Notas iniciais
Primeiro one que eu escrevo, e é de comedia, espero sinceramente que vocês gostem. Desculpe os erros ortográficos, estou escrevendo isso bem tarde e com sono

— O QUE EU FAÇO CLÓVIS, O QUE EU FAÇO. — a humana andava de um lado pro outro na sala dando leves tapas na própria cabeça. — EU SÓ QUERO PODER ESCREVER COMO ANTIGAMENTE, SEM TER QUE PENSAR MUITO OU, OU TER QUE LER ALGUMA COISA PRA ME DAR INSPIRAÇÃO.

Não foi sempre assim, a humana não foi sempre angustiada, pensativa e inquieta, na verdade que eu me lembre ela nunca foi assim, a humana costumava ficar no computador e escrever e as vezes passava dias em frente aquela tela grande e brilhante; eu até tentava chamar a atenção dela sentando no teclado ou batendo em suas mãos enquanto digitava incansavelmente. Mas de uns meses pra cá ela passou a digitar cada vez menos, até que parou completamente.

— Acho que minha cota de inspirações acabou — é, pode ser isso. — Eu só queria voltar no tempo em que ficava no computador todas as minhas madrugadas. Eu não deixava de ter inspirações, não deixava de pensar. Acho que meu cérebro pifou, será que tem conserto? — espero que não.

Agora que ela se livrou da síndrome-da-escritora-compulsiva ela tem me dado mais atenção, tem até falado comigo. Gosto quando me faz carinho atrás das orelhas enquanto reclama de não conseguir escrever.

— Clóvis, acho que vou escrever uma história sobre você — ah não. — Sobre seu pelo, ou sobre suas patinhas. Eu posso até te transformar em um super herói! O que você acha gatinho? — odeio quando me chama de gatinho, mas não posso dar minha opinião, gatos não falam nesse plano.

Pulei de seu colo e fui deitar na minha cama em forma de patinha, se eu pudesse falar com a humana a aconselharia escrever sobre amores não correspondidos, amores trágicos ou até sobre sadomasoquismo, está fazendo sucesso atualmente. Parece que essa humana só gosta de escrever originais, e infelizmente não é todo original que é bom, ou que é visto como bom.

Observo a humana sentar na cadeira de couro sintético — onde já marquei território varias e varias vezes -, ela então abre o computador portátil e respira fundo, balanço a minha cauda em um sinal de boa sorte. Não queria que ela voltasse a escrever, estava sendo tão mimado, mas se isso deixasse minha humana mais feliz, então me deixa mais feliz também.

— Que Deus me ajude — minha humana até virou religiosa, olha só. — E que o Sr Clóvis não me atrapalhe — agora a culpa é minha pelo seu bloqueio criativo? Humanos e suas manias de culpar as coisas para não terem a culpa em cima de si próprios. — Será que eu devo escrever sobre o que? AHHHHHHH! — humana escandalosa. Seja filosófica humana.

Parece que o bloqueio veio e não vai ser tão cedo que ele vai embora. Parece que alguém vai receber mais carinhos, mais rações e mais biscoitinhos de atum. Pobre humana, a sua única forma de diversão agora é o seu maior terror.

— Clóvis, me ajuda gatinho — se me chamar de gatinho de novo eu juro por Bastet que pulo aquela janela. — Eu queria que você falasse — eu também queria, mas é aquele ditado. — Quer saber, eu vou dormir. Vai que tenho um sonho legal e escrevo sobre ele?! — isso humana, vá dormir, só assim você para de me ofender com essas palavras diminutivas.

Observo a humana ir deitar e nem parece a pessoa angustiada que é. Apesar de me ofender, as vezes, ainda a amo o bastante para não querer me livrar dela.

Me lembro do dia que cheguei, eu era tão pequeno e tão frágil, mas essa humana me ajudou a crescer e ficar esse gatão que eu sou hoje, graças a ela, eu sou gato mais intelectual da cidade (e o mais bonitão também), Espero que a humana consiga pensar em alguma coisa e alguma coisa boa porque até agora só vi porcaria, e não é nem porcaria boa igual clichê. É porcaria mesmo.

— Clóvis, vem cá gatão. — graças a Deus um apelido não-diminutivo. Subi em sua cama e deitei nos seus pés, ela amava isso porque eu aquecia eles com minha barriga levemente saliente. — Boa noite Clóvis.

Boa noite, humana.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!