A história do Menino dos Milagres.

Sabes nunca compreendi bem Alice no País das Maravilhas, se ela usa drogas ou não, ou mesmo se o escritor estava a usá-las quando escreveu a tal história. Para conseguir fazer uma história tão alucinante, talvez como a que eu quero contar, alguém tem de ter comido algum tipo de cogumelo estragado.

Havia um menino dos milagres, um menino, que fazia milagres, já viste?

Mas enfim, eu tinha 15 anos quando isto aconteceu.

"Eu estava naquele "mod" de: "Quero morrer hoje"; Um pouco exagerado para ser mais especifico, e de repente aparece um miúdo que tenta falar comigo.

—Olá.- disse, ajoelhando-se ao pé de mim.

Eu tinha ido para ali, para um lago um pouco longe da cidade, onde havia paz e relva fresca com ainda um pouco de orvalho que sobrava daquela manhã.

—Perdeste os teus pais?- perguntei eu, um pouco preocupado, pois era a única pessoa que estava ali.

—Não, e tu o que perdeste?- interrogou ele.

Levantei-me e pus-me sentado em cima das minhas pernas e disse:

—Eu não perdi nada, talvez a minha dignidade, mas isso já está enterrada bem debaixo deste lago.- senti algo estranho naquele momento, nem sei descrever o que era, talvez um sentimento de que já sabia quem ele era? — Que estranho, senti duas pontadas no peito — agarrei a minha camisola na parte do peito com força e mudei de assunto.- Miúdo, onde estão os teus pais? Não te quero deixar sozinho aqui e já tenho de ir embora.

—Rafael eu sei que não tens de ir a lado nenhum, eu não sou um mero miúdo e acho que já sentiste isso, agora senta o teu rabo na relva outra vez, ainda faltam 3 horas para o pôr do sol, aí é que tenho que voltar para a minha casa nas nuvens.- Soltei um riso tão falso de nervoso que eu estava, quem raios era o puto e como é que sabia o meu nome? e morava nas nuvens?

—Ouve lá, eu também as vezes moro na lua, tenho lá um apartamento e tudo mas a sério, podes dizer-me onde moras e eu levo-te lá.

—Levas-me à lua então primeiro?- perguntou ele com a sua voz angelical.

— Meu Deus — bato com a minha mão com demasiada força na cabeça e recuo um passo para trás- era uma expressão para pessoas distraídas.- eu nem sei o que me ocorreu naquele momento, tentar uma piada sobre expressões numa criança era estúpido.

—Eu vivo nas nuvens já te disse! Mostra-me o teu bloco de desenhos!

—Como?... ok...

Tirei da minha sacola de peito um caderno que em que eu rabiscava o tempo todinho. Dei-lho e recuei outra vez um passo. Ele começa a folhear com força e cada vez mais rápido...

—HEY! CUIDADINHO!- gritei agitado.

—Aqui!- ele virou o caderno para mim e mostrou-me um rabisco que tinha feito de uma criança e em baixo estavam umas notas sobre como surgiu o personagem, o nome a idade etc... — Sou eu! Não reconheces?

— Espera o que...

Agarrei no caderno e comecei a ler o que tinha escrito:

"Criança pequenina, que irrita a maioria das pessoas por ser tão angelical, tem cabelo curtinho encaracolado e escuro, roupinha de cigano, pele escurinha aparece do nada, ela não tem pais, mora nas nuvens como maioria dos anjos, as pessoas que já o viram, principalmente outras crianças, chamam-lhe o Menino dos Milagres por as fazer sentir mais alegres e amadas."

—Estou louco?

De repente ouço atrás de mim "RAFAAA"! Viro-me e era a Raquel, uma amiga minha, bastante próxima, a ponto de ter apanhado a minha primeira bebedeira com ela.

—Ham olá Raqu..

Ela interrompe-me com um abraço.

—Então como vais? Estás aqui sozinho porquê?

—Hum, sozinho?- voltei-me para trás e o miúdo já não estava lá.

—Sim sozinho, tens algum amigo imaginário? Ahahaha- riu-se.

Eu olhei para o meu caderno, abanei-o de leve e disse:

—Sim tenho uns quantos...

—Okay, contas-me mais sobre eles depois de irmos comer um bolo ou alguma cena, o Paulo e o João vieram comigo mas ficaram à minha espera no passeio, sei que vens sempre para aqui então desci as escadinhas e vim a ver se estavas cá. Eu sozinha com aqueles dois não dá! Tenho de ter alguém interessante com quem falar!- discursou ela.

—Ham, okay, eu aceito uma bola de berlim, cheia de creme, ahaha- ri-me."

E foi assim que conheci um dos muitos desenhos que fiz. Gostas-te da história?

—Sim pai, amanhã contas a história da menina que tinha 3 braços?

Claro filha, boa noite.

Notas finais
Obrigado por lerem até ao fim.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!