A história de nós dois

1 Festival esportivo


Notas iniciais
É isso, bem vindo a quem vem! Para os que não me conhecem, é um prazer os ter por aqui, espero que seja uma ótima experiência pra todo mundo. Aceito críticas construtivas e respondo todos os comentários com carinho, então não precisa ficar com vergonha da tia aqui :) Quem me conhece e já sabe como eu escrevo, pode esperar isso que a gente já sabe que ta esperando quando se trata de mim. Se é que me entendem ;) Um beijinho e bom capítulo.

O resultado do sorteio das chaves apareceu no telão, diante de multidão, gerando um murmurinho coletivo que rapidamente se espalhou pela plateia. Os únicos a permanecerem em silêncio foram os poucos alunos de pé, ainda no centro do ginásio. Shoto se manteve calmo enquanto analisava sua situação em relação aos colegas. A fase de lutas individuais começaria a seguir e seu primeiro oponente era Tokoyami, sobre quem tinha uma óbvia vantagem estratégica, mas sabia não poder subestimar.

Em relação ao Midoriya e ao Bakugou, estavam em chaves tão distantes que só seria possível se enfrentarem na final. Tudo indicava, porém, que a penúltima luta seria entre os dois, o que o colocava em uma posição interessante. Aquela era a última chance de ficar em primeiro de todo mundo e ele não estava disposto a desperdiçá-la no terceiro ano, ainda que tivesse ciência do claro favoritismo de Midoriya.

Apertou os dentes enquanto seguia para a arquibancada reservada ao pequeno grupo que havia passado do segundo teste. Seria o último a lutar. Sentou-se na segunda fileira e repousou as mãos sobre as pernas. No canto esquerdo, Monoma se gabava para quem pudesse ouvir da grande quantidade de alunos da classe B a chegarem na última fase esse ano, estando ele incluído, enquanto na fila de trás, Kirishima contava para Tokoyami e Midoriya sobre como tinha pena e inveja de Tetsutesu por ter pego Bakugou como primeiro adversário. Podia entendê-lo, já que devido ao grande período em que treinavam juntos, ele com certeza teria sido mais páreo para as explosões que jogaram o outro para fora do quadrado.

Iida entrou logo depois contra uma menina da classe B e Shoto pode ouvir o tempo todo atrás a torcida dos outros rapazes com gritos de incentivo e eventuais palmas. No fundo, também estava torcendo, mas manteve-se em silêncio, mesmo depois sua vitória.

Em seguida, Yaoyorozu lutaria contra Kuroiro e a torcida atrás de si diminuiu, uma vez que Midoriya foi para a sala de preparação junto com Jiro a reclamar de não poder assistir a vitória da colega. Entretanto ela mesma não conseguiu oferecer resistência nenhuma quando Midoriya literalmente arremessou-a antes que pudesse perceber. Era realmente impressionante e assustador a quantidade de controle que ele tinha conseguido atingir em relação aos outros anos.

Hakagure e Monoma travaram uma luta invisível em que, de alguma forma, ela saiu vitoriosa. Mineta e Awase tiveram uma batalha mais tática em que o segundo ganhou por pouco. Quando chegou a sua vez, dirigiu-se para a sala de preparação antes que os próximos competidores aparecessem e respirou fundo, considerando suas opções, porém mais rápido do que o esperado, Kirishima entrou frustrado na sala enquanto Bakugou não parava de reclamar sobre como perder para Shinso era culpa dele por não saber calar a boca.

Após cumprimentá-los, seguiu para o pátio, confiante. Tokoyami, do outro lado, permaneceu imóvel enquanto o sinal para que começassem foi dado pelos professores. Seu plano consistia em cuidar da sombra usando suas chamas enquanto o atingiria diretamente com o gelo. Mas ele era rápido. Vindo do lado direito, um golpe o acertou, fazendo-o cair de lado. Levantou o mais rápido que pôde e correu em sentido anti horário ao redor do colega. Funcionou. Assim que a sombra enfraqueceu, lançou uma grande quantidade de gelo com o objetivo de lançá-lo para fora. Limpou as mãos nos joelhos antes de ter a vitória oficialmente anunciada.

Voltou para a arquibancada para assistir Iida contra Bakugou. Mesmo que Midoriya não estivesse presente, a torcida de Kirishima foi suficiente pelos dois. Foi uma luta difícil de acompanhar até mesmo com os olhos e, no final, a vitória de bakugou foi uma questão de quem tinha os melhores reflexos.

