A ira dos elementos
1 Capítulo 1
Notas iniciais
E me perco quando não estas aqui
Se te vejo ao meu lado é inevitavel um final feliz
Em você encontrei tudo que eu sempre quis"
Sempre quis - Strike
Capítulo 1
-MICHELE! VAMOS! – Ouvia-se o grito do indivíduo — Vamos nos atrasar!
Michele olhou para o relógio que estava na parede à sua frente. Faltavam 20 minutos para 7:00h. De fato, para quem ainda teria que fazer o caminho oposto ao do colégio para encontrar com alguém, seria tarde.
A lógica usada pelos três amigos para irem para a escola juntos, era falha. Primeiro o amigo A, que mora perto do amigo b, no mesmo caminho da escola, iria pegar o próprio amigo b. Depois, os amigos A e B voltavam para pegar o amigo C. E os três, novamente iriam a caminho da escola. Nesse caminho ficavam a casa do amigo A e B respectivamente.
Tudo porque o amigo C não poderia percorrer o caminho sozinho. Mas, como eles eram muito amigos, esse sacrifício valeria a pena. A e B não eram bem amigos, eles eram...
- Oi, meu amor! – Michele falou sorrindo, mostrando seus lindos dentes brancos.
- Oi, gatinha. – Bruno falou, beijando os lábios doces de Michele.
Os dois se encararam olho a olho por 5 segundos, ambos com um sorriso no rosto.
-... Caixas? — Bruno f alou, olhando pelo ombro de Michele. Ele era claramente mais alto que ela.
Michele respondeu a pergunta do seu namorado, apenas abaixando a cabeça.
- Acha que... Vocês se mudarão? – Bruno insistiu em indagar.
- Eles... Eles não me dizem...
Ao ver o rosto da sua amada triste, Bruno abalou-se. Passou sua mão pelo rosto da garota à sua frente e o levantou. Aproximou o seu rosto do dela de deu-lhe um beijo na testa.
- Não se preocupe... – Ele disse, com um sorriso tímido no rosto – Não deixarei ninguém te levar para longe. – Completou a abraçando.
Ela respondeu aquilo, contribuindo ao abraço. Acomodou a sua cabeça no peitoral forte do seu único. Do seu amado. Sentiu seus olhos se esquentarem. Ameaçavam derramar lágrimas salgadas. Seu sódio ardia o olho, doendo também o seu peito. Ela prometera não chorar. Não mais.
Afastou seu rosto do corpo de Bruno e olhou para cima, se encontro aos olhos dele. Deu um pequeno sorriso, que não dava para dizer ao certo se era ou não um sorriso.
- Está na hora de busca-lo. – Ela falou tão baixo, que quase não era possível ouvir.
- O Paulo? Mas não é possível... – Bruno falava em um tom alto – Você... Você só pensa nele.
Bruno foi se aproximando de Michele, que por sua vez foi dando passos para trás.
Um brilho foi se formando na mão levantada de Bruno. Sim, ele tinha poderes. Não só ele. A Michele e o Amigo C, ou Paulo, também tinham. Eles eram “Shynais”.
Shynais são seres que controlam os elementos. O Fogo. A água. O ar. A terra. E um 5º elemento. Este, só é possível ser controlado por o Shynai V. Existiam dois tipos deles. O tipo V e o tipo I. O tipo V controla todos os elementos e o 5º, que era um especial, ninguém mais o controlava. Até onde se sabe, só existe um desse tipo. A Michele. O mais comum, se é que se pode chamar de comum, é o tipo I. Que só controla um elemento.
O Bruno, namorado de Michele, tem o estimado poder de controlar a água. O Paulo, o fogo. Elementos opostos. Uma batalha entre eles tem o poder de destruir uma cidade inteira.
- NÃO! – Michele gritou. Fagulhas começaram a sair de sua mão.
O brilho na palma da mão de Bruno se dissipou. Ele sorriu, inclinando um pouco a cabeça. Seu sorriso apenas levantava uma parte dos lábios. Ele nunca mostrava os dentes. Michele achava isso fofo.
- Bobo... – As fagulhas na mão de Michele também sumiram assim que ela serrou os punhos – Não me assusta assim...
Bruno deu o seu próprio sorriso, novamente com a inclinação da cabeça. Ah... Como ela o adorava. Ela adorava o jeitinho dele. O seu toque. O seu beijo. Ele todo.
- Mãe, eu estou saindo. – Michele falou em um tom mais alto, parando um pouco em frente à porta. Aguardou 8 segundos, mas não obteve resposta alguma. Olhou para o chão, suspirou e começou a andar, desta vez, saindo de casa. Bruno não sabia como reagir.
Ela não podia demonstrar fraqueza, dor. Deveria esconder isso. Ela não queria ser fraca. Ela não era fraca. Mas ser forte cansava. E ela precisava de um apoio. E acreditava que esse apoio seria o Bruno.
