A história do Sr. Willy
1 Capítulo Único.
Notas iniciais
O sr. Willy morava só em uma antiga casa de sobrado. Na verdade, ele morava com seu cachorro Ariel, mas dizia que morava só, pois sempre achou ridículo alguém dizer que morava com um cachorro. Algumas vezes, as pessoas perguntavam a ele porque o nome do cachorro era Ariel. “É nome de anjo?” “É a Pequena Sereia?” O sr. Willy sempre respondia que chamou o cão de Ariel porque é um nome unissex, e como ele nunca se importou com o sexo do animal, o nome também não deveria se importar.
O sr. Willy tinha uma filha. O nome dela era Noah. O sr. Willy odiava o nome da filha, mas, quando sua mulher sugeriu o nome, ele acabou aceitando, pois sempre achou que um homem de verdade deveria ser gentil com as mulheres. Aliás, sua mulher havia morrido de infecção intestinal, mas Willy dizia que ela havia morrido por causa de um tumor maligno, pois, segundo ele, era algo mais sério e a palavra “maligno” soava bonito na língua. M.a.l.i.g.n.o.
Noah morava com o marido. O casal tinha uma filha chamada Eliza. Noah era professora da faculdade de Ciências Contábeis e quase não visitava o pai. De qualquer forma, o Sr. Willy não se importava muito. Ele sabia que a filha era muito ocupada.
Willy era velho. E Ariel também. Assim como a casa de sobrado. A velhice encontrava um lar agradável no sobrado do Sr. Willy. Aliás, a rotina do Sr. Willy estava longe de ser algo “jovem”, ativo e agradável. Ele acordava, reclamava das dores no joelho e nas costas, comia pão integral com café frio e sem açúcar, sentava no banco que ficava de frente para a janela. Pausa. Ficava duas horas ali. Lembrava de Ariel. Dava um pouco de comida para o cachorro, que já estava cego. Sentava-se no banco de novo. Gostava de ver as pessoas caminhando. Ele odiava a televisão. “A melhor televisão é a minha janela” dizia.
O sr. Willy tinha três amigos. O Sr. Smith, o Sr. Palmer e o Sr. Xavier. O Sr. Xavier havia morrido duas semanas atrás. Portanto, Willy tinha agora apenas dois amigos. No entanto, os srs. Smith e Palmer possuíam graves problemas de saúde oriundos da idade, e, por causa disso, o Sr. Willy evitava conversar com eles. Ele tinha medo que um deles morresse na sua frente.
O sr. Willy não tinha nada contra a neta, Elisa. Ele só não gostava de algo chamado “maquiagem”. Na festa de aniversário de Elisa, que ele fora obrigado a ir, a menina estava com muita maquiagem e o Sr. Willy mal a reconheceu. Ele não sabe porque as pessoas escondem os defeitos com maquiagem. Todos deveriam andar com o rosto limpo, do jeito que veio ao mundo. De que adiantava esconder?
Voltando para o banco de frente para a TV (na verdade era de frente para a janela, mas o Sr. Willy chamava a janela de TV), o velho lembrou-se que era quarta feira. Quarta feira era o dia em que Noah iria visita-lo. Levantou-se reclamando das dores e foi até Ariel. Ariel não fazia nada mais além de dormir e comer. 16 anos pesavam muito em um cachorro, afinal.
- Rapaz... Hoje a Noah vem.
Ariel o encarou com os olhos cegos.
- E ela só vai falar besteira de novo.
Pegou a bengala e saiu andando lentamente até a cozinha. Alguns momentos depois, ouviu a buzina do carro de Noah. Ele olhou pela TV e viu que a filha estava sozinha. Abriu a porta.
Noah entrou na casa. Antes de casar, ela tinha um corpo tipo violão, o cabelo comprido, encaracolado, cor de mel. Agora ela estava gorda, com o cabelo alisado, curto e loiro. Willy pensou em dizer o quanto a filha estava gorda, mas então lembrou que ele também estava.