Midoriya entrou na arena contra Yaoyorozu. Pela forma como comentavam, todos estavam esperando uma vitória tão rápida quanto a anterior para o garoto, mas minutos haviam se passado e ela continuava se mantendo no espaço delimitado pelo chão. Era inteligente o suficiente para prever as ações do outro, então mesmo que não pudesse pará-las, podia remediar as consequências. Entretanto, mesmo que sua capacidade de produzir itens tivesse ficado bem mais rápida e complexa, não conseguiu se defender quando Midoriya acertou-lhe forte o bastante para que ficasse no chão após cair.

Soube da vitória de Awase quando estava prestes a voltar à arena. A próxima luta seria a sua. Não sabia direito o que esperar do que vinha a seguir, teoricamente só precisava ficar em silêncio e agir rápido o suficiente para ganhar a disputa contra um telepata. Não pretendia mesmo conversar. Shinso, de pé a sua frente, carregava uma expressão tão sóbria quanto a dele.

— Você sabe que não vai ficar em primeiro mesmo se ganhar de mim e do Ayase, não é?!

Escutou-o gritar em tom de deboche. Tudo que precisava fazer era não responder. Lançou uma coluna de gelo para frente, mas não ficou surpreso quando ele desviou. Desde que tinha sido transferido para a turma B no último ano, Shinso vinha treinando quase incessantemente com Aizawa. E os resultados eram óbvios.

Shinso continuou, enquanto corria em sua direção:

— Talvez seu destino seja mesmo ficar em segundo! Acha que existe algo como maldição de família?

Apertou os olhos, enquanto se desestabilizou-por um segundo, suficiente para que o rival lhe acertasse em cheio com um um chute, que não foi suficiente para derrubá-lo. Por reflexo, empurrou-o de volta usando um monte de gelo, carregando-o até que o garoto se esquivasse de novo.

— Seria eufemismo da minha parte dizer o quanto você se parece com Endeavor quando luta? Ou você finge que não ouve os comentários na televisão? — Shoto lançou outra coluna de gelo e então uma de fogo. Estava impaciente para acabar com aquilo logo, mas Shinso apenas se defendia e esquivava, tirando momentos oportunos para puxar assuntos cada vez mais irritantes. — Por acaso você também trata mal as mulheres?

Aquela simples frase o fez perder completamente o controle do ataque, que foi para qualquer lugar, menos na direção do outro. Sentiu a cabeça quente e chegou a abrir a boca para responder, mas parou no mesmo instante. Um soco o acertou na bochecha e imediatamente sentiu gosto de sangue. Conseguiu parar a mão do rival antes que fosse atingido novamente. Shinso pulou para trás para que a chama não o alcançasse, mas não conseguiu desviar quando Shoto se lançou contra ele, derrubando-o no chão e o acertando com o punho fechado, vezes o suficiente para que o desmaiasse e ainda assim precisasse ser parado pelos professores.

A plateia estava completamente em silêncio enquanto sua vitória foi anunciada, e ele também assim permaneceu ao voltar para a saleta emburrado, sem nenhuma vontade de assistir a luta seguinte, mesmo que tivesse sido a mais esperada antes. Topou com Midoriya na porta, agitando-se de tão ansioso. Encaram-se por um breve momento, até que que o nome do outro fosse chamado, fazendo-o correr em direção ao portão de onde Shoto viera.

— Todoroki-kun! — Virou-se na direção da voz que o chamou. Midoriya estava com uma das mãos na parede e gritava apressado. — Eu acho que Todoroki-kun pode ser quem quiser, inclusive o número um!

— Você deveria estar me dizendo isso? — Retrucou instintivamente. Era uma competição afinal.

Ao invés de receber uma resposta, assistiu-o apenas sorrir e sair para o pátio como um foguete. Voltou a sala e sentou em uma cadeira, refletindo sobre o que acabara de acontecer. Midoriya sempre dizia esse tipo de coisa sem pensar, mas aquela vez tinha sido o suficiente para pelo menos retirá-lo do estado ao qual a batalha anterior o induzira. Apoiou a testa em uma das mãos e sorriu. É claro que estava certo, aquilo havia sido apenas um jogo mental barato para fazê-lo falar e, por pouco, não funcionou. O ideal agora era ficar calmo e se concentrar no próximo oponente.