Como de costume, os dois caminharam para o caminho oposto ao da escola, para pegar seu amigo Paulo. No caminho, ninguém se atrevia a falar. Um silêncio constrangedor dava uma aura de distância entre os dois. Michele estava de cabeça baixa olhando para o chão. Bruno não sabia se mantinha o olhar para frente ou para o seu lado, onde estava sua amada.
— Sinto muito. – Michele falou, dando uma pausa no silêncio. – Por te envolver...
Bruno não sabia o que responder, não estava entendendo o que sua namorada falou. Ficou um momento olhando nos olhos dela, como os dois haviam parado, e respondeu:
— Não me envolve.
Nesse momento, Michele retomou seu olhar para o chão e seguiu em frente. Foi interrompida por Bruno que segurou seu pulso.
— Mas deveria. – Bruno completou.
Michele olhou para ele com uma expressão um pouco assustada mas calma e tranquila. Olhou para o lado lentamente, abaixando o olhar, soltou-se das mãos de Bruno, e novamente olhou nos olhos azuis de seu namorado.
— Não... Não posso...
— Sim, Michele. Você pode confiar em mim...
— Não é questão de confiança. É que...
Não. Michele não podia contar. Não devia. Tinha que se livrar do apoio de pode erguer sozinha. Sem a ajuda de ninguém! De nada! Ela viu a expressão do seu namorado. Uma expressão de decepção e culpa. E sentiu uma dor no seu peito. Virou a cabeça para baixo e tentou continuar:
— Não dá...
Por quê? Michele tem se mostrado tão forte, pensava Bruno. Por que ela precisa tentar ser tão forte? O que ele estava fazendo ali, então? Ele queria apoia-la. Era para ajuda-la que ele existia. O seu mundo gira em torno dela. Ela é o sol que o aquece. Mas o planeta existir ou não, não irá trazer diferença para o sol. A existência dele não a influencia. Não a ajuda.
Ele não respondeu. Simplesmente ergueu a cabeça e continuou a andar. Ninguém sabe o que ele sentiu naquele momento. Raiva, ódio, desprezo, decepção, tristeza...
Se Michele não queria contar com ele, ele não iria contar com ela. Não. Ele não podia fazer isso. Ele não conseguiria fazê-lo.
Depois do que pareceu uma eternidade, mas na verdade tinha sido só alguns minutos, eles chegaram à casa de Paulo. A casa era grande, maior do que a de Bruno ou a de Michele. Tinha um lindo jardim na frente, com uma mesa onde os três costumavam sentar para lanchar, estudar ou simplesmente conversar.
Paulo já estava na porta, batendo o pé. Quando avistou os dois que acabaram de chegar, correu até eles, deu um abraço na Michele – O que fez com que Bruno cerrasse os punhos – e em seguida um aperto de mão no amigo.
Logo depois dos cumprimentos eles correram para a escola. O relógio já batia 07h00minmim. Seria sorte se conseguissem entrar. Na correria Michele tropeçou em uma pedra e caiu no chão.
Michele se ajoelhou e gemeu. Seu joelho estava sangrando. Paulo e Bruno pararam e olharam para ela.
— Continuem sem mim! – Ela gritou, fazendo drama.
— Nunca! – Paulo falou antes que Bruno demonstrasse alguma reação.
Ele pegou Michele nos braços e correu. Bruno o acompanhou sem reagir. Michele estava com seu coração batendo a mil. O que Bruno estaria pensando? O que ele estaria sentindo?
Espera! Michele estava se mostrando fraca! Por que diabos teria que ser carregada por um mísero arranhão no joelho? Deu um salto do colo de seu adorado amigo e “pousou” no chão evitando encostar o joelho no chão. Em seguida, correu. Correu muito. Deixando os dois meninos para trás.
Chegou no portão do colégio e parou. Estava fechado. Ninguém mais saia ninguém mais entrava. Logo Bruno e Paulo chegaram. Bruno olhou mais para o joelho de sua amada do que para o portão fechado da escola.
Os três estavam ofegantes e cansados. Eles viram uma silhueta correndo em direção a eles. Era Miranda. A CDF do colégio. Seus cabelos ruivos e compridos estavam presos em um rabo de cavalo, com mechinhas soltas do lado. Ela chegou no portão, e ao perceber que não iria mais entrar, bateu sua mão nele ao mesmo tempo que dizia: “Droga”! E foi caindo vagarosamente de joelhos no chão, tentando esconder o seu rosto na grade.
Ela se virou e só aí parecia ter notado seus colegas de classe ao seu lado. Olhou para eles com olhos arregalados. Seu olhar foi desviado somente para o Paulo. Por 2 segundos.
— Isso é sério? – Ela indagou.
— O que, Miranda? – Paulo perguntou.
— Além de me atrasar, estou acompanhada de vocês?
Michele, Bruno e Paulo se entreolharam. Ninguém falava uma palavra. Mas, de repente...
— Michele!! Seu joelho!!
— O que é... AAH! – Michele gritou ao olhar para o seu joelho que espalhava seu sangue em sua perna.
Desta vez, Bruno não ficou sem reagir. Pegou sua amada em seus braços, em seus fortes braços que Michele amava, e correu para um posto, deixando os outros dois atrasados para trás.