- Pai... – Noah aproximou-se dele e o abraçou – Como o senhor está? Me desculpe só poder vir agora, mas o senhor sabe como é... Por Deus, essa casa está mais suja do que antes. Aquela empregada não está fazendo o serviço direito, hm? Acho que vou contratar outra. O senhor sabe que não deve ficar em ambientes sujos. Ah, não. Não me diga que anda fazendo isso de novo!
- Isso o quê?
- Isso! – Gritou ela apontando para a cadeira – O senhor não deve passar tanto tempo sentado olhando para o nada. Se caminhasse pelo menos 40 minutos por dia... Está tomando os remédios?
- De que adianta andar? Quando ando vejo pessoas estranhas que antes eram conhecidas. Elas me olham com umas caras de pena. E fazem as mesmas perguntas, com os mesmos sorrisinhos. Prefiro assistir daqui de cima. E os remédios... Acho que tomei um hoje, não lembro.
- Pai!! – Gritou Noah. O batom vermelho que ela usava deixava sua boca carnuda parecida com duas salsichas. Se Ariel pudesse enxergar, ele ficaria tentado em dar umas mordidas naquela boca – O sr. Não deve encarar as coisas dessa forma. O senhor está em idade avançada... Ah, acho que o senhor deveria reconsiderar ir a um asilo. Lá teria toda a estrutura...
- Psiu, chega. Vá embora. CHEGA. Não quero saber dessa merda de asilo. Pare de se meter na minha vida.
- Vida? O senhor está mais morto do que vivo! As pessoas passam meses sem lhe ver...
- Eu disse CHEGA. Vá embora!
Noah calou-se. Ela sabia como era difícil. Pegou um pacote que trazia nas mãos e entregou ao pai.
- Pelo menos fique com isso.
Ele segurou, e sabia o que era: pão integral.
- Hm. – Valia como um “obrigado”
- Vou embora. Perdi meu tempo vindo aqui, como sempre. O senhor nunca colabora. Sempre me deixa estressada e me manda ir embora no momento em que chego. Vive sentado olhando para o mundo. E não faz mais nada. Até parece o coitado do Ariel, passa o dia todo parado. Eu me importo com o senhor, não queria que fosse assim...
- Tudo bem, querida. Vá, agora.
- Estou indo.
Ela fechou a porta sem fazer som.
O sr. Willy não iria sentir muitas saudades dela. Na verdade, ele não sentia saudades de ninguém. Só dele mesmo, mas só de vez em quando.
-
Quando ele voltou de volta à TV, viu que Ariel estava dormindo de novo, com uma orelha castanha caída sobre o olho. Acho que irei segui-lo. Discutir com a Noah me deixa sonolento.
E, naquele instante, o sr. Willy adormeceu.
A primeira cor: Verde.
Estava dormindo. Então acordou. Mas não acordou acordado. Acordou no sonho. Ele estava sentado na cadeira, mas não havia janela. Havia apenas uma parede verde, sólida e imponente. E não só a parede estava verde, como tudo estava. A casa inteira. Até Ariel. Até ele mesmo. Manteve a calma. Desceu as escadas, mas também não havia porta. Só uma parede verde. Não havia porta nem janelas. Ele estava preso na própria casa. Estava preso na imensidão do verde.
- Sr. Willy, quero que tu venhas até mim.
Era uma voz vinda da cozinha. A voz falava, e ao mesmo tempo não. Ela havia falado na cabeça dele.
O sr. Willy foi até a cozinha. Para sua surpresa, Ariel estava sobre a mesa verde, com os olhos verdes vívidos e alegres. Ao seu lado, havia uma chave dourada. Era o único objeto que não era verde.
- Oh, até que tu chegastes rápido. – Disse a chave.
- Mas que diabos...
- Oh, não te assustes. Quero dizer... a maioria das pessoas sempre fica assustada na primeira vez, mas juro-te que em nosso próximo encontro irei assumir uma forma mais prática. É que achei esta chave adorável, espero que tu me entendas.
- Eu prefiro não entender. Tenho 89 anos e nunca tive um diabo de sonho desses na vida! – Ele falava em tom alto – Tudo está verde, meu cachorro cego está enxergando, estou falando com uma chave e estou preso em minha casa...