Ao ouvir uma explosão, que chacoalhou todo o mobiliário ao redor, Shoto deu-se conta do que perdia e correu para as arquibancadas, parando apenas quando suas mãos tocaram o guarda-corpo que o separava da arena. Todos estavam quietos observando a batalha entre Bakugou e Midoriya, provavelmente a mais esperada de todo o evento, inclusive pelos professores e profissionais que os observavam. E era realmente incrível de assistir. A forma como corriam, saltavam e golpeavam-se em pleno ar beirava o assustador.

A plateia precisou se proteger quando Midoriya desferiu um chute para baixo, destruindo completamente o chão de cimento e causando uma onda de choque que se espalhou pela torcida inteira. Quando a poeira finalmente baixou, Bakugou estava deitado imóvel em cima de um escombro, sendo observado pelo outro rapaz ofegante.

Já havia ouvido dizer que ninguém seria páreo para Deku esse ano, mas aquele nível de destruição, e ainda conseguir permanecer inteiro, foi um choque até mesmo para a sua turma. Assim que a vitória foi anunciada, viu-o correr para saber se o colega estava bem, com uma expressão de preocupação. De repente tudo fez sentido. Ainda que não se machucasse mais, ele não estava controlando muito bem todo aquele poder e quebrar todo o ginásio não fora nem um pouco intencional. Shoto poderia tirar vantagem disso.

Tiveram um intervalo de alguns minutos enquanto o local era instantaneamente reconstruído pelo professor. Quando entrou novamente contra o Ayase, era como se o clima ainda estivesse focado nos alunos anteriores. Ninguém pareceu fazer menção de surpresa com sua vitória agora, mas certamente os faria se surpreender a seguir.

Não precisou nem sair do tablado para esperá-lo subir os degraus e se posicionar novamente sob as vistas de todos. O cabelo cacheado emoldurando uma expressão determinada.

Inspirou profundamente com intuito de se acalmar. Tinha uma estratégia. Assim que o início da luta foi anunciado, Midoriya partiu diretamente ao seu encontro. Shoto criou uma parede de gelo, cujo tamanho era toda a extensão da quadra, no intuito de jogá-lo para trás. Precisava manter a maior distância possível, pois qualquer golpe direto o arremessaria para fora.

Exatamente como o esperado, viu o garoto pular por cima do muro e preparar um ataque à distância. Imediatamente esquentou o máximo que conseguiu e bateu de frente, gerando uma explosão que atirou ambos para trás, mas diferente do Bakugou, ele tinha o gelo como método de defesa. Por pouco, Midoriya conseguiu ficar dentro da área marcada. Estava dando certo. Sentia-se cada vez mais quente e as explosões iam aos poucos afastando-os do centro. Uma hora o controle do garoto falharia, era uma questão de resistência.

Na quarta vez, Midoriya manteve-se no chão enquanto partia para o ataque novamente, no entanto ao invés de passar por cima, destruiu a parede com um soco que quase atirou o outro rapaz para fora. Shoto recobrou o equilíbrio com dificuldade na beirada da arena. Chiou. Estava ofegante e o calor do seu corpo tinha ficado perigosamente alto. Talvez fosse capaz criar mais uma ou duas explosões como aquelas ainda, mas seria perigoso demais, dado onde estava agora.

Encheu-se de frustração enquanto duvidava do que vinha fazendo. Não importa o quanto tentasse, sentia como se os níveis entre eles fossem completamente diferentes, como se tivesse algo em Midoriya que excedesse o próprio uso de sua individualidade e, que ia além de estar em primeiro ou segundo lugar. Algo que lhe faltava.

Tudo o que podia fazer agora era esquivar e manter a distância, usando os próprios ataques para prevenir os do outro, esperando conseguir uma melhor posição para usar sua última chance.

Quando atingiu o ponto ideal no meio da arena, concentrou-se em rebater toda a força de um chute com a onda de choque das chamas. Direcionou toda a luz do seu lado esquerdo para o ponto específico. A explosão, porém, o jogou para trás com mais energia do que aquela com a qual estava habituado. Era o momento de descontrole que havia esperado.

Contava com criar muito gelo atrás de si para frear-se, mas antes que seu reflexo funcionasse, Midoriya corrigiu a própria trajetória com um giro e voltou em sua direção, acertando-o com um soco forte o suficiente para lançá-lo contra a parede em alta velocidade.