— Eu não... – Resmungava Miranda, enquanto Paulo ficava calado – Eu nunca...
— Todo mundo se atrasa um dia. Acalme-se! – Paulo falou sentando-se à um metro de distância dela.
— Me... Acalmar? ME ACALMAR? – Michele gritava com desdém – Eu nunca me atrasei, vou perder aulas, ficar com falta marcada, e você manda eu me ACALMAR?
— Se estressar é que não vai adiantar. – Bruno respondeu calmo.
— Tem razão...
Um silêncio pôs uma aura constrangedora entre os dois jovens. Só ouvia-se o relógio do pulso da garota fazendo tic... Tac... Tic... Tac...
— Paulo... – Miranda falou, ainda com a cabeça baixa – Eu gosto... Eu...
Paulo prestava atenção. Mas foram interrompidos por Michele e Paulo. A garota já estava com um enorme curativo em seu joelho. Uma brisa suave ia batendo em seus cabelos.
— Não precisava disso, Bruno...
— Sua perna estava vermelha, Michele!
— Mas eu... Aguentaria...
— Você não precisa se fazer de...
Os dois olharam para Miranda e Paulo que observavam e escutavam a discussão com completa atenção. Estavam de olhos arregalados e sobrancelhas arqueadas. Miranda cerrou o punho enquanto prensava sua boca, mordendo o lábio. Levantou-se e correu.
Paulo, que não conseguiu tirar seus olhos dela, viu cair algo. Um colar. Correu em direção a ele e o pegou. A peça era prateada e tinha um pingente de um diamante. “Será que é verdadeiro?” Paulo pensou. Botou-o no bolso, pegou sua mochila e seguiu para casa. Agora deixando Michele e Bruno sozinhos.
Michele olhou Bruno nos olhos. As órbitas azuis em seus olhos combinavam com o seu poder. Bruno correspondeu e também olhou para nos olhos de Michele. Ela tinha heterocromia. Um olho azul, tão obscuro quanto o fundo do oceano. Este era misterioso, profundo... A outra órbita era castanha. Ficava no meio de claro e escuro. Havia um raio de luz neste. Um raio de esperança. A heterocromia é uma característica dos Shynai V.
Foram acordados do transe com um carro que passou jorrando água nos dois. Havia chovido na madrugada. Michele piscou os olhos. Aquilo não era um problema. Olhou novamente para seu namorado, à sua frente e assentiu com a cabeça. Este, por sua vez, fez um gesto com suas mãos que acabou secando os dois. A água foi devolvida à poça. Os dois sorriram.
Um vento forte bateu no momento. Os curtos cabelos negros de Michele voaram acompanhando o ritmo. Ela pôs a mão na sua cabeça na tentativa de impedir que o vento bagunçasse ainda mais aquela selva que chamava de cabelo. Bruno se fascinou. Como ela era bonita. E ela não fazia ideia disso.
O céu estava monocromático. Nuvens cinzentas impediam de ver o sol. Nada bonito. Enfim, depois de algum tempo, os dois voltaram a andar. Novamente a aura silenciosa. Um constrangimento. Por que não havia assunto com aquele que amava? Michele andava de cabeça baixa, como sempre. Mas repentinamente ela parou. Olhou para Bruno, séria. Este hesitou. Foi à frente dela e pôs uma mão em sua cintura, contornando seu corpo magro e outra em seu queixo. E, na mesma seriedade, olhou para sua amada.
Os lábios dos dois se encontraram. Ele fazia movimento leves nos lábios doces e delicados de Michele. Onde dois se tornam um. Há uma ligação entre os dois. Michele interrompeu o beijo. Fez uma cara de dor, e gemeu baixo. Estava de punhos cerrados. Ele pegou sua mão e olhou para o pulso dela. Uma espada e uma estrela estavam brilhando. Nem um, nem outro sabia algo sobre aquilo.
— Sinto uma dor... No meu peito... – Michele tentou falar com uma expressão sofredora no rosto.
E tudo ficou escuro.
Enquanto isso, Paulo chegava em sua casa, por desobediência. Seus pais não estavam para sua sorte. Entrou. Botou a mão no bolso de sua calça jeans negra e tirou de lá o colar.
Deitou no sofá e botou o colar para cima. Ficou brincando com a bijuteria, balançando ela de um lado para o outro, de um lado para o outro...
Pensou no rosto de Miranda. Ao fazê-lo, deitou seu braço pondo em risco do colar cair do sofá. Estava inquieto. Levantou do sofá e ficou andando em círculos. Pensou em Michele. Pensou em como o Bruno tinha sorte por tê-la ao seu lado. E seus pensamentos foram dissipados por uma nova pessoa que entrava neles. Miranda.
Chacoalhou a cabeça. Pensou em ir tomar banho e o fez. Tirou sua roupa deixando a mostra seu corpo esbelto. Entrou no chuveiro e seus pensamentos vinham e iam de acordo com as inúmeras gotas geladas iam caindo em seu rosto e descendo para seu corpo.
O que estava acontecendo?
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