A herdeira das Sombras: entre luz e sombras

3 Capítulo 3: Uma Amizade Surge


Uma bela moça de cabelos cacheados castanhos, com a pele de um tom semelhante à sardonyx, de altura mediana, vestia um vestido medieval preto com detalhes dourados. Ela entrou no quarto de sua amiga, surpresa por ainda não ter encontrado Luna na recepção do café da manhã, como de costume. Havia algo estranho no ar, uma sensação de que as coisas não estavam exatamente como deveriam.


Com cuidado, a morena abriu a porta, esperando encontrar Luna em meio à sua rotina frenética, mas o que encontrou foi uma cena inesperada. Lá, no meio dos edredons, estava a ruiva, dormindo profundamente.


A cacheada parou na porta, surpresa. Há quanto tempo não via sua amiga dormir de forma tão descompromissada, esquecendo-se até das suas obrigações? Ela sentiu uma pontada de dó, não queria acordá-la, mas sabia que se não fosse ela, alguém mais teria que fazer isso, e certamente isso acabaria deixando Luna de mau humor o resto do dia.


Suspirando, Maia foi até a cama, sentou-se ao lado de Luna e, com suavidade, passou a mão pelos cabelos da amiga, fazendo-lhe um cafuné. Sua voz era calma e baixa, mas firme.


— Luna, acorde, está ficando tarde — disse, tentando chamar sua atenção sem ser brusca.


Quando a ruiva não se mexeu, Maia se preocupou. A balança mais forte, tentando acordá-la, até que Luna despertou, assustada, com os olhos arregalados, vasculhando o ambiente. Seus olhos finalmente se encontraram com Maia, que a olhava com uma expressão confusa.


— Desculpe, Maia — Luna murmurou, esfregando os olhos ainda pesados de sono, antes de guardar rapidamente a adaga que estava embaixo do travesseiro.


— Não, está tudo bem, você só acordou assustada — respondeu Maia, com um sorriso aliviado. Ela sentiu um breve frio na espinha ao ver a faca, mas logo se recompôs.


Luna, ainda sonolenta, se espreguiçou, bocejando. Sua expressão mudou de surpresa para desconforto.


— Mas o que está fazendo aqui, Maia? Ainda deve ser cedo… — disse ela, retirando o cobertor com relutância. O movimento foi um reflexo de sua aversão à ideia de sair da cama.


A jovem de cabelos cacheados a observava, preocupada. A última vez que Luna tinha sido tão desatenta com o tempo fora durante missões difíceis. Havia algo errado.


— Você… realmente não sabe que horas são, Luna? — Maia perguntou, desconcertada.


Luna balançou a cabeça, desconcertada. Ela não sabia que já estava tão tarde. Maia olhou para ela, tentando entender o que estava acontecendo. Algo não estava certo, mas o que?


— Já estamos quase na hora do almoço, Luna. O que aconteceu para você dormir tanto? Não é como você — Maia comentou, mais tranquila, mas ainda intrigada.


Luna se encolheu, um leve rubor surgindo em seu rosto. A lembrança da noite anterior ainda a atormentava. A visão da dama misteriosa na floresta… Era como se sua mente tivesse capturado aquele momento e não conseguisse afastá-lo. Ela olhou para Maia com uma expressão distante e, por um instante, se sentiu vulnerável.


Maia percebeu a mudança de expressão e não pôde deixar de perguntar:


— Está tudo bem? Você parece… diferente.


Luna afastou o olhar rapidamente, tentando esconder o que sentia.


— Não aconteceu nada — respondeu, com um tom de firmeza forçada, tentando se manter distante. — O que você acha que aconteceu?


Maia deu uma risada nervosa e balançou a cabeça, tentando aliviar o clima.


— Nada, Luna. Acho que você está só cansada, a missão deve ter sido mais exaustiva do que imaginávamos — disse ela, tentando desviar da tensão que agora preenchia o ar. Ela sabia que Luna estava escondendo algo, mas não pressionou.


