A guardiã da Noite - A primeira noite
4 Capítulo 04 - A melhor defesa é o ataque
–Por favor, não traga a noite de volta — uma pequena potra disse com olhos suplicantes para Luna — não quero que nada de ruim aconteça novamente.
Luna se sentia péssima com aquilo.
–Não podemos viver em um mundo sem a noite — ela explicou — se o sol nunca se por tudo no mundo nunca descansar, os animais que se alimentam durante a noite não irão sobreviver…
–Mas eu estou com medo — ela disse — aquela coisa… ninguém conseguiu vê-la, mas eu soube que ela pegou o Flint e o matou tão rápido que a mãe dele nem conseguiu chegar perto a tempo. E se… e se eu for a próxima? Eu não quero morrer — lagrimas escorreram pelo seu pequeno rostinho.
–Querida — Luna disse sorrindo para ela — escute, nada de mal vai te acontecer, eu não vou deixar. Eu e Celéstia temos magia ao nosso lado, podemos fazer de tudo, só precisamos saber como derrotar essa criatura. Você só precisa ser corajosa e confiar em nós, pode fazer isso?
Mais lagrimas escorreram pelo rosto da potra, Luna a abraçou a envolvendo com as suas asas.
–Vai ficar tudo bem.
–Luna — Celéstia chamou.
–Preciso ir — Luna disse — mas vai ficar tudo bem, eu garanto.
Ela se afastou da garotinha que, ainda chorando, observou Luna ir até Celéstia. As duas irmãs se olharam e baixaram o tom da voz.
–Acho que devemos atacar a criatura.
–O que?
–Não podemos só ficar sentadas esperando ela nos dominar mais uma vez! Temos que reagir antes que ela.
–Tia, não sabemos como derrotá-la!
–Sabemos que ela é sensível á luz — Celestia respondeu e um leve brilho saiu de seu chifre — podemos usar isso novamente, só que com mais força.
–Isso só a afasta. Mas não a destrói.
–É o que temos por enquanto — ela explicou e respirou fundo, olhando em volta — nem todos os pôneis voltaram ainda.
–Precisamos fazer mais uma varredura antes de eu trazer a noite. Mas e quanto a eles? Onde ficarão?
–Acho que aqui é o melhor lugar.
–E se não a determos? Eles estarão cercados e indefesos.
–Não sei… teremos que tentar.
Luna não gostava nem um pouco de tudo aquilo, não parecia certo. Ela observou todos os pôneis abatidos e não pôde deixar de sentir culpa. As coisas não podiam ser a assim, a noite não deveria trazer apenas o medo e a morte. Tinha que ter um jeito.
Ela e Celestia saíram da caverna para fazer uma ultima varredura pela floresta. Elas chamavam pelos pôneis desaparecidos, avançando o mais fundo que podiam. Mas não encontram mais ninguém. Voltaram rapidamente para a caverna onde todos as esperavam com olhares ameaçadores.
–Exigimos que não tragam a noite de volta — um deles disse.
–Nós já dissemos que isso é impossível. A noite precisa existir! — Luna protestou.
–Vocês preferem esse tal equilíbrio ao invés de nossa segurança! — o mesmo respondeu.
–Ah, não aguento esses cabeças duras — Luna respondeu virando as costas.
–Luna, calma — Celéstia murmurou para ela e então se voltou para os pôneis — escutem, vocês precisam confiar em nós. Eu sinto que liberar a magia não foi um erro, e acredito que encontraremos uma forma de deter esse monstro.
–É? Mas quando? — ele respondeu — quantos de nós ainda estaremos vivos quando vocês encontrarem essa solução maravilhosa?
Luna olhou feio para ele. Não conseguia acreditar que aquilo realmente estava acontecendo. Já estava se sentindo mau o suficiente pelas mortes da noite anterior, mas já não aguentava mais discutir com todo pônei toda vez que eles conversavam.
–Você quer que a gente morra — disse o pônei e apontou o casco na direção de Luna — quer trazer essa noite para que a criatura venha e nos mate. Sei que nunca gostou muito de nenhum de nós! Desde sempre você foi assim!
–Isso não é verdade! — Luna disse com lagrimas nos olhos.
–Parem com isso! — Celéstia gritou — eu só quero que confiem em mim!
–Não confiamos em vocês! Odiamos vocês!
E então Luna sentiu a presença sombria da criatura novamente. Ela olhou ao seu redor, assustada, procurando o monstro, mas não o viu. Se ela trouxesse a noite naquele instante, sabia que a criatura apareceria já no meio deles.
–Ela já está aqui — Luna murmurou para Celéstia — o que faremos?
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