A justiceira e a ceifeira
1 Capítulo Único
Notas iniciais
O vento batia nos cabelos de Kayle, que andava sem capacete, seus cabelos louros ao vento lhe trazia uma sensação de liberdade. Desde que a Liga foi criada, Kayle não tinha paz, procurava os melhores guerreiros por Runeterra, mas agora era uma justiceira. Não cuidava mais da Liga, agora era uma integrante, suas asas pesavam mais, seu cabelo já não era tão brilhoso, seus olhos azuis não refletia mais a felicidade e sim a esperança de dias melhores. Sua aurea angelical ainda dominava sua mente, nunca havia se convertido ao mal, e tentava manter a paz onde estivesse. Apesar de sempre lutar com Demacia contra Noxus e mostrar seu patriotismo, a Liga já tomava muito do seu tempo e ainda ter que guerrear por motivos ideológicos contra uma nação sem medo da morte e que matavam sem motivos, deixava ela cansada.
–Por muitos anos eu lutei sem esperanças! Hoje percebo que nem tudo está perdido. Tudo ainda pode melhorar, eu acredito na paz! Hoje como juiz da Liga e como uma das líderes de Demacia não preciso participar da guerra, mas já vi tanto corpo no chão, tanta pessoa morrer sem nem saber porque lutava, já vi tantos amigos partirem, já ouvi tantos guerreiros, em seu ultimo suspiro de vida, me dizerem para ter força e continuar. Talvez eles acreditassem no mesmo que eu acredito. — Kayle pensava alto, como se falasse com o Sol que se punha por trás das montanhas, olhava para o seu capacete, cheio de marcas de batalha, e se emocionava.
Kayle já conhecia seus principais inimigos de batalha contra Noxus: Darius, Draven, LeBlanc. Estes sempre estavam afim de uma briga, sempre que podiam arrumavam alguma intriga para gerar um conflito entre Demacia e Noxus. Principalmente LeBlanc, está já havia sumido há muito tempo, a última confusão dela foi quando Jarvan IV sumiu, depois disso nunca mais foi vista. Conhecia outros inimigos perigosos como Swain, este era o general do exército de Noxus, era frio e calculista, porem, apaixonado por LeBlanc, e depois que sua amada desapareceu não havia mais aparecido no campo de batalha. O mundo já estava cansado, Piltolver, Freijord e outros lugares de Runeterra já haviam sido afetadas pelas inúmeras batalhas entra as duas grandes nações.
Mas Kayle tinha uma briga pessoal com uma Noxiana, muitos chamavam ela de "Anjo da Morte", outros chamavam de "Ceifadora", e era assim que Kayle gostava de chamá-la. Seu nome era Morgana, e elas tiveram seu primeiro conflito há muitos anos. As duas eram guerreiras com pensamentos opostos, Kayle queria fazer o bem e evitar o máximo de mortes, quando punha seu capacete e pegava sua espada na mão. Já Morgana pensava apenas em matar, ela acreditava que tinha sido mandada para isso. Kayle não entendia sua rival, Morgana tinha perdido a memória, e não se lembra donde e nem como surgiu, alguns noxianos contam que ela caiu do céu com asas negras, e repetia inúmeras vezes que tinha perdido seu posto de anjo no céu. Outros noxianos contam que ela simplesmente surgiu enquanto a chuva caia em uma noite sem Lua, ela simplesmente apareceu dentre uma fumaça roxa.
Kayle não se importava com a história, porém ainda tinha pesadelos com a noite do conflito. A cinco anos atrás, Kayle andava sem preocupação pelas terras dominadas por Demacia, era uma floresta, que já havia muitas árvores cortadas, boa parte de seu território se tornaria uma área de mineração, Noxus estava de olho, com certeza, mas ainda não tinha mostrado suas garras. Estava tudo normal naquela noite, não chovia, a Lua iluminava o caminho, tinha acabado de sair do treinamento dos guerreiros de Demacia e queria sentar para descansar e pensar um pouco. Mas em poucos minutos tudo mudou, a Lua foi encoberta por nuvens negras, logo a chuva começou a cair, Kayle achou tudo aquilo estranho, mas estava relaxada demais para se incomodar com isso. Então surge por entre as árvores, um ser encoberto por uma camada roxa, tinha asas e era pálida, seus olhos brilhavam com uma cor púrpura brilhante. Kayle pela primeira vez tinha sentido medo, a energia que aquele ser trazia consigo era aterrorizante, deixou tudo diferente e Kayle agora tinha superado o medo e queria saber o que era aquele ser, donde era e qual era o seu nome. Enquanto faziam uma troca de olhares, o olho de Kayle tambem começou a brilhar, era como se elas já se conhecessem há anos e suas energias se repelissem.
–Quem é você? – Kayle perguntou, em um tom firme, sem deixar seu medo transparecer.