— Você deveria se levantar, sabe que o Alex e o Ethan vão pirar se você não aparecer para o almoço. E tem a reunião também. — Maia se levantou, sorrindo, tentando suavizar o ambiente. — Vou te deixar se trocar, está na hora de voltar à realidade.


Luna se sentou na cama novamente, com uma expressão frustrada. Fechou os olhos por um momento, respirando fundo, e deixou o peso da perda e da dúvida tomar conta de si. A lembrança da festa e a dor de seu pai ainda eram demais para ela.


Após alguns minutos, ela se levantou, caminhou até o banheiro e se preparou para o dia. Quando entrou na banheira, mergulhou na água quente, sentindo o calor aliviando os músculos tensos. Fechou os olhos, permitindo-se um breve momento de tranquilidade, enquanto sua mente se perdia em pensamentos. A morte de seu pai, a missão e agora a figura misteriosa na floresta… Ela fechou o punho com força, sentindo uma cicatriz no peito.


— Ainda é só o começo, mãe… — sussurrou entre lágrimas. — Eu ainda vou acabar com esse conflito. Eles vão aprender a nos respeitar e nossas diferenças.


Suspirou, tremendo, e se levantou, sentindo a água gelar ao seu redor. Depois de se secar, vestiu uma roupa de tom esverdeado, com pedras douradas que brilhavam sob a luz suave do dia.


Ao descer para o almoço, Luna sentia uma energia renovada. Ela se uniu aos outros membros da rebelião na sala de refeições, onde a conversa fluía entre sorrisos e cumprimentos. Os olhares de Alex, Ethan e Maia estavam em ela, e Luna sentiu uma leve pressão sobre os ombros, mas conseguiu sorrir de volta.


Após o almoço, os líderes se reuniram para discutir as próximas etapas da missão. Luna se esforçava para se concentrar, mas a figura misteriosa continuava dançando em sua mente. Algo estava acontecendo, e ela não sabia ainda como lidar com isso. Mas, por ora, ela optou por guardar suas dúvidas.


À noite, depois da reunião, Luna caminhou até a floresta novamente, como se fosse atraída por uma força invisível. Ela foi até o mesmo local onde vira a dama misteriosa, e para sua surpresa, lá estava ela novamente, sentada na grama, com um olhar tranquilo, observando as estrelas.


Luna hesitou, mas se aproximou. Sentou-se ao lado dela, ainda em silêncio, observando. O tempo parecia parar ali, entre as árvores e a vastidão do céu.


— Eu sabia que voltaria — a dama disse suavemente, sem virar o rosto. Luna ficou surpresa, mas também sentiu uma estranha sensação de alívio.


— Como sabia? — perguntou, desconfiada, mas com uma ponta de curiosidade.


A dama sorriu levemente, seus olhos prateados brilhando sob a luz da lua.


— Eu sou Meissa, e você é Luna, a dama que observa. — Ela se levantou e deu um passo à frente, virando-se para Luna. — Mas não precisa mais me observar.


Luna engoliu em seco, sua mente ainda confusa, mas ela seguiu Meissa, deixando-se levar pela atração de algo inexplicável, algo que se desafiava a entender.


— Eu não estava observando você — Luna respondeu, um pouco tímida, defendendo-se, mas sem convicção.


Meissa riu suavemente, e Luna, pela primeira vez, se viu sem palavras, sem saber como lidar com o que estava acontecendo. Essa sensação era nova, e Luna não sabia se estava pronta para ela.


— Parece que sim — Meissa disse, ainda sorrindo, e se sentou no chão. Luna, sem hesitar, se juntou a ela, sentando-se ao seu lado.


O silêncio se instalou, mas era um silêncio diferente, confortável. Luna olhou para as estrelas, sentindo uma paz que não sentia há muito tempo.


"Acho que este é o começo de uma nova amizade" pensou Luna, sorrindo suavemente.