- E tu não sairás daqui até aprender a lição de hoje.
- Como é que é, seu marica?
“Céus, estou xingando uma chave” pensou Willy.
- Vou deixar o xingamento passar desta vez. Mas fique crente que valerá cada instante desta experiência que te proporciono.
- Ah, é? E quem é você, hein?
- Não me conheces? Oh, que pena. Bem, de qualquer forma, quase ninguém sabe quem sou, mesmo que todos devessem saber. E tu me conheces muito bem, sempre estive falando contigo. Mas parece que agora que estás velho, não te importas mais. Então vi que está na hora de agir.
Willy tentou não rir. O que diabos aquela chave estava dizendo?
- Bem, não vamos perder mais tempo. Começarei com a lição. Para tu, o que é a vida?
- Ah, então é um jogo de perguntas?
- Se quiseres, poderá assim chamá-lo.
- Espere, antes de responder. Preciso saber o que você é.
- Então tente adivinhar, pois tu sabes muito bem.
- Deixe-me ver... Deus?
- Não, quem me dera o ser.
- Então... o demônio?
- Não.
- Um anjo?
- Não.
- Um bruxo?
- Não.
- Um sonho?
- Só porque estamos em um sonho, não quer dizer que eu seja um.
- Uma ilusão?
- Não. De todas as coisas que disseste até agora, essa é a que passou mais longe.
- Uma ideia?
- Quase.
- Você... sou eu?
- Não você. Sou todos.
- É todos?
- Sou comum a todos. Estou em todos. Qualquer um pode falar comigo.
- Isso não seria ser Deus?
- Não exatamente. Deus é algo muito mais universal do que eu.
- Tudo bem. Vou fingir que entendi.
- É o suficiente. Agora, voltemos a minha pergunta. Para tu, o que é a vida?
- É o bater de um coração.
-Só?
-Só.
- O que é o verde?
- A... esperança?
- E tu a tens?
- Não mais.
- Pois a tem. Só não a põe em prática. Da mesma forma que não fala mais comigo.
- Você está dando um nó na minha cabeça.
- O que tu esperas para o futuro?
- Não terei futuro. Estou velho. Devo morrer em breve, assim como o Xavier.
- Tu realmente morrerás em breve, mais breve do que deverias, se não fizeres nada. A vida anda e tu não a acompanha. Porque só fica parado? Quantas vezes ela chamou e tu não a atendestes?
- Não lembro dela ter me chamado.
- Pois te chama o tempo todo.
- E o que devo fazer para ir atrás dela?
- Escutar a mim.
- E o que diabos você está dizendo?
- Estou dizendo para ir atrás dela.
- Tudo bem, eu irei, eu irei.
- Muito bem. Por hoje é só.
E acordou. Tudo havia voltado ao normal. As portas, as janelas, as cores. Tudo. Até mesmo Ariel, que estava deitado com a barriga para cima. Willy foi até ele e começou a fazer carinho na barriga do cachorro, que balançou a pata traseira em sinal de alegria.
- Qual foi mesmo a última vez que eu alisei você assim, garoto? Acho que na época você ainda enxergava. Muito maluca aquela chave. Espero que ela tenha falado a verdade.
De um modo repentino, Ariel começou a lamber o rosto do dono.
- Como é que você sabe onde fica meu rosto, hein?
Naquele resto de tarde o senhor Willy preparou bolinhos com as cascas de pão integral. Não sabia porque estava fazendo aquilo, mas a chave havia dito para ele não deixar a vida passar. Ele não sabia como fazer bolinhos iria ajudar em alguma coisa, mas achava que estava fazendo algo “correto”. Não comeu nenhum bolinho, apenas os guardou na geladeira. Gostava de comida gelada.
Quando a noite caiu, o Sr. Willy dormiu assim que fechou os olhos.
A segunda cor: Vermelho.
Acordou no sonho novamente. E, dessa vez, tudo estava vermelho. Ah, aquela chave idiota deveria ter aprontado mais alguma coisa.
- Sr. Willy! Vamos, vamos!