–Eu sou um anjo caído
A ceifeira que veio te pega
Sou a morte
E seu corpo vou levar
Não pense que será fácil
Então nem tente lutar
Com a minha prisão
Você não vai escapar
Com a minha poça de dor
Pro inferno vou te levar
E meu escudo vai me proteger
E em segundos estou ligada à você
Em pouco tempo vou te atordoar
E sua alma vou levar
Por um momento vai pensar
Que estava prestes a se suicidar
E que nada aconteceu
E em um pesadelo você morreu
Mas isso vai acontecer
Sem você perceber
E mesmo depois de morta vai lembrar
Que um anjo veio te matar
Mas agora peguei você
Acabei de te prender...
Eu sou a Morgana
Depois de uma apresentação dessa, Kayle, agora estava realmente com medo, era como se a presença daquele ser estivesse em todo o lugar, as nuvens roxas se expandiram e agora faziam uma pressão entre seu corpo, quando percebeu estava realmente presa, aquele ser que estava longe agora estava cara a cara com Kayle, a cavaleira estava com o rosto pálido, sem emoção, Kayle suava frio, mas em um momento de enfurecimento, a guerreira Demaciana novamente apareceu quando aquele ser de asas roxas perguntou:
–E você quem é?
–Eu sou um anjo
De asas brancas
E meu ponto mais forte
É a esperançança
Confiança, determinação
E sem você perceber
Já está no chão
Não importa o meu oponente
Eu nunca vou desistir
Não importa a batalha
Eu sempre vou evoluir
E se me ver sem capacete
Seu destino é certo
Seu corpor ficará enterrado
Em um cemitério
Aqui perto
E em um momento
Minha espada fogo irá lançar
E rapidamente, seu corpo
Em fogo irá se tornar
Mas preste atenção
Só vou dizer desta vez
Tudo irá acontecer
Antes de você contar até três
Eu me chamo Kayle...
O ser de asas roxas se afastou, olhou nos olhos de Kayle que agora brilhavam, mas não se deixou intimidar porém a prisão foi desfeita, Kayle conseguia se mexer normalmente, e sua espada pegou fogo. Morgana na tentativa de provocar ainda mais a guerreira.
–Vou contar até três e eu te mato. 1... — a espada entrou em chamas — 2... — Kayle ficou em posição de ataque e uma espera de fogo tacou — 3... — Morgana mal pode ver mas seu corpo estava pegando fogo.
–Boa contagem, exatamente antes do três você já pegava fogo, mas ainda não tinha percebido. Sua insolência me irrita de uma forma incrivel Morgana. — Kayle tambem tinha sido pega de surpresa, mal pode ver, correntes vindas de Morgana agora estavam ligadas em si, e cada vez aquilo sulfocava mais, cada vez mais seu corpo ficava preso.
Kayle, porém, era inteligente, antes que prendesse seus braços conseguiu soltar outros golpes com a sua espada flamejante, Morgana viu que estava em desvantagem, porém sabia que aquelas correntes iriam despedaçar Kayle, mas iria demorar.
Morgana então consegue pegar Kayle de surpresa. Consegue avançar rapidamente em Kayle, que começa a sentir seus pés serem queimados e arranhados ao mesmo tempo, era um poça, mas não era comum, Que merda é essa?, pensou Kayle, a poça era roxa e havia mãos segurando seus pés enquanto tentava sair.
–Você está morta! — Morgana provocava Kayle
Em volta de Kayle nasce uma áurea amarela, um escudo divino e solta ela das correntes que seguravam seu corpo, deixava seu corpo leve e rápido, conseguiu sair de cima daquela poça, e foi pra cima de Morgana, o fogo em seu corpo já tinha passado, era temporário, Kayle tirou sua espada da bainha voou até Morgana olhou naqueles olhos roxos sem compaixão, seria mesmo a morte que tinha vindo te buscar, Kayle sabia que podia ser, mas não seria daquela vez que Kayle morreria, quando chegou perto de Morgana, foi presa novamente e Morgana sumiu, as nuvens roxas desapareceram e Kayle escutou um sussuro em seu ouvido.
–Não tem como matar a Morte
Não tem como machucar a própria dor
Não tem como vencer aquilo que te domina
E que está certo
A morte voltará, e tu precisará de sorte
E você não será salva pelo seu amor
Você pode ser forte, isso me fascina
Mas não esqueça que eu estarei sempre por perto.
Kayle em um surto gritou em direção ao céu, em forma de resposta.
–Não ganhará de quem sempre ganha
Não terá de volta, o que nunca foi seu
Não poderá machucar quem nunca se feriu
E que não sabe o que é a dor
Conseguir fugir é sorte, mas me matar é uma façanha
Eu nunca pertenci a morte, e o céu é todo meu
Você me pertubou, mas você sentiu
Que quem sempre ganha é a justiça e o meu calor.
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