A história se repete
8 Allison Mikaelson
Notas iniciais
P.O.V. Allison.
Desde que eu era criança eu tenho esses sonhos estranhos, sonhos sobre coisas que eu sei que são reais, vidas passadas. Infelizmente meu irmão gêmeo não sobreviveu. Ele morreu.
—Pronta para o seu primeiro dia de escola?
—Estou.
—Estou muito orgulhosa da pessoa que se tornou, até parece que foi ontem que usava fraldas.
—Tchau mãe.
—Não tire a pulseira a menos que seja uma emergência!
—Ok.
Eu enfiei meus fones de ouvido e apertei o play então eu vi aquela figura e tomei um susto.
Os olhos violeta, os cabelos loiros, a pele branca.
— Você é real?
—Sim. Eu sou real. Porque eu não seria?
—Já nos conhecemos antes?
—Eu acho que não.
—Claro que sim.
—Sim? Quando?
—Uma vez num sonho.
—Qual é o seu nome?
—Allison Mikaelson.
—Daniel Grigori.
—Você é imortal. Um vampiro?
—O que?
—Não precisa mentir. Ninguém ta ouvindo.
—Não. Não sou vampiro.
—Eu disse pra não mentir!
—Não estou mentindo. Não sou vampiro.
—Então o que você é?
—Vai ter que descobrir.
O sinal tocou e nós fomos para a sala de aula, mas não juntos.
—Eu sou Gabriele Givons e você é Lucinda...
—Allison Mikaelson. Mas, esse era o meu nome no sonho. Lucinda. Lady Lucinda Biscoe. Ix Cuat.
—Você...
—Eu me lembro. E você estava lá e eles também. Eu não sei o que diabos tá acontecendo aqui, mas eu terei respostas.
P.O.V. Daniel.
Eu a vi, ela me viu e pareceu chocada. O que é uma reação inesperada.
Ela caminhou até mim, me olhou de cima a baixo sem se importar em disfarçar e então perguntou:
—Você é real?
—Sim. Eu sou real. Porque não seria?
Então ela perguntou:
—Já nos conhecemos antes?
—Eu acho que não.
A resposta dela não podia ter me pegado mais de surpresa:
—Eu acho que sim.
—É mesmo? Quando?
—Uma vez num sonho.
—Qual é o seu nome?
A resposta também foi diferente do que eu esperava.
—Allison Mikaelson.
—Daniel Grigori.
Então ela disse sem rodeios:
—Você é um imortal. Um vampiro?
—O que?
—Não precisa mentir não tem ninguém ouvindo.
—Não. Eu não sou vampiro.
—Eu disse pra não mentir!
—Mas, eu não estou mentindo. Não sou vampiro.
—Então o que você é?
—Vai ter que descobrir.
Antes que ela pudesse retrucar o sinal bateu.
Ela falou com a Gabe e a Gabe fez uma cara...
—O que foi?
—Ela se lembra Daniel. Se lembra de todas as suas vidas passadas.
—Impossível.
—Ela me provou. Disse que sonha que é Lady Lucinda Biscoe, Ix Cuat entre outras identidades de suas vidas passadas.
—Quais delas?
—Todas elas. Ela até se lembra de ter sido a filha do faraó a Princesa Nefertiti.
—Como?
—Ela sussurrou para si mesma que isso era obra da Fênix.
—E quem é a Fênix?
—Eu que vou saber Daniel?! Allison não é igual as outras vezes, nem no nome. Tem algo de diferente nela e isso tá na cara.
—Eu já vi a nova versão da Lucy.
—Sim Cambriel.
—É Cameron.
—Sim Cameron.
—O nome dela é Allison agora.
—Eu não to falando disso. A energia dela é diferente dessa vez, mais forte, mais densa. É sobrenatural.
—Sobrenatural? A Lucy sobrenatural?
—Sim.
—Ela tem lembrança de todas as suas outras vidas.
—Sobrenatural.
—A Allison não é sobrenatural. Ela é reencarnada.
—Também.
P.O.V. Allison.
De longe eu podia ouvir a conversa. Toda.
—Reencarnada? Faz sentido.
P.O.V. Daniel.
Ela não podia ser sobrenatural, podia? Mas o que ela seria?
Ela veio correndo.
—Descobri! Descobri o que vocês são.
—E o que nós somos?
—Anjos.
Essa pegou o Cam de surpresa.
—Cambriel. Nome legal, é bem... angelical. Nomes de anjos geralmente terminam com El.
—Como chegou a essa conclusão?
—Vocês falam em português, mas pensam em enoquiano. Os pensamentos não mentem.
—Você fala enoquiano?
—Falo. Eu não sei como eu falo, mas eu falo. Eu tenho quase certeza de que isso é relacionado á Fênix mas, ainda assim.
—Fênix?
—Pensem no meu corpo numa vasilha, minha alma é metade da água que o preenche, a outra metade é uma entidade cósmica mega poderosa que tem os poderes de Deus. Ela é Deus de ponta cabeça, acho que é uma deusa pagã furiosa.
Estávamos na aula de ensino religioso e ela estava completamente absorta.
—Senhorita Mikaelson?
—Fala professora?
—Sobre o que eu estou falando?
—Sobre os anjos, sobre a queda, sobre o anjo rebelde etc.
—Você fala como se não tivesse significado.
—Pra mim não tem. Um Deus benevolente não iria querer isso dos anjos.
—Não ia?
—Não. Eu não acredito nesse Deus cheio de raiva que a senhora fala.
—E no que você acredita?
—Que todo mundo é bom e que todo mundo é ruim. Ninguém é de todo bom, e ninguém é de todo ruim. Dois pesos, duas medidas é como a natureza funciona.
—Nem mesmo Deus?
—Ai já é outra história. Deus não é uma pessoa. É uma entidade de luz e bondade. Existe um propósito para tudo o que ele cria e nem sempre é o propósito que imaginamos.
—Você é católica Lucy?
—Allison.
—Você é católica Allison?
—Não. Não frequento a igreja quando criança.
—Então não é batizada?
—Não.
—Você é pagã?
—Sou.
—E que religião você segue?
—Nenhuma. Todas elas. É difícil explicar.
—Tente.
—Todas as religiões tem uma base parecida. Regras parecidas, as pessoas se esquecem que antes de toda essa divisão as religiões um dia já foram uma única religião. Então vieram os profetas e por razões que desconhecemos começaram a separar, cristianismo, judaísmo, budismo, induísmo etc.
—Você é contra a separação?
—Quem sou eu pra falar alguma coisa! Se separou, separou por uma razão. Nem uma folha cai duma árvore se a ordem de Deus, sem que ele assim permita ou ela. Vai ver Deus é uma menina. E se todo esse tempo Deus na verdade for uma menina? Se sempre tiver sido menina?
—E se for mãe, pai, filho e espírito santo? Faz algum sentido pra você?
—Sim faz.
—Ele ou ela está em todas as coisas, é todas as coisas, vê todas as coisas. Um poder tão grande não pode estar em mãos humanas.

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