Ele seguiu a voz. Andou pela casa. Móveis vermelhos, teto vermelho. No entanto, havia algo diferente: mesmo que a porta não estivesse lá de novo, a janela-TV estava no local de sempre: na parede da sala, que agora estava vermelha.
No parapeito da janela, estava uma coruja marrom, com lindos olhos cor de âmbar. No chão, estava Ariel, com a língua para fora e com a expressão sorridente, tão comum aos cachorros.
- Oh, é isso que quer dizer com uma forma mais prática? Uma coruja?
- Gosto de corujas.
- Que bom para você. É esquisito. Gosta de chaves e corujas. Nunca vi alguém assim.
- Como foi teu final de tarde?
- Fiz bolinhos. Isso é seguir a vida?
- Não sei. Tu que sabe.
- Meu Deus... Eu não entendo você.
- Entendes, sim.
- Bom... eu apenas fiz o que você disse.
- Não fui eu que disse. Foi tu que disseste. Lembra que eu estou em todos e, consequentemente, em ti?
- Você quer que eu tenha um nó na cabeça de novo?
- Tudo bem, tudo bem. Olha ao teu redor. O que é o vermelho?
- É uma cor forte... Acho que o amor. Ou a raiva. Ou os dois.
- Pode ser os dois. Ou apenas um, depende de quem ver.
- E nesse caso, o que é?
- Nesse caso é mais raiva do que amor, infelizmente.
- Então... Eu sou... raivoso?
- O que achas?
- Acho que sou rabugento... Um pouco.
- Bom, você pode ser rabugento ou raivoso. Tem livre arbítrio para isso. Mas acho que deveria enxergar algo além disso. Aqui, olhe a janela.
O sr. Willy se aproximou da janela. Ele viu sua filha. Gorda, loira, com a boca de salsicha, e linda. Era a filha dele. Era Noah, sua Noah.
- O que está vendo, Sr. Willy?
- A Noah. Minha filha. Ela é uma insuportávelzinha.
- Acho que ela ama o senhor, e não quer vê-lo tão largado. – A coruja assanhou as penas e por um instante pareceu uma bolinha marrom — Por que o senhor sempre a manda ir embora quando ela vem lhe ver?
- Como sabe disso, hein?
- Ainda não compreendestes que faço parte de ti?
- Certo, certo... É porque ela me contraria. E vive falando em asilos. Não quero deixar minha casa para morrer como um inválido.
- Então prove a ela que não deve ir ao asilo. Prove a ela toda a vitalidade que ainda tem aí dentro.
- Por favor, me diga quem é você.
- Oh, mas tu és muito persistente. Irás descobrir. Sou algo tão comum a todos... Ah, e nossa lição termina aqui. Até que foi rápido dessa vez. Estás pegando o jeito.
- Como assim, termina aqui? Não aprendi nada!
- É claro que aprendeste, não fales asneiras!
E o senhor Willy acordou. Já era de manhã.
Ele lembrou dos bolos na geladeira e os colocou em cima da mesa. Comeu dois. Estavam bons. Contudo, observou que seria incapaz de comer todos. Pensou em guardá-los para mais tarde ou para o próximo dia, mas os bolinhos iriam ficar velhos e perderiam o sabor. Deveriam ser consumidos naquele dia. Então, Willy fez a coisa mais inesperada desde 20 anos atrás.
Colocou uma coleira em Ariel, guardou os bolinhos em uma tigela maior e foi a pé até a casa de Noah. Andava devagar, preocupado com Ariel (e com seu joelho).
Sentiu-se como se estivesse dentro de seu filme favorito. Ele estava dentro, participando do que antes assistia. E nunca havia se sentido tão vivo quanto antes.
Chegou à casa da filha. Era uma casa grande, moderna, a rua era arborizada e muito bem habitada. Tocou a campainha. Eliza atendeu.
- Vô Willy?!
- Oh, Eliza. Você já está uma mocinha.
- Não acredito! O senhor está aqui, mesmo! Até o cachorro veio... Tadinho do bicho, está tão velhinho... A mãe disse que você não colocava um pé fora de casa e ficava só morfando numa cadeira velha de frente pra janela.