Encolheu-se e fechou os olhos, esperando o pior. Mas logo antes do impacto, dois braços envolveram seu torço por trás e ele bateu em algo mais macio do que concreto, ainda com força suficiente para somente conseguir escutar um estrondo antes de cair no chão, atordoado.

Levantou devagar. Escorregando de suas costas, Midoriya despencou inconsciente no gramado, as duas pernas visivelmente quebradas. Demorou um tempo para entender o que havia acabado de acontecer: para que não morresse no impacto, o garoto tinha usado todo o poder da sua individualidade para se pôr entre ele e a agora destruída contenção de concreto que os impediu de atingir a arquibancada.

Avistou dois professores vindo do outro lado do pátio e então seu nome foi anunciado como vencedor da disputa, desencadeando uma onda de aplausos da plateia. Franziu o cenho, incomodado.

— O que estão fazendo?! — Gritou com Cementoss enquanto Midnight levantava Midoriya do chão — Claramente eu perdi!

— Não é o que está parecendo aqui, garoto. — O professor gesticulou em direção ao estrago feito pelos dois. Seu tom de voz anunciava o quanto estava descontente em relação ao perigo que aquele final de luta havia representado para todo mundo. — Ele pisou fora do tablado e então foi nocauteado pelo próprio golpe, enquanto você ainda está de pé.

— Eu já tinha perdido, — continuou com o mesmo tom de irritação. — eu ia bater na parede! Se ele não tivesse me salvado eu estaria morto.

— Errado. — Midnight tinha o outro rapaz entre os braços como se fosse uma criança. — Você teria perdido, e talvez estivesse morto, caso Midoriya não tivesse feito nada. Ele tomou a própria decisão.

Cerrou os punhos, incapaz de discutir, e deixou-se ser ajudado durante o percurso até a enfermaria. Depois de constatado que estava bem, saiu sozinho em direção à sala de espera, onde puxou uma cadeira e sentou de braços cruzados. Não demorou muito até Bakugou chutar a porta e berrar com ele qualquer coisa que não estava disposto a prestar atenção. O último a entrar foi Midoriya, com a cabeça enfaixada e sendo carregado por uma muleta. Encararam-se. Havia muitas coisas a se perguntar, mas naquele momento apenas assistiu os dois rapazes à sua frente discutindo.

Assim que o ginásio terminou de ser novamente reconstruído, foram chamados para a premiação. Bakugou saiu na frente a passos largos e carrancudos. Começou a segui-lo quando Midoriya o parou usando um gestual um tanto quanto desajeitado.

— Parabéns, Todoroki-kun.

Engoliu os próprios questionamentos acerca da luta diante do meio sorriso do outro. Estava obviamente contrariado em relação a sua vitória, mas não era apenas isso que o incomodava. Novamente estava tendo aquela sensação, como se houvesse nele algo que fosse além da própria disputa de posições. Alguma coisa a mais… Curvou-se sutilmente como agradecimento e o acompanhou, sentido a cabeça pesada.

Receberam as medalhas do próprio All Might, acompanhadas de um abraço e um “bom trabalho”. Aquele seria o último ano dele como professor, então havia uma certa melancolia coletiva no ar disputando com a excitação do torneio.

Olhou para o lado, em direção ao segundo lugar. Mostrando a prata em suas mãos para os vários fotógrafos e pessoas da televisão, Midoriya parecia brilhar. Tinha uma genuína expressão de divertimento no rosto, que Shoto pegou-se observando boquiaberto até que lhe chamassem atenção para uma foto.

Ao término das formalidades, foram encontrar o resto da turma na saída do ginásio. Agradeceu por todas as parabenizações enquanto Midoriya precisou praticamente dar um relatório de como estava se sentindo e Bakugou dispensou qualquer comemoração dos amigos. Pelo que haviam combinado, dali todos iriam sair juntos para algum lugar. Entretanto, mesmo sob protestos, Shoto desculpou-se e preferiu seguir para os dormitórios sozinho. Chegando ao quarto, apoiou-se no guarda-corpo da varanda, pensativo, e suspirou. O significado daquela medalha lhe pesava os ombros.

Notas finais
Aqui é a sessão que eu perco a dignidade e imploro comentário pra vocês, tranquilo? Comenta aí, por favoooooor, não custa nada, nunca te pedi nada, por favor, faz isso por mim. Tenha carinho, me ajuda a continuar motivada, por favor comenta *--* É isso. ♥