A humanidade de Renesmee

4 Treinamento – Dia 1


Adormeci com a mente fervilhando, o coração batendo em um ritmo inquieto — ou algo muito parecido com isso. Pensava em tudo: nos treinos, na nova escola, nas roupas que Alice certamente já estava separando, nos humanos com quem eu conversaria… e, principalmente, no medo de não conseguir corresponder à imagem de “normalidade” que todos esperavam.

Foi um sono leve, entrecortado por imagens de quadras escolares, provas de matemática e multidões falando ao mesmo tempo. Quando finalmente alcancei um estado de quase tranquilidade, fui arrancada dele de forma abrupta.

BUÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!

A buzina ressoou pela casa como uma sirene de guerra.

— BOM DIA, ESTUDANTE! — gritou Emmett da entrada, segurando uma buzina de caminhão e rindo alto. — A moleza acabou, senhorita humana em fase de integração! Sete horas da manhã! Hora de sair da cama, enfiar um tênis e correr como se a vida dependesse disso!

— Meu Deus, Emmett… — murmurei, colocando o travesseiro sobre a cabeça.

Ele irrompeu quarto adentro com sua alegria ensurdecedora.

— Bem-vinda ao mundo dos humanos! Onde acordar cedo é rotina e o privilégio de ser um vampiro não vale de nada se você tem uma parte humana que precisa dormir, comer e… sei lá, menstruar. — Fez uma careta cômica. — Você vai amar!

Antes que eu pudesse protestar, ouvi passos suaves e firmes no corredor. Esme apareceu na porta, sorrindo com aquele olhar doce que desmonta qualquer argumento.

— Antes de qualquer coisa, minha querida… café da manhã. “Saco vazio não para em pé” — disse, imitando o ditado humano com perfeição. — E se você vai fingir ser uma adolescente comum, precisa comer como uma.

Desci para a cozinha, ainda meio zonza, e me deparei com uma mesa digna de filme: panquecas, suco de laranja, torradas com geleia de frutas silvestres e uma tigela de mingau com mel. Vó Esme não brincava em serviço.

— Pode escolher o que quiser, ou tudo de uma vez. Foco em manter a energia, certo? — disse ela com um sorriso cúmplice.

Depois de comer — ou pelo menos fingir comer a maior parte — fui arrastada para o quintal por Emmett, que vestia um moletom esportivo e segurava uma bola de basquete de um lado e uma prancheta do outro.

— Aula número um: educação física. O maior pesadelo de qualquer imortal tentando parecer comum. — Ele girou a bola nos dedos como um profissional. — Hoje vamos aprender sobre controle. Porque, adivinha só? Você não pode jogar a bola e atravessar a parede do ginásio.

— Ótimo. Mal posso esperar para ser humilhada por uma bola. — revirei os olhos.

Do outro lado do quintal, minha mãe nos observava, braços cruzados e expressão visivelmente preocupada. Bella nunca confiou muito no “método Emmett” de ensino.

— Emmett… cuidado. Ela ainda é parte humana — alertou, com aquele tom calmo, mas firme.

— Relaxa, Bella! Eu sou o instrutor dos sonhos! — disse ele, piscando um olho. — Prometo que ela vai sair inteira. Suada, provavelmente traumatizada… mas inteira!

Minha mãe se aproximou e segurou meu braço, olhando dentro dos meus olhos.

— Qualquer coisa que não se sinta segura em fazer, diga. Não tente impressionar ninguém. Principalmente ele — disse, lançando um olhar de lado para Emmett.

— Eu prometo, mãe — respondi, com um sorriso contido.

E assim começou o meu primeiro dia de treinamento para a vida humana. Com uma buzina de caminhão, panquecas, uma bola de basquete… e meu tio Emmett como treinador.

Definitivamente, eu nunca teria uma adolescência normal.