- É... Ainda é meu passatempo favorito.
Eliza riu e fez o avô entrar. Noah ficou paralisada quando viu o pai entrar. O marido estava trabalhando e, como por coincidência, ela estava de folga naquele dia.
- O senhor... aqui? O que o fez vir até aqui? Um milagre? A sua consciência?
Willy estremeceu. Sua consciência?
- Talvez. Mas acho que foi eu mesmo. Fiz uns bolinhos. Não iria comer todos, e o Ariel não pode comer. Então vim dividir.
Noah chorou. Abraçou o pai.
- Isso é... inacreditável.
- Não seja tão exagerada, querida.
-
A terceira cor: Branco.
O sr. Willy havia dormido na casa da filha, no quarto de hóspedes. Acordou no sonho. Só que acordou em sua casa, toda branca.
- Sr. Willy, rápido!
Seguiu a tão conhecida voz. Dessa vez, foi parar diante da porta da sua casa. Sim! Dessa vez havia uma porta, mas todas as janelas haviam sumido. E, perto da porta, havia a já conhecida chave.
- Fui forçado a aparecer em forma de chave novamente.
- Ah, olá, minha consciência.
- Olá, sr. Willyam Palner.
- Então, você realmente é...
- Isso mesmo. Sabia que irias acertar. Sou eterna. Enquanto houver uma mísera existência no Universo, eu existirei...
- Inacreditável...
- Hah, não precisas dizer. Bem, parece que tu estás evoluindo.
- É, parece que sim.
- Hm, e o que achas dessa cor, o branco?
- Não sei. Ela não me diz nada.
- É compreensível. O branco é a junção de todas as cores que, em equilíbrio, formam uma só.
- Hm, interessante. Mas ainda não faz muito sentido.
- Não precisa fazer. Se tudo fizesse sentido, algo com certeza estaria errado.
- Quê?
- Não importa muito.
- Bem... Dona Chave... Ou, dona Consciência... Qual o objetivo disso tudo, afinal?
- Bom, eu chamei a ti porque você pedistes. Tu estavas sentindo falta de ti mesmo, e havia se transformado apenas em um coração que bate. Falou contigo mesmo e conseguiu enxergar melhor. É esse o meu trabalho. Acho que, dessa vez, obtive sucesso.
- Mas... eu só fiz bolinhos e uma visita à minha filha.
- E carinho ao teu cachorro. Ariel é um bichinho especial. Ele gosta muito de ti. Esses pequenos gestos já serviram para alguma coisa.
- Talvez. Você tem razão.
- Agora, sr. Willy, abra-te. Vamos. Abra a porta.
- Quer que eu... abra a porta usando... Você?
- Nada melhor do que uma conversa com a tua Consciência para abrir a mente, não achas? Não te preocupes. Depois dessa vez tu poderás falar comigo quantas vezes quiseres. Estarei sempre contigo.
E assim, Willy pegou a delicada chave, encaixou-a na fechadura e girou.
Acordou no quarto onde estava dormindo. Ariel dormia do lado de sua cama.
-
Willy passou os restos de seus anos de vida na companhia de sua filha. Ele conseguiu viver até os 100 anos, e morreu completamente em paz. Neste meio tempo, aprendera a pintar telas, a fazer novas receitas de bolinhos e até escreveu um pequeno livro. Suas telas sempre tinham tons de verde, vermelho e branco, o que fazia Eliza lembrar do Natal.
Ah, e ele passou a fazer parte de seu filme favorito. Sempre. Parou de observar. Passou a participar e a sentir o vento no rosto, as folhas voando à sua volta. Sim.
Willy viveu feliz em seu sobrado, visitando a filha todos os dias. Sempre que tinha problemas, falava com sua consciência, e sempre aconselhava todos a fazer isso.
Um dia, ele comprou um osso para Ariel, que roeu todo em algumas horas.
Ariel nunca fora tão feliz, pois este havia sido o primeiro osso que ele havia ganhado na vida.
Fim.
Fale com o autor