A leitora que esqueceu sua história
1 Quando eu toquei em todos os livros
Notas iniciais
Nunca vi algo tão perfeito quanto este lugar!
A alta construção se ergue aos meus olhos, portas grandes o suficiente para que transpasse minha casa, a cor parece ter sido feita para o lugar- sabe quando dizemos, "é a cor do mar" ou "é a cor de ferro", por exemplo, o mar não é azul e o ferro, sei lá que cor, eles criam sua própria cor, a partir do momento que a cor é tão eles mesmos- sempre que eu ver esta cor, direi "é a cor da biblioteca!". O burburinho da rua, dos carros e das pessoas falando, fica para trás assim que entro, mesmo parecendo ter mais pessoas ali dentro do que fora, pessoas sentadas, deitadas, inclinadas, escalando prateleiras, pessoas que sabem o quão sagrado é o lugar em que estão. O salão tem no minimo 12 corredores, em todos eles tem as estantes repletas de livros, no canto esquerdo da sala tem uns 10 computadores e no direito tapetes, sofás e almofadas para o conforto daqueles que lêem, mas o que me chama a atenção são os carrinhos, carrinhos como de supermercado, um pouco menor e em grande quantidade estacionados na ponta do primeiro corredor.
— Cassie! Terra chamando Cassie!- Zoe me acorda do transe me chacoalhando.
— Estou falando com você desde que entramos aqui. Olha só, você queria vir, então te trouxemos, agora temos que ir.
— Já?
— Sim, Cass. Mas antes você pode parar de ser idiota e responder o Theo?- Connor me encara esperando a resposta.
—Affs!
O negócio é o seguinte: Hoje quando acordei eu vim ver o Theo, achei que ele ia adorar, que estava com saudade assim como eu, mas ele brigou comigo, disse "não podemos ficar fazendo isso, Cassandra! Estamos mexendo com o tempo" e blá blá blá. Então eu chamei ele de babaca, joguei o vaso de cima da mesa no chão e sai, liguei para o Connor que me resgatou aos prantos e me trouxe em um lugar que eu disse que me acalmaria. A questão é, se ele brigou comigo por está visitinha, imagina quando souber que quero fazer disso fixo, não quero mais ficar lá, é aqui o meu lugar.
— Ignorar ele não vai adiantar- levantou meus olhos úmidos do chão e encaro a Zoe- ele quer te proteger, por incrível que pareça. Ele só não sabe fazer isso e acha que se as coisas continuarem normais, e vocês não interferirem no que não conhecem, vai dar tudo certo.
Dói ficar longe dele.
—Pode me emprestar o telefone?— Zoe me alcança o celular e disco o número que tanto conheço.
—Você pode vir aqui?- minha voz sai embargada, mas contente por ouvir o seu "alô".
A imagem final é a seguinte:
Eu dentro do carrinho — onde deveria ficar apenas livros — Theo empurrando o carrinho, enquanto tenho a oportunidade de tocar em todos livros em velocidade não permitida dentro de uma biblioteca, uma bibliotecária bem furiosa e descabelada ao nosso encalço, e a melhor reconciliação de todos os tempos.
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