Oi, meu nome é Jim. Podia dizer que sou a ovelha negra da família, mas meu irmão mais novo já me roubou esse titulo. Sou filho dos reis que governam essas terras de 400m². Achou pouco? Imagine quando souberem que é um reino alugado. Meu pai se chama Dylan, minha mãe se chama Layla, os dois possuem dois filhos além de mim: Johnny e Janis.

Agora chega de apresentações e vamos ao que interessa que é a minha história, se bem que não podemos muito bem chamar isso de história, afinal é apenas o rascunho de algo escrito por um príncipe idiota que nunca deu atenção aos seus professores por isso, não contém uma ortografia correta e antes que eu me esqueça, um aviso: estou fazendo isso apenas por conta do tédio que habita a minha triste vida.

Há alguns dias em umas de minhas caminhadas pelos montes aqui perto me deparei com uma torre, sim, aquelas torres que você já deve ter ouvido falar. Torres tenebrosas, úmidas, velhas onde belas princesas vivem presas em solidão, esperando que um príncipe apareça derrote o dragão que habita esses lugar e a salve, com isso você à conquista, se casa e vive feliz para sempre... Pelo menos é isso que aquele charlatão, o rei Walt Des Ney espalhou por ai e convenhamos tem que ser muito estupido para acreditar numa história dessas.

Primeiro que para qualquer bom conhecedor, dragões são seres místicos e poderosos quase impossíveis de serem controlados e muito menos derrotados que tem uma mania peculiar de juntar tesouros para si em suas moradas. Então a não ser que todas essas princesas tenham se escondido nessas torres quando um dragão atacou o seu reino e por um milagre esse dragão após dizimar um reino inteiro tenha tido um pensamento de boa fé e resolvido ignorar a presença dela lá (porque sim, eles podem sentir), não tem o menor cabimento de uma história dessas ser verdade.

Em segundo, como acreditar que um príncipe que passou a vida inteira tendo tudo do bom e do melhor a um sino de distância, e que a maior luta da vida dele foi num evento do reino onde ele enfrentava um general pegando leve, porque se ferir-se o filhinho de papai seria morto, conseguiria sozinho matar um dragão? Se bem que como eu falei a não ser que o dragão tenha atacado o reino, é mais do que remota as chances de que dragões guardem essas torres, deve ser qualquer tipo de monstro, isso se tiver alguma coisa lá.

Terceiro e não menos plausível quem seria estupidamente heroico o bastante para invadir uma torre de terror dessas para salvar uma completa desconhecida? Ah mais se conseguir você vai se casar com uma mulher linda e viver feliz para sempre... Essa mulher linda estava trancada numa torre há anos sem cuidados, sem comida, sem banho, sem absolutamente nada se por uma hipótese remota essa individua estivesse viva, em boa aparência ela não estaria e outra, vale a pena tamanho esforço atrás de um casamento? Olho para o casamento de meus pais e de conhecidos próximos e a resposta que chego é a um completo NÃO.

Quando apresentei essa opinião muitos me disseram: ‘’Mas essa historia são para crianças’’, ‘’Por que você perde tempo pensando nisso?’’, ’’ Você é estranho!’’. Admito que na época não tive uma resposta para rebater essas frases mas agora eu tenho e é: crianças não vivem historias de amor. As historias que vivi quando criança era realmente de derrotar monstros ou proteger algo precioso para mim, mas nunca esse algo precioso foi uma garota podia ser qualquer coisa uma pedra, uma espada ou se fosse para ser realmente uma pessoa era sempre um amigo, mas nunca uma garota. Já quanto às garotas sempre as vi brincando de mães solteiras, de princesas (o que eu nunca entendi por que a maioria já eram princesas), comerciantes ou medicas, mas nunca nada relacionado a o amor.

Então voltando ao ponto de partida. Encontrei essa torre, como vocês puderam perceber ela me intrigou. Não vou negar que minha curiosidade me disse para ir até lá e entrar, mas minha boa e velha consciência deu uma surra nessa ideia e me mandou voltar e assim voltei para meu bom seguro e alugado lar.

Mas como era de se esperar essa torre não saiu de minha cabeça, mesmo sabendo que eu não ganho nada indo até lá e que se for para ganhar alguma coisa provavelmente ganharia apenas machucados físicos ou até mesmo mentais caso ela me mostra-se algo que eu não aguentasse ver, algo em mim me diz que lá é o lugar onde encontrarei a minha paz ou ao menos alguma arma que me ajude a combater esse inquilino incomodo que a habita o meu ser. Por isso essa noite decidi ir lá, mas dessa vez não irei sozinho levarei minha fiel companheira de codinome Pipoca, para me acompanhar a essa jornada de observação a essa torre que tanto me intriga. Saímos de casa por volta de umas vinte e duas horas e começamos a subir o monte. Passamos por muitas tabernas cheias de prostitutas, velhos e jovens atraídos pela boa e velha combinação: álcool e sexo, que já acabou e acaba com a vida de muitos, um fato interessante sobre isso é que provavelmente meu irmão mais novo o Johnny está por lá, mas como até meus pais se mostram cansados após tantas tentativas de consertar a conduta do moleque apenas continuei andando até o meu objetivo.

Durante a caminhada pensei em muitas coisas que eu poderia encontrar lá, algumas realmente frustrantes outras bem mais realistas, mas nada que mereça ser citado aqui. Deparei-me com um boi, eu meio que fiquei com medo afinal, estava com uma camiseta vermelha acho plausível ter medo do boi não estar num bom dia, mas como de costume desses animais ele apenas me olhou e voltou a sua pastagem noturna. Continuei a subir e por mais taberna passei até chegar ao local onde a torre estava. Chegando la bem em frente tinha um grupo com bardos acampando, fizeram uma fogueira e tocavam pagodes bem depressíveis, isso me desanimou um pouco, mas me posicionei junto a Pipoca num lugar onde desse para visualizar o portão da torre e por lá fiquei. Não sei se chegou a ser apenas minutos ou se fiquei uma hora inteira lá afinal não levei nenhum pertence valioso com medo de deparar-me com gatunos, então não tinha como saber que horas eram ou quanto tempo fiquei lá.

Nesse tempo em que fiquei olhando aquele portão fiquei pensando no que eu encontraria se entrasse. Não nego, pensei sim na mulher dos meus sonhos: uma ruiva, culta como uma velha, jovem como uma criança e tão bela a ponto de que mesmo que eu fosse cego meu coração iria de zero a mil em segundos, pensei nas mortes terríveis que me aguardavam caso eu fosse tolo o bastante de tentar entrar, Pensei na decepção que seria se eu fosse e nada la eu encontrar. Como deu para ver meus pensamentos mais me torturam do que me ajudaram, mas mesmo assim eu gostei e decidir voltar amanhã. Antes de partir tive a coragem dos tolos de passar em frente ao portão, o que vi? Nada mais do que o normal, uma torre velha e úmida, mas tinha indícios de que alguém vivia lá afinal tinham tochas acesas, mas o que me atingiu foi que a torre parecia chorar e realmente passava o aspecto de uma prisão... Nisso criei a minha primeira regra de observação: Nunca passe em frente à torre.