A humanidade de Renesmee

22 O Começo de Algo Novo


O dia seguinte começou como o anterior: cedo, com Emmett buzinando como se fosse um alarme oficial da casa Cullen, e Esme insistindo para que todos comessem — ou ao menos fingissem que comiam. Renesmee já começava a se habituar ao ritmo, mesmo que seu corpo meio humano reclamasse das poucas horas de descanso e da comida que pouco alimentava de fato.

Mas aquela manhã guardava uma surpresa.

Ao sair do carro, Renesmee viu Margo se aproximando com um sorriso animado no rosto.

— Ei! Você está indo pra biologia agora, né? — perguntou, um pouco sem fôlego. — Será que… posso ser sua dupla hoje?

Nessie hesitou por um instante, seus olhos automaticamente buscando os do pai que caminhava ao seu lado. Edward já havia lido a pergunta silenciosa na mente da filha.

Ele sorriu com delicadeza e respondeu antes mesmo que ela pudesse falar:

— Claro que sim. Pode confiar nela. Além disso… — olhou nos olhos da filha com leveza — Alice viu que vocês duas têm um bom futuro juntas. E você sabe como ela costuma estar certa.

Renesmee assentiu, com um sorriso discreto se formando em seus lábios. O simples gesto de Margo a procurando, escolhendo estar com ela, fez algo novo surgir dentro de si — um tipo de laço que ela jamais havia experimentado.

— Sim, podemos ser dupla — disse, virando-se para Margo com mais firmeza.

Durante a aula, dividir os materiais, olhar o microscópio em conjunto e trocar impressões simples foi uma experiência completamente nova para Nessie. Margo tinha uma energia leve, fazia piadas bobas, comentava das aulas, dos professores, e parecia genuinamente interessada nela, mesmo que não soubesse quase nada sobre quem Renesmee realmente era.

Foi estranho… mas foi bom.


Na aula seguinte, artes, a dinâmica era completamente diferente. Dessa vez sua companhia era ninguém menos que tia Alice, que parecia tão empolgada com o ambiente da escola quanto com as novas possibilidades de decoração para o grande evento que se aproximava.

— Estamos a exatamente onze dias do seu aniversário — sussurrou Alice, assim que a professora terminou a introdução da aula. — E temos uma cidade nova inteira para usar como cenário. Já pensei em cinco temas diferentes, três locais possíveis e preciso da sua aprovação hoje!

— Tia, é aula de artes. Talvez a gente devesse prestar atenção? — provocou Renesmee, mesmo sabendo que era inútil tentar conter o furacão Alice.

— Estamos na aula de expressão criativa! Não existe momento mais propício para decidir a paleta de cores da sua festa — rebateu ela com um sorriso vitorioso.

Apesar da distração da tia, Renesmee não conseguiu conter a risada. Por mais peculiar que fosse, aquela era a sua família — e aquele era o jeitinho inconfundível de Alice de demonstrar amor.

Entre planos de festa, conversas com humanos e novas descobertas, Renesmee começava a entender o que era viver como uma adolescente. Ainda era estranho. Ainda era cansativo. Mas, pela primeira vez, era também empolgante.