nunca mais foi visto depois de entrar na maquina, mas que ele, o vovô, tinha ganhado a maquina com a sua aposentadoria, óbvio que eu acreditava e ficava maravilhado.
Ano passado, quando completei 20 anos, meu vô faleceu, foi uma enorme perda para mim, ainda mais quando soube que tudo que era seu, ele colocou em meu nome. Acabei descobrindo a maquina que ele tanto falava em sua casa, aquela que nunca voltou a funcionar, e a liguei, entrei dentro dela, e tive uns cinco ataques cardíacos em menos de três minutos, mas quando abri os olhos, não estava mais na sala do meu avô, eu estava em um pequeno porão. Eu me desesperei, é claro, não achei que a droga da maquina fosse funcionar, então apertei em todos os botões possíveis até sair voando novamente para casa. Assim que voltei, contei tudo para a Zoe, que me chamou de maluco, e depois de eu sair da casa do vovô, até eu achei que estava maluco. Mas as 5:27 da manhã eu acordei e não consegui dormir, só pensava na maquina e o que eu poderia encontrar, a descoberta que eu faria para o mundo, e essas coisas, então, logicamente, eu levantei e fui a casa. Dessa vez quando cheguei, onde quer que eu tenha ido, eu me permiti olhar para os lados, e dei de cara com uma menina me encarando pasma. Ela gritou e me deu belos tapas, me acusando de invasão, mas eu sai da maquina e após tampar a boca dela, expliquei. A menina encantadora dos tapas, era a minha Cassie, que se apaixonou pela possibilidade de conhecer o futuro, e como eu havia me encantado com ela assim que a vi, eu mostrei a ela tudo de melhor de 2017. Demorou, mas ela também começou a me amar, conheci um pouco do seu tempo também, e aprendemos muito juntos sobre a maquina e a diferença do mundo nos dois tempos. Apresentei ela a meus amigos, a minha família, a tudo da minha vida, e depois de um mês comecei a nomeá-la namorada. Dei de aniversário para ela um celular, que ela custou a aprender a mexer, e descobrimos que não era possível falar quando ela não estava em 2017. E o mais incrível, ela me contou que o pai dela contava a ela também a história do viajante no tempo, não o cara louco, o sonhador que acabou se prendendo em 1950 e apos construir uma família resolveu aposentar a maquina deixando-a no porão, o viajante era o pai dela. Eu não só a amei, como amo até hoje, cada detalhe da Cassie, cada segundo que passei com ela é inesquecível, e pensar que se não fosse a droga da maquina do tempo, eu poderia nunca conhece-la; perde-la doí, mas não posso suportar pensar que poderia nunca ter ouvido sua risada, segurado sua mão ou beija-la.
Foi a uns dois meses atrás, eu tava preocupado com nossas viagens no tempo, a Cassie tava tendo dores de cabeça fortes e teve um dia, que meio que deu um branco na cabeça dela, e ela vagou por uma hora aqui pela rua, até o porteiro vê-la e me avisar. Quando ela melhorava sempre tínhamos a mesma briga, eu queria que ela não viesse mais, que ela ficasse protegida com sua família, na ultima ela jogou um vaso no chão e foi embora chorando. Odeio vê-la chorar, mas eu precisava que ela ficasse bem, mesmo que fosse longe de mim, nos reconciliamos depois disso, mas foi só para termos mais e mais brigas. Então eu disse que não amava ela e ela foi embora, me amaldiçoei milhões de vezes até que fui procura-la, e neste mesmo tempo ela veio me procurar, quando os dois entraram na maquina ao mesmo tempo aconteceu uma explosão. Vi ela saindo de uma maquina, enquanto eu saia de outra, estávamos lado a lado, a Cassie correu pelos escombros incansavelmente até encontrar seus pais mortos, nunca tinha visto ela tão abatida, ela chorou em meus braços, e quando parou seus olhos estavam fundos e sem vida, ela não me respondia, apenas ficava ali semiconsciente. Eu corri, não ligando para o mundo destroçado a nossa volta, metade 1967 e metade 2017, até a clinica mais próxima; ela não dormiu, no quarto ela ficou deitada olhando para o mesmo ponto por horas e dias, e quando acordou, ela não era mais ela. Eu vi o corpo da Cassie ali, vi a Cassie do dia que nos conhecemos, não era a minha Cassie, ela não lembrava de mim, e esse foi o meu desmoronamento, não sabia como levantar minha estrutura novamente, então fui embora